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Rio de Janeiro 2016

outubro, 2 - 2009

Estive no Rio duas vezes, a primeira em 2001, a segunda em 2008, quando ganhei um curso na UFRJ e passei 10 maravilhosos dias hospedada em Copacabana. Para quem passou a vida toda na cidade cinzenta-sufocante, o Rio de Janeiro é algo bem próximo do paraíso. Para qualquer ângulo que se olhe há uma praia belíssima, um morro verde embalsamado na névoa marítima e uma favela.

Cada vez que saía do hotel para passear no calçadão de Copacabana, ou pelo centro velho, ou pelas alamedas arborizadas, pelas livrarias e sebos antigos, ou sentava em um charmoso restaurante com um menu de camarões a um preço camarada para o meu bolso, pensava: esta é uma cidade que eu escolheria para morar. Escolheria, ao menos se…

“Se…” – você sabe. Se ali se pudesse levar uma vida tranquila.

Com 25 anos de São Paulo, sou faixa preta em esquiva de assaltos e fuga pela porta dos fundos. Estão te seguindo? Corra! Desconfiou? Suma! Disseram abobrinha? Finge que não é contigo. E assim foi que eu sobrevivi incólume a 10 dias passeando sozinha pelo Rio de Janeiro. Fora uma tentativa frustrada de roubo de câmera fotográfica, nada me aconteceu, mas a cada dia eu assistia a um espetáculo diferente: vi uma menina de rua debandar gritando com um segurança às suas costas, que, para se vingar, arrancou-lhe as roupas no meio da rua. Cruzei com um convulsivo garoto de rua me xingando repetidamente porque eu não quis lhe dar dinheiro. Vi uma moça do morro dar barraco na porta de um botequim. Vi corre-corre na rua. Batida policial na porta do hotel. Aquelas cenas de filme de bang-bang que lhe prometem as melhores cias de cinema.

Paulistano acha que no Rio o problema está nos morros, do mesmo modo como em São Paulo ele mora na periferia. O que o paulistano não sabe é que no Rio o morro está em todos os lugares – não é Maomé que vai ao morro, o morro vem a Maomé. E a criminalidade carioca é a mais democrática do Brasil.

Assim que soube da escolha do Rio de Janeiro para sediar as olimpíadas fiquei contente – me deixei levar pelo meu lado criança, que adora festa – enquanto o lado cerebral começou a pensar na conta (R$25,9 bilhões de investimentos) e nas reais condições do Rio sediar um evento desse porte. Vai ser vantajoso pra nós?

Prefiro não alimentar muitas expectativas, mas acho saudável ser otimista. Quero acreditar que a Olimpíada pode forçar as mudanças que a cidade precisa. Quero acreditar que a operação que se dará para conter a criminalidade seja uma solução definitiva.  Quero acreditar que gerará empregos para a população, e que as dívidas não vão sobrar para o povo pagar.

E prometo não fazer piadas sobre a inclusão da nova modalidade olímpica: “tiro/bala perdida”.

Dou parabéns?  Em todo caso, boa sorte pros cariocas!

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