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Virada Cultural 2011 – Retificando

abril, 14 - 2011

Próximo domingo, dia 17/04, das 13 às 16h, estarei autografando meu livro Fábulas do Tempo e da Eternidade na lojinha do Conselho Steampunk que ficará no corredor Dimensão Nerd, na Praça Roosevelt (perto do metrô República), em São Paulo. Será na PRAÇA PEDRO LESSA, ao lado do metrô São Bento, região do Anhangabaú!!

Quem aparecer vai se divertir com a maior concentração de fantasias e nerdices por metro quadrado da cidade!! Passem por lá! 😉

Reproduzindo o post do Conselho Steampunk loja SP:

Em 2011, a Dimensão Nerd retorna com uma estrutura ampliada, trazendo para o Vale do Anhangabaú grupos, associações e fã-clubes, batalhas vikings, desfiles de cosplay e fantasias, uma marcha zumbi, além de shows com bandas de destaque (a confirmar) no cenário cultural nerd do país, como Megadrivers, Tubaína e Seminovos.
Serão três núcleos de atividades: O Palco Dimensional (a confirmar), o Corredor Dimensional e o Tablado de Combate, além das áreas de concentração para a saída das Paradas Cosplay, Estelar, Monstros e Medieval.

Corredor Dimensional.
Contará com dois ambientes: medieval, lúdico, fantástico e sci-Fi.Associações —  como o Aliança Star Wars, a Confraria das Idéias, os grupos Ars Medievalis e Auris Arcádia, entre outros  —  estarão com stands para encontros de fãs e interessados em séries, livros, filmes, mangás, animes e desenhos animados.

Programação do Conselho Steampunk
Durante toda a virada o Conselho fará exposição e venda de obras de arte, obras literárias, vestimentas (espartilhos, corsets, chapéus e jóias) e objetos cênicos correlatos ao gênero. Exibição de trechos de filmes inspirados no gênero.

Sábado a partir das 21 as 21:20: Breve encenação baseada na literatura steampunk. Duração de Vinte minutos. Com repetição no domingo a partir das 17 as 17:20.

Sábado a partir das 21:30 as 21:50: Apresentação de dança tribal com caracterização Steampunk. Duração de Vinte minutos. Com repetição no domingo a partir das 17:30 as 17:50.

Domingo a partir das 13:30 as 16: Seção de autógrafos com autores de obras Steampunk’s nacionais (Steampunk – Tarja Editorial, Vaporpunk – Editora Draco, Baronato de Shoah – Editora Draco) e também obras de literatura fantástica nacional (Editoras: Estronho, Draco e Tarja).

Sábado a partir 16 as 16:20: Desfile performático Steampunk.
Contamos com a sua presença!

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E por falar no trágico…

abril, 8 - 2011

Hoje, que uma escola no Rio foi invadida e uma dúzia de estudantes foram assassinadas (digo no feminino porque merece que assim seja dito, os alvos preferenciais foram meninas), eu senti que não sou imune – ou emocionalmente imune aos fatos (ufa, sou humana!). E senti uma inquietação enorme pra dizer algo (eu, que sou tão calada), então resolvi escrever sobre algumas coisas que acredito.

Falando brevemente sobre o episódio, o que ocorreu naquela escola do Rio é, na minha visão, tanto um problema de criminalidade quanto de saúde pública. De criminalidade porque as armas usadas não deviam estar naquelas mãos. E de saúde pública porque o atirador era um doente mental, jamais diagnosticado ou tratado, o que fica evidente pelo conteúdo da carta que ele deixou. Aquele homem tinha muitos traços que faz pressupor que era esquizofrênico ou que tinha transtorno de personalidade esquizóide (e não um psicopata – ou alguém com transtorno de personalidade antissocial –, como muitos dizem), com um delírio muito particular que o levou a um ato de vingança contra a escola onde estudou, possivelmente por bullying, e ironicamente contra pessoas que não tinham nada a ver com isso.

Na carta, chamava a atenção o discurso fortemente religioso e cristão, com várias menções à ideia de pureza e também pedidos de oração. A mim parece óbvio que a religião só serviu de muleta para uma mente caduca, como é característico de todo fanatismo. Talvez esse fator tenha ainda orientado outra particularidade macabra da execução: a preferência por matar meninas.

E agora, a quem vamos culpar? Ao louco com seu delírio? Aos órgãos públicos, que falharam em prover segurança? À saúde pública, que é ineficaz em dar o devido diagnóstico e tratamento aos doentes mentais? À mídia, pela falta de informação e esclarecimento popular sobre doenças mentais? À religião, que forneceu o discurso usado na desastrosa justificativa do atirador? À escola, que não impediu que o ex-aluno sofresse bullying? Aos traficantes de armas, que colocaram revólver e munição em mãos tão perigosas? À internet, que disponibiliza a todos qualquer tipo de informação? A busca por culpados nos deixa irremediavelmente apontando o dedo uns para os outros, e quem escolher um alvo preferencial para expiar a culpa estará assinando um atestado de simplismo.

Infelizmente isso significa que crimes assim são muito difíceis de impedir, e pela enormidade de fatores que fogem ao controle, o caso se parece muito mais com uma fatalidade do que com uma chacina.

E eu tinha iniciado este artigo num rompante de revoltas e emoções atropeladas sobre religião, machismo, bullying, dentre outros espinhos que me justificam como pessoa – a ideologia íntima com a qual eu, como filha desta espécie viciada em ideologias, faço uso dos fatos para defender minhas posições. Mas resta a perplexidade ao perceber como qualquer ideologia é mesquinha se aplicada sobre acontecimentos da vida alheia. Mas aí que está: não somos alheios. Eu me senti vitimada, embora não saiba bem em qual parte. A tragédia é nossa, é de todos. Amanhã pode ser comigo, com você, ou com alguém que amamos; e nesse hiato paira o sentimento insuportável que é a impotência perante o destino (no qual eu não acredito e prefiro chamar de acaso). Eu queria conhecer uma solução, queria tirar uma boa conclusão, mas de repente fiquei pequena demais. Acho que vou ficar só com isso: sou humana, e minha dor também é a dor dos outros, que são também os meus.