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Minha pesquisa divulgada

janeiro, 18 - 2011

Hoje estou comemorando o quase encerramento de um ciclo. As dificuldades de se fazer pesquisa no Brasil ainda são grandes, e conseguir levar a cabo um estudo bem sucedido, publicá-lo e divulgá-lo é um fato que merece muita comemoração.

Ao me formar pesquisadora biomédica eu padecia de um certo desânimo, pois tinha a impressão de que a ciência estava muito afastada do cotidiano das pessoas (e sobretudo dos brasileiros), e eu não queria passar o resto da vida estudando “a proteína da asa esquerda da borboleta africana”.

Para uma pessoa a priori apaixonada pela compreensão do universo, o desfiladeiro de especializações que o mundo acadêmico impõe e que obriga o pesquisador a estreitar o seu foco de interesse até se tornar “doutor em tal coisa” é um martírio.

Eu sou uma generalista de corpo e alma, não uma especialista. E se você não pode usar o conhecimento para intervir no mundo em que vive, de que ele serve?

Grande parte da literatura de auto-ajuda, que vende tanto, existe para repetir indefinidamente às pessoas “a felicidade é fazer aquilo que você gosta, e trabalhar pelo que acredita”. No final, depois de um longo passeio pelo mundo dos enforcados, o que salva é o retorno ao sonho primordial: insuflado daquele idealismo quixotesco que o fez sonhar em melhorar o mundo, inda que isso significasse lutar contra os moinhos de vento.

Ao procurar uma pós-graduação, eu fui muito teimosa ao insistir que só valeria a pena se eu pudesse ver a repercussão de um estudo na minha realidade imediata, sendo que eu não queria enfrentar outra coisa senão os meus moinhos.

Minha dissertação de mestrado “Aspectos afetivos e cognitivos da homofobia no contexto brasileiro – Um estudo psicofisiológico” foi concluída em 2009 e está sendo divulgada na mídia agora no início de 2011.

Isso só foi possível pelo apoio de entidades e pessoas que muito me ajudaram e que agradeço de coração: meu orientador e co-orientadora, professor Orlando Bueno e professora Rafaela Ribeiro; os voluntários que participaram da pesquisa; as entidades que financiaram o estudo, FAPESP, AFIP e CNPq; e por último e não menos importante, o trabalho da Assessoria de Imprensa UNIFESP, especialmente do José Luiz Guerra.

Seguem os links das reportagens publicadas sobre o estudo até o momento:

Estudo da Unifesp revela que homofobia pode estar baseada em sentimentos como medo e vergonha e seria um comportamento defensivoCBN Noite Total (com áudio da entrevista)

Homofobia seria comportamento defensivo, sugere pesquisa da UnifespA Capa

Estudo da Unifesp sugere que a homofobia envolve relação de medo Comunicação UNIFESP, BOL Notícias, UOL Notícias, Ciber Saúde, Jornal de Floripa, Espaço GLS, SIS.SAÚDE

Estudo da UNIFESP indica que causa da homofobia pode ter origem no medo e no preconceitoLado A

Estudo da UNIFESP aponta que a homofobia é mais relacionada ao preconceito e ao medo que ao ódioAgência de Notícias da AIDS , Agência AIDS

Pesquisa realizada pela Unifesp aponta que o preconceito pode ser uma reação defensivaCesar Giobbi

BOO!!! UNIFESP ASSUSTOU HOMOFÓBICOS PARA DESCOBRIR UMA DAS FONTES DO PRECONCEITODAS LOKA (Blog da Salete Campari)

Nos casos de homofobia, estudos da Unifesp sugerem relações de medoMentes Atentas

Segundo pesquisa, homofobia seria comportamento defensivoMundo Alternativo

E ainda há a entrevista realizada terça, 18/01, para a rádio CBN SP (90,5 FM/ 780 AM) e que pode ser ouvida clicando aqui.

16 comentários

  1. Parabéns dona Cris! Que cérebros como o seu não apenas brotem em território nacional, mas que sejam verdadeiramente e devidamente exercitados dia após dia.

    xxx


    • Obrigada, Nicole! Estou tentando não deixar meu cérebro dormir demais rs.

      Beijos


  2. Parabéns de novo, Cris! Quem acompanhou o desenvolvimento desse trabalho, ainda que só de passagem, sabe o quanto você estudou e ralou, combatendo esse tal “desânimo” e outros tantos obstáculos no caminho.

    O resultado do seu trabalho não poderia aparecer em hora mais propícia. Vivemos um tempo em que as causas e efeitos da homofobia já não podem ser ignorados. E vão ser discutidos largamente, doa a quem doer.

    Beijão.


    • Oi Mi!! Muitíssimo obrigada pelo apoio durante a pesquisa e fora dela, e pelos “Cris, escreve a tese!” Foi desafiador, mas o resultado, no fim das contas, ficou bonito!
      E parece que a divulgação veio na hora certa, ou foi talvez a hora o pretexto para a divulgação. Numa época de grandes transformações, sinto que este será um assunto corrente.

      Beijos


  3. […] This post was mentioned on Twitter by Camila Fernandes. Camila Fernandes said: RT @crislasaitis: No blog, meu estudo divulgado na imprensa e algumas reflexões sobre por que fazer pesquisa: http://bit.ly/ftce7z […]


  4. Parabéns, Cris! E que tudo corra bem na entrevista de hoje.


    • Obrigada, Álvaro! Correu bem, e eu gostei bastante do resultado da entrevista.


  5. Cristina,

    Estou em Vitória do Espírito Santo e ouvi sua entrevista na CBN. Brilhante! Parabéns pela coragem e pelo sucesso!
    Trabalhos como o seu mostram como a sociedade está, mesmo que a passos lentos, avançando em direção à quebra de paradigmas e de comportamentos retrógrados que há muito deveriam ter sido abandonados.
    Abraços,

    Antonio Carlos


    • Muito obrigada, Antonio!
      Cada um dispõe dos instrumentos que têm à mão, e eu estou muito satisfeita por poder usar a ciência para fazer algo pela sociedade.

      Abraços!


  6. Parabéns, Cris!

    Parabéns pelo seu grande esforço e pela sua coragem de sempre buscar o novo e nunca se acomodar !


    • Obrigada, Jorge!

      O mais importante é isso: não se acomodar. Estou me esforçando para lembrar disso todos os dias, a pressão para a inércia vem de todos os lados…

      Beijos


  7. Cris, antes de mais nada parabéns, postei o comunicado do seu estudo no meu blog, espero que não se importe. Obviamente que citei a fonte e com um link clicável. Acho importante divulgar o máximo esse estudo. Mais uma vez parabéns.


    • Muito obrigada, Pólux! Fique à vontade para divulgar.


  8. Parabéns, Cris, que esta seja uma porta de entrada para futuras extensões fecundas do teu trabalho.

    Não se preocupe quanto aos tempos de entressafra de atividade externa. Pessoas criativas que nem você têm pouco risco de entrar em vias acomodatícias. É só virar teus claros olhos pro mundo como você sempre fez e descansar dele quando precisar, pois idéias boas também precisam de ser incubadas.

    Meus votos, por fim, é que você se mantenha uma generalista renitente pois é destes que sempre vêm as grandes mudanças. Grande abraço e orgulho de te conhecer.


    • Muito obrigada pelas palavras, Ricardo! É bastante complicado administrar ideias, planos de carreira e ainda ganho financeiro, ainda mais sob pressão!
      Prometo que ficarei focada e darei o melhor do meu tempo.

      Abraços ^_^


  9. Olá Cris. Primeiro parabéns pelo seu trabalho. Tentei achar a sua dissertação mas não consigo encontra-la, ela está disponível? Agradeço. Abraços



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