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No país dos analfabetos funcionais

novembro, 15 - 2008

Raras são as edições que ultrapassam 3 mil exemplares, raros são os escritores que esgotam a 1ª edição. Estima-se que não há mais de 3 mil leitores de literatura brasileira contemporânea, três mil é a tiragem de um livro numa grande editora.

Esses números estão na matéria de Bob Fernandes para o Terra Magazine, descrevendo o status triste do mercado editorial e da literatura brasileira, inseridos num gigante país de analfabetos funcionais, onde os livros são superfaturados e acabam se tornando para a média da população objetos sagrados ou meramente ornamentais. Bob cita o testemunho de um escritor americano residente no Brasil, que compara os escritores brasileiros a uma gangue de loucos, pois vivem num mundo restrito sem perceber a pouca abrangência de seu trabalho.

Terminei de ler essa matéria com uma certa tristeza, concordando com cada linha. Há tempos estou inquieta perguntando: como vamos mudar isso? Se as escolas empurram para os alunos clássicos tão densos, de cuja leitura eles jamais conseguirão extrair qualquer prazer? Se por força do vestibular uma pilha de livros chatos são empurrados na marra para quem nunca teve o hábito de ler?

Vou lançar uma campanha: faça a sua parte, dê um livro legal para uma criança que você conhece!

É o que eu vou fazer.

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7 comentários

  1. Pena que isso não adianta.

    Tenho tios que moram em Floripa, são artistas plásticos e super cultos. Sempre deram livros de presente pra criançada (leia-se eu e meus primos) no Natal.

    Pergunta quantos deles lêem com freqüência, hoje em dia? Aliás, pergunte quantos deles leram aqueles livros que ganharam?

    Pois é. Não vejo muitas saídas pra isso, exceto internacionalizar. E usar a web, junto. Mas, já sou repetitivo no argumento…

    :**


  2. Eu fiquei meio surpreendida com as cifras das tiragens dos livros, porque quando um livro dizia que vendeu, sei lá, 10 milhões, achei razoável supor que a tiragem de um livro de FC fosse de 10 mil para cima… Putz, mil a 3 mil só? 😦 Angustiante…
    É louvável a idéia de dar livros de presente, mas como o Fernando disse, nem sempre adianta. Mas não custa tentar fazermos a nossa parte.
    Sabe o que acho legal? É aquele Natal nos Correios, em que você pega uma carta de uma criança nos correios e compra o presente que ela pediu (muitas vezes, é apenas um caderno, lápis e caneta). O Correios banca a postagem do presente para a criança carente.


  3. Engraçado que dentro desse clube tem um grupo ainda menor de obsessivos com ficção científica. Bem ativo ultimamente. uma patologia ainda mais grave.

    Dou aulas para jovens na periferia e um deles me pediu um livro do Martin Luther King para ler. Tá indo no ritmo que ele mesmo explicou que é devagar.
    Não sabia que tinha glossário no final do livro, tive de mostrar. O interesse existe pelo menos. Eles lêem muita revista. Nesse caso talvez uma “aula de leitura” seja uma opção.

    Acho que o uso de internet na sala de aula essencial, mas nesse caso é preciso de inclusão digital antes. E aí existe a dificuldade do duplo analfabetismo funcional, que também existe a nível digital. Vejo que muitos sabem usar computador em nível muito básico, ver orkut, msn e quando muito manipular um programa de edição de imagens do windows. É uma boa ferramenta mas acarreta um duplo trabalho.


  4. “Vou lançar uma campanha: faça a sua parte, dê um livro legal para uma criança que você conhece!”

    O problema é que livros? E como convence-las a ler? :/


  5. Tem que ser um livro LEGAL, não vale ser o seu, ok?


  6. Essa minha mensagem tá meio atrasilda, mas como dizia o velho ditado “fardo mas não talho”… rsrs.

    O problema com o presente em forma de livro é que não basta o livro ser legal na nossa opinião somente.

    O foco deveria ser sempre se aproximar do interesse do presenteado. Livros que falem de temas do interesse das crianças e/ou que as chame por artifícios outros tais como bonitas ilustrações ou títulos chamativos (livros ilustrados sempre foram uma saída muito aceitável a meu ver).

    Minha filha teve que ler uns meses atrás uma versão “amaciada” do Vinte Mil Léguas Submarinas (e eu até peguei uma casquinha lendo pra ela de noite às vezes). Achei ótimo, mas claramente este livro só não foi o suficiente, mas depois refletindo achei que tudo isto depende bastante da constituição psico-física da criança, além das condições de contorno externo. Tem umas tipologias que são de fato muito motoras e o ato fisicamente passivo de ler é incompatível com a forma destas se portarem.

    Mas continuemos mesmo assim a dar livros de presente praqueles que curtem.


  7. Super tenho vontade de fazer isso! Mas de dar não apenas um livro, mas uma coleção.

    O governo poderia presentear os alunos da rede pública com livros bons e interessantes da literatura fantástica nacional e estrangeira, seria um grande passo já.



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