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Nel mezzo del cammin de mi vita

outubro, 29 - 2018

Tenho que encontrar refúgio
E tenho que ir à luta.
Tenho que buscar o equilíbrio
E me deixar desequilibrar de quando em vez.

Tenho que escrever. Desesperadamente.
Tenho que surfar e correr.
E ganhar dinheiro, claro. Inevitável.
Ir em frente contra toda marcha-à-ré.

Tenho que ser eu e tenho que ser os demais
Porque os demais são o eco, enquanto sozinha emudeço.
Sozinha sou ilha. Me deem, ao menos, as ondas.
Porque preciso me espalhar. Tenho que.

35, tenho trinta-e-cinco!
Como Dante quando sonhou com Virgílio
Ciceroneado para visitar os círculos
Do céu, do purgatório e do inferno.

Eis que o érebo caiu feito uma pedra
Nel mezzo del cammin de mi vita
E mi ritrovai por una selva oscura
Interditada entre a danação e o alento,
Sabendo que já não tenho tanto tempo,
Somente o direito, senão o destino

De vagar em círculos
De vagar em círculos

Pelos círculos amplos e vastos,
Através de gretas e precipícios e cenários esparsos
Com meus pés descalços e tendões hirtos.

O céu? a infância às costas.
O purgatório? a velhice à vista.
Cada inferno, em círculos, carrego
Eu mesma, nas marés do meu citoplasma,
Com o desvario e a ventura
Deste medíocre meio de minha vida.

 
Cristina Lasaitis (29 de outubro de 2018)