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Pra não dizer que não falei dos icebergs

novembro, 11 - 2019

Trabalhando com literatura, a cada dia fica mais vívida essa sensação bizarra de estar tocando violino enquanto o Titanic afunda.

De minha parte, suspeito que o que todo violinista de Titanic almeja, no íntimo, é que sua música alcance um tal nível de beleza que se torne capaz de anestesiar o desespero dos que estão condenados a afundar. Ou então, que a erudição de sua música se tornasse poderosa o bastante para reverter o tempo, remendar o navio, fazer baixar no mundo os deuses ex machina salvadores da porra toda.

Mas é claro que esse poder está além da música e da poesia — ao menos no mundo da não ficção.

Entre a metáfora e a hipérbole romântica, não sei quantos graus de realidade podem caber na minha alucinação, mas sei que há um cenário que me parece ainda mais insuportável que o de tocar este violino:

Poderia haver um naufrágio iminente sem violinista algum capaz de tocá-lo.

One comment

  1. Existem dimensões inebriantes de beleza na execução da arte, da música, da poesia. Um transporte tão potente que brinca com o desespero do cérebro.

    Pra mim o que intriga muito é a linha do tocar para si e tocar para tocar o outro.



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