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Dia internacional das mulheres e dos homens

março, 8 - 2009

Meu desejo é que sexo e gênero não fossem detalhes tão relevantes na vida das pessoas. Ser mulher não deveria ser fardo nem privilégio. Não quero ser paparicada, protegida nem favorecida por ser mulher; acho estranho quando me dão parabéns por algo que não dependeu exatamente do meu esforço.

Compreendo a razão funcional de ter um dia na agenda para dizer ao mundo que as coisas estão mudando e que ainda resta uma muralha a pôr abaixo. Entendo. E por entender, me descontento, pois sei que vou gostar mais do dia internacional da mulher quando ele se tornar desnecessário.

E por cogitar na igualdade de direitos, gostaria de expressar também o quanto me agradaria viver em um mundo com igualdade de deveres, pois acredito firmemente que direitos e deveres são recíprocos. Sem lorota paternalista.

Não entendo por que neste país as mulheres têm o direito de se aposentar 5 anos mais cedo que os homens considerando que vivem mais.

Não entendo como a elas é dada uma licença maternidade de 6 meses e a eles uma licença paternidade de 5 dias, e ainda se acredita por ideal que pai e mãe devem dividir equitativamente a responsabilidade sobre os filhos e que os empregadores não devem discriminar as mulheres em idade reprodutiva.

Sou contra o serviço militar obrigatório e não simpatizo nem um pouco com as forças armadas, mas se ele existe, por que não para todos?

Não sonho com uma igualdade forçada, quero antes uma igualdade honesta. Muitos vão me dizer que é utopia. Estou pronta para ouvir e cansada de saber.

Falar é importante, alivia a tensão. Trabalhar é difícil, exige muito suor, jogo de cintura, coragem, atitude. E o que eu queria dizer a vocês, meninas, é:

Trabalhem! Não para os exploradores, não sem causa, não por qualquer salário. Mas trabalhem. Trabalhem por vocês, por suas famílias, por aquilo que amam e que acreditam. A maior parte das coisas que se pode querer honestamente – sejam elas materiais ou não – só são possíveis pelo trabalho. O resto são detalhes.

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6 comentários

  1. Também acho que todos os dias são de todos, mas confesso que gosto quando me dão passagem no trânsito, por exemplo, só porque sou mulher. Se ele deu porque acha que mulher no volante é um perigo, então melhor ficar longe, azar o dele!
    Não é isso que faz eu me sentir mulher ou especial, mas fico mais feliz quando participo de um mundo que pode ser mais gentil, que pode amar gratuitamente; um mundo que também ajudo a criar. Gentileza gera gentileza, lembra?
    Gosto de brincar com todas estas questões, todas essas diferenças e, embora algumas coisas me deixem no mínimo fula, não sou adepta do “homens são assim”, “mulheres são assado”. Nem de cozido eu gosto. Acredito mesmo em “seres humanos”.
    Agora o que eu não aguento, são esses malditos pernilongos que não deixam minhas pernas em paz… ops… são pernilongas, né?!
    Beijos,
    Chris

    Chris Sevla


  2. Cris,
    conheço gente com o dobro da sua idade que não tem metade da sua lucidez…

    Parabéns pelo dois excelentes posts em sequência…

    Jorge


  3. Cris,
    Confesso que já fui um grande entusiasta de datas como essa até bem pouco tempo. Inicialmente, levado pela torrente; depois, por acreditar naquele velho argumento de que “ainda precisamos de algumas datas especiais para refletirmos sobre certos assuntos”. Mas será que somos tão medíocres assim? Ou tudo não passa de hipocrisia?Afinal de contas, todos querem homenagear alguma coisa ou alguém hoje em dia: “dia internacional da mulher”, “dia mundial do meio ambiente”, “dia”, “dias” e mais “dias”. Decerto, há uma frase implícita: aproveite bem o seu dia, pois você ainda tem mais 364 para viver sem que as pessoas se importem com você ou seus problemas… Sabe o que é mais gozado, Cris? É comemorarmos algo que ainda não aconteceu… Querem saber? Deixem as comemorações para o que de bom foi conquistado; com relação aos sonhos, apenas trabalhem para concretizá-los…
    Abraços,
    Luiz Vasconcellos.


  4. Você torna tudo tão mais claro e mais simples com as suas palavras. Obrigada, Cris.


  5. Que não seja trabalho sem excluir a diversão, e eu o farei com prazer. 🙂


  6. As diferencas existem! Seria bom conseguir uma igualdade tao real e verdadeira de forma que essas diferencas fossem reconhecidas naturalmente. De forma que os diferentes fossem tratados diferentes por motivos razoaveis, justos e naturais, sem que ninguem ficasse melindrado por causa disso. Afinal, acho que o problema real do sexismo, nao esta nas questoes institucionais, mas sim na dificuldade que temos em enchergar o proximo como individuo, como igual. E essa dificuldade esta alem da questao de genero.
    Mas acho que nao precisamos nos preocupar demais, … tudo estara resolvido quando nos homens estivermos extintos, … elas vao se virar sem dificuldades!



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