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Sobre o Tempo e as Letras…

junho, 11 - 2008

 

 

Minha incursão na literatura começou em uma nebulosa tarde de julho de 2004.

Sempre tive muitas histórias em mente, herança de uma adolescência repleta de tédio e ócio criativo. Algumas dessas histórias eu trazia – trago – na cabeça desde os 10 anos de idade; portanto, dá pra dizer que elas me acompanham a maior parte da vida, e meus personagens já são tão íntimos e presentes que, definitivamente, são meus melhores amigos (e quem nunca teve amigos invisíveis atire a primeira pedra).

E por que comecei a escrever naquela tarde de julho, em especial?

Não sei dizer. Lembro que me debrucei na janela a pensar numa história – aquela que passara dez anos tomando forma na minha mente – e senti uma vontade irresistível de lhe dar vida. As palavras surgiram, foram se encaixando. O roteiro estava pronto, escrito em pensamentos, nítido! Era só sentar e escrever, e foi isso que fiz: sentei, escrevi sem censuras, sem um propósito maior do que fazê-lo para mim mesma. Persisti nessa teimosia por um bom tempo, por trezentas páginas e inúmeros fins de semana de exercício no teclado. Aos poucos reparei que escrever não é fácil. Eu não comecei escrevendo bem. Minha narrativa era uma porcaria, mas uma porcaria dotada de evolução, capaz de progredir, capítulo a capítulo, com certa dose de paciência. Conforme o romance crescia e a escrita melhorava, aparecia também a ambição de querer publicá-lo um dia. Estava apaixonada pelo meu livro, mas sabia que ainda haveria de apanhar muito para me tornar uma escritora. Iria encarar esse desafio?

Escrevi e reescrevi o mesmo romance na esperança de amadurecer a narrativa até chegar num resultado publicável – um resultado em que, honestamente, nunca cheguei.

Foi então que alguém me disse: escreva contos! Contos são uma ótima escola para quem quer aprender a contar histórias. Por que não tentar?

O primeiro conto que escrevi foi O Homem Atômico, publicado na coletânea Visões de São Paulo. Depois disso, recebi o convite para publicar contos mensais no site Novas Visões de São Paulo (hoje, Novas Visões: http://www.novasvisoes.com.br). Sim, escrever contos é uma boa oficina para contadores de histórias, recomendo! Em poucos meses escrevendo contos aprendi mais sobre técnicas narrativas do que em dois anos quebrando a cabeça em um romance impossível.

Você pode perguntar: o que foi feito do romance impossível? Ele está engavetado. Não quer dizer que esteja abandonado, somente está a espera de uma escritora mais experiente, capaz de contar essa história como ela merece ser contada.

Os contos? Bem, eu fui juntando numa pastinha… Quando percebi que tinha algo apresentável – uma massa crítica – comecei a pensar em fazer uma coletânea. Dei ao projeto o nome provisório de “Fábulas do Tempo e da Eternidade”, que acabou virando o título definitivo. Não sei se é um bom título, mas certamente eu não consigo vê-lo de outro modo, pois define bem a temática das histórias.

Alguns dos contos foram primeiramente publicados no site Novas Visões (Além do Invisível; De Onde Viemos, Para Onde Vamos; A Outra Metade), dois deles foram vencedores de um concurso de contos da revista Scarium (As Asas do Inca e “A Relíquia da Inesgotável Sabedoria”, rebatizado como Nascidos das Profundezas), e outro foi publicado recentemente na coletânea FC do B (Assassinando o Tempo). Todos os contos foram reformulados para a coletânea e revisados à exaustão. Mesmo quem já tenha lido um ou outro, pode reconsiderá-los como inéditos.

Fechar a coletânea não foi exatamente fácil. Os contos foram escritos em um intervalo de dois anos; parece pouco tempo, mas é bastante para um escritor iniciante. Como resultado, a maior parte dos textos foi reescrita uma, duas, três, até quatro vezes. Alguns contos que pareciam muito promissores encalharam sem que eu jamais conseguisse chegar a um fim. Alguns foram cortados, outros entraram na última hora. Apesar desse vaivém louco, o resultado final não é uma coletânea de histórias independentes, mas uma colcha de retalhos alinhavados, de contos conjugados, continuações, histórias que se passam no mesmo universo ou que guardam conexões misteriosas umas com as outras.

Histórias de ficção científica e fantasia, sobre o tempo, a tecnologia, a finitude, a existência, a inexistência, a impermanência, a eternidade. Com esse livro, aciono o cronômetro da minha vida e da minha carreira.

 

Faltam pouco mais de vinte dias para o lançamento do meu primeiro livro, e o que eu posso dizer a respeito?

Quatro anos depois daquela tarde nublada em que comecei a contar histórias, me tornei uma escritora. Fiz o caminho das pedras, aprendi a lição de casa e vejo uma ladeira íngreme à frente me dizendo que o caminho nem sequer começou. Seguirei aprendendo, imaginando, criando… Encarando a vida como uma oficina, e a obra, sua continuidade.

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5 comentários

  1. É, definitivamente começar pelos contos é uma maneira de começar certo, dá para ir apresentando ao público, em gotas, seu estilo de escrita. A essa altura, um romance já não seria surpresa. Torço para que você publique um romance! 😀
    Parabéns pelo livro!


  2. Olá, dona Cristina. I like what you’ve done with the place!
    Pus um pequeno post no meu pequeno blog sobre o seu lançamento para espalhar a animação e aumentar o coro da contagem regressiva.


  3. Gosto muito de ficção e seu livro parece ótimo! Com certeza irá fazer parte do meu acervo! Desejo-lhe muita sorte e iluminação neste caminho que está começando a trilhar!
    A propósito, você tambem é linda!

    Longos dias e belas noites sobre a terra!


  4. Puxa, interessante saber que, de uma forma ou de outra, os contos se fizeram seus aliados na escrita… Eu adoro ler contos e adoro contar histórias, e faço dos contos meus mundos, com os quais cresço, crio e sigo aprendendo, pq escrever é esse eterno aprendizado onde nunca é demais evoluir.

    Estou ainda mais interessada em ler as “Fábulas do tempo e da eternidade”, por mais que a lista de espera de leitura esteja gigante.

    ;*


    • E eu desejo boa leitura espero que goste, Bruna!

      Beijos!



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