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Notícias do país das bananas

fevereiro, 14 - 2009

Verba para ciência sofre redução de 18% em 2009

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, classificou como irresponsável o corte de 18% no orçamento da sua pasta, aprovado pelo Congresso Nacional para 2009, e admitiu que, se a situação não se reverter, “bolsistas terão de ser mandados embora”.

A peça orçamentária foi feita pelo senador Delcídio Amaral (PT-MS). “O relator demonstrou falta de responsabilidade, de compromisso, com o futuro do Brasil”, afirmou Rezende à Folha ontem.

Rezende diz que o corte no orçamento é irresponsável; caso a situação não seja revertida, bolsistas terão de ser mandados embora.

O corte de R$ 1,1 bilhão representa um valor 10% maior do que toda a receita de 2008 da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), a agência estadual de fomento à pesquisa mais rica do país, que sustenta quase toda a ciência paulista.

Apesar de dizer que existem “incertezas” sobre o futuro, o ministro afirma que tentará resolver a questão das bolsas dentro do Executivo. “Acharemos uma saída e isso [a perda do benefício] não vai ocorrer.”

O corte no orçamento recebeu críticas duras da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e da ABC (Academia Brasileira de Ciências). Os presidentes das duas instituições consideram a situação “extremamente grave” e dizem que, se os recursos forem realmente cortados, a política científica nacional ficará “desanimadora”.

Para Jacob Palis Jr, da ABC, esse corte seria como “dar um tiro no pé”. Ele demonstrou seu ponto de vista com o exemplo dos Estados Unidos: “No meio da maior crise que o país já teve, o presidente [Barack Obama] convocou grandes líderes científicos para participarem do governo e se comprometeu com o aumento dos investimentos no setor”, disse. “[Fazer cortes em ciência] é uma política de suicídio. A maneira de sair da crise é ser competitivo”, disse Palis.

Marco Antonio Raupp, da SBPC, concorda que investir em ciência e tecnologia é uma saída para a crise financeira e manifesta preocupação com a redução de recursos. Ele conta que “o Orçamento saiu do Executivo muito bem”. “Mas, no Congresso, de uma forma que a gente não entendeu direito, teve cortes significativos. Tudo isso nos pareceu arbitrário, uma aberração”, disse.

O ministério também foi pego de surpresa. “Tomamos conhecimento da proposta do relator na véspera da votação [em dezembro]”, disse Rezende.

“O governo, e o presidente Lula reafirmou isso, tinha a ideia de chegar ao fim de 2010 com 1,5% do PIB em investimentos de Ciência e Tecnologia. Atualmente, investimos na casa de 1%. Então, o aumento deveria ser de 50%. Esses cortes vão na contramão, evidentemente”, afirmou Palis.

Segundo ele, o prejuízo às bolsas de estudo é “um crime”. Em 2007, o país chegou a produzir 10 mil doutores. E a previsão para 2009 era de produzir 11,5 mil doutores. “Talvez isso não aconteça se esses cortes prevalecerem.”

Além das bolsas, os presidentes temem que os cortes afetem os recém-criados Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia –fato que Rezende rebate– e que eles travem o sistema de inovação no País. Esse programa, que cria centros de excelência em pesquisa no país, foi anunciado com pompa e circunstância pelo ministério no fim do ano passado.

Para os dirigentes científicos, o novo orçamento também pode prejudicar a tentativa de manter bons pesquisadores na Amazônia e atrair novos cientistas para a região.

* * *

Engraçado, eu não lembro de ter visto algum corte nos impostos que pago. Alguém aí sentiu que está pagando menos?

Sei que no Brasil a profissão de pesquisador é uma das mais ingratas. A “profissão” não tem regulamentação, a grande maioria dos pesquisadores trabalha sem carteira assinada ou vínculo empregatício, como meros professores visitantes ou adjuntos nas universidades públicas do país. Não há benefícios, 13º, licença maternidade ou aposentadoria. Não raro, a verba sequer é suficiente para manter os gastos de manutenção do laboratório, o “salário” dura enquanto durar a bolsa pesquisa, e a cada ciclo de aproximadamente quatro anos o profissional fica na dependência de uma renovação do auxílio junto às instituições de fomento, que têm poder total para decidir sobre a continuidade do projeto de pesquisa.

Tem dúvida de qual é o sentimento das pessoas que trabalham hoje com pesquisa científica no Brasil? O tamanho da desilusão de profissionais recém-formados que ainda têm expectativas quanto a um mestrado ou doutorado?

Mais do que nunca vê-se a opção de ir trabalhar no exterior como a única saída. O pior é que eu sei que na próxima eleição os candidatos à presidência (alô, Dilma?)  ainda vão fazer discurso denunciando a vergonha da fuga dos cérebros.

Cortar investimento em ciência é vergonhoso para um país emergente que diz ter sérias pretensões de ser alguma coisa na nova ordem mundial. O que há em comum entre as novas potências (inclusive China e Coréia do Sul) é a produção de ciência e tecnologia que depois venderão aos pobres burros que não têm condições de investir e por isso pagam muito mais caro para importar.

Meu sentimento no momento é: excelentíssimo senador Delcídio Amaral, uma banana trangênica pra você!!

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7 comentários

  1. Eu acho cada mais difícil que o Instituto de Estudos Trans-Temporais seja criado aqui no Brasil, viu? Provavelmente vão fazer lá na Suiça mesmo, perto do LHC.


  2. Oh-oh.
    Na torcida pela reversão dessa situação. 😦


  3. Ei ! Essa é a Cris combativa que aprendi a admirar ! Bota fogo na canjica moça, a maneira correta de proceder é publicar e denunciar esses atos de lesa-ciência que ocorrem na surdina !


  4. Foda né?
    E a Dilma lá fazendo plástica e passando batom vermelho.
    Alguém que faz 4 anos de campanha pelo próximo presidente não deve ter mesmo muito tempo para governar. Enfim, é foda.


  5. Frank,
    Está cada vez mais complicado de ser patriota até na ficção.

    Jorge
    Quando participar de um torneio de luta livre no gel eu te chamo pra assistir.

    Eric
    O fato dela ter sido guerrilheira contra a ditadura é o que ainda mantém alta minha consideração por ela. Mas aí lembro que o Lula também era militante e vingador das massas trabalhadoras e chego à conclusão que a política é mesmo uma meleca.
    Mas não vou reclamar muito, seria pior se vivêssemos na Venezuela.


  6. Na Venezuela o papel higiênico fica guardado no armário para não ter desperdício =) Bjs!


  7. Cris
    Quando você participar de um torneio feminino de luta livre no gel, certamente haverá outro torneio de luta livre na platéia, pela disputa da fila do gargarejo perto do palco …:))



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