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Leituras de 2010

dezembro, 28 - 2010

Quando se chega ao fim do ano e cai a ficha -“minha nossa! já passou?” – é muito provável que o ano foi bom. Embora eu tenha furado várias promessas que escrevera na minha agenda (sim, eu tenho essa mania), só posso concluir que meu 2010 foi incrível!  Realizei sonhos de longa data: conheci a Austrália e a Nova Zelândia, participei pela 1ª vez do World Science Fiction Convention; e embora ainda não tenha conseguido publicar o meu romance, escrevi meu primeiro roteiro de cinema e ganhei uma lindíssima 2ª edição do Fábulas do Tempo e da Eternidade!

2010 foi ano de networking, conheci gente pra caramba! Foi ano de experimentações: provei comida tailandesa, viajei sozinha, dei palestra em inglês, comi ostra, peguei canguru no colo, andei de camelo… Sem rotina, foi ano de pensar muito e fazer planos, começar trabalhos novos e tomar decisões que devem nortear a vida inteira.

Meu 2011 vai começar repleto de projetos, e posso adiantar que vem muita novidade pela frente!

Com toda essa movimentação, não devo ter lido metade da montanha de livros que lera em 2009. Seguindo a tradição, vai a lista, e uma resenha para aqueles que tenho mais vontade de comentar:

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Ficção Brasileira

Dom Casmurro e Os Discos Voadores – Lúcio Manfredi

Desde o lançamento de Orgulho e Preconceito e Zumbis (de Seth Grahame-Smith), o mundo literário tem sido sacudido por uma onda de mashups de clássicos da literatura com elementos fantásticos, na sequência vieram: Razão e Sensibilidade e Monstros Marinhos, Android Karenina, Jane Slayre e outros títulos. O sucesso foi tão grande que Orgulho e Preconceito e Zumbis já está ganhando adaptação cinematográfica! A proposta dessa novíssima – se é que já dá pra chamar assim: – vanguarda é, segundo o próprio Grahame-Smith: “transformar o clássico da literatura em algo que você gostaria de ler!” O conceito do mashup é conservar parte do texto original e misturar com outros elementos, dando uma nova roupagem à história; por isso o mashup é classificado dentro da ficção alternativa (uma discussão mais aprofundada sobre mashup e ficção alternativa você encontra neste ótimo artigo da Ana Cristina Rodrigues). Como você pode ver, a onda veio pro Brasil e em 2010 a Editora Leya lançou o selo Lua de Papel de “Clássicos Fantásticos” escritos por brasileiros – entre eles, Dom Casmurro e Os Discos Voadores é, na minha opinião, a melhor obra da safra.

Lúcio Manfredi é roteirista de televisão e nos últimos anos trabalhou no roteiro de seriados e novelas da Globo, como Ciranda de Pedra e A Casa das Sete Mulheres. Não é preciso dizer que ele sabe escrever cenas memoráveis, Machado de Assis não poderia ter encontrado melhor co-autor. O romance não é literalmente um mashup, porque pouquíssimo do texto original foi mantido, Lúcio reescreveu a saga inteira de Dom Casmurro na sua própria linguagem, leve e graciosa. Exatamente como no clássico de Machado, em Dom Casmurro e Os Discos Voadores o jovem Bentinho está predestinado desde o útero a seguir a carreira de padre – uma promessa feita por sua mãe, D. Glória – sendo que o menino não está nem um pouco inclinado ao sacerdócio, seja por vontade ou vocação, e acrescente ainda que ele está enfeitiçado pelos “olhos de ressaca” de sua amiga de infância e protonamorada, Capitu. As diferenças do romance original começam com a caracterização dos personagens: José Dias, o agregado, é um homem muito preciso, com engrenagens e articulações mecânicas; Capitu tem defeitos de nascença e atitudes esquisitas; e o tio Cosme não sai da frente do telescópio e conta ver coisas estranhas no céu. Bentinho testemunha uma sequência de acontecimentos estranhos que o acompanham desde a infância na casa da Rua Matacavalos aos seus estudos no seminário; vê-se pivô de uma conspiração estranhíssima da qual participam todas as pessoas que o cercam, mas que ele não compreende e de início nem desconfia que a origem dos seus problemas, na verdade, vem de Sirius…

Respeitando a tradição das ironias machadianas, não poderia faltar uma boa dose de humor, o que torna a leitura deste livro simplesmente deliciosa. E para quem é bom em captar referências, ele ainda reserva uma homenagem implícita  ao autor preferido do Lúcio.

 

A Paixão Segundo G.H. – Clarice Lispector (releitura)

Leio e releio sem cansar. Em matéria de ficção, A Paixão Segundo G.H. é um dos livros mais diferentes que o leitor pode experimentar. No nível superficial, a história é esdrúxula: uma mulher solitária faz a arrumação no seu apartamento, quando encontra uma barata no armário e a mata. E daí? E daí que nas entranhas dessa microscópica ação o universo inteiro palpita enquanto fala a voz interior dessa mulher. O assassinato da barata desencadeia uma saga subjetiva: uma imensa viagem interna por galáxias de sentimentos e ressignificações, tentativas de colocar em palavras aquilo que transcende à própria linguagem, uma busca de sentido, e no sentido, a liberdade de existir – o momento de epifania. Algumas pessoas acham este livro abstrato demais, outras se fascinam pelo alcance de tal abstração; para mim é uma das reflexões mais elevadas de toda a literatura (ao lado de De Profundis, do Oscar Wilde). Sempre que me sinto paralisada com ideias que não consigo formular, peço ajuda à G.H. e, especialmente, à Clarice, que são as melhores evidências de que não há nada que não possa ser colocado em palavras.


Cio (contos)– Marne Lúcio Guedes

Santa Clara Poltergeist – Fausto Fawcett

A Via Crúcis do Corpo (contos)– Clarice Lispector

A Bela e a Fera (contos) – Clarice Lispector

Game Over – Uma Ameaça Virtual – Rosana Rios

Memórias Desmortas de Brás Cubas – Pedro Vieira

O Ateneu – Raul Pompéia (releitura)

Noite na Taberna (poesia) – Álvares de Azevedo

Os Sete – André Vianco

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Ficção Estrangeira

A Sombra do Vento – Carlos Ruiz Zafón

Este livro foi a grande surpresa de 2010. Peguei-o sem esperar muito e fui conquistada logo nas primeiras páginas. A história é narrada por Daniel, um menino que no seu aniversário de 11 anos, pouco tempo depois de ter ficado órfão de mãe, é levado pelo pai a um lugar misterioso: o Cemitério dos Livros Esquecidos, onde ele tem o direito de escolher entre as intermináveis prateleiras um livro raro que poderá guardar consigo. É assim que Daniel se apodera de um volume intitulado A Sombra do Vento, de autoria de um barcelonês chamado Julian Caráx. Ao longo dos anos, o garoto lê e relê o livro, e a curiosidade o leva a buscar outros títulos do mesmo autor, mas Daniel descobre que não há mais vestígio sequer da obra e de Julian Caráx. Intrigado, Daniel se põe a investigar a vida desse misterioso escritor, e as evidências que encontra lhe mostram a dimensão trágica da história que ele está prestes a descobrir.

A Sombra do Vento é desses livros que se apoderam e prestam tributo a uma cidade – vive-se e respira-se Barcelona, cenário que não poderia ser mais perfeito à trama. Apesar das pinceladas góticas, não é um livro melancólico, é antes um romance leve, de cenas delicadas, tiradas bem humoradas, personagens encantadores, trama engenhosa, repleto de figuras de linguagem originais; um livro magistralmente escrito! Sou uma leitora bastante exigente e posso dizer que A Sombra do Vento é um dos poucos romances que conseguiram corresponder a todas as minhas expectativas.

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Chore Para o Céu (Cry To Heaven) – Anne Rice

Inicialmente famosa pelas Crônicas Vampirescas e pelas Bruxas Mayfair, Anne Rice alguns anos atrás passou pelo seu momento “encontrei Jesus” e escreveu livros sobre Cristo, recentemente entrou no momento “cansei dos cristãos” e voltou a escrever como escrevia antes, recentemente sintonizou a nova onda de anjos e acabou de publicar Tempo dos Anjos. Depois de ter lido Entrevista com o Vampiro anos atrás, quis ler algo novo de Rice e estabeleci como próximo alvo o Cry To Heaven (Chore Para o Céu), que eu não estava encontrando em lugar nenhum, até me deparar com uma edição em hardcover, com essa mesma capa que você vê acima, num sebo em Katoomba, na Austrália.

Apesar de não serem vampiros, nem bruxas, nem anjos, nem múmias, os personagens deste romance mainstream não deixam de ser criaturas “à parte” detentoras de um dom quase sobrenatural: Cry To Heaven é uma história sobre os castrati italianos do século XVIII. Numa época em que as mulheres eram proibidas de subir ao palco para cantar, meninos eram castrados para suprir a demanda de sopranos e contraltos para as óperas. Milhares de garotos eram castrados na esperança de um dia se tornarem estrelas da ópera, como foram Farinelli e Caffarelli, mas pouquíssimos eram os que, com muito talento e sorte, conseguiam fazer carreira como cantores. E para os milhares que não alcançavam esse objetivo, restava conviver com o estigma de se serem considerados sub-homens ao olhar de uma sociedade que os discriminava, sendo que a própria Igreja Católica não os ajudava, proibindo-os tanto de se casar como de seguir o sacerdócio.

No romance, Guido Maffeo é um talentoso castrato napolitano, que cantou na ópera durante a adolescência, mas tragicamente perdeu a voz num estirão da juventude (os castrati costumavam ficar muito altos, e podiam perder a qualidade da voz durante o crescimento); impedido de cantar, Guido estabeleceu como objetivo de vida encontrar uma voz perfeita e produzir uma nova estrela para a ópera; viaja pela Itália em busca de um prodígio. Em Veneza, o jovem Marc Antonio Treschi, o único herdeiro de uma dinastia de senhores venezianos, vive trancado em seu palácio junto à mãe, distraindo-se com música e canto. O seu velho pai, próximo à morte, revela a Tonio que ele tem um meio-irmão mais velho que fora exilado na Turquia como punição pela própria insolência. Assim que morre o senhor da casa, o irmão misterioso – Carlo – retorna e Tonio percebe que não é o único herdeiro, e que suas relações de sangue são mais profundas do que ele podia imaginar. Para reaver o seu direito sobre a Casa Treschi, Carlo sabota Tonio de uma maneira inusitada: manda castrá-lo e dá-lo para o caçador de talentos que veio a Veneza. Assim se cruzam os destinos de Guido e Tonio, começa uma aventura sensual pelas óperas italianas e, lentamente, a preparação de uma amarga vingança.

Cry To Heaven tem como pano de fundo as belíssimas paisagens de Veneza, Nápoles e Roma, e tem os mesmos temperos dos livros vampíricos de maior sucesso de Anne Rice: é recheado de erotismo, sensualidade andrógina, glamour e sangue – na minha opinião, mostra a fórmula da autora num estado mais puro. O livro ainda traz um adendo com referências da vasta pesquisa histórica que fundamenta a obra. Quem tiver curiosidade de entender melhor o mundo dos castrati, pode assistir ao filme Farinelli – Il Castrato (1994), ou ouvir a única gravação sonora existente da voz de um castrato: Alessandro Moreschi, o último, que morreu em 1922. Quem quiser ainda ter uma noção da complexidade das árias cantadas por eles, pode ouvi-las na voz da soprano Cecilia Bartoli, que lançou em 2009 o álbum Sacrificium, só com árias de castrati.

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Perdido Street Station – China Miéville

Perdido Street Station tem sido um livro muito comentado nos últimos anos. Por quê? 1- é o primeiro livro que se conforma totalmente à definição de new weird fiction (como canonizado por Jack e Ann VanderMeer), portanto, é o marco de um novo subgênero literário (sem nada pejorativo no prefixo “sub”); 2- é um mergulho num universo surreal, de criatividade sem limites, uma viagem – se não literal, literária – no ácido; e 3- é um livro que incomoda. Se você me disser que vai ler, devo acrescentar: você vai “se aventurar a”.

O new weird se baseia na mistura de elementos de ficção científica, fantasia e terror – e até mesmo RPG, noir, policial, mitologia; o que vier. É uma ficção não-realista, que exige a criação de um cenário novo – um cenário urbano – que será construído nas bases de uma estética própria – a estética estranha.

Mas vamos à história: ela se passa no mundo de Bas Lag, na cidade de New Crobuzon, mais especificamente no submundo dessa metrópole labiríntica, industrial, de arquitetura vertiginosa, meio steampunk, meio esquisitóide, sob o vulto da imensa estação da Rua Perdido. Seres humanos dividem o cenário com raças pseudo-humanas, há os khepri – criaturas com corpo de gente e cabeça de besouro, hábeis na arte de esculpir a partir do próprio cuspe; os garuda – uma espécie de águias humanóides com um código de conduta bem peculiar; os vodyanoy – uma raça aquática semelhante a rãs; e os cactacae – um povo cacto que habita um bairro isolado debaixo de uma redoma, como uma grande estufa.

Os personagens são cidadãos comuns de New Crobuzon; cientistas, artistas, inventores; amostras ao acaso da salada mista que é tal sociedade. Conhecemos a princípio Isaac, um cientista humano que vive um relacionamento amoroso uma fêmea khepri (ou mulher-besouro): Lin, artista e criadora de grandes monumentos de cuspe. Yagharek é um garuda que cometeu um crime grave dentro do seu grupo e foi punido com a amputação de suas asas e o ostracismo, ele vai a New Crobuzon procurar Isaac e pedir que o cientista o ajude a voar novamente. A trama segue com a descoberta de uma espécie de néctar dos deuses – a dreamshit (que vou adorar saber como irão traduzir!) – uma secreção produzida por uma espécie misteriosa e que, ao ser identificada, constata-se que é também uma espécie mortal e que poderá colocar os protagonistas, a sociedade e o frágil equilíbrio de New Crobuzon em colapso.

A saga é uma colagem de ideias estupidamente criativa, extremamente complexa e anticlichê. Se há terror e cenas chocantes (e olhe ainda tenho pesadelos com o bairro da luz vermelha de New Crobuzon!), há também espaço para a poesia e o encanto nos anseios e sonhos dos seus personagens. Mièville utilizou referências mitológicas, folclóricas, políticas e históricas para fazer essa colagem. Por que é uma leitura difícil? Porque a linguagem é barroca, o texto é denso, pesado e extenso; mas nem por isso o livro deixa de ser deslumbrante.

 

A Cidade dos Hereges – Federico Andahazi

A Máquina do Tempo – H.G. Wells

O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel – J.R.R. Tolkien

A História do Olho – Georges Bataille

Snuff – Chuck Palahniuk

Laranja Mecânica – Anthony Burgess

Brazyl – Ian McDonald

 

Não Ficção

Infiel (Infidel) – Ayaan Hirsi Ali

Ayaan Hirsi Ali, hoje uma cidadã holandesa de 41 anos radicada nos EUA, tem o que se pode chamar de uma história de vida de arrepiar.

Nascida na Somália, aos 5 ela sofreu a mutilação genital, como acontece a praticamente todas as meninas na cultura somali. Esse procedimento é feito por cortadeiras que, como as tradicionais parteiras, são mulheres do povo convocadas pelas famílias, e o trabalho é feito sem anestesia, sem instrumentos apropriados, sem ambiente esterilizado e em geral, em situações precárias. A menina precisa ser segurada enquanto o clitóris e os pequenos lábios da vagina são extirpados, os grandes lábios são seccionados e suturados com espinho de acácia, deixando um buraquinho minúsculo para o escoamento da urina e da menstruação – no período de cicatrização esse buraco é mantido aberto por um palito de fósforo, e as pernas precisam ficar amarradas durante semanas. A vulva desaparece e no seu lugar fica uma cicatriz rígida e, por vezes, apertada e dolorida. Quando a mulher se casa, na noite de núpcias a cicatriz é aberta a faca pelo marido. Quando vai dar à luz o primeiro filho, é necessário aumentar o corte. E algumas vezes, após cada parto, a  mulher é novamente suturada. As meninas que não são cortadas são estigmatizadas na sociedade somali, então praticamente todas o são (não sei se o costume perdura até hoje). Muitas morrem de infecção após a mutilação genital, muitas outras morrem de complicações decorrentes do procedimento: e todas sofrem com o trauma e as dores resultantes.

Essa experiência é só o ponto de partida da biografia de Ayaan. Em Infiel, ela faz um retrato da sociedade somali: seus clãs, sua cultura, a religiosidade… Nascida e criada dentro da religião muçulmana, e tendo morado inclusive na cidade de Meca, Ayaan narra a sua vida e a das mulheres com quem conviveu sob a opressão e a brutalidade do Islã. Ela chegou a ser espancada pelo imã que lhe lecionava o corão e quase foi morta de pancada pela própria mãe. Ayaan chegou a  conhecer o fundamentalismo e combater o ocidente. A virada na sua vida se deu quando, contra a sua vontade, o pai arranjou-lhe casamento com um somaliano que morava no Canadá. No momento em que Ayaan pegou o avião para ir viver com o marido, aproveitou-se de uma escala na Europa para fugir e pedir refúgio na Holanda. Na Europa ela teve o seu primeiro choque com os valores do ocidente: via as mulheres livres, impressionava-se com as pessoas que lhe ajudavam e eram simpáticas sem querer nada em troca. Como refugiada na Holanda Ayaan recomeçou sua vida: trabalhou e conseguiu a cidadania, aprendeu a língua holandesa e conseguiu se matricular em ciência política na Universidade de Leiden. Estudando o trabalho dos filósofos, especialmente após a leitura do Manifesto Ateísta, Ayaan passou por um enorme cisma com suas crenças, sofreu o abalo de considerar que toda a estrutura ideológica do mundo em que vivera, pautado na retórica do Corão, era ficção, e nem o inferno que ela tanto temia e nem Alá existiam. Como resultado, em 2002 Ayaan afirmou-se ateísta – e o rompimento com a religião foi inevitavelmente um rompimento com a sua família. Depois de formada entrou para a política na Holanda, onde foi deputada de 2003 a 2006. Escreveu a sua biografia, virou crítica do Islã e ativista para a liberação das mulheres muçulmanas, como resultado, recebeu inúmeras ameaças de morte. Em 2004, em parceria com o cineasta Theo van Gogh, idealizou o curta-metragem Submission, sobre a realidade da mulher no Islã. As ameaças contra a vida de Ayaan explodiram, e ela contou com a proteção da polícia holandesa, mas Theo van Gogh foi assassinado na rua a facadas, e sobre o corpo dele foi deixada uma carta dizendo que a próxima vítima seria Ayaan. Atualmente ela mora nos EUA e continua com o seu ativismo, vivendo cercada de seguranças.

É difícil resenhar um livro tão profundo em tão poucas linhas e conseguir comunicar a dimensão dessa história. Há uma certa semelhança entre a biografia de Ayaan e a de Waris Dirie, a Flor do Deserto – com o detalhe de que a história da “infiel” tem menos glamour, mais violência e o fator “sorte” deu lugar a uma força de vontade invejável.

A trajetória de Ayaan Hirsi Ali é impressionante; uma mulher que escapou por uma porta inacreditável e teve coragem de vir a público enfrentar a truculência terrorista pedindo pelo fim de uma era de barbárie.

Infiel é um livro que recomendo a todos, sobretudo às mulheres. E o filme Submission, que levou ao assassinato de Theo van Gogh é este que você pode assistir abaixo:


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Um Antropólogo em Marte – Oliver Sacks

A Mulher/Os Rapazes da História da Sexualidade – Michel Foucault

Alquimia e Misticismo – Alexander Roob

A Dança do Universo – Marcelo Gleiser

As Vidas de Chico Xavier – Marcel Souto Maior (releitura)

Voar Também é Com os Homens – O Pensamento de Mário Schenberg – José Luiz Goldfarb

1808 – Laurentino Gomes

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Infanto-Juvenis

Matilda – Roald Dahl

George’s Marvelous Medicine – Roald Dahl

O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint-Exupéry

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Antologia

Anno Domini – Helena Gomes (organização)

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9 comentários

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Gladius Caglia. Gladius Caglia said: Excelentes resenhas RT @crislasaitis: Minha retrospectiva literária de 2010 (com resenhas!) http://bit.ly/hPGVfn […]


  2. Cara amiga Cris,

    Seus textos são sempre claros e extremamente bem feitos: dá gosto de ler :-)))

    UGA,
    Paulo Sunao


  3. Dom Casmurro já está na estante, pronto para 2011, estava com um pé atrás.


    • Gabriel, o livro do Lúcio vale muito a pena! Diversão garantida.


  4. gostei muito das suas opiniões sobre os livros que leu.
    obrigado pelo texto pois é mesmo um diferencial importantíssimo para os que apreciam esta literatura por aqui. e que bom que tem pessoas assim! abração
    adriano siqueira


  5. “Quando a mulher se casa, na noite de núpcias a cicatriz é aberta a faca pelo marido.”

    :-S

    Esse eu vou precisar de muito estômago pra ler.


  6. Caríssima não lhe esqueci.

    Nem você, nem o seu livro, nem o meu livro.

    Vou enviar o seu (que é meu) semana que vem SEM FALTA. E você envia o seu (que será meu?) rsrsrs

    beijos!

    Nicole

    p.s. você pegou um canguru no colo??? Que ótimo!


    • Oi Nicole! Sem problemas, será um deleite na hora que receber.

      Peguei um canguru, ou melhor, uma cangurua! Ela se chama Francesca e mora num orfanato de marsupiais em Coober Peddy!

      Beijos!



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