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Leituras de 2008

dezembro, 21 - 2008

Retrospectiva em 20 capas. Comentando os mais curiosos, mais interessantes e surpreendentes.

Coletâneas

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Ficções – Jorge Luis Borges                   O Aleph – Jorge Luis Borges

Ficções é decididamente o melhor livro que li em 2008 (o ano em que finalmente conheci Borges!), juntamente como O Aleph, dá pra dizer que compõe uma obra única (em número e qualidade). Não são contos para se engolir de talagada, mas feitos para se apreciar lentamente, como uma taça de conhaque ou uma barra de chocolate amargo. São histórias fantásticas, delírio em cima de delírio, jogos de espelho, labirintos, infinitos… tudo esmeradamente dilapidado numa narrativa refinada, com uma escolha cirúrgica de palavras, ornada de comentários e observações tão cuidadosamente acidentais que faz a ficção se confundir com a realidade. Se Borges não é o melhor contista que já houve (o que é uma afirmação muito subjetiva, afinal, tantos escritores são únicos dentro de seu estilo) é provavelmente o mais cuidadoso e habilidoso.

 

Tempos de Fúria – Carlos Orsi

Tempos de Fúria é daquelas (raríssimas) coletâneas que conseguem ser ótimas do início ao fim. Carlos Orsi é um escritor com estilo já maduro, tem uma narrativa bem natural e solta, cheio de expressões e soluções espertas, e produziu um dos melhores contos da ficção científica brasileira (na minha humilde opinião): Planeta dos Mortos.

 

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Interface com o Vampiro – Fábio Fernandes

Ótimo escritor e tradutor de ficção científica, o Fábio também é dono de uma narrativa muito natural (lembrando que escrever fácil é difícil), seus contos trazem histórias curiosas e surpreendentes. E aqui está outro dos melhores contos da FC brasileira que já li: Em Camadas. A boa notícia é que Interface com o Vampiro está disponível para download.

 

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Stable Strategies and Others – Eileen Gunn

A Eileen é uma autora de quem nunca tinha ouvido falar até que seu livro me caísse nas mãos. Surpresa! Na capa, super-recomendações de Ursula K. Le Guin e Warren Ellis, prefácio de William Gibson. A moça ganhou um prêmio Nebula e disputou dois Hugos, o que não é pouca coisa. Comecei a ler e… sim, leitor, é tão bom assim! A Eileen não é uma escritora prolífica, mas uma autora de uns poucos contos extraordinários. Constrói histórias formidáveis a partir de premissas simples, baseadas em suas próprias experiências pessoais, e com muita criatividade consegue dar ao fantástico a forma que bem entender. O conto que abre o livro, por exemplo, mostra a vida de pessoas comuns em seu dia-a-dia, o detalhe é que todas elas estão em metamorfose: um rapaz está virando uma borboleta toda colorida e vaidosa, o chefe está se transformando num símio, a protagonista está se transmutando numa mulher-mosquito, mas sua transformação final dá uma guinada para fêmea louva-deus. São histórias muito doidas e divertidas.

Macacos e Outros Fragmentos ao Acaso – Jorge Moreira Nunes
FC do B (vários autores)
Como era gostosa minha alienígena! (vários autores)
Necrópole Fantasmas (vários autores)
Necrópole Bruxaria (vários autores)
Portal Solaris (vários autores)
Intempol – Antologia de Contos Sobre Viagens no Tempo (vários autores)
Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica (vários autores)
Fome – Tibor Moricz
Confissões do Inexplicável – André Carneiro

Ficção Brasileira

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Será – Ivan Hegenberg

Recortes acidentais, fragmentos de vidas ordinárias, cenas de uma distopia futurista emaranhadas numa narrativa cujo único foco são as glórias e angústias que perseguem a humanidade a todo momento, em qualquer lugar. Um romance muito intimista, delirante e profundamente psicológico. A impressão que causa é de uma Clarice Lispector escrevendo ficção científica. E tal como ela, Ivan Hegenberg alcança um nível de linguagem e expressividade muito raro mesmo no momento atual da literatura brasileira. Menção honrosa ao último capítulo impressionante e aterrador, que ao mesmo tempo consegue desencravar o desespero mais profundo e inspirar a mais alta esperança.

 

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Síndrome de Quimera – Max Mallmann            Zigurate – Max Mallmann

Outra grande surpresa. Posso contar dois autores que conseguiram me fazer rir pra valer, a ponto de ficar com cãibra nas bochechas, e o Max é um deles. Síndrome de Quimera é uma novela de ficção fantástica deliciosa e estupidamente imaginativa. Trata da vida de pessoas comuns, mas cada uma é, ao seu modo, uma quimera. O protagonista, por exemplo, tem uma cobra dentro do peito abraçando seu coração; o sócio dele tem um cérebro removível, que pode tirar da cabeça e pôr pra descansar na mesinha de centro da sala enquanto assiste a programação de domingo na TV; já a irmã ficou pequenininha e virou uma boneca-bailarina de porta-jóias, que sua mãe – uma senhora aparentemente normal, apesar de seus 12 rins – guarda com todo zelo. O livro inteiro é de um humor muito inteligente e foi merecidamente finalista do Prêmio Jabuti.
Zigurate – Uma Fábula Babélica é um livro mais recente e nem tão engraçado, mas a premissa é universal, imortal… Aqui, Max pega emprestada a epopéia de Gilgamesh – o herói sumério que, inconformado com a morte, empreendeu uma grande viagem em busca da imortalidade – e lança ao mundo um casal de imortais de pele dourada, que os antigos conheciam como os deuses Lugal e Nin. Como qualquer imortal da ficção, cada um a seu modo há de enfrentar o tédio dos séculos. Até que entra em cena uma mulher mortalmente fragilizada – a jovem Sophie – HIV positiva e portadora de uma síndrome genética que irá matá-la a qualquer momento. Como um moderno Gilgamesh, Sophie não se conforma com o fato de que morrerá em breve, e empenha o tempo que lhe resta em sua tese de doutorado, que versa sobre as raízes do mito sumério. Durante o trabalho de pesquisa, Sophie descobre indícios da existência dos imortais e se lança numa busca desesperada a eles. Apesar da mistura colorida de elementos de ação, humor e drama, a história central de Zigurate mexe com os brios de qualquer mortal. O leitor inevitavelmente se vê levado a pensar na vida e na morte, a rir de seus personagens icônicos e a sofrer com a angústia de Sophie.

 

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O Alquimista – Paulo Coelho

Costumo dizer que há pelo menos uma coisa que quero aprender com o Paulo Coelho: marketing. Sei que é moda entre os escritores criticar o homem, também sei que é feio tecer qualquer afirmação sem conhecimento de causa, e antes de abrir a boca e dizer qualquer besteira (que um dia pode se voltar contra mim), achei melhor saber do que estou tratando. Havia lido Veronika Decide Morrer anos atrás, e me cobrava ler algo mais da autoria do “mago”. Comprei O Alquimista, primeiro porque adorei a capa da edição comemorativa, muito emblemática, colorida e atraente. Li. E gostei. Não digo que é genial, não. Mas tem seus méritos. O que mais me chamou a atenção é que o texto é totalmente clean; simples, direto e sem floreios, não tem nenhuma gordura. A história não é mais que uma lenda escrita. Apesar de não haver muitas descrições e nenhum detalhamento, consegue-se sentir um clima, uma atmosfera mágica. É um romance ingênuo, às vezes esbarra no piegas, mas é de uma simplicidade tão redondinha e polida que vira uma pérola. E atende a um público muito grande, que vai da auto-ajuda à ficção.

 

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O Presidente Negro – Monteiro Lobato

É interessante. É tenebroso. Curiosamente profético. E só não é mais infame que o Malleus Maleficarum.

 

Hegemonia – O Herdeiro de Basten – Clinton Davisson
O Alienista – Machado de Assis
Dom Casmurro – Machado de Assis
Kara e Kman – Uma Saga de Alma e Sangue – Nazarethe Fonseca
Não Verás País Nenhum – Ignácio de Loyola Brandão
A Casa – André Vianco
De Roswell a Varginha – Renato A. Azevedo

Ficção Estrangeira

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A Metamorfose – Franz Kafka

Ler Kafka não costuma ser fácil nem gostoso, apesar disso, quando abri Metamorfose não consegui largar até virar a última página. Um dia, Gregor acordou para ir trabalhar e descobriu que tinha se transformado em (algo que na minha cabeça era) uma barata. Uma baratona. E daí se sucede todo o seu drama, com a danação de sua família e seu sofrimento com a desumanização progressiva. Ele vive uma situação tão triste, tão desesperadora, humilhante e bizarra que chega a criar afeição, compaixão, sei lá. Só sei que me foi uma experiência extraordinária, que me fez passar na banca dias depois e comprar O Processo. Chatíssimo! E esse foi o fim do meu namoro com o Kafka.

 

Tetralogia Requiem For Homo Sapiens – David Zindell

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Neverness                                             The Broken God

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The Wild                                                War In Heaven

Zindell é um filósofo que resolveu escrever ficção científica ou um escritor de ficção que sofre de espasmos filosóficos. É autor da tetralogia Requiem for Homo Sapiens, que começou com Neverness, prossegue com The Broken God e The Wild – li ambos este ano –, e termina com War In Heaven, que pretendo ler em breve.
Aiai, como explicar?
Neverness é a única cidade de um planeta onde habita uma civilização humana a milhares de anos no futuro. Ali há uma ordem de pilotos-matemáticos desbravadores das dobras do espaço, que tentam solucionar alguns enigmas, por exemplo, por que inteligências do tamanho de galáxias (deuses, seres humanos que transcenderam à humanidade) estão morrendo e deixando seus cadáveres estelares no vazio? Por que estão explodindo tantas supernovas (inclusive, uma que irá incinerar Neverness dentro de uma década)? E como encontrar o segredo do universo – the elder Eddas –, que as escrituras dizem ter sido inscrito no mais antigo DNA humano? Entre as maravilhas tecnológicas, também há espaço para a ressurreição do mito do bom selvagem, quando Mallory Ringess, um jovem piloto, e sua família decidem ir buscar o segredo do antigo Eddas junto a uma tribo de homens selvagens, os Alaloi, que muito lembram os neandertais e que habitam as imensidões geladas distantes de Nerveness. Isso apenas no primeiro livro. O segundo começa com o filho “selvagem” de Mallory – Danlo – fazendo seu caminho à academia dos pilotos, onde se envolve numa amizade repleta de tensão e amor platônico com o jovem Hannuman, e só isso já dá pano para o romance inteiro, uma verdadeira novela (no sentido melodramático da palavra).
Cada livro da tetralogia é um colosso de 600, 700, mil páginas ou mais. Tamanho para caber uma história muito audaciosa cheia de voltas e reviravoltas, e, por efeito colateral, muita embromação. Convenhamos que é impossível um livro atingir esse tamanho sem cair na repetição, sem ficar enfadonho por algumas dezenas de páginas. A prolixidade e a tautologia acabam sendo as maiores inimigas dos leitores de Zindell (talvez esse seja um dos motivos para lhe faltar um prêmio mais vistoso como um Hugo ou um Nebula), mas ele sabe recompensar bem o leitor persistente, e o saldo em sense of wonder é muito positivo.

O Homem do Castelo Alto – Philip K. Dick
O Processo – Franz Kafka
As Exterminadoras – Edmund Cooper
Frankenstein – Mary Shelley
Nevasca – Neal Stephenson
Copenhagen – Michael Frayn
Tropas Estelares – Robert A. Heinlein
Tempo Fechado – Bruce Sterling

Não Ficção

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The Second Sex – Simone de Beauvoir

É um ensaio excelente sobre a condição da mulher até o início do século XX. Filósofa, pensadora da primeira onda do feminismo, Simone de Beauvoir discorre sobre como se deu a exclusividade masculina e a exclusão feminina na cultura ocidental e defende uma forma de sociedade mais democrática para homens e mulheres.

 

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Malleus Maleficarum – O Martelo das Feiticeiras – Heinrich Kraemer & James Sprenger

O manual dos inquisidores sobre como perseguir, julgar, torturar e executar bruxas é um dos livros mais infames já escritos. Definitivamente não é o tipo de leitura que se pode saborear no metrô. Fui folheando, pulando páginas, lendo um capítulo aqui, outro acolá; li o suficiente para ter uma idéia do conjunto da obra e dos tipos de atrocidades que ela rezava. Medonho.

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Heisenberg’s War – Thomas Powers

É um livro enciclopédico que conta detalhadamente o início, o desenvolvimento e o fracasso do projeto atômico nazista (o uranverein), a biografia dos cientistas envolvidos – o mais importante deles, Werner Heinsenberg –, e também a história dos cientistas judeus que abandonaram a Europa sob a ameaça de Hitler para irem trabalhar no projeto Manhatan. Não faço idéia do tremendo projeto de pesquisa que teve Thomas Powers, contando com a ajuda de alguns cientistas que fizeram parte dos respectivos projetos. Para quem se interessa pelo tema, esse é o livro.

A Construção do Imaginário Cyber – Fábio Fernandes
História da Eternidade – Jorge Luis Borges
O Mal Estar na Civilização – Sigmund Freud
Bilhões e Bilhões – Carl Sagan
SS e Gestapo – A Caveira Sinistra – Roger Manvell
Anjos Caídos – Harold Bloom
O Último Teorema de Fermat – Simon Singh
A Bruxa de Kepler – James A. Connor
O Cérebro Emocional – Joseph LeDoux

Para Escrever

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Steering the Craft – Ursula K. Le Guin

Nunca tinha lido nenhum tipo de guia para escritores, até que chegasse em minhas mãos este, da Ursula, minha escritora favorita. É um livro feito para ser usado em oficinas literárias. Cada capítulo aborda um aspecto da produção de texto e dá vários exemplos famosos da literatura, principalmente de língua inglesa, e alguns exercícios. Tem dicas valiosas.

 

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How to Write and Publish a Scientific Paper – Barbara Gastel & Robert A. Day

Para quem é do mundo acadêmico e bebe nas fontes da Medline e da Scielo, esse manualzinho é tiro e queda. Dá uma aula bastante didática de como produzir artigos científicos e ótimos exemplos do que fazer e do que não fazer. O mais incrível é que apesar de versar sobre um tema chatinho, o livro é muito divertido, cheio de cartoons, texto bem humorado e contra-exemplos estapafúrdios.

Quadrinhos

V de Vingança – Alan Moore
Lost Girls – Alan Moore
Contos Tristes – Estevão Ribeiro

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12 comentários

  1. Belo post Cris!
    De fato, esse ano rendeu ótimas leituras… e gostei do resumo sobre Neverness, é meio complicado de explicar mesmo a trama hehe. Você tem que ler mesmo o último volume, você não imagina a reviravolta que tem por lá! Você vai se surpreender mesmo!
    Puxa, o Stable Strategies é tão bom assim?
    E que venham os livros de 2009! 🙂
    Beijos!


  2. Cristina:

    Obrigado pelas dicas de leitura!
    Parece que você aproveitou muito bem seu tempo em 2.008.
    Aproveitando, Feliz 2.009, com muitas leituras prazeirosas para você.
    Mauro


  3. Esqueci de comentar que um dos melhores livros que li em 2.008 foi “Fábulas do tempo…”.
    Além lembro do “Projeto Neuromancer”, os livros Neuromancer, a trilogia da Bússola Dourada, os livros do Roberto Causo “A corrida do Rinoceronte”, “O Par”, “Os Melhores contos de FC brasileiros”, “A Sombra dos Homens” (neste a saga do proto-herói brasileiro Tajarê é muito interessante).
    Mauro


  4. Fiquei interessada nesse Steering the Craft. Uma coisa que está faltando em meu repertório de leituras é um pouco de literatura sobre como fazer literatura. 😛
    Sério, não fico tão impressionada que alguém como você tenha lido tanta coisa em 2008. O que me impressiona de verdade é sua paciência para escrever depois sobre tudo o que leu.


  5. Pois é, vou me inspirar na Cris e no Fábio para me animar a escrever resenhas sobre o que li. Porque ultimamente ando só comentando por cima o que li e queria desenvolver mais meus comentários sobre leituras, como vocês fazem…
    E ei, você poderia me emprestar os livros sobre Heisenberg? 🙂


  6. […] estou postando minha lista de leituras de 2008. Bem que gostaria de comentar algumas, como a Cris fez, mas não tenho paciência tempo. E não estão em ordem de leitura e nem de preferência. […]


  7. Olá!

    A LivroPronto Editora convida você, autor, para uma conversa sobre a publicação de sua obra.

    Escreva para nós!
    gabriela@livropronto.com.br

    Um grande abraço!


  8. O aleph só tem esse conto ou tem mais coisa? (emoticon curioso) baci!


  9. Oi, Cristina!

    Belo post com ótimas dicas de leitura.
    Vou procurar ler algumas de suas sugestões.

    Boas Festas e Beijos mil!!!


  10. Oie Cristina!!! Antes de tudo, e já adiantando, FELIZ NATAL… (desculpa de quem dá os cumprimentos atrasados rs). E um ótimo 2009 com novos horizontes sempre. Gostei de um dos comentários de livros, do Philip K. Dick. Sinceridade, a única obra que li dele foi o “Do Androids Dream of Electric Sheep?”. Óbvio que foi por causa de Blade Runner. Só que meu livro é beeeem velho. Praticamente da época. Sugiro, para quando puder, e se já não leu, “A Sétima Torre”, de Garth Enix. São 06 livros de fantasia. Gosto deste tipo de literatura para espairar a mente, pois é pura imaginação. Outro, que estou lendo, junto com tantos outros… é o Coração de Tinta, que por sinal, estreiou nos cinemas. É isso aí! Chega por hoje e de tantas letras… Espero reve-la em 2009! E se puder, a convido para assistir ao O Dia em que a Terra Parou. Tenho convite para o filme. Abraçús


  11. Feliz año nuevo y un feliz 2009, Cris! Adorei os seus comentários sobre o Borges, concordo contigo (meu preferido, se é que isso é possível já que todos os contos são maravilhosos, é o Ruínas Círculares. É um dos preferidos do Borges também.. ;D ); a seleção de livros é bem interessante e fiquei feliz de ver que você leu o livrinho que te dei de presente da Tia Ursula… =D

    Besos!


  12. […] alguns comentários sobre a série no tópico Leituras de 2008. O balanço final, depois de ter concluído a saga, é que ler David Zindell é uma experiência […]



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