Archive for janeiro \31\UTC 2011

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A Batalha do Apocalipse

janeiro, 31 - 2011

Eu costumava dizer por aí que meu lamento sobre a literatura fantástica brasileira era que eu ainda não tinha encontrado um livro que me despertasse o mesmo sense of wonder que senti com grandes autores como Arthur Clarke, Ursula Le Guin, Marion Zimmer Bradley… Ou seja, ainda não tinha lido uma obra brasileira arrebatadora.

Posso dizer que essa queixa, sim, ficou no passado!  O livro A Batalha do Apocalipse, do Eduardo Spohr, é merecedor do ISO9001 de excelência literária, e mais: virou um incontestável best seller digno de calar a boca de quem desacreditou do potencial da fantasia brasileira!

Um pouco por preconceito, um tanto por pós-conceito, nunca achei clara a associação entre best seller e qualidade literária, até porque acredito que para se tornar best seller o autor, por mais hábil que seja, precisa fazer certas concessões para agradar a um público numeroso. Nesse pensamento, alguns clichês são previsíveis (quiçá inevitáveis?). Não vou dizer que A Batalha do Apocalipse é um livro isento de clichês, mas é com certeza um best seller de uma qualidade literária surpreendente.

O livro conta a saga do anjo Ablon e seu séquito de anjos guerreiros, todos renegados, vivendo na terra entre os mortais e atravessando os milênios desde a expulsão do paraíso até os tempos do Juízo Final. A diferença fundamental entre anjos e homens é que os anjos não têm alma, nem paixões humanas: são movidos por objetivos maiores, têm uma personalidade estoica e uma inexplicável atração pelo combate. Nesse perfil, Ablon é o típico guerreiro solitário: lutador incansável, puro, movido por um ideal e até mesmo celibatário – exatamente como eram os heróis das novelas de cavalaria. Acontece que o arcanjo Miguel e Lúcifer, o príncipe que governa o inferno com mão de ferro, querem erradicar os anjos renegados, razão pela qual o exército de anjos caídos de Ablon está sendo caçado. Na sua jornada milenar pelo mundo, Ablon tem como sua única companheira a feiticeira Shamira, que conquistou a imortalidade com o domínio das artes da necromancia. Ablon e Shamira levam vidas solitárias, marcadas por encontros e desencontros através dos séculos e em grandes momentos da história humana. É fascinante a habilidade com que o autor desenha a trajetória dos protagonistas tomando confortavelmente como pano de fundo todo o planeta e a história da humanidade! A trama se passa em momentos e regiões tão diferentes quanto a Babilônia, a China, Roma, Alexandria, a Bretanha medieval, o Império Romano do Oriente, o Rio de Janeiro e a Jerusalém contemporânea – e mesmo as cidades bíblicas de Enoque e Sodoma – amarrando todos esses lugares e períodos dentro de uma única aventura, que se saiu muito variada e instigante.

É bastante interessante a forma com que foi tratada a coexistência dos universos: o mundo dos anjos que se liga ao dos mortais pelo “tecido da realidade”, que por sua vez pode se relacionar a outras teogonias, como os contos de fadas celtas e a mitologia chinesa.

Há um cuidado especial com as ambientações históricas, geográficas, técnicas e até mesmo bíblicas! É muito bom ler um livro tão rico e que passe as informações corretas, nota-se um profundo respeito para com a história e, principalmente, para com o leitor! Dentro da proposta do épico, o livro é praticamente perfeito. É uma história ambiciosa, variada, e constituída por uma pesquisa riquíssima. O texto é bem redigido e tem o ritmo certo. Apesar de ser um livro longo, não enrola o leitor. O universo tem consistência interna, é coerente e verossímil. E é bonito! Repleto de cenas grandiosas, é cinematográfico!

Eu comentei que o livro não é isento de clichês. Como no épico, tudo é idealizado: os personagens, as lutas, as situações. Em algumas circunstâncias, a idealização torna certos detalhes da trama bastante previsíveis, o que não prejudica a beleza e a força do resultado final.

Por uma questão de gosto pessoal, eu sou uma leitora que cochila em cenas de ação e de luta – curto mais a viagem, os questionamentos – então os últimos trechos, que contam a Batalha do Apocalipse propriamente dita, me pareceram um pouco cansativos. Em contrapartida, pude me deleitar em maravilhosas viagens com Ablon, Shamira e Flor do Leste (uma personagem de carisma irresistível) através da antiguidade.

Provavelmente a razão (e o merecimento) de tamanho sucesso d’A Batalha do Apocalipse é esta: é uma saga variada, com potencial de agradar a gregos e troianos e encantar todo mundo!

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Entrevista sobre homofobia para a Jovem Pan

janeiro, 25 - 2011

Hoje fui aos estúdios da TV Jovem Pan Online dar uma entrevista à Patrícia Rizzo para falar sobre homossexualidade e homofobia. Agradeço à Jovem Pan pela iniciativa e oportunidade. Seguem os vídeos da entrevista de meia-hora, em 3 partes:

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Entrevista sobre homofobia para a CBN

janeiro, 19 - 2011

Algumas pessoas têm pedido mais informações sobre o estudo sobre homofobia da UNIFESP que está circulando na mídia desde anteontem (segunda feira 16/01). Atendendo a pedidos, pretendo redigir um artigo informativo sobre o estudo e publicá-lo aqui em breve.

Mas por hora, deixo os esclarecimentos da entrevista que dei à Fabíola Cidral para o programa CBN Total na rádio CBN SP nesta noite de terça-feira (17/01). Para ouvir é só clicar no link abaixo (fiquem tranquilos que não é vírus!):

Entrevista CBN

E deixo o meu muito obrigada ao meu amigo Hugo Vera pela gravação do programa, sem a qual eu não teria como fazer este post!

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Minha pesquisa divulgada

janeiro, 18 - 2011

Hoje estou comemorando o quase encerramento de um ciclo. As dificuldades de se fazer pesquisa no Brasil ainda são grandes, e conseguir levar a cabo um estudo bem sucedido, publicá-lo e divulgá-lo é um fato que merece muita comemoração.

Ao me formar pesquisadora biomédica eu padecia de um certo desânimo, pois tinha a impressão de que a ciência estava muito afastada do cotidiano das pessoas (e sobretudo dos brasileiros), e eu não queria passar o resto da vida estudando “a proteína da asa esquerda da borboleta africana”.

Para uma pessoa a priori apaixonada pela compreensão do universo, o desfiladeiro de especializações que o mundo acadêmico impõe e que obriga o pesquisador a estreitar o seu foco de interesse até se tornar “doutor em tal coisa” é um martírio.

Eu sou uma generalista de corpo e alma, não uma especialista. E se você não pode usar o conhecimento para intervir no mundo em que vive, de que ele serve?

Grande parte da literatura de auto-ajuda, que vende tanto, existe para repetir indefinidamente às pessoas “a felicidade é fazer aquilo que você gosta, e trabalhar pelo que acredita”. No final, depois de um longo passeio pelo mundo dos enforcados, o que salva é o retorno ao sonho primordial: insuflado daquele idealismo quixotesco que o fez sonhar em melhorar o mundo, inda que isso significasse lutar contra os moinhos de vento.

Ao procurar uma pós-graduação, eu fui muito teimosa ao insistir que só valeria a pena se eu pudesse ver a repercussão de um estudo na minha realidade imediata, sendo que eu não queria enfrentar outra coisa senão os meus moinhos.

Minha dissertação de mestrado “Aspectos afetivos e cognitivos da homofobia no contexto brasileiro – Um estudo psicofisiológico” foi concluída em 2009 e está sendo divulgada na mídia agora no início de 2011.

Isso só foi possível pelo apoio de entidades e pessoas que muito me ajudaram e que agradeço de coração: meu orientador e co-orientadora, professor Orlando Bueno e professora Rafaela Ribeiro; os voluntários que participaram da pesquisa; as entidades que financiaram o estudo, FAPESP, AFIP e CNPq; e por último e não menos importante, o trabalho da Assessoria de Imprensa UNIFESP, especialmente do José Luiz Guerra.

Seguem os links das reportagens publicadas sobre o estudo até o momento:

Estudo da Unifesp revela que homofobia pode estar baseada em sentimentos como medo e vergonha e seria um comportamento defensivoCBN Noite Total (com áudio da entrevista)

Homofobia seria comportamento defensivo, sugere pesquisa da UnifespA Capa

Estudo da Unifesp sugere que a homofobia envolve relação de medo Comunicação UNIFESP, BOL Notícias, UOL Notícias, Ciber Saúde, Jornal de Floripa, Espaço GLS, SIS.SAÚDE

Estudo da UNIFESP indica que causa da homofobia pode ter origem no medo e no preconceitoLado A

Estudo da UNIFESP aponta que a homofobia é mais relacionada ao preconceito e ao medo que ao ódioAgência de Notícias da AIDS , Agência AIDS

Pesquisa realizada pela Unifesp aponta que o preconceito pode ser uma reação defensivaCesar Giobbi

BOO!!! UNIFESP ASSUSTOU HOMOFÓBICOS PARA DESCOBRIR UMA DAS FONTES DO PRECONCEITODAS LOKA (Blog da Salete Campari)

Nos casos de homofobia, estudos da Unifesp sugerem relações de medoMentes Atentas

Segundo pesquisa, homofobia seria comportamento defensivoMundo Alternativo

E ainda há a entrevista realizada terça, 18/01, para a rádio CBN SP (90,5 FM/ 780 AM) e que pode ser ouvida clicando aqui.