Archive for fevereiro \28\UTC 2011

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Pesquisa sobre homofobia na Veja

fevereiro, 28 - 2011

Que surpresa acordar nesta segunda-feira e encontrar publicadas duas matérias na Veja a respeito de homofobia baseadas numa entrevista que eu tinha concedido à jornalista Pollyane Lima e Silva tempos atrás.

Agradeço à Pollyane e à Veja pela divulgação do estudo, e espero que possa contribuir para a conscientização da sociedade e, sobretudo, dos veículos de comunicação.

Seguem os links das matérias:

Homofobia: o que leva alguém ao cúmulo de uma agressão?
Sensações de incômodo e insegurança ajudam a inflar preconceito contra gays

Homofobia: o homem é mais intolerante do que a mulher
Preconceito no país é preocupante, em especial no comportamento masculino

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Por onde vou

fevereiro, 9 - 2011

Dedico um post a esse poeta que me tirou as palavras da boca, que colocou em versos aquilo que me é tão difícil de articular: José Régio, um filósofo, um grande escritor – por que não dizer gênio? – português.

Cântico Negro

“Vem por aqui” – dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui”!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
– Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: “vem por aqui”?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí…

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos…

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
– Sei que não vou por aí.

José Régio

 

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A Fantástica Literatura Queer

fevereiro, 2 - 2011

Querida pessoa certa na hora certa,

Esta chamada que você está preste a ler é uma proposta de parceria para um projeto como nunca houve igual na literatura brasileira. Trata-se da intersecção de duas tendências que têm em comum o fato de terem sido historicamente constituídas como marginais: o universo queer e a literatura fantástica.

A Fantástica Literatura Queer será a primeira coletânea de contos de ficção científica e fantasia brasileira dedicada à diversidade sexual, e esclarecemos que nosso objetivo não é meramente publicar um livro, mas criar um marco para a literatura de gênerosobre gêneros ao compor uma aliança de escritores fantásticos pela promoção da diversidade sexual na cultura brasileira, incluindo não somente a luta pela cidadania de gays, lésbicas e transgêneros, mas também a derrubada de tabus e preconceitos enferrujados dentro da nossa própria literatura.

Esta é uma proposta que diz especialmente respeito a nós, organizadores, e a você, convidado. Desejamos que A Fantástica Literatura Queer esteja bem representada por excelentes escritores gays e lésbicas assumidos, razão pela qual ficaremos muito honrados com a sua participação!

Vamos agora ao que interessa!

No começo havia uma subcultura tão “sub” que era chamada de gueto. E como ocorre a todo gueto, as pessoas que pertenciam a ele eram rotuladas, apontadas, diminuídas, ridicularizadas… Naturalmente, muitas tinham vergonha de assumir e ficavam de rosto vermelho e pernas bambas cada vez que suas preferências eram submetidas ao escrutínio alheio. Era um período obscuro de ignorância e incompreensão, o preconceito não dava tréguas, e não é de admirar que durante décadas tantos preferiram negar, disfarçar, omitir…

Algumas dessas pessoas descobriram à força a natureza mesquinha dos rótulos, que foram feitos para grudar e nunca mais, nunca mais nos deixar em paz. E quem não teme rótulos tão perigosamente grudentos? E quem não considerou, uma vez que seja, viver livre deles?

Mas os novos tempos encetaram uma reviravolta sem precedentes! E o resultado é que hoje eu, você e muitos de nós vencemos o medo do rótulo e temos orgulho de dizer que somos escritores brasileiros de ficção científica e fantasia!

E independentemente de sexo, cor, idade e outros dados tão meticulosamente registrados em nossas certidões de nascimento, carteiras de identidade, títulos de eleitor e perfis no facebook, todos nós já experimentamos a sensação de pertencer a uma minoria, e é exatamente desse sentimento que trata a proposta que você acaba de receber.

A coletânea “Queer” é uma proposta muito especial: será a primeira coletânea de contos brasileira dedicada à literatura fantástica queer, ou seja, relacionada ao universo de gays, lésbicas, bissexuais, transsexuais e transgêneros. E se você pensa que existe alguma bandeira ideológica por trás deste projeto, saiba que não poderia estar mais redondamente certo! A coletânea “Queer” estará comprometida com a afirmação, a visibilidade e a comemoração da diversidade sexual e literária!

Quem pode participar?

Uma vez que a palavra mágica é “diversidade”, o convite está aberto a todos os autores, independentemente da orientação sexual, identidade de gênero, time do coração, fruta favorita ou praia que gosta de frequentar.

Como você pode participar?

Enviando um conto bem escrito que corresponda de forma interessante à proposta da coletânea e que esteja dentro das especificações do projeto.

Quais os critérios de participação?

As histórias deverão obrigatoriamente aludir à diversidade sexual. A presença de personagens gays e lésbicas é desejável, mas não é compulsória. Destacamos que mais importante que o retrato será o questionamento – em outras palavras, serão priorizados os textos que induzam a pensar sobre o tema.

Como exemplo, o autor poderá apresentar a intracultura de minorias sexuais em contextos alternativos e/ou explorar sua interface com outras culturas; poderá debater papéis de gênero, preconceito e discriminação; fazer referências e reinvenções históricas; construir e desconstruir paradigmas afetivo-sexuais, etc. O importante é que o conto responda de forma criativa à proposta.

Os contos deverão se enquadrar dentro da literatura fantástica em sua ampla definição: ficção científicafantasia terror (e seus inúmeros subgêneros: ficção científica hard, ficção científica softspace opera, utopia/distopia, cyberpunk, steampunkweird fictionnew weird, pós-humanidade, slipstream, história alternativa, ficção alternativa/mashup, horror, terror, fantasia mitológica, fantasia medieval, fantasia urbana, dark fantasy, etc). Sem restrições quanto ao conteúdo erótico.

Os contos deverão ser inéditos para o meio impresso, e ter entre 5 e 20 páginas (com fonte 12 e espaçamento simples). Cada autor poderá enviar quantos contos quiser, porém apenas um poderá ser selecionado.

Os textos deverão ser enviados em arquivo .doc ou .docx para o e-mail: queerfiction@tarjaeditorial.com.br até o dia 31 de março de 2011.

Todos os contos serão avaliados e apenas serão aceitos aqueles que alcançarem os critérios de qualidade estabelecidos pelos (exigentes) organizadores.

Quantos contos serão escolhidos?

A composição da coletânea será norteada pela qualidade dos contos recebidos e os organizadores incluirão os textos de maior mérito. A estimativa é publicar cerca de 10 contos, mas reiteramos que o critério qualitativo terá prioridade.

Nada ficará no armário!

A coletânea “Queer” está comprometida com a transparência e a visibilidade, portanto não serão publicados contos sob pseudônimos desconhecidos! Os autores participantes deverão estar dispostos a “mostrar a cara”, o que inclui autorizar a publicação de sua foto na contracapa do livro.

Não serão aceitos:
Contos mal escritos, contos excepcionalmente fora das especificações de tamanho, contos anônimos ou sob pseudônimos desconhecidos, textos em qualquer outro formato que não seja conto, contos que não correspondam à proposta da coletânea “Queer” ou que apresentem conteúdo ofensivo e discriminatório de qualquer natureza.

Como será a publicação?

Os autores estarão isentos de despesas. Todos os custos da publicação (incluindo revisão, diagramação, arte de capa e impressão) serão arcados integralmente pela Tarja Editorial. A coletânea será publicada no formato 14cm X 21cm, com tiragem inicial de 300 exemplares.

Os direitos autorais serão divididos igualmente entre os autores publicados na coletânea “Queer” e cada um poderá escolher a forma na qual deseja receber o pagamento, que poderá ser em dinheiro ou em livros.

Previsão de Lançamento:

A organização tem por objetivo lançar a coletânea “Queer” em junho de 2011, ou seja, no mês do orgulho gay e em data próxima à Parada GLBT de São Paulo, no intuito de inserir o lançamento do livro na agenda de eventos da cidade.

Cordialmente,

Cris Lasaitis & Rober Pinheiro