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Retrospectiva Literária 2013

dezembro, 29 - 2013

2013 foi o melhor ano que dava para ter feito no improviso. Comecei projetos novos – a faculdade de editoração na USP, o melhor deles. 30 anos, já formada, mestrada, e aí deu a louca de assumir a mudança de carreira e fazer uma segunda faculdade, que, pra mim, é pura diversão: só livros, livros e livros… Além da faculdade, comecei também o curso de tradução literária da Casa Guilherme de Almeida, e o resultado é que os estudos têm consumido a maior parte da minha rotina. Muito do que li este ano está relacionado aos cursos e também aos serviços editoriais que tenho oferecido. Não li nem um quinto do que gostaria, praticamente não atualizei o blog (senão numa circunstância triste, meses atrás), não produzi nem sequer um conto, mas estou com a sensação de que foi um ano incomparavelmente produtivo.

A esta altura de dezembro também estou com uma baita preguiça de fazer resenhas, mas vou inserir algumas, mais especificamente de obras pouco conhecidas e que valem a pena. Três estrelinhas*** para os 5 livros que mais curti no meu critério subjetivíssimo de gosto literário. Uma estrelinha* para aqueles que me surpreenderam positivamente e que recomendo. E o troféu “abðbrinha radiðativa” vai para Ramsés do Christian Jacq.

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Ficção de língua portuguesa

Rubem Fonseca – O Caso Morel

José Saramago – Memorial do Convento

Marconi Leal – Tumbu*

Fábio Barreto – Os Filhos do Fim do Mundo

Raul Pompeia – As Joias da Coroa

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Ficção de língua estrangeira

Christian Jacq – Ramsés – O Filho da Luz

Marguerite Yourcenar – Memórias de Adriano

Milan Kundera – A Brincadeira

Philip K. Dick – Ubik***

Liev Tolstoi – A Morte de Ivan Ilitch***

Fiódor Dostoiévski – Memórias do Subsolo

Puchkin – O Conto Maravilhoso do Tsar Saltan

Jeff Vandermeer – A Situação

Cory Doctorow – Pequeno Irmão*

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Biografia

Piers Paul Read – Os Sobreviventes: A Tragédia nos Andes*

neve

Pablo Vierci – A Sociedade da Neve***

Entre 2012 e 2013 resolvi ler todo o material que podia encontrar sobre aquela que me parece uma das histórias mais fantásticas de sobrevivência: a queda do avião 571 da Força Aérea Uruguaia na Cordilheira dos Andes, em 1972, e os 15 rapazes que foram resgatados após passarem 72 dias isolados no alto das montanhas em condições extremas, com nada para comer senão os cadáveres. É mais uma dessas histórias que fazem crer que a realidade consegue ser mais dramática e inverossímil do que a ficção.

A Sociedade da Neve é um “livro comemorativo” por assim dizer, o mais recente, lançado em 2012, e em relação às outras obras já escritas sobre essa história tem o diferencial de trazer os relatos subjetivos dos 15 sobreviventes – todos vivos 40 anos após o resgate! – e as impressões particulares de cada um deles após quatro décadas de digestão dos fatos. Na minha opinião essa é, por isso mesmo, a obra mais completa, mais fiel e mais interessante.

Para quem não conhece a fundo essa história, vale a pena. É incrível.

 *

Teatro

aristofanes

Aristófanes – Lisístrata ou a Greve do Sexo*As AvesPluto ou um Deus Chamado Dinheiro

Aristófanes foi o maior autor de comédias da Grécia antiga, escreveu mais de 40 peças, das quais 11 chegaram até nós. A editora 34 publicou três delas com uma adaptação excelente para a linguagem atual, o que tornou a leitura bastante agradável, tanto que depois de ler a primeira eu não parei até conferir as três disponíveis.

Em Lisístrata, as mulheres gregas organizam uma greve do sexo para convencer seus maridos a parar com as guerras que devastam suas cidades. Em Pluto ou Deus Chamado Dinheiro, um cidadão e seu escravo resolvem devolver a visão a Pluto, o deus do dinheiro, para que ele passe a distribuir a riqueza de forma justa entre os homens. Em As Aves, dois atenienses resolvem se juntar aos pássaros e fundar uma cidade só deles, nas nuvens, para viverem livres da corrupção que grassa em Atenas.

O que me pareceu mais fascinante é que as peças de Aristófanes são atualíssimas para o contexto da democracia do século XXI; tratam de corrupção, desigualdade, desonestidade, desejo por paz e liberdade. São obras de crítica social e política e, por isso mesmo, subversivas e revolucionárias.

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Quadrinhos

Estevão Ribeiro – Os Passarinhos*

Robert Crumb – Gênesis

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Não Ficção

Mara Hvistendahl – Unnatural Selection: Choosing boys over girls and the consequences of a world full of men*

Marilena Chauí – O Que é Ideologia* [coleção primeiros passos]

Edgar Malagodi – O Que é Materialismo Dialético [coleção primeiros passos]

Stuart Sim & Boris Van Loon – Entendendo a Teoria Crítica

Laurentino Gomes – 1889*

Ivan Teixeira – Raul Pompeia [série essencial ABL]

The_Better_Angels_of_Our_Nature

Steven Pinker – The Better Angels of Our Nature: Why violence has declined***

Em The Better Angels of Our Nature Steven Pinker propõe que a história humana pode também ser recontada como a história da contenção da violência e delimitou seis períodos de transição: processo de pacificação (da anarquia tribal às primeiras civilizações), processo civilizatório (da Idade Média até a Moderna, quando houve grande declínio em homicídios), revolução humanitária (Idade da Razão, com a abolição da escravatura), longa paz (durante a Guerra Fria, momento de poucos conflitos diretos), nova paz (pós-Guerra Fria, redução das guerras civis e genocídios) e revolução dos direitos (dos anos 1950 até a atualidade, com as conquistas dos direitos das minorias e uma crescente repulsa coletiva aos preconceitos e à discriminação). O argumento do Pinker é que o declínio da violência é resultado de mudanças biológicas e cognitivas que levaram à sofisticação do nosso senso moral, e que, apesar de não termos garantias que essa paz será definitiva, vivemos o período mais pacífico da história da humanidade.

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arendt

Hannah Arendt – As Origens do Totalitarismo: Antissemitismo, Imperialismo, Totalitarismo***

Resolvi atravessar as Origens do Totalitarismo só em razão de chegar nos últimos capítulos, que tratam do clímax do nazismo, quando acontece esse fenômeno que me faz sacar a caneta a todo momento no meio do metrô para sublinhar partes.
O que vejo de mais surpreendente é que a análise da Hannah escancara o poder que as realidades totalitárias têm de atropelar a ficção. Não apenas isso, ela disserta como as ideologias dos sistemas totalitários criam, fundamentam-se e sobrevivem a partir de uma ficção de Estado persistente e permanentemente instável, tão absurda que beira o inverossímil.

A própria ficção esbarra nesse limite: a verossimilhança. Uma história inventada, para ser convincente, não pode se inclinar tantos graus na direção do absurdo.

Não aprendi tanto lendo 1984, Animal Farm, Admirável Mundo Novo, The Handmaid’s Tale, Farenheit 451 ou nenhuma das distopias que adoro. Não vou dizer que essa constatação mata um pouco da autora dentro de mim, mas esse livro da Hannah Arendt é mais uma das coisas que me levam a perguntar “como escrever ficção com esta realidade?”

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Editoração, crítica literária, comunicação, etc.

James Wood – Como Funciona a Ficção

Martyn Lyons – Livro: Uma História Viva*

Ciro Marcondes Filho – Para Entender a Comunicação

Emanuel Araújo – A Construção do Livro

Laurence Hallewell – O Livro no Brasil: sua história*

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Revisões, serviços prestados

Elizabeth Chandler – Eternamente – série Beijada por um Anjo vol.6 (revisão)

Debbie Macomber – O Amor Mora ao Lado (revisão)

Jeffrey Zaslow – O Momento Mágico (revisão)

Regina O’Melveny – O Livro da Loucura e das Curas (revisão)

Sarah Jio – As Violetas de Março (2ª ed, revisão)

Molly Hopkins – Aconteceu em Paris (2ª ed, revisão)

Mark Twain – O homem que corrompeu Hadleyburg (tradução)

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