h1

Ensaio sobre a Individualidade

novembro, 16 - 2008

magritte-the-lovers

Os amantes, de René Magritte

O que seria das relações humanas, se em vez de os apaixonados dizerem:

– Eu te amo, sou teu, não posso viver sem ti.

Dissessem:

– Eu te respeito, te valorizo, tu és importante para mim. ?

A mundança parece ser sutil, mas introduz uma nova carga de significado: o conceito de individualidade. Uma visão do amor pós-romântico, em que não há a junção de duas metades, mas a aproximação de dois inteiros, sem que dois seres humanos tenham que se diluir um no outro para se tornarem uma unidade que sempre será instável.

Ser individualista não é o mesmo que ser egoísta. Implica em enxergar o outro como um universo inteiro, tão grande quanto o seu próprio, e compreendê-lo, e respeitá-lo.

É inquestionável que somos criaturas sociais, vivemos numa gigante sociedade que nas últimas décadas se transformou numa aldeia global, talvez por essa razão ao longo da história nossa cultura coletiva tenha criado uma verdadeira fobia à solidão. Não é considerado normal para um indivíduo comum desejar estar sozinho. Mas em que outra condição um ser humano consegue olhar para dentro de si e se perceber como um universo inteiro e completo?

Esses são pensamentos que me vieram depois de ler o artigo do psicoterapeuta Flávio Gikovate, que foi enviado por minha amiga Camila Fernandes. Ele conseguiu traduzir em palavras algo que sinto há muito tempo, a mesma questão que fez com que durante minha vida inteira eu me sentisse alguém fora de contexto, uma garota estranha acostumada à solidão. Agora me sinto melhor, mais acertada com meu lugar no mundo.

Aos individualistas e românticos, indico fortemente a leitura.

Anúncios

11 comentários

  1. Olá, moça talentosa. Bem, sou individualista e romântico, então vou ler o texto recomendado quando tiver um tempinho. Mas por enquanto (e tentando combater um pouco meu individualismo), vim avisar que fiz um blog. Chama-se A Lua Mortal, estou apenas começando, mas já te “linkei” nele. Embora seus textos não sejam de terror (tema principal do meu blog), gosto muito dos seus escritos (mas se de repente vc quiser que eu tire o link, é só avisar). Bjão, se quiser aparecer pra uma visita, o endereço é http://luamortal.blogspot.com/


  2. Olá, moça talentosa. Bem, sou individualista e romântico, então vou ler o texto recomendado quando tiver um tempinho. Mas por enquanto (e tentando combater um pouco meu individualismo), vim avisar que fiz um blog. Chama-se A Lua Mortal, estou apenas começando, mas já te “linkei” nele. Embora seus textos não sejam de terror (tema principal do meu blog), gosto muito dos seus escritos (mas se de repente vc quiser que eu tire o link, é só avisar). Bjão, se quiser aparecer pra uma visita, o endereço é http://luamortal.blogspot.com.


  3. É Cris,
    o relacionamento humano é uma equação um tantinho complicada de resolver, pois sendo autosuficiente a gente evita se decepcionar naquela estória de buscar a metada perdida (Se bem que essa visão é embasada por pensadores como o Platão), mas ser absulotamente autosuficente faz com que a gente perca oportunidades de interagir com outras pessoas e através dessa interação, enriquecermos nossa experiência de vida. Eu penso que se sintonizarmos nosso mente para sermos racionais, ponderados e cartesianos nas nossas decisões, nós perdemos um pouco da nossa capacidade de entender essa sinfonia cacofônica melodramática, apaixonada, fascinante, frustante e irritante chamada vida.

    Apenas minha opinião 🙂


  4. É bem assim que eu penso – e, ainda bem, tenho encontrado cada dia mais pessoas pensando assim também.

    :*


  5. Putz, Gikovate é um PSICOTERAPEUTA. Nada a ver com PSICANALISE.


  6. Ops! Deslize feio. Obrigada pelo toque, Rodolfo. Deve ter sido o efeito-divã 😀


  7. Oi, Cris.

    Aprecio estar sozinha, embora goste de boa companhia.
    Na sociedade tão interativa de hoje gostar de estar sozinho é considerado “estranho”.
    Lerei o artigo recomendado, suas sugestões de leitura sempre são boas.

    Beijos mil!!!


  8. Fico feliz quando um simples PPS enviado por e-mail consegue despertar esse tipo de reflexão a alguém (e essa é a única razão aceitável para se reenviar um PPS anyway rs).

    De todo o arquivo o que mais marca para mim é a distinção que o autor faz entre individualismo e egoísmo. Foi uma boa surpresa ver que algém mais pensa assim. Sempre gostei de pessoas individualistas e sempre tive problemas com as egoístas. Sempre gostei de ser útil àqueles que amo, mas tenho horror de ser indispensável. Sem querer, fujo de quem precisa de mim; prefiro sempre aqueles que me amam sem que na minha ausência tenham falta de ar rs. Isso pode parecer muito lisonjeiro para alguns, mas para mim é a imagem da doença, do horror, de algo que já vivi e sei bem o mal que faz.

    As pessoas usam o amor como um remedinho de tarja preta. Usam-no para mascarar necessidades, não para ampliar prazeres, complementar uma felicidade já existente, como deveria ser. A verdade é que a maioria de nós tem tanto medo de estar só justamente porque estar só é enxergar a si mesmo. Não queremos olhar para nós mesmos. Xeretar o outro, criticar o outro, adorar o outro é sempre mais confortável e inócuo.


  9. Olá, a partir de um link seu na comunidade do orkut “Todos diferentes, Todos iguais” eu cheguei até aki, e gostei desse seu comentário, pois penso igualzinho sobre essa questão, e tbm ao ler uma parte de um livro desse autor, há anos atrás, concordei com muitas coisas q ele disse e percebi tbm q não estou sozinha nessa empreitada de mostrar ao mundo q o amor romântico, levado a ferro e fogo, pode ser um mal muito grande!

    O desrespeito à individualidade do outro, o passar a viver a vida do outro, o negar seu passado para não incomodar (e correr o risco de perder) o outro, essa posse exagerada da vida do outro, incluindo presente, passado e futuro, é o primeiro passo para não vivermos relacionamentos sadios e duradouros.

    Tenho até pensado em escrever sobre essa questão, pois é algo q mexe muito comigo, mas como não sou escritora, acabo protelando… mas, enfim, legal saber q existem pessoas q concordam comigo sobre esse tema, porque tem horas q penso q eu é q estou errada!


  10. Ah, no orkut, sou a Alma Rasgada de Amor e de Sonhos! 😉


  11. Me sinto tão descontextualizada no mundo quanto em um elevador cheio de gente. Não que eu sofra de fobia social ou algo assim, mas as vezes estar sozinha é bom para pensar… E estar sozinha com outra pessoa é ainda mais interessante, quando você sente que você é você e não uma criatura disforme onde só existe um “nós” e não dois eus. Já tive a minha fase “monstro-fofo”, mas agora não mais. Por um curto prazo pareceu estranho, “vazio”, mas de repente era só questão de me reencontrar, desta vez crescida e ciente do meu eu.

    *-*



Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: