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Australionauta, o relato – Parte 5

setembro, 26 - 2010
Quando estava em Queensland fui tentada diversas vezes a embarcar num tour até Maroochydore, onde fica o Australia Zoo, propriedade do caçador de crocodilos. Crocodilo Dundee? Nãão! Estou falando de Steve Irwin! Hoje muito mais famoso e comemorado do que seu compatriota fictício.
Após uma bem sucedida carreira como naturalista e celebridade televisiva, Irwin morreu em 2006, ferido no coração por uma arraia enquanto gravava um documentário na Grande Barreira de Corais. Morreu e virou instantaneamente um mito (ou, devo dizer, um culto?) na Austrália, com direito até a sósias zumbis assombrando as festas de Halloween. Você entra nas lojas e vê boneco do Steve Irwin, material escolar do Steve Irwin, animais de plástico do Steve Irwin, walkie talkie do Steve Irwin, bússola do Steve Irwin, toda uma série de brinquedos do Steve Irwin. Aqui e acolá, às vezes vê-se um pôster grandão, com o bloke segurando um crocodilo e fazendo uma cara de… Steve Irwin.
Valeu, Steve! Infelizmente eu não fui ao Australia Zoo porque seria uma mordidona de crocodilo nas minhas economias de mochileira.
Como vocês sabem a Austrália tem a maior população de crocodilos de água salgada do mundo, bem como uma grande população de tubarões atacando por toda a costa, e pra alimentar todos esses bichões só mesmo com muito surfista.
Durante o inverno austral você pode ir à praia que quiser e mesmo naquelas mais remotas e improváveis poderá ver surfistas aos cardumes. Eu tive a prova de que na Austrália tem muitos amantes do surf – mas digo, amantes MESMO, tarados – quando, ainda em Victoria, passei por Bells Beach (praia de origem de marcas famosas, como Quicksilver e Rip Curl) e num clima que era simplesmente glacial, perfeito pra pingüim e leão marinho, eu – que fiquei à beira do penhasco toda encapotada e tremendo que nem gelatina em cima de trio elétrico – vi um bando de malucos surfar no Mar da Tasmânia, enfrentando aquele vento assassino e as ondas abaixo de zero. Não sou católica, mas acho que deve existir uma Nossa Senhora do Surfe pra proteger aqueles caras.
E só mesmo na Austrália poderia existir uma cidade chamada Surfers’ Paradise!
Já disse que tenho um primo que fabrica pranchas de surf? Procure no Google pelo Boto Lasaitis e você verá. Mas como diz o ditado, casa de churrasqueiro, espeto de brócolis: nunca tive uma prancha de surf. Tive muita vontade de contratar uma escolinha para tomar umas aulas enquanto estava em Surfers Paradise, mas no fim acabou vencendo meu lado baleia branca das águas tropicais morrendo de frio no Pacífico Sul.
Mas eu me prometi que entraria no mar, e promessa é uma coisa que eu faço e nunca me cobro. Deixei minha bela marina em Surfers Paradise e peguei o ônibus para desembarcar horas depois em Byron Bay.
Apesar da homenagem, a cidade não faz nenhum jus a Lord Byron. Como definir Byron Bay, meudeus?
Imagine a cidade praiana mais tranqüila, mais vida boa que você conhece. Imaginou? É um pouco mais tranqüila e vida boa do que isso. Acrescente muita natureza, muito charme e muitas cores. Imagine uma cidade do tamanho ideal para não ter nenhum McDonalds, e onde metade do comércio são lojinhas de roupa indiana. Imagine pessoas tocando violão e guitarra em cada esquina nos finais ensolarados de tarde. Imagine praias desertas. Imagine ver por toda cidade surfistas molhados (e molhadas) carregando pranchas debaixo do braço. Imagine hippies circulando com suas kombis floridas. Imagine ônibus e muros pintados em cores psicodélicas. Imagine o que John Lennon imaginou… Imagine.
É o paraíso, velho!
Me hospedei num hostel que era outra versão daquela música Hotel California; affordable, com piscina, varandonas ao sol, café à vontade e de vez em quando umas panquecas for free no café da manhã. Ali eu preferia que o tempo não passasse.
A praia… a praia principal não é habitada, mas tangencia a cidade e é de fácil acesso. Bastante limpa e bonita. Tomei muita coragem e num dia de sol arrisquei dar um mergulho ao lado dos surfistas. Mas no inverno bate um vento frio e o entardecer é meio gelado. Eu me enrolava toda na canga e na toalha e ficava lendo de frente pro mar.
Explorar as galerias e lojas da cidade era uma delícia! Além de lojas de moda surf e indiana, Byron Bay tem grifes de roupa tribal e alternativa. Tudo bastante caro, é verdade. Passei mal provando as roupas maravilhosas da loja de moda tribal e não levei nada. Pouco depois, numa lojinha de moda neogótica e rockabilly nem com todas as forças pude resistir à tentação de comprar um corset!  Foi o maior luxo que me paguei nessa viagem.
De passagem, fiz amizade com outros turistas que estavam por lá: uma surfista da Nova Caledônia, uma dançarina exótica da Malásia, um australiano da construção civil… E íamos pra balada. É uma obrigação de todos os turistas em Byron Bay conhecer o Cheeky Monkeys, um pub muito divertido, cheio das brincadeiras e promoções. Todas as noites rolavam alguns quitutes de graça e joguinhos cujos prêmios variavam desde jarros de cerveja até estadias em hostel. Tomei bastante cerveja ganhada, o resto eu não lembro.
Outra coisa obrigatória a se fazer em Byron Bay é caminhar até o farol. Subindo o Cape Byron, de repente se chega a uma estrada com uma vista belíssima, de um lado a praia principal de Byron, do outro uma praia deserta, que só não é mais deserta porque tem surfista. Subindo até o farol, no alto de um penhasco, a visão é simplesmente paradisíaca, e lá no mar azul, se você prestar atenção, consegue ver as baleias saltando.
Outro passeio que eu achava obrigatório em Byron Bay é o tour para Ninbin. Ninbin é uma vila hippie que fica a uns 40Km de Byron Bay, você vai num ônibus pintado de arco-íris, parando durante o caminho em lagoas e cachoeiras.
Eu achava que iria chegar em Ninbin e ver uma comunidade hippie de verdade, como nos anos 70, mas quando cheguei lá descobri que Ninbin vive exclusivamente da sua fama de capital australiana da maconha (sim, a maconha é tão ilegal lá quanto aqui), e tudo o que há nas 2 ruas da cidade são lojinhas de roupa indiana e de souvenires que prestam tributo à marijuana. E claro, uma brisa com um cheiro bastante característico. Assim que chegamos em Ninbin nosso guia alertou para os biscoitos de marijuana que são vendidos na cidade: se você comer mais do que meio biscoitinho vai parar em Júpiter.  Só sei que não provei biscoitinho, não comprei souvenir, não viajei na brisa, não contribui com o museu da maconha, a única coisa que gostei mesmo de fazer em Ninbin foi ir a um bistrô e ganhar um café delicioso de uma garota para quem dei uma moeda do Brasil.
Cada um vê o arco-íris como prefere.
E no próximo episódio: SYDNEY!
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6 comentários

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Romeu Martins, Clinton Davisson and Clinton Davisson, crislasaitis. crislasaitis said: No blog, Australionauta, o relato – Parte 5: https://cristinalasaitis.wordpress.com/2010/09/26/australionauta-o-relato-parte-5/ […]


  2. Está cada vez mais interessante este seu relato, Cris. Muito gostoso de acompanhar.
    Aproveito pra te confessar uma coisa: nunca gostei do Steve Irwin. O jeito teatral dele falar nunca me agradou e o hábito nada legal que ele tinha de importunar (e não raras vezes irritar) os animais selvagens que encontrava, me desagradava muito. Mas cada um, cada, um. Aliás, adorei sua opinião sobre os coalas em cap anteirorer. Você sabia que, ecologicamente falando, eles ocupam um nicho equivalente ao dos nosso bichos-preguiça? Beijos.


    • Bom, eu nunca assisti aos programas de TV do Irwin, então não faço ideia.
      E eu adoraria ver uma corrida coalas vs. bichos preguiça. Uma São Silvestre como nunca se viu…

      Valeu, Átila
      Beijos


  3. Puxa vida, como faço agora com a vontade de visitar a Austrália?


  4. […] Australionauta, o relato – Parte 5 […]



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