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Simplesmente Ela

novembro, 7 - 2010

Uma das maiores razões que tenho para me orgulhar da língua portuguesa se chama Clarice Lispector. É uma honra compartilhar com ela as mesmas palavras, e é um privilégio imenso sorvê-las sem precisar de tradução.

Eu poderia ter sido polaca, ela poderia ter sido russa, mas o acaso deixou decidido que viveríamos no Brasil e falaríamos português. É uma pena não termos dividido sequer uma lasquinha de tempo, pois ela se foi anos antes que eu chegasse. Mas não importa. Eu tenho o que preciso.

Gosto de ler Clarice Lispector não por charme, não por empatia (diria até o contrário: ela me provoca estranhamento), mas porque ela aguça a minha alma, renova as emoções velhas que foram soterradas em apatia, e, principalmente, como escritora, me abastece de palavras e de formas de dizer. Eu sempre termino um livro da Clarice com a nítida sensação de que tenho meios para expressar qualquer ideia.

A Clarice me ajuda a ser escritora, além de humana, mortal, mulher.

Em se tratando de Clarice, hoje recebi um belo presente: fui assistir ao monólogo “Simplesmente Eu”, no qual Beth Goulart a incorpora com perfeição: imagem, palavras, gestos e sotaque. O texto é uma colagem de escritos, questionamentos e até entrevistas de Clarice, apresentada em suas mais variadas e sutis nuances dentro de uma atmosfera sonhadora e transcendente. A reconstrução (ressurreição?) da autora no palco é uma experiência emocionante, sobretudo para fãs de Clarice, sobretudo para mim que nunca sonhara vê-la numa imagem tão próxima e crível. É simplesmente ela ali: emoção viva, em voz, em cores.

Ficam meus parabéns a Beth Goulart pelo lindíssimo espetáculo e, aos leitores deste blogue, a forte recomendação: vão ao teatro! Leiam Clarice.

Simplesmente Eu, Clarice Lispector

Adaptação, Interpretação e Direção: Beth Goulart

Até 19/12/2010

Teatro Renaissance – Al. Santos 2233, Jardins – São Paulo/SP

Sextas, Sábados e Domingos

Ingressos, R$50 a R$60 (inteira)

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