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A vida, em tese

junho, 9 - 2009

Não estou conseguindo progressos com a minha tese. Organizo o roteiro, sento para escrever, mas não saio do lugar. É preciso um esforço sobre-humano para conseguir um pouco de concentração; o problema é que sou só humana, demasiadamente humana.
Quem já passou pela TPM (tensão pré-mestrado) diz que esse bloqueio é normal.

Eu não quero admitir que estou em crise (ou não quero admitir minha incapacidade de lidar com ela). Às vezes, nalguns momentos, uma parte de mim encara outra parte de mim e xinga: “sua indisciplinada!” Não é possível uma pessoa ser tão selvagem a ponto de não conseguir se domesticar.

Mas são outros fantasmas que me dominam: ansiedade. Muita ansiedade.

Quando comecei esse projeto de mestrado ele me parecia a coisa mais apetitosa do universo. Agora mal consigo olhar pra ele. Não sei explicar, cansa.
O que aconteceu? Por que esse desânimo agora, tão perto da linha de chegada?

Eu acho que tenho a resposta. Mas sinto que para conseguir renovar o fôlego e pegar no tranco vou ter que repassar algumas das razões pelas quais cheguei até aqui. Me acompanha?

Rebobinando a fita, voltemos ao x da questão:

Afinal, por que uma pessoa resolve se tornar cientista?
Alguns dirão: porque gosto de ciência, porque quero descobrir a cura do câncer, porque sonho em ganhar o prêmio Nobel, porque tenho uma quedinha por aventais brancos e tubos de ensaio… As razões são as mais diversas.

Minha resposta é que muito cedo percebi que só uma formação científica me daria recursos para saciar essa curiosidade infinita que não sei de onde vem. Entender como funciona o universo é pra mim uma necessidade básica. Formular perguntas e não se contentar com o silêncio: aventurar-se na busca pelas respostas. Ir ao encontro das evidências por seus próprios meios. Tecer conclusões através de uma análise lógica. Ter massa crítica para se libertar de pressupostos, preconceitos, superstições, opiniões alheias e distorções midiáticas.

As razões que as pessoas encontram para se tornarem cientistas são formidáveis! As teorias são as entidades mais elegantes do mundo conceitual. Em teoria, tudo é lindo. Teoricamente as utopias existem, as terapias funcionam, os erros são descartados e a profissão de cientista é puro glamour.

Agora, na prática…

Melhor nem falar da prática.

Pensando bem, vou falar sim. A prática não é nada elegante. É onde a biologia fede, a física dá choque e a química explode. É onde o cientista se descabela, ganha olheiras e fica com aquele visual que todo mundo acha super descolado.

Na prática o pesquisador rebola para conseguir incentivo financeiro para a pesquisa. Rebola para administrar um laboratório equipado com aparelhos caros e material importado, à deriva no câmbio nem sempre favorável de um país em desenvolvimento. Rebola para conseguir pessoal qualificado, alunos interessados e bolsa pesquisa para todos eles. Rebola para conduzir os experimentos reproduzindo os níveis de qualidade dos laboratórios internacionais. Reza para conseguir dados inéditos. Rebola para escrever artigos num inglês impecável, não sendo essa a sua língua nativa. Reza para uma boa revista aceitar publicar seu trabalho e para que nenhum editor torça o nariz ao olhar o endereço (pois eles sabem que os países latinoamericanos praticamente não investem em pesquisa, os laboratórios estão sucateados e por isso mesmo acham que os trabalhos que produzem não devem ser confiáveis – além de serem escritos nesse inglês xinfrim). E o pior de tudo: o pesquisador brasileiro rebola para conseguir se sustentar, não tem aposentadoria, acesso a seguridade social ou sequer plano de saúde. Pode ter sua bolsa pesquisa simplesmente não renovada pelas entidades de fomento. Pode ter seu trabalho simplesmente ignorado pelas boas revistas da área. Na prática, é uma profissão de muita fé, rebolado, e não tem nenhum glamour.
Não é à toa que a pesquisa e a docência estejam tão ligadas no Brasil. O pesquisador não tem outra opção senão virar professor nas universidades, e dar aulas ao mesmo tempo em que faz pesquisa e orienta alunos. È óbvio que às vezes ele não consegue fazer direito nenhuma dessas coisas.

Esse não é, decididamente, um futuro com o qual eu sonharia.

Depois de dois anos em que estive trabalhando sobre uma bancada, fazendo minha iniciação científica em biologia molecular, quase nada sobrou daquele ideal encantado de me aventurar pelos mecanismos do universo e buscar minhas próprias respostas. A vida ficou subitamente reduzida a três proteínas, uma hipótese e um protocolo experimental. E muito tédio também, me dedicando a um projeto que, do fundo do coração, nem era meu, nem tinha qualquer sentido especial para mim.

Conheci outros jovens pesquisadores nessa mesma condição: vítimas de um trabalho desejado que aos poucos vira um martírio. E muito me assustei quando descobri, nessa minha crise laboratorial-existencial, que Newton estava certo: a inércia é implacável!
Os alunos precisam fazer um estágio, então entram em um laboratório, conhecem a linha de pesquisa, aceitam um projeto que é só um anexo do projetão do orientador, ganham uma bolsa que às vezes não chega a um salário mínimo (no caso da iniciação científica) e passam um tempo trabalhando sobre aquele minúsculo assunto que dificilmente o levará a uma descoberta, que mais dificilmente ainda terá uma aplicação a curto-prazo. Aos poucos vão morrendo as ambições de infância, aquela paixão pela ciência que agora parece tão pueril. O universo infinito perde atenção para a proteína. O sonho vasto perde espaço para a nota de rodapé. O cientista morreu e no lugar ficou só a máquina de publicar artigos. Há pessoas que caem nessa teia e jamais conseguem se livrar. E é medonho quando você vira um autômato, pois nem se questiona quando seu grande sonho perdeu totalmente o sentido.

Agora me responda: quanto tempo da sua vida você está disposto a vender por algo que não lhe dá sentido?

Eu me fiz essa pergunta quando me formei, depois de ter passado dois anos muito estressantes num laboratório. Tirei um tempo pra repensar meus planos. Foi quando fiz minha viagem pela América do Sul, que foi também uma viagem de “autoconversa”. Fui andar no meio das ruínas para perceber que neste mundo eu também estou só de passagem. Viajar é uma experiência muito enriquecedora, sobretudo quando você aproveita para viajar também internamente. Parece que consegui trazer, junto com os souvenires, um fôlego novo, novas resoluções para pôr em prática na vida.
Não por coincidência, foi nesse ano em que a literatura começou “a funcionar” para mim, e eu comecei a levá-la mais a sério.

Quando resolvi que estava na hora de fazer um mestrado, desenterrei do baú aquele antigo ideal: quero buscar respostas para as coisas que me assombram!
Decidi que só valeria a pena se me lançasse numa pesquisa que me dava ganas, que me desafiasse! Um assunto nada impessoal. Uma aventura toda minha.

Fui para um departamento que não tinha nada que ver com o que fazia antes – o de Psicobiologia. Fui adotada por professores maravilhosos, que me deram liberdade para exercitar esse meu modus operandi autodidata (e caótico).
Minha escolha foi estudar a dimensão emocional da homofobia. Eu queria isso. A homofobia é dessas coisas que me deixam angustiada perguntando por que as pessoas tornam o mundo tão complicado umas às outras. Queria trabalhar em algo que pudesse ser retribuído à sociedade em curto-prazo. Mas muito mais do que isso; foi também um modo de me habituar a lidar com um tema espinhoso com naturalidade. Com os rótulos de “tabu” e “polêmica”, a homossexualidade e seus assuntos relacionados raramente são abordados pelos pesquisadores das ciências básicas (ou com o jeito de fazer pesquisa dos cientistas básicos). Considerando que se eu não o fizesse, em meu lugar ninguém faria.
Desta vez, não poderia me queixar de tédio. Escrevi meu projeto em frenesi, devorei os artigos científicos da área. Consegui uma bolsa. Ao longo de dois anos conduzi a pesquisa com as dificuldades e tropeços inerentes ao meu pára-quedismo autodidata.

E a covardia vem me pegar justamente agora, quando olho aquela montanha de dados implorando para serem organizados em tese. Eu tento pensar num modo de organizar tudo num raciocínio lógico e minha entropia mental vai ao máximo. Também aconteceu, mais de uma vez, de estar escrevendo a introdução da tese e começar a entrar num transe de indignação e revolta (o lado pessoal reagindo) que me faz suspender o trabalho por mais um tempo.

Mas que outra razão nos atiça senão um belo desafio? Decifrar esfinges. Enfrentar fantasmas…

Sei de uma coisa: dá bastante trabalho procurar as respostas para as perguntas que você fez.

Vale a pena?  Imensamente.

Mas a gente precisa se convencer disso e lembrar, de tempos em tempos, a que veio.

Agora sim, acho que consigo voltar para a minha tese.

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29 comentários

  1. Problema é que mestrado = dissertação. Doutorado = tese.


  2. Já me disseram isso.

    Mas é na sua faculdade, Joe 😉
    Na sua faculdade!


  3. Teve um cientista que falou que pesquisa era 1% de inspiração e 99% de transpiração… e é aí que a porca torce o rabo…

    Belos sonhos, todos nós temos… gana para transformá-los em realidade só poucos, muito poucos….

    Então força, Dona Moça ! Não esmoreça na reta final 🙂

    Beijos


  4. Que faculdade não-ortodoxa é essa? Fiquei curioso!


  5. Jorge,

    Esse cientista não seria o Tom Jobim? 😀

    Joe,

    Acho que varia de departamento pra departamento. No meu todo mundo chama de tese (e a gente escreve “tese” na capa), e não fica devendo nada pra tese de doutorado.

    É estranho falar em “defesa de dissertação” rs


  6. Bem-vinda ao mundo dos adultos, sobrinha.

    Por trás do glamour, tem as partes chatas: reuniões, conviver com pessoas que não gostamos (ou pior, não confiamos), cobranças, ter de fazer cara boa naqueles dias que voc~e só está a fim de sair andando à esmo, etc….

    Isso é a vida, a parte chata e que, no fundo, faz valer a pena a parte boa.

    Como o RUSH canta na música Bravado: “We´ll pay the price, but We´ll not count the cost”; é do álbum “Roll The Bones”, comecinho dos 90s, e Tio Ivo era um feliz recém-formado, trabalhando em Consultoria e viajando Brasil afora…. e descobrir o “Lado B” da vida de aeroporto, Hotel 5 estrelas e o escambau foi duro, mas a gente acostuma que a vida tem bons e maus momentos.

    Respire fundo, engula em seco e vá em frente, TERMINE O QUE COMEÇOU !!!!!

    beijos


    • Oi tio,

      Gosto quando você me dá os conselhos do mundo dos adultos. Afinal, crescer é preciso.

      Ouvi falar de uma tal crise dos 25, quando você tem tantas possibilidades de vida à sua frente que fica empatado. Sinto que essa é a descrição que mais confere com o meu momento atual: paralisada por excesso de opções.

      Por falar em música, gosto mais daquela do MIDNIGHT OIL: How can you sleep while the beds are burning? Se aplica em várias ocasiões…

      Vou terminar o que comecei. Nem que seja com dores e reclamações, a gente acaba chegando lá!

      Beijos


  7. Cá estou eu, tentando encontrar um fio de motivação para voltar ao TeXnic e continuar a escrever a minha tese de mestrado e me deparo com seu post.

    Mas minha situação é diferente. Eu caí de paraquedas no mestrado sem grande interesse. Já era estagiário num projeto ligado à receita federal na FEEC/Unicamp e como gostava do projeto (e da bolsa), decidi ficar e fazer mestrado. 20 horas semanais e havia o problema de tudo ser sigiloso. O que quer que fosse meu projeto de mestrado, não contaria com ajuda do bom e velho Projeto Harpia. No fim, o projeto se tornou enfadonho, é horrível você SABER que o que querem que você faça NÃO vai funcionar e todo mundo saber a melhor forma de fazer e ninguém poder fazê-lo por alguma decisão idiota vinda de cima. O esforço para ler artigos, desenvolver protótipos e o diabo na área de minha pesquisa acabava sendo demasiadamente cansativo e desanimador, eu já chegava em casa moído do trabalho no laboratório.

    O projeto em que eu trabalhava acabou bruscamente neste ano. Ficar três meses só trabalhando na tese, acabou se tornando menos interessante do que eu esperava, embora tenha conseguido terminar o que queria. Falta escrever a tese agora. E tenho que acabar logo, a tempo da defesa em agosto, ou sofrerei um adiamento até março do ano que vem para poder defendê-la.

    Neste mês, arranjei uma nova bolsa, vinculada a outro projeto. Mas a essa altura o máximo que essas 20hs semanais perdidas conseguem é ajudar a pagar contas no fim do mês.

    E tudo que eu mais queria era um trampo legal e tempo para os meus hobbies. Escrever inclusive. Além, é claro, de limar aqueles 950Km que me separam da minha família.

    Boa sorte para você. Diabos, boa sorte para mim. E que todo mundo alcance seus objetivos e olhe um dia para trás com a satisfação de poder dizer:

    “Now, I am the MASTER!”


  8. Cris, não esmoreça e termine o que tu se propôs a fazer! =D Afinal, logo você sentirá orgulho de ter feito uma pesquisa inédita no Brasil sobre o assunto… e isso será uma bela conquista à lista do que tu vai conquistar ainda 😉
    Como o Ivo bem disse, a vida acadêmica tem seus prós e contras, mas ainda acho que os prós suplantam, quando se tem no sangue a curiosidade científica, coisa que você, eu e mais um punhado de gente temos.
    Beijos, e manda bala na tese!


  9. Choque de realidade é isso aí. Quando eu comecei a me envolver com pesquisa na UFRJ, surgiu a oportunidade de fazer identificação de ‘DNA’ de plantas medicinais para evitar falsificação. Uau. Genética. Projeto high-tech na época. Okay. Lá fui. Fósforo radioativo (que aliás jogavam na pia!)? Revelador neurotóxico? Exposição a raio-x na câmara de revelação? Isso todo dia? Saindo 8 da noite do buraco as know as Ilha do Fundão? Lá tinha o dinheiro, mas fugi mesmo assim 🙂 Baci!


  10. Larga tudo e vai vender brincos na Praça da República…rs


  11. Ivo,

    Sempre lembro de você dando esses conselhor. Ser adulto é difícil, mas é necessário crescer. As responsabilidades começam a pesar e a gente não pode se queixar de que não estava avisado. Mas essas são também as nossas conquistas.


  12. Geraldo,

    Depois que terminarmos as teses, considere fundarmos um núcleo de aconselhamento espiritual a pós-graduandos (tipo “alcóolicos anônimos”). Esse público precisa de muita auto-ajuda!!


    • E sobe o jovem ao diminuto palanque, sua pálida face trêmula, num forte nervosismo. Seus olhos cansados fitam agoniados o punhado de páginas em suas mãos. Num leve gaguejar, ele começa a falar ao microfone:

      – Meu nome… e-eu esqueci. Ma-mas agora ele não é importante. Só quando eu fizer a capa. A capa. Falta tanto… – expira o pobre aluno – O que importa é que hoje eu escrevi uma página – e sua voz se torna forte, alta e confiante – e meia!

      E a multidão enternecida vibra junto a ele, em cumprimentos e gritos, enaltecendo aquele grande lutador que com eles partilha a tamanha agonia de escrever uma tese.


      É… quem sabe não funciona? 😉


  13. Gi,

    É aquilo: suas expectativas vão mudando com o passar do tempo. Primeiro eu queria ser bem sucedida com uma pesquisa inédita. Depois eu só queria levá-la a cabo. Depois, eu só queria que terminasse do jeito que desse. Depois eu só queria escrever uma boa tese. Agora eu só quero pedir uma pizza rs.


  14. Eric,

    Vc acabou de descrever aquele acidente de percurso na minha vida.

    Fósforo Radioativo – teve uma amiga minha que manchou a manga do avental com isso e saiu desfilando por aí, só percebeu quando chegou em casa.

    Revelador neurotóxico – fiquei com uma mancha desse negócio na mão certa vez. Meu orientador não usava luvas e não teve o bom senso de nos dizer que precisava.

    Iodeto de propídeo/ brometo de etídeo – acontecia de vez em quando da bancada toda ficar brilhando sob a luz UV.

    Saleta de lixo radioativo – lá no prédio de pesquisas teve uma faxineira que limpava o lugar que ganhou uma doença auto-imune bizarríssima e morreu.

    Cultura de células de melanoma – de vez em quando acontecia da seringa para injeção de células nos camundongos ser pontuda demais e furar a mão de alguém…

    Eu não sei dizer o quanto perdi de saúde, mas eu temia não passar dos 30 se não saísse logo daquele lugar.


  15. Tibor,

    Eu não, vou vender coco na praia…


  16. Pois é Cris,
    pro Tom Jobim pode ser que os percetuais fosse invertidos, mas Beethoven ralava muito todo para compor sinfonias que ele não conseguia ouvir… 🙂

    Se eu fosse você, ega o conselho do Ivo, fazia um quadro e colocava na parede… e a mais pura verdade.

    Olha,pode ser difícil para você acreditar agora, mas no longo prazo, obstinação, esforço e dedicação superam até mesmo um grande talento inconstante.

    Pronto falei 🙂

    Bjs


    • Oi Jorge

      Às vezes eu coloco minhas preocupações num quadro na parede, encho minha impressora de post-its, escrevo nos meus caderninhos de anotações e na agenda… Mas no final deixo tudo em casa e vou me divertir hehehe.

      Não calma que eu sou tranquilinha mas não irresponsável. Prontofalei 🙂

      Beijos


  17. Cris,
    Faço coro às lúcidas perorações do Ivo e do Jorge. Uma pessoa com o teu senso de propósito sempre vai trombar com estas questões existenciais no mundo acadêmico. Mas se é de alguma ajuda um relato…

    Quando em 1989 eu (num nível de consciência bem mais primitivo que o teu) me questionei sobre a viabilidade de entrar num mundo destes (além de confrontar as minhas limitações de então) adotei uma visão de que não valia a pena certo nível de dedicação e acabei tentando a vida por outra forma de realização que terminou por ser ainda menos satisfatória. Por dois anos praticamente me afastei do tema de tese e tentei abrir um negócio que pudesse ser uma maior expressão das minhas intenções e, para falar a verdade, foi uma experiência prática, útil, mas que gerou poucos resultados no meu engrandecimento pessoal.

    Por sorte percebi a tempo a necessidade que temos de terminar certas coisas, até para no futuro servir de base de reflexão, e em três meses recompilei tudo o que tinha sob forma escrita e, mesmo que a meu ver o resultado tenha sido um tanto insatisfatório, consegui defender a tese praticamente sem testemunhas, e c/ pouca participação do orientador.

    Tudo depende do seu foco. Em algum momento a tese passa por uma calcinação dos caminhos possíveis, só restando uns poucos válidos. Foque numa idéia e a valide. E só o que se exige.

    Se para você isto tem que ainda ter um certo valor, melhor ainda. A vida mental não acaba com uma tese somente.


    • Oi Ricardo,

      Parece que você aprendeu do jeito mais difícil. Obrigada por deixar aqui sua experiência (esse tópico está se saindo uma bela válvula de escape pra todo mundo que passou por isso rs).

      Infelizmente minha indisciplina dificulta bastante organizar um plano de trabalho nessa altura do esgotamento mental e saco-cheio. Mas é claro que sei que não tenho outra alternativa, e quando o prazo apertar vou ter que me virar e fazer de um jeito ou de outro. Sempre foi assim, minha vida inteira.

      E disse tudo: a vida mental não acaba com uma tese somente.

      Beijos


  18. Cris, para mim o que cansa e angustia é a obrigatoriedade. Quando algo que você fazia por prazer se torna um dever, bate um certo nojinho… E acho que isso acontece em todas as profissões.

    Vendo você descrever as agruras da profissão de cientista, estranhamente reconheci ali as da profissão de desenhista. Embora sejam tão diferentes, enfrentam obstáculos muito parecidos.

    Não existe carreira fácil.

    Existem profissões mais reconhecidas, populares e certas no Brasil. Mas fácil, nunca vi. Nem é isso que estamos procurando, certo? Fácil é também tedioso, automático e, com o tempo, repulsivo.

    O negócio é se concentrar no desafio. Terminar a bagaça! Concluir uma etapa importantíssima da sua vida, fazer valer todo o tempo que você passou, primeiro, desorientada e, depois, sabendo exatamente o que queria. Força, muié!

    Porque todos estamos aguardando o que vem depois.

    🙂


    • Pois é, Mila. Conheço muitas pessoas que foram trabalhar naquilo que AMAM e adivinha só? Quando o negócio deixou de ser prazer pra virar obrigação, foi-se o encanto.

      Mas é claro que ainda acho que vale a pena fazer o que gosta, ainda que bata aquele nojinho de insubmissão perante a obrigação.


  19. Pronto, fiquei entretida lendo o texto e os comentários e minha carne de soja queimou no fogão…

    (Isto sou eu tentando te fazer sorrir rs.)


    • 😀 – sorriso

      Menina! Fiz uma carne de soja maravilhosa anteontem! Com batata frita e azeitonas e caldo de picanha, nham…


  20. Gente, e eu que só acabei aqui pq não conseguia terminar de responder 4 míseras questões para um questionário que tenho que entregar ainda hoje..
    Me deparo com algo assim, já não quero imaginar meu mestrado, doutorado e por aí vai ahuahuauha [imagina quantos sites não vou conhecer por não conseguir me concentrar ]
    Adooro o jeito que tu escreve, eu entro em crise junto, juro, mas lembro da minha e passa logo [seres humanos egoístas e individualistas tsctsc]
    Boa sorte pra você!

    Abração


  21. Caldo de picanha? Aaaah, estragou o prato.

    Terapia em grupo online!



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