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Em quem vou votar

setembro, 29 - 2010

Alguns meses atrás eu tinha prometido não voltar a falar de política neste blog. Mas é que não dá!! Voltei da viagem para encontrar a eleição mais baixo nível que esperava ver na vida (ou será que sou que fiquei exigente demais?). Tiririca disparado em primeiro lugar para deputado federal??! Netinho para senador??! Esse é o tipo de notícia que me dá vontade de refazer as malas e ir embora pra Austrália! Estou profundissimamente decepcionada com minha falta de opções, e vou fazer bom uso deste canal de comunicação pessoal para deixar claro o meu protesto.

E já que o voto é meu para quem eu quiser mostrar, deixo minhas escolhas comentadas aqui, para quem quiser saber:

Presidente

Não vou votar na Dilma, não somente pelo recente escândalo da Berenice Guerra na Casa Civil, não somente por ter Michel Temer como vice, não somente porque não gosto do discurso assistencialista muito conveniente (e eleitoreiro) do PT, mas por vê-la como mero fantoche do partido, que já se dá ao devaneio (e cara de pau) de dividir cargos antes de ganhar a eleição.

Não vou votar no Serra, em primeiro lugar por aceitar este tipo de apoio político que já vem de outras eleições, se não com o mesmo candidato, com a mesma retórica. Segundo, por falar muito em aumentos, bolsas e expansões assistencialistas, com propostas de aumento do salário mínimo para R$600, aumento de 10% na aposentadoria, 13º salário do bolsa família, criação do bolsa adolescente, “erradicação da pobreza” (tá!), mas o que eu gostaria mesmo era ver a viabilidade dessas promessas.

Não vou votar na Marina. Até que ela tem propostas razoáveis, e merece aplausos por ser a única candidata a presidente com uma política clara voltada para o meio-ambiente. Mas… eita cabecinha! Marina, eu até te perdoaria por ser evangélica, mas por concordar com o ensino do criacionismo não dá! E é muito fácil quando um assunto polêmico como o aborto ou a união civil lhe cai nas mãos se livrar logo da batata quente propondo um “plebiscito”, e assim disfarçar que é conservadora ao mesmo tempo em que posa de democrática. Democrática uma banana! Quero ver se proporia um plebiscito se não tivesse certeza de que o povo brasileiro em massa compartilha da sua mesma opinião. Não consigo enxergar democracia em deixar que uma maioria de cidadãos decida por direitos de minorias. Valeu pela tentativa, Marina, mas não dá!

*Post-scriptum: e não é que, desertada do apoio dos evangélicos, Marina resolveu mudar o discurso para posar de candidata liberal? Ao mesmo tempo em que Dilma muda claramente o discurso sobre a legalização do aborto para se dobrar à vontade da bancada evangélica. Ah, as eleições e suas idiossincrasias!

Não vou votar no Plínio, que é o paradoxo em pessoa.

Não vou votar em nenhum dos outros candidatos.

Resumo da ópera: voto nulo.

Governador

Voto no Geraldo Alckmin, em quem vejo poucas probabilidades de me dar más surpresas.

Senador

Voto no Ricardo Young, do PV, por ter um curriculum que me orgulharia muito de que fosse de um presidente do Brasil.

Voto no Aloysio Nunes, do PSDB, pelo histórico de atuação contra impostos abusivos e principalmente por trabalhar em favor da cultura.

Deputado Federal

Eu ia votar no Fernando Alcântara, do PSB, mas nesta última hora soube que o Protógenes Queiroz está candidato a deputado federal pelo PCdoB e, levando em consideração que ele prendeu vagabundos de altíssimo quilate (Maluf, Pitta, Law King Chong, Daniel Dantas), razão pela qual foi perseguido, investigado, sacaneado e, por fim, afastado da PF, eu muito que vou dar um voto de confiança pra esse cara! Pena que se for eleito ele não vai pra Brasília com poder de polícia, mas espero que faça um bom serviço ajudando a desinfetar as cadeiras da Câmara dos Deputados daqueles vermes que roem o dinheiro público no Brasil.

Deputado Estadual

Voto no Carlos Giannazi, do PSOL. Candidato da capital paulista, ele tem como carro chefe da campanha a educação pública, foi pivô da expansão da Unifesp (com a criação do campus Santo Amaro), tem projetos para a área da cultura, além de ter discursado na câmara de SP em favor da criminalização da homofobia.

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15 comentários

  1. Olá Cristina, Tudo bom? Acompanho seu blog mas não sou muito de deixar comentários. Só estou escrevendo por que achei que seria bom sugerir que, ao inves de nulo você votasse em branco. Bem, o voto nulo não representa nada, pois tambem pode ter sido um erro do eleitor. O voto em branco, por outro lado, mostra que você não está satisfeito com nenhum dos candidatos. Segundo meu noivo (então não sei a confiabilidade da informação) Se a maioria dos votos for nula, a eleição precisaria ser refeita. Mas se a maioria dos votos for em branco, não só a eleição teria de ser refeita, mas teria de ser refeita com outros candidatos. Bem, mesmo que isso não seja assim me parece que faz mais sentido que, estando insatisfeito com todos os candidatos, se vote em branco ao invés de nulo.


    • Roberta,
      O voto branco é uma espécie de “tanto faz” e são somados aos votos do candidato vencedor, ajudando a elegê-lo.
      Essa história de “vamos votar branco para ter outra eleição”, não sei se você percebe, não vai acontecer na prática.


      • Cris, na verdade o voto em branco não é ‘somado ao candidato vencedor’. Nessa elecão o voto em branco será considerado inválido, assim como o voto nulo, o que acaba ajudando o candidato vencedor porque dimínuo a quantidade bruta de votos necessária para um candidato se eleger. Para entender melhor o que isso significa, sugiro dar uma olhada nesse vídeozinho que é bem legal e bastante esclarecedor, realmente vale a pena.


  2. É uma pena ver uma pessoa esclarecida como você ter que anular o voto para presidente, aumentando assim as chances da Dilma (que lidera as pesquisas e na minha opinião é a pior opção) de vencer no primeiro turno. Infelizmente os votos nulos e inválidos farão a diferença nessa eleição apertada. Abraço


    • Obrigada pela contribuição, Michel. Mas como você mesmo disse: a sua opinião.


      • Claro, minha opinião, e antes de tudo um direto seu =)


  3. Saudações

    “Não consigo enxergar democracia em deixar que uma maioria de cidadãos decida por direitos de minorias.”

    Realmente algo muito importante a se pensar, gostei da frase. Mas eu, pessoalmente, não fiquei muito surpreso com esta eleição, as coisas andavam num rumo em que chegaríamos a esse nível mais cedo ou muito mais cedo.


    • A maioria decidir pela minoria é praticamente um conceito intríseco na definição de democracia. Como nunca vai existir um jeito de agradar a todos, a maioria decidir é a maneira mais justa.


      • Michel, democracia convenciona-se como “a vontade do povo”. Mas eu não consigo achar democrático o fato de uma maioria dominante se dar ao direito de alienar uma minoria de direitos civis.
        A igualdade civil, de fato, é o princípio da democracia, ao menos para mim.


      • Porque ‘alienar’ uma minoria? Você fala como se o objetivo dessa maioria fosse sempre piorar a vida das minorias, o que não é verdade. Eu pelo menos não voto para alienar ninguém, voto no que eu acredito ser melhor pro país. E se igualdade civil é pra vc democracia, entao pelo menos na esfera política ela existe, porque perante as urnas todos votos valem igual, seja de gente rica ou pobre, phd ou analfabeto. Lembre-se que a vontade do povo não é necessariamente a vontade de todos.


  4. Oi Cris.
    Gostei bastaente do texto. Mostra a opinião de alguém esclarecida, algo que infelizmente, tá fazendo falta. A maioria prefere ir no oba oba ou na opinião da dita “maioria”. Vejo que temos a mesma opinião sobre os candidatos a presidente e senadores (vou votar nos dois mesmos que vc). Contudo, não seria nada mal se as mesmas fossem diferentes, pois sinto que sua postura sempre primará pelo embasamento. E concordo contigo quanto ao conceito de democracia. Esse papo de “a maioria decidir é a maneira mais justa”, é conversa fiada de quem vive na confortável condição de maioria. Queria ver se fizesse parte de uma das ditas “minorias”. É fácil decidr por alguém que não faz parte do seu mundo.
    Escrevi recentemente um texto dobre o voto nulo no meu blog, mostrando que essa opção não é algo descabido, pelo contrário.
    Beijos e sucesso sempre.


  5. Oi Cris,
    Ninguém deve ser perseguido ou molestado por expressar suas convicções ou por seu estilo de vida… mas proibir que outras pessoas se expressem a este respeito, isto também é anti-democrático.

    Eu acho também que viver é tomar decisões e às vezes na vida a gente tem que escolher não o melhor, mas o menos ruim, trincar os dentes, respirar fundo e ir em frente… Votar em branco na minha opinião é se omitir, é tomar o caminho mais fácil, é simplesmente dar de ombros e achar que “eu não tenho nada com isso, vou me embora para Parságada, etc”.

    Eu acho que a gente tem que fazer escolhar, arcar com as conseqüências e lutar para mudar aquilo que a gente não gosta; pode ser uma luta amarga, longa, e de resultado dúbio no final, mas eu acho que para um ser humano adulto, não existe outra escolha…

    Tenha um bom fim de semana, e que o somatório das nossas decisões traga um futuro melhor para todos.


  6. Essa ideia de você não falar de política não podia durar muito tempo, Cris. Diga o que tem a dizer, doa a quem doer. Sempre haverá quem concorde ou no mínimo questione com elegância. Debat saudável. 😉


    • Af… “debate” em lugar de “debat”. :-S



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