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Australionauta, o relato – Parte 4

setembro, 24 - 2010

Depois de passar uma semana na Austrália central, tomei o avião para Brisbane.

Voando Qantas, você descobre o quanto a compania é poderosa na Austrália: opera a maior parte dos vôos comerciais e em aeroportos onde outras empresas não operam, dá nome e patrocina a seleção oficial de rugby da Austrália (Qantas Wallabies) e tem até um canal de televisão próprio para transmitir diariamente dentro das aeronaves. Não vou falar do charme das aeromoças, de blazerzinho azul com vestido de estampa aborígene, nem dos vinhos australianos de Barossa Valley oferecidos durante o vôo, mas… ops, já falei.

O aeroporto de Brisbane é uma sacanagem, cobra A$4 o aluguel do carrinho de malas. Eu estava carregadíssima, com duas mochilas cheias, uma pendurada na frente, outra nas costas, e uma mala laranja made in China com um carrinho que eu vinha cansando de remendar, e que foi despachada na esteira já sem as rodinhas. Não pago, não pago, não pago o carrinho do aeroporto, e fui toda atrapalhada arrastando a mala sem rodinhas por aí, até achar uma van que me levasse para a cidade.

Mesmo no inverno o clima de Brisbane é bom, pela primeira vez eu não tremia de frio. Passeei muito pelo centro da cidade, lotada de shoppings e boulevares charmosos, galerias antigas e bem conservadas, museus, casinos… Foi de certo modo um turismo de compras: comprei uma mala nova e joguei a laranja sem rodinhas fora, fiz compras no mercado, feira e comprei livros numa livraria especializada em ficção científica, fantasia e literatura policial. Brisbane tem um jeito muito de Brasil, mas é um Brasil utópico, com prédios lindos e bem conservados, parques idem, um rio limpo cortado por pontes surrealistas, ladeado de ciclovias, com parque aquático e praia artificial gratuitos e abertos ao público.

Eu já falei dos restaurantes japoneses da Austrália? Devido à grande imigração asiática, são muitos os restaurantes japoneses, chineses, tailandeses, vietnamitas, coreanos, indiandos… Mas os japoneses, em particular, já absorveram o conceito de fast food há muito tempo. Atenção temakerias brasileiras, vocês não estão com nada! Na Austrália os restaurantes japas têm uma vitrine semelhante à das sorveterias, onde variados rolinhos de sushi são expostos de acordo com os sabores. Os rolinhos têm umas duas ou três polegadas cada, metade do tamanho da folha de alga verde, é fácil para o sushiman fazer e fácil para o cliente escolher e comer, segurando no guardanapo mesmo, sem precisar de palitinhos e toda aquela parafernália que só torna mais caro. E o melhor: os rolinhos custam em média de A$2 a A$2.50, o que dá uns quatro reais cada. Dois rolinhos são o bastante para matar a vontade do amante de sushi e paga-se menos do que cobra a mais barata das nossas temakerias, consequentemente, o restaurante fica muito mais acessível e popular, e nos horários de almoço eu cheguei a ver filas que dobravam a esquina.

Passei cinco dias em Brisbane e depois peguei o ônibus para a Gold Coast.

O ônibus. Na Austrália a maior compania é a Greyhound Pioneer, que opera no país inteiro e com monopólio em algumas regiões. Tem opções de passagem que nunca vi no Brasil. Você pode comprar ticket por quilometragem, por período, ou por trechos, e o melhor de tudo: hop on/hop off! Significa que você pode ir parando e ficando nas cidades até completar todo o trajeto do trecho que você escolheu. Comprei um desses tickets para ir de Brisbane até Melbourne pagando A$216, preço salgadinho, mas para os padrões australianos foi uma pechincha.

A cidade must see da Gold Coast é obviamente Surfers Paradise. Já tinham me avisado: Surfers é balada, balada e balada! Você sabe que está chegando quando vê o céu povoado de arranha-céus chiquérrimos, e nas ruas o charme de Riviera Francesa tropical, com grifes caras, shoppings (coisa que mais tem na Austrália) e boulevares a beira mar.

Meu hostel ficava a quinze minutos de carro do centro, em Mariner’s Cove. Esse foi o hostel nota 10 da viagem, no segundo andar de uma marina, de frente para o mar e os hiates, com paredes de vidro e varandas imensas, tudo muito tropical e arejado. A paisagem compensava a distância e o isolamento. Eu ia para o centro na van gratuita do hostel, mas podia passear a qualquer hora por entre os barcos, podia ir a pé ao Sea World. Ao meu lado, hotéis de altíssimo padrão: Palazzo Versace, Sheraton Plaza, e o shopping Mariner’s Cove, cheio das lojas de grife, e eu feliz da vida no hotelzinho califórnia de 25 dólares.

A Gold Coast é uma espécie de Orlando australiana, lotada de parques temáticos. Ficando uma semana, fechei pacote para visitar 3 parques: Wet’n Wild, Sea World e Movie World. O Wet’n Wild foi a decepção: fui num dia chuvoso e frio, o parque estava vazio, metade das atrações não funcionavam, sozinha eu não podia ir nos toboáguas de bóias duplas e múltiplas (a desvantagem de viajar sozinha) e passei a maior parte do tempo morgando na piscininha quente. No dia seguinte, com sol, Movie World – o parque da Warner Bros. Foi o mais divertido. Uma espécie de conto de fadas hollywoodiano que misturava numa mesma esquina Batman, Super Man, Shrek, Scooby Doo, Looney Tunes, Marilyn Monroe, Harry Potter, e olhe que até souvenir do Crepúsculo vendia. O dia inteira tinha showzinho na praça principal, e as montanhas russas eram maravilhosas, com exceção da “Máquina Letal”, que era realmente uma máquina letal.

E que mais posso dizer? O desfile de personagens é a atração obrigatória, e eu achei interessante. Eu, que gosto de fantasias. Achei incrível a força de vontade do sujeito que tinha que se vestir de Batman e manter a cara de sério diante daquelas multidões de japoneses querendo tirar foto.

Por último o Sea World, também é um parque interessante, onde tudo se paga à parte. Quer tocar nos golfinhos? Paga à parte. Quer dar comida para os tubarões? Paga à parte. Quer andar de pedalinho? Pague no balcão. Mas para quem gosta de olhar bichos e de montanha russa, era bem interessante. Gostei particularmente de ter contato com as arraias, que eram de graça. As arraias nadam na beira do tanque e você pode acariciar as asinhas, acho até que elas gostam. Os tubarões são lindos, e os ursos polares são incríveis, uns bichões de 2 toneladas brincalhões feito cachorrinhos. Já a parte das crianças era patrocinada pela Vila Sésamo.

Entre o Sea World e o meu hostel tinha uma loja de frutos do mar que era também um fantástico (e concorrido) restaurante de fish and chips. Eu que sou uma peixólatra me acabei, e tive a insana ideia de comprar uma dúzia de ostras para o meu jantar. E assim, no hostel, experimentei pela primeira vez as tais das ostras, que comida mais sem graça! Fiz um minguado sashimi de salmão e fiquei com fome o resto da noite.

Mas em Surfers Paradise evoluí ainda mais no conhecimento da culinária japonesa-australiana. Fui a um restaurante japonês escondidinho nas galerias da cidade, daqueles onde os pratinhos passeiam de esteira hipnotizando os clientes, e pedi um sushi muito prático: vinha numa tigela, todo o arroz na parte de baixo e os pedaços de peixe todos na parte de cima. Menos trabalho, mais barato e mais gostoso também. Restaurantes japoneses do Brasil, aprendam!

Não fui nas baladas, mas freqüentei o pub da minha tranqüila marina, onde eu tinha acesso grátis à internet a partir do McDonalds. Adorava acordar e ir tomar meu café da manhã no McDonalds de Mariners Cove, onde pedia um bom café espresso, um muffin, e checava meus e-mails enquanto assistia os ricos de férias numa espécie de Revista Caras ao vivo.

Meu único lamento foi não poder ter viajado para o norte de Queensland, não ter visto Sunshine Coast, Cairns, Airlie Beach, a Grande Barreira de Corais e o Cape Tribulation.  Mas gostei do que vi, e Surfers Paradise vai me deixar saudades.

E no próximo episódio: Surfistas, hippies & lojinhas indianas, viva BYRON BAY e a marijuana!

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8 comentários

  1. Estou gostando muito desses relatos, Cris! Tá de parabéns 🙂


  2. Agora me sinto melhos velha ranzinza por não ter ido a nenhuma balada em Barça. 🙂


    • Balada dá muito trabalho.


    • Ops, leia-se “menos” velha ranzinza.


      • Que trabalho o quê, suas folgadas !!!!

        HAHAHAHAHAHAHAHA

        Christie, continue, estou lendo tudo, muito bom.


  3. […] This post was mentioned on Twitter by Cândido Ruiz and Tatiana Ruiz, crislasaitis. crislasaitis said: No blog, Australionauta, o relato parte 4: https://cristinalasaitis.wordpress.com/2010/09/24/australionauta-o-relato-parte-4/ […]


  4. […] Australionauta, o relato – Parte 4 […]



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