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A Uma Vírgula

março, 11 - 2011

No começo, quando decidi escrever histórias, eu tinha um problema sério com vírgulas. Não sabia como usá-las, vivia procurando um manual de instruções. Ponto-e-vírgula, então, danou-se! Quem sabe exatamente como usar um ponto-e-vírgula? Graças às vírgulas e aos pontos, todos os anos eu faço um retiro gramatical. Sério mesmo. Me fecho durante uma semana dentro do escritório, pego os livros de português e estudo toda a gramática, toda a estilística, toda a sintaxe e a pontuação de novo (só espero que a nova ortografia seja boazinha comigo).

Mas o que eu queria dizer com esse título? É que estava aqui remexendo meus textos antigos, penteando as traças, passando perfume nos fungos, quando topei com um exemplar de soneto que não lembrava ter escrito e que data exatamente do auge da minha crise com as vírgulas! Inspirada pela virgulite cometi essa pérola que reproduzo abaixo, espero que gostem (ou não).

A Uma Vírgula

Discreta insígnia de falciforme pujança,
Talhe recurvado, exatidão cartesiana,
Signo sinuoso que nas entrelinhas dança
E reclama às musas perfeição parnasiana!

Ofereço a minha composição litúrgica
Em louvor a ti, quimera silente e errante,
Que cinde palavras com precisão cirúrgica
Brandindo o fio dessa tua lâmina cortante!

És tal como o arqueado indócil sabre mouro
Que me escapa à sutil destreza dos dedos.
Sendo imprevisível como os chifres do touro,

És toda a razão dos meus literários medos!
Pois te aviso, meu breve silêncio de ouro,
Que ainda desvendarei os teus segredos!

O tratamento surtiu efeito e hoje me sinto praticamente curada. Se você já passou por problema de vírgula saiba que tem a minha solidariedade. E a você que chegou até o final deste post deixo a minha vírgula rosa ,

11 comentários

  1. Gostei muito… pequeno poema lindo como uma tetéia…Saudades da minha poeta preferida.

    Beijim


    • Valeu pelo mimo, Jorge. Mas acho que me aposentei precocemente da carreira de poeta!
      Beijos


  2. Quem nunca teve problemas que atire a primeira ,!
    Eu mesma nunca sei quando usar ou não… vou por feeling e, depois de ler várias vezes, costumo acertar. Ou achar que acerto…. enfim!
    Gostei muito do blog mas, apesar disso, tenho uma ressalva: por ser historiadora, quase tive uma síncope quando vi uma referência ao livro “1808”… sério.
    Bem, rasgação de seda e confissões à parte, visitarei regularmente o seu blog. ^^

    até breve!


    • Oi Gabi, obrigada!
      Estou superinteressada em conhecer o ponto de vista dos historiadores sobre os livros do Laurentino Gomes. Por que essa antipatia?


      • Cris, essa “antipatia” se deve ao fato do cara ser jornalista e se achar historiador. O que ele faz não é escrever história, é dar seu ponto de vista jornalístico sobre fatos ocorridos dentro de determinado período. Então, apesar da pesquisa grande e da vasta bibliografia, ele não tem o preparo que a gente tem pra olhar criticamente a visão de cada autor, e não simplesmente achar que aquilo que a pessoa escreve é a mais pura verdade.
        Há livros dentro da bibliografia dele que a visão já foi refutada há muito tempo e ele não procurou usar as obras mais recentes… Logo, enxergamos os livros dele mais como uma obra sensacionalista, cheia de falhas, do que propriamente uma obra historiográfica. Porém, não a invalidamos, porque contribui para o interesse das pessoas na nossa área…
        Há livros muito mais interessantes sobre esse período, porém muito mais complexos… as pessoas fora da área dificilmente leem essas obras… mas estão aí pra quem interessar… hehehe
        Enfim, é mais ou menos por aí… espero que tenha ajudado a responder, mesmo que parcialmente, a sua pergunta.

        até breve!


      • Entendi. Você chegou a ler o Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil? O que achou?


  3. Gostei muito, Cris! Não conhecia esse seu lado poeta. Eu também já ‘cometi’ alguns poemas e posso dizer que esse seu soneto tem valor. Você seguiu alguma métrica? Não sou muito bom nisso, mas parecem versos alexandrinos (12 sílabas), estou certo? Bom, com ou sem métrica, o soneto não perde o seu valor. Parabéns!

    Abreijos!

    Denilson


    • Obrigada, Denilson!
      Lembro que tentei escrever poesias com métrica em algum momento, mas não sei se neste caso, não me dei ao trabalho de contar…

      Abreijósculos


  4. Sobre esse livro, tenho a mesma opinião… com o agravo de ter ouvido a entrevista do autor no rádio e… simplesmente não recomendo. Tudo bem que é o que vende, ótimo pra ele que vai ganhar muito dinheiro, porque o brasileiro gosta disso: fofocas sobre os “bastidores” da História. E não é uma crítica, é só uma constatação.
    Óbvio que tem uma leve rixa entre as duas áreas (jornalismo e história), mas, querendo ou não, eles não tem o mesmo preparo que nós, então não conseguem fazer o nosso trabalho… o que de cá pra lá é perfeitamente possível. (se algum jornalista ler isso, serei linchada.)
    O autor desse livro comete o mesmo erro do Laurentino: tentar mostrar a verdade, nua, crua PORÉM sem refletir profundamente antes de colocar no papel. Aí acabam saindo livros sensacionalistas demais, algo como uma edição macro da revista Veja.
    Porém, acho que as duas áreas podem se complementar. Se esses autores tivessem recorrido a um historiador, as obras teriam muito mais credibilidade e poderiam ser usadas dentro da academia. Algo como um terceiro travesseiro… hehehe
    Enfim, acho que escrevo demais. hahahahahaha

    até mais.


  5. HAUHAUHUHAUHAUHUAHA eu não sei se sei usar vírgulas, mas me viro. É que vírgulas vai meio que do estilo do escritor, uns escrevem as pausas de respiração, outros escrevem os hiatos dos pensamentos entre as frases, outros ainda… Não sei. Nunca foi um problema tão angustiante, é a vírgula dos outros que as vezes me deixa perdida, rsrs. Agora com as reticências… Minha mania de usá-las é que é engraçada, pq eu adoro reticências, mas não sei exatamente porque… E sem querer querendo acabo parecendo reflexiva sem ser uahuahuahua.

    Adorei o post, inclusive a poética Ode à vírgula *-*

    Tem um ar, digamos, antigo. Gostei.


  6. “Fiquei a manhã inteira examinando meu poema, e tirei uma vírgula. De tarde eu a coloquei outra vez”

    Oscar Wilde



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