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Para todas as vozes de Marielle

março, 15 - 2018

Nesta vida, nesta guerra, eu tenho medo é de ter medo. De acatar as vontades de quem se esforça pra impedir minhas ações ou calar minhas palavras. Tenho medo de me acovardar, e assim incidir na minha própria sabotagem.

Não reproduzo a retórica do medo porque não tenho medo de canalhas – arrolam uma porção de outras aversões, mas os canalhas não merecem sequer aquele temor respeitoso que os monstros inspiram.

Não sou heroína de nada, nem revolucionária, sou do tamanho de um girino replicando pensamentos aleatórios em redes sociais enquanto chafurdo em livros. Não sou nem digna de um calaboca das “instâncias superiores”.

Mas sei que essa atividade subversiva – falar o que pensa, chafurdar em livros – costumava ser perigosa até a década em que eu nasci. Perigosa até para girinos iguais a mim.

Sou rebenta da democracia em um país que até então era dominado pela lei da mordaça.
Tive sorte de vir ao mundo quando se abriu uma fresta de liberdade, e sei que no mundo contemporâneo, sob os auspícios da internet, talvez essa mordaça não tenha mais capacidade de calar tantas bocas. São bocas falantes demais.

Então, os canalhas insatisfeitos miram em uma boca incômoda e apertam o gatilho, matam e esperam que o recado sirva para acovardar outros que ousem transpor seus discursos de internet para o território das ruas, dos palanques, dos espaços de poder, das trincheiras onde se batalha o cotidiano de nossas cidades.

Esses canalhas, eles não precisam do nosso medo. Precisam é ser engolidos por milhões de bocas.

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Annihilation, Aeon Flux & a perplexidade

março, 13 - 2018

De tempos em tempos eu re-assisto à animação Aeon Flux, de Peter Chung, lançada no começo dos anos 1990 pela Liquid Television.

Pra mim é uma obra de referência, não apenas porque deixou a criança que eu era nos 1990 boquiaberta, mas porque ainda deixa a adulta dos tardios 2010 mistificada. É uma obra única, não apenas em termos de desenho animado, não apenas em termos de science fiction — é original em estética, direção, ângulos de “câmera”, roteiro, textos formidáveis de narrador/voz over, e principalmente: o resultado complexo, viajado, abismalmente estranho e intrigante.

Gosto de Aeon Flux porque evoca em mim perplexidade — um dos meus sentimentos favoritos em termos de fruição estética. São tão poucas obras que conseguem produzi-lo a contento que eu me sinto obrigada a colecioná-las.

Por um raio da coincidência, é bem neste momento que o Netflix solta Annihilation, a adaptação cinematográfica do livro do Jeff Vandermeer feita por Alex Garland.
Eu havia gostado demais da leitura de “Aniquilação”, que li na tradução do Braulio Tavares. Também gostei muito do filme, que conseguiu fazer uma boa transposição imagética das pirações estranhas que constam no romance literário.

Diria que Annihilation é o filme de alienígenas que eu sempre quis ver. Porque o elemento estranho chegado à Terra, vindo de não se sabe onde, é um ser que não pode ser definido, nem sequer compreendido. Confrontá-lo é uma experiência aterradora, não porque ele seja uma criatura feia e caçadora como o Alien ou o Predador, mas justamente porque é — dentro de sua esquisitice — de uma beleza enigmática, absolutamente diferente, e não é possível saber suas intenções e motivações, não é possível antecipar suas ações, não é possível saber nem se ela pensa ou deseja. Diferente de Contato (Carl Sagan) e A Chegada (Ted Chiang), não há comunicação possível entre humanos e alienígenas, porque não parece existir uma psique que sirva de terreno comum entre as espécies. A trama se desenvolve no encontro/ no atrito/ no choque de dois universos mutuamente estranháveis e incomunicáveis.

Annihilation – livro e filme — é uma obra que explora o terror-perplexidade de que tanto gosto, que acho tão raro de encontrar e tão quintessencial na ficção.
E estou dizendo isto principalmente porque desenvolver uma obra bem-sucedida no gênero weird/estranho não é fácil. Não deixa de ser um sonho meu.

Por falar nisso, estou precisando rever Stalker

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Beyond the Invisible de graça na Amazon!

março, 11 - 2017

Galera, está rolando uma promoção muito doida na Amazon BR!

Com o cupom INGLES10 você pode comprar INFINITOS ebooks em inglês até o valor de 10 reais!

É só inserir o cupom de desconto INGLES10 e fechar o pedido, você leva o ebook de graça \o/

A promoção termina no dia 12 de março de 2017. Aproveitem!

Aliás, aproveitem e confiram meu e-conto Beyond the Invisible!

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Beyond the Invisible – Cristina Lasaitis

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“Beyond the Invisible” now available!

janeiro, 30 - 2017

I’m glad to announce that my short story “Beyond the Invisible”, first published in the collection Fabulas do Tempo e da Eternidade (“Time and Eternity Fables”) is now available in English language in Amazon for Kindle (for R$1.99 in Amazon Brazil or US$0.99 in Amazon.com)  and for free in the Kindle Unlimited program.

Synopsis:

Santa Paola, an alternative virtual twin of Sao Paolo city, is a cosy home for the avatars of users scared and tired of the real world. It is in this oneiric scenery, under algorithmic rains of rose petals, that Marcos and Maya had met and fallen in love. However, for a long time they haven’t had a clue of who their users are in real life. When doubt come across their sweet virtual existence and they dare ask the dangerous questions, they might discover that the knowledge of each other is the hardest thing someone who gave up reality for love could ever face.

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Beyond the Invisible – Cristina Lasaitis

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Ave Max

novembro, 4 - 2016

Sempre achei a morte, como retratada nos filmes, um furo de roteiro. Geralmente se constrói aquela cena clássica comovente: a pessoa à beira da morte fica estendida, praticamente tomada nos braços de outro alguém relevante. Em over, a trilha sonora diz ao espectador que está chegando a hora de chorar. O moribundo, então, balbucia as últimas palavras, diz a última coisa importante, e em seguida – cronometradamente – morre.

Essa morte dos filmes é tão nada a ver com a vida.
A morte, na vida real, parece que não tem bem um ponto final. Parece mais uma frase interrompida no meio.
São encontros suspensos.
São planos frustrados.
São livros deixados pela metade.
São contas pra pagar esquecidas em cima da mesa.
A morte de uma pessoa jovem não costuma dar espaço para despedidas.

E é um pouco assim que eu me sinto ao saber que perdi um dos mais brilhantes dos meus amigos – sinto a vida atropelada. Eu tinha secretamente a ilusão de que ele sempre estaria ali para o eterno reencontro, para inúmeras e sagradas cervejas no bar e infinitos papos interessantes e divertidos. Uma pessoa tão talentosa, inteligente, engraçada e adorável, é claro que só pode ser imortal!

Da últimas vez que conversamos numa janela de chat, há poucos meses, o Max havia me convidado para um desses momentos boêmios sagrados. Foi uma lástima isso não ter acontecido. Grande oportunidade perdida.

Se eu pudesse encontrá-lo novamente daria um puxão de orelha cujo motivo só ele saberia. E, se o encontrasse agora, riríamos como se não houvesse amanhã, literalmente, porque sei que era assim que ele vivia – um dia por dia.

O Max Mallmann foi a um só tempo um dos escritores que mais me fizeram rir e também um dos que melhor colocaram em palavras a angústia da finitude. No livro “Zigurate – Uma Fábula Babélica” ele ressuscitou dois deuses sumérios e fez uma homenagem contemporânea à Epopeia de Gilgamesh. A primeira obra literária da história humana, não por acaso, versava sobre um herói que, após perder seu melhor amigo, empreende uma jornada em busca da imortalidade. Em Zigurate, a personagem de Sophie Brasier, uma pesquisadora com a saúde muito frágil (na prática, morrendo) descobria em meio às traças de uma biblioteca o paradeiro dos deuses imortais. Há nessa alegoria que o Max criou o encontro poderoso da vida e da morte – os deuses vêm ao mundo com seus poderes e suas preocupações de quem tem o tempo infinito – e não podem salvar aqueles cujo tempo está prestes a se esgotar.

A descoberta de Sophie é a descoberta de Gilgamesh: a mesma descoberta que aguarda qualquer um de nós no fim da jornada – ou na jornada interrompida.

Eu poderia dissertar aqui sobre a injustiça da morte em levar os mais talentosos e adoráveis primeiro. Mas acho que a consideração correta neste momento, além do carinho pelas obras que guardarei, é que foi uma sorte, uma honra imensa, uma felicidade tê-lo conhecido, nos livros e na vida, e, nesse curto espaço de tempo e de mesas de bar, ter sido sua amiga.

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Voltar a escrever

setembro, 3 - 2016

Não sou a mesma pessoa que escreveu um livro de contos 8 anos atrás. Minhas conexões na vida são outras. Meu conteúdo e senso crítico estão em outros patamares.
O que me fez mal com certeza foi passar anos sem escrever nada de ficção, mas essa foi uma perda difícil de evitar (tento pensar que foi um ganho em outras áreas necessárias).

Voltar à ativa, agora, está sendo principalmente um exercício de tirar a ferrugem.

Eu pensei, “bom, se conseguir escrever 10 páginas por dia, em um mês dá pra terminar um romance” (rá!).
É um bom raciocínio, funciona para muitos escritores, pena que meu processo criativo não trabalha com essa a velocidade de forma nenhuma. Na velocidade eu perderia aquilo que tenho de melhor.

O processo de escrever um romance deve ser uma das operações mentais mais complicadas que a nossa espécie inventou. Envolve concatenar uma enormidade de informações, situações, modular um monte de atributos sem perder de vista os objetivos – ideológicos, estéticos, mercadológicos etc.

Escrever um romance não é bolinho.
Eu comecei muitos e engavetei todos até aqui. Produzir um bom começo não é exatamente fácil, mas o superlativo da dificuldade está mesmo em levar a cabo o projeto. Esse é o meu sonho de consumo. E vai ser uma batalha daqui em diante.
Uma batalha contra a gaveta.

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O Fábulas voltou!

agosto, 3 - 2016

 

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O Fábulas voltou! O Fábulas voltou!! Oito anos passaram voando… Mas o Fábulas voltou!

Publicado inicialmente em 2008 pela Tarja Editorial, o Fábulas do Tempo e da Eternidade conquistou alguns corações e reconhecimento como uma boa coletânea de contos de ficção científica e fantasia brasileira. Recentemente a editora encerrou as atividades e as duas edições do livro esgotaram completamente, embora os pedidos dos leitores jamais tenham cessado.

E para atender aos pedidos que nunca pararam, agora o Fábulas ganhou uma edição digital, que está sendo comercializada pela Amazon BR para o Kindle, a modestos R$9,75!

Onde comprar?

No site Amazon BR, ou seja, aqui no link. E o ebook também está disponível gratuitamente para quem faz parte do programa Kindle Unlimited!

O que tem de novo na edição digital?

A edição digital do Fábulas do Tempo e da Eternidade contém as mesmas 12 HistOriAS originais revisadas para o novo acordo ortográfico. Para não dizer que não há nada inédito, há um posfácio da autora para a nova edição fazendo um balanço sobre os anos que transcorreram desde a primeira publicação da coletânea.

Vai ter edição impressa?

Veja bem.

Embora o mercado editorial de literatura fantástica tenha expandido muito no país nesses últimos anos, livros de contos sempre foram um gênero difícil de comercializar. Por esse motivo, desde que a Tarja Editorial fechou as portas tem sido difícil encontrar uma casa nova para o Fábulas.

A publicação digital do livro vem suprir esse vazio que se instalou após os exemplares físicos terem esgotado e enquanto ainda não há recursos para trazer ao mundo uma nova edição em bloquinhos de celulose. As árvores gostam mais do formato digital – elas disseram. Além disso, a Editora Dandelion – encarregada da editoração digital – está imbuída da missão ecológica de contribuir para transição dos livros do suporte material para o imaterial.

Não quero dizer que não haverá edição impressa – haverá sim! Ela apenas deve demorar mais um pouquinho. Afinal de contas, lançar uma edição comemorativa de 10 anos da publicação do Fábulas do Tempo e da Eternidade, lá pra 2018, não é uma má ideia!