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Passou

setembro, 4 - 2009

Se há um consolo e uma angústia é que nada dura para sempre. Momentos bons. Momentos ruins…

Não, não cultivo clichês, é que o mosquito filosófico me mordeu hoje.

Lembro claramente de um momento da minha vida que aconteceu há dois anos e meio atrás. Estava pegando o vôo Santiago- São Paulo (minha última viagem aérea) e, sabe quando o avião está na pista, correndo para decolar, e você é pressionado contra a poltrona? Nesse momento vem o frio na barriga e a consciência de que você está se lançando ao acaso – está subindo e nada lhe impede de cair. Uma sensação de liberdade, mas também de entrega.

Eu era recém-formada, tinha acabado de fazer uma viagem de mochila de 40 dias pela América do Sul com algumas amigas. Pela primeira vez na vida eu havia me distanciado de casa e da minha família. Uma viagem de incríveis contrastes: praias e montanhas, baladas e desertos, amigos e solidão. Fui mudada profundamente. Agora estava voltando para casa, para minha vida, e pela primeira vez não fazia a menor ideia de que rumo daria a ela. Uma dúvida maravilhosa me surgiu ali, enquanto o avião levantava:

E agora?

Agora vem o resto da minha vida.

É mais ou menos assim que ando me sentindo. Mês retrasado vivi um pequeno inferno astral. Não era só a tese, eram outras coisas… essas que não são novidade nenhuma, mas pelas quais às vezes cismamos de nos cegar. Nosso perpétuo ciclo de altos e baixos.

Passou.

A tese, ainda não a entreguei. Está no finzinho, mas já volto a respirar. E pensar nos próximos planos, são tantos…

Outro dia ouvi falar na crise dos 25 e me identifiquei completamente: uma pessoa já formada, com alguma experiência de trabalho e também com frustrações, paralisada frente a uma encruzilhada de múltiplos planos e oportunidades, tão indecisa que não sabe onde vai enfiar o resto de sua vida.

Sou eu.

E o que vem agora?

O resto da minha vida.

Vou dançar, vou escrever, vou viajar… Vou por em dia as coisas que deixei de lado.

Peço desculpas a quem deixei esperando no processo. Agora sim, voltei.

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6 comentários

  1. Precisa pedir desculpas não pela espera =)
    Ei, essa frase “o resto da minha vida” me é familiar… de algum lugar? Não lembro mais.
    Agora vai lá curtir o resto da vida! 😉
    Bjos


  2. Vai tudo correr bem, Cristina. O bom de procurar o rumo não é necessariamente encontrá-lo 🙂


  3. Tem uma frase da Ursula K. Le Guin muito propícia: “É bom ter um objetivo. Mas no final das contas, o que importa mesmo é a jornada.”


  4. Ahhh, por acaso vc pegou essa citação da vó Ursula naquele livro de contos, “A Rosa-dos-Ventos”, do barco tripulado só por mulheres ??? Valendo um Capuccino ???

    Pois é sobrinha, a vida é assim mesmo; bons e maus momentos, quase sem tempo pra nada e todo o tempo do mundo, etc…..

    A vida é sempre divertida, mas diversão tem um preço….


  5. Oi tio Ivo,

    Essa é uma frase clássica da Ursula e aparece na Rosa dos Ventos, em A Mão Esquerda da Escuridão e O Mago de Terramar. Ganhei um capuccino? 🙂

    Bem, a diversão a gente parcela…


  6. bem vinda, Cris! rs



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