Posts Tagged ‘Arthur C. Clarke’

h1

2001, uma odisseia, uma viagem

abril, 19 - 2014

Publico aqui uma breve monografia que fiz como trabalho para a disciplina de Design Editorial, do curso de editoração da ECA-USP. A proposta era discutir o conceito e a materialidade nas publicações. Escolhi um projeto gráfico que me chamou bastante atenção: a nova publicação que a editora Aleph fez de 2001: Uma Odisseia no Espaço, que é também uma dos meus romances preferidos do Arthur C. Clarke. Creio que esse exercício pode ser encarado como uma resenha diferente, centrada no nível semântico e do design. Ou talvez só mais uma viagem minha mesmo.

* * *

2001: Uma Odisseia no Espaço – A repaginação de um clássico

Em seu prefácio para a edição mais recente de A Mão Esquerda da Escuridão, Ursula K. Le Guin disserta: “o objetivo do experimento mental (…) não é prever o futuro – mas sim descrever a realidade, o mundo atual”, em outras palavras: escrever ficção científica é um exercício extrapolativo sobre o aqui e o agora, não é futurologia. Assim é que as datas terminais citadas nas opera magna dos escritores de ficção científica estão fadadas a serem atropeladas pela linha do tempo sem que a metáfora de seus universos se perca. Depreendemos que 1984 de George Orwell continua atual, apesar do ano de 1984 ter-se ido do calendário há três décadas, e, do mesmo modo, passamos pelo ano de 2001 sem termos vivido uma “odisseia no espaço” (aliás, continuamos muito defasados na tecnologia astronáutica para sonhar com as viagens narradas na obra de Clarke). O livro 1984 de George Orwell foi escrito no ano de 1948, sendo que o autor escolheu esse título por guardar relação de anagrama com seu próprio tempo, projetando o universo ficcional de 1984 para um não lugar – em grego, utopos, raiz etimológica de “utopia”, – que por não ser idealizado como a Utopia de Thomas More, tornou-se o não lugar problemático: uma distopia. A data futura de 1984 não guardava, portanto, relação com o futuro cronológico, mas construía a metáfora de uma realidade alternativa e plausível, um campo para experimentar e dissecar as mazelas presentes no zeitgeist do 1948 em que Orwell viveu.

O livro 2001: Uma Odisseia no Espaço de Arthur C. Clarke é sui generis nessa proposta. Enquanto obra literária foi precedida pelo filme de 1968 do diretor Stanley Kubrick, do qual Clarke foi o roteirista. Concebida primeiramente para o cinema, tinha o objetivo de contar uma história que retratasse um futuro plausível. Não era um exercício de adivinhação sobre como o ano de 2001 seria, mas um exercício extrapolativo sobre como a revolução tecnológica pode transformar o cotidiano da humanidade, e, nesses termos, ele projeta o olhar para um futuro cronológico em que os anseios por avanço técnico foram traduzidos em conquistas. O 2001 de Clarke é o não lugar (utopia) do maravilhamento científico, e no seu esforço havia um significado futurológico verdadeiro: de que nos anos vindouros estaríamos mais imersos nesse maravilhamento e mais mudados pela revolução técnica e científica. Talvez possamos afirmar que a metáfora de 2001 seja menos metafórica do que a de 1984.

Não obstante, de certo modo, podemos dizer que essas obras encerram um “futuro” que o passado pretendia, e chamar suas estéticas de paleofuturismo. Enquanto metáforas literárias, 1984 e 2001: Uma Odisseia no Espaço tornaram-se clássicos.

Faço esta longa introdução para dissertar sobre a missão editorial de manter, na forma, a atualidade de obras que, em conteúdo, serão sempre atuais. Fazendo um trocadilho com o título do livro de Janet H. Murray: nos novos tempos consumiremos Hamlet no holodeck. Como dar cara nova às obras eternas?

Elegi para objeto deste breve exame um desses dois clássicos da ficção científica, o livro 2001: Uma Odisseia no Espaço, que ganhou nova edição no final do ano de 2013 por uma editora que se demonstra ciosa do conceito e da materialidade dos seus produtos, a editora Aleph.

Imagem

Em formato 16cm x 23cm, o livro é apresentado dentro de uma luva: uma caixa inteiramente preta, com um “2001” grafado em fonte branca ocupando toda a largura, o restante do título “Uma Odisseia no Espaço” em fonte bastonada e fina, muito discretamente inserido abaixo do “2001”. Os dois terços inferiores são ocupados por um círculo de diâmetro idêntico à largura do “2001”, criando um conjunto proporcional e estável. O círculo vermelho e laranja, destacado do fundo preto, guarda analogia com um sol no espaço. Ilustra, na verdade, o olho do computador HAL 9000, que apesar de ser “coisa”, é um personagem ativo do enredo de 2001. O filme de Stanley Kubrick projeta uma visão interessante desse personagem: HAL 9000 tem seu banco de dados e central de processamento armazenados em segurança em uma sala da nave em viagem pelo espaço interplanetário. HAL 9000 é o controle da nave, seus “tentáculos” invisíveis controlam todo o microcosmo onde vivem os astronautas humanos. Sem algo que se possa individualizar como um corpo, a figura de HAL 9000 foi esquematizada por um olho, mais especificamente, por uma lâmpada vermelha posicionada na parede, protegida por um pequeno domo de vidro sobre o qual se refletem imagens do espaço interno da nave. Esse olho converge atenções quando HAL 9000 se coloca – ele entra no foco da câmera quando sua voz masculina, suave e monótona fala. O círculo mais a luminosidade vermelha atuam como espontâneos atratores de atenção, e essa foi a imagem escolhida para a luva que apresenta a nova edição da obra. A despeito das cores quentes, há de se concordar que o olho inumano de HAL 9000 projeta um olhar frio, de cíclope maquínico, desprovido de uma expressão facial que transpareça emoções e intenções. A ilegibilidade da expressão de HAL 9000 encerra a sua incógnita, e o seu perigo.

Dentro da luva é guardado o livro propriamente dito, um único volume em brochura, com um detalhe marcante: inteiramente preto. Capa, contracapa, lombada e até o corte das folhas; inteiramente tingidos de preto. Em sua forma, esse objeto retangular mimetiza outro personagem não humano de 2001, o monolito. Não um personagem qualquer, o monolito é um objeto inteligente que surge na primeira cena do filme de Stanley Kubrick, aparecendo para os ancestrais dos homo sapiens em um remoto paleolítico. A intervenção do monolito se dá por um mecanismo além do entendimento, mas sabemos que de algum modo ele catalisa a evolução da espécie humana. Permanece como um observador misterioso a vigiar os passos da humanidade em sua saga exploratória pelo espaço sideral. A natureza do monolito não é revelada completamente no filme de Kubrick nem no romance de Clarke. Acreditam que seja uma sonda alienígena, embora isso diga pouco. Embora sua intervenção não seja maléfica, tampouco é compreensível; um artefato que (se supõe) venha de uma civilização tão avançada deve agir segundo uma moralidade própria e que nada tem a ver com a moral humana. De modo parecido ao que ocorre com HAL 9000, a ilegibilidade das intenções do monolito faz inspirar por ele um temor sagrado.

O monolito guarda a ideia de uma caixa-preta: algo que encerra um mistério. Quando o livro-monolito é retirado da luva, o leitor tem a sensação de um mistério prestes a se revelar. O encontro com o livro guarda a simbologia de conduzir o leitor – assim como o monolito conduz os australopitecos do filme de Kubrick – a um evento transformador: o encontro com o “passado” e o “futuro” da humanidade em um não lugar, o encontro de outros mundos. Dessa forma, o livro-monolito torna-se um mediador entre o leitor e as possibilidades cósmicas.

Imagem

 

Referências Bibliográficas
CLARKE, Arthur C.. 2001: Uma Odisseia no Espaço. São Paulo, Editora Aleph, 2013.
LE GUIN, Ursula K.. A Mão Esquerda da Escuridão. São Paulo, Editora Aleph, 2008.
ORWELL, George. 1984. New York, Penguin, 1977.

Referência Cinematográfica
2001: Uma Odisseia no Espaço. Direção: Stanley Kubrick [S.I.] Warner Home, 1968. 1 DVD (141 min).

 

h1

Leituras de 2009

janeiro, 9 - 2010

Você vai me perguntar: Cris, por que não tem resenhado mais livros?
Simples: porque a distração começava a virar obrigação, e chegou a um ponto em que eu me obrigava a resenhar livros que não estava com vontade de comentar. E também porque percebi que poderia ler alguns livros a mais se usasse o tempo das resenhas para isso. Mas na verdade, o supremo fator foi “saco cheio”: se você me entende (e eu não vou explicar) houve um momento em meados do ano em que considerei parar tudo e ir morar em uma cabana no Kiribati. Mas passou.
Agora sim, a retrospectiva 2009. Links para os livros que foram resenhados no primeiro semestre, estrelinhas para os “mais-mais” e novas resenhas dos que me arrebataram.

Antologias de autores


Paradigmas vol. 3     Paradigmas vol. 2      Paradigmas vol. 1  

Richard Diegues (organização)

Dizem que o Brasil é o país das antologias – verdade. Nossa literatura fantástica está saturada de antologias de contos enquanto vive uma crônica carência de histórias longas. No nosso caso, o excesso de andorinhas faz muito pouco verão – essa é uma literatura de círculo fechado: majoritariamente bancadas pelos autores e vendidas para seus conhecidos, logo não há nada que possamos chamar de um “grande público”.
Mas é um começo.
O problema das antologias é que, dependendo do processo de seleção e de publicação ($$), dificilmente se consegue uma uniformidade qualitativa dos contos. Conheço editores que triam uma infinidade de textos para conseguir compor coletâneas razoáveis.
A série Paradigmas foi a melhor proposta de antologias de autores que tenho visto na literatura nacional, e o volume Paradigmas 1 foi a melhor de todas as antologias brasileiras que li (não necessariamente pela parte que me cabe), com uma seleção muito forte de contos, variados em temática e razoavelmente uniformes em qualidade. A embalagem é diferenciada: as capas trazem montagens temáticas assinadas pela Camila Fernandes, a diagramação interna é arrojada e com espaço para um breve testemunho dos autores sobre seus contos.

Além do Tempo e do Espaço – diversos autores
Todas as Guerras vol.1 – Tempos Modernos – Nelson de Oliveira (organização)

Literatura Brasileira

Diário da Sibila Rubra – Kizzy Ysatis

Pra começo de conversa, sou praticamente uma náufraga na maré atual do vampirismo. Leio ocasionalmente e meus parâmetros nesse gênero são Anne Rice, Anne Rice e Anne Rice. Mas dentro dessa mania literária sem precedentes, com seus mui talentosos escritores, reparei que as inspirações e a atitude do Kizzy são sui generis, o que me levou a querer ler os livros dele. Diário da Sibila Rubra é uma “continuação autocontida” (ou seja, um romance que é uma continuação mas conclui-se como uma obra única) do Clube dos Imortais, seu primeiro livro. Confesso que foi uma leitura difícil a princípio, fui empurrando até metade do livro até que as coisas começaram a se encaixar e a narrativa fluiu. O Kizzy bebe fartamente nas referências clássicas, na literatura romântica e até no regionalismo, é dono de um estilo clássico com pinceladas de linguagem coloquial e uma narrativa caótica, o que dá um efeito bastante pós-modernista ao seu texto. O Diário da Sibila Rubra é uma história sobre uma dinastia de bruxas – as sibilas rubras – , que resiste desde a antiguidade convivendo com outras quimeras, como os vampiros e lobisomens. O personagem de destaque na obra do Kizzy é o vampiro Luar, que é elegante, airoso, solitário e amoral como os vampiros de Anne Rice (e bem diferente dos vampirinhos melodramáticos que brilham ao sol, como os de Stephenie Meyer), e na imortalidade ele segue aquele a quem ama, e que também foi transformado em vampiro: ninguém menos que o poeta Álvares de Azevedo.
Acho difícil achar escritores que tenham uma sensibilidade tão aguçada pelo “belo”, com cenas e situações tão criativas quanto marcantes. Diálogos excelentes.

Os Dias da Peste*** – Fábio Fernandes
Anacrônicas – Ana Cristina Rodrigues
Lavoura Arcaica – Raduan Nassar
Água Viva ***- Clarice Lispector
A Hora da Estrela *** – Clarice Lispector (releitura)
A Descoberta do Mundo – Clarice Lispector
Uma Ideia Toda Azul – Marina Colasanti
O Doce Veneno do Escorpião – Bruna Surfistinha
O Filho Eterno – Cristóvão Tezza

Literatura Estrangeira

O Físico – Noah Gordon

Não há palavras para definir este livro. O Físico promete e realiza o maior desejo dos leitores de romances: um arrebatamento de longo prazo para um cenário pitoresco e adoravelmente interessante, uma convivência com personagens carismáticos e tão próximos que se tornam praticamente presentes, uma aventura de descobertas, uma longa e prazerosa viagem.
A história? É a biografia de um médico na Idade Média. Robert J. Cole é um menino que nasce com o dom de sentir a morte próxima de uma pessoa ao segurar-lhe a mão. Cedo ele fica órfão, separa-se de seus irmãos e passa a trabalhar para um barbeiro-cirurgião viajante pelo interior da Inglaterra, desses que vivem de trambiques e serviços pseudomédicos. Robert cresce com um enorme interesse na arte de curar, e decide empreender uma jornada para uma das escolas médicas do oriente, proibidas para os cristãos. Na viagem, ele se disfarça de judeu e segue para a Pérsia, onde depois de alguns problemas e apertos consegue ser aceito numa escola de medicina e se tornar discípulo de um dos maiores médicos da antiguidade: Ibn Sina – o Avicena. A história segue muito, muito além, englobando a formação e a atuação profissional do protagonista, sua relação com personagens secundários cativantes, viagens, epidemias, festas, guerras… até o final da jornada, de volta à Europa.
O livro é o que eu chamaria de um “tijolão”, mas a narração do Noah Gordon é tão agradável que fiz questão de ler devagar. É o tipo de livro que te deixa órfão depois que termina.
Recomendo do fundo do coração.

 


As Brumas de Avalon – Marion Zimmer Bradley

Obrigada, Submarino, por colocar esta série em promoção. Me sinto até envergonhada por não ter lido Marion Zimmer Bradley antes.
Os 4 volumes d’As Brumas de Avalon – A Senhora da Magia, A Grande Rainha, O Gamo-Rei e O Prisioneiro da Árvore – compõem uma única e magnífica versão da saga arturiana, contada a partir do ponto de vista das heroínas: Igraine, Guinevere, Viviane, Morgause e – sobretudo e acima de todas – Morgana. Passa-se na Alta Idade Média, época de guerras entre os bretões romanizados e os bárbaros saxões, abordando também a destruição da velha religião da Deusa, cultuada por sacerdotisas e druidas, pelo cristianismo misógino e castrador da igreja medieval.
A coroação do rei Arthur dá início a um reinado de fartura e convivência quase pacífica entre os povos da Bretanha (bastante representativo das utopias medievais da Idade do Ouro), em que a segurança dos súditos era assegurada pelo rei e seu séquito de heróis, os Cavaleiros da Távola Redonda.
É da ilha mágica de Avalon que vem a espada Excalibur, que dá invencibilidade a Arthur em troca da sua lealdade para com a velha religião da Deusa – representada pela Senhora do Lago, a suprema sacerdotisa, e também pela irmã de Arthur, Morgana. No entanto, o casamento de Arthur com Guinevere, bela, infértil e com um fervor cristão que beira o extremismo, assegura a dominação cristã e coloca em risco a continuidade da velha religião.
Nesse cenário é tecida uma interessante rede de relações, que vão conduzir à tragédia dos irmãos Arthur e Morgana e coroar o amor impossível de Lancelote e Guinevere, numa história temperada com incesto, triângulos amorosos, traições e muitas sabotagens.
Marion dá sua própria versão aos mitos arturianos. Por exemplo, Guinevere, a Senhora de Camelot, classicamente enclausurada numa torre, é, segundo a autora, uma garota claustrofílica, que sente aterrorizada em lugares abertos. E a lealdade desmedida do cavaleiro Lancelote se explica por ele amar secretamente tanto Arthur quanto a rainha Guinevere.
Bem, se eu contar mais, estraga, é spoiler.
Mas como ia dizendo, os livros são maravilhosos e Marion Zimmer Bradley é uma romancista imbatível, com uma prosa envolvente, surpreendente, e ainda tem um jeito admiravelmente descomplicado de narrar tramas complexas.
Essa foi uma das leituras mais gratificantes do meu ano. Recomendo fortemente.

 
Time’s Eye, Sunstorm e Firstborn

Trilogia A Time Odyssey – Stephen Baxter & Arthur C. Clarke

Esta trilogia, escrita a 4 mãos, foi um dos últimos trabalhos do mestre Clarke (o último foi The Last Theorem, escrito em parceria com Frederick Pohl). São três livros bastante independentes dentro de um mesmo contexto e amarrados por uma protagonista.
Em Time’s Eye conhecemos a tenente indo-britânica Bisesa Dutt, trabalhando em uma missão de paz da ONU no Afeganistão. Quando, de repente, aparecem curiosas esferas no céu e o planeta é convertido em uma colcha de retalhos temporais: os soldados do século XXI encontram uma missão britânica do século XIX, que encontram os australopitecus, que são encontrados pelo exército de um tal de Alexandre, o Grande. Por sua vez, os astronautas da Mir fazem uma descida no deserto da Mongólia onde se encontram com o quase-nem-cruel exército de Gengis Khan.
Exilados de seus períodos natais, os personagens têm de aprender a viver nesse mundo estranho (que batizam de “Mir”), descobrir o que aconteceu e tentar entender qual é o recado que os “olhos” – as esferas alienígenas – querem lhes dar. Serão somente cobaias de um experimento de uma civilização tecnicamente muito mais avançada, que não os veria como algo mais do que formigas?
Os dois grupos seguem para a Babilônia, onde parece iminente o encontro mortal do exército de Alexandre com o de Gengis Khan – uma batalha que até eu (que odeio as guerras de paixão) gostaria de ver no cinema.
Em Sunstorm, a tenente Bisesa Dutt conseguira negociar com um “olho” o retorno ao seu século de origem. Após ter passado cinco anos em Mir, ela retorna exatamente ao mesmo dia do lapso. Reencontra sua filha, o exército a deixa de licença e, para quem não acredita na incrível história que ela conta, Bisesa consegue provar que seu corpo está cinco anos mais velho. Mas agora o mundo enfrenta uma outra ameaça: cientistas alocados na Lua detectam uma anomalia no fluxo de neutrinos do Sol e descobrem que dentro de poucos anos haverá uma tempestade solar de proporções catastróficas, que poderá esterilizar a Terra em uma tempestade de raios gama. As nações começam a se preparar para esse dia apocalíptico, as maiores cidades – a exemplo de Londres – constroem gigantescas redomas como escudos protetores. A civilização se mobiliza para construir em tempo recorde um enorme anteparo refletor para proteger o planeta dos raios mortais da tempestade solar.
A descoberta de que a tempestade seria causada por uma intervenção dos “olhos” – os firstborn, ou primogênitos – é corroborada pela curiosa história da tenente Bisesa Dutt: há uma civilização em outra galáxia que deseja que a vida em outros planetas não disperdice sua preciosa energia…
Não tendo conseguido destruir a humanidade em Sustorm, em Firstborn os alienígenas ainda colocam em rota de colisão com a Terra um objeto desconhecido, apelidado de “bomba Q” – uma espécie de armamento entrópico capaz de provocar cirurgicamente um “big rip“. Agora Bisesa Dutt, despertando de uma inexplicável hibernação criogênica, é conduzida às pressas até a colônia terrestre em Marte, onde está refugiado um dos “olhos” – afinal ela é a única pessoa com comprovado poder de negociação com eles. O livro apresenta os esforços da humanidade para contornar a ameaça e tentar compreender as razões (e conflitos internos) dos “olhos”, com direito até a uma viagem steampunk através de Mir e tramas políticas encabeçadas por trincas matrilineares de heroínas.

Time’s Eye é uma leitura interessante pela premissa absolutamente engenhosa. Sunstorm é um dos melhores livros de hard science fiction (ficção científica com embasamento técnico) que já li. Firstborn é, na minha opinião, um livro forçado e redundante, mas com um final surpreendente.
É uma série que gostei muito (apesar do último livro) e digno de coroar o legado de Sir Arthur C. Clarke. Digo mais: é uma série que deveria ser traduzida e publicada no Brasil. E de certo modo estou segura de que ela será – se dentro dois ou trinta anos, não sei. Se depender de mim para encher a paciência dos editores, tranquilamente o farei.
 

 

O Planeta do Exílio – Ursula K. Le Guin
A Mão Esquerda da Escuridão ***- Ursula K. Le Guin (releitura)
Cassandra ***- Christa Wolf
War In Heaven ***- David Zindell
O Escafandro e a Borboleta – Jean-Dominique Bauby
Hamlet ***- William Shakespeare
MacBeth – William Shakespeare
Anna Karenina ***- Liev Tolstói
A Divina Comédia – Dante Alighieri
As Memórias do Livro ***- Geraldine Brooks
Harry Potter e a Pedra Filosofal – J.K. Rowling
Harry Potter e a Câmara Secreta – J.K. Rowling
Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban ***- J.K. Rowling
Harry Potter e o Cálice de Fogo ***- J.K. Rowling
Harry Potter e a Ordem da Fênix ***- J.K. Rowling
Harry Potter e o Enigma do Príncipe ***- J.K. Rowling
Harry Potter e as Relíquias da Morte – J.K. Rowling
Sonhos de Robô – Isaac Asimov
O Último Cabalista de Lisboa – Richard Zimler
O Hobbit – J.R.R. Tolkien
A Estrada ***- Cormac McCarthy
Contato – Carl Sagan
Flashforward ***- Robert J. Sawyer
O Código Da Vinci – Dan Brown
The Pit and The Pendulum and Other Tales – Edgar Alan Poe

Não Ficção


Hyperspace (Hiperespaço) – Michio Kaku

O melhor livro de divulgação científica ever! Aqui Michio Kaku (o físico e cosmólogo vivo mais pop depois de Stephen Hawking) conta a evolução da física na compreensão da natureza do espaço-tempo rumo à teoria de todas as coisas.
Em síntese, nos dois últimos séculos a física tem encontrado as equações de campo para as forças da natureza: Maxwell as descreveu para o eletromagnetismo, Einstein para a gravidade, Yang-Mills para força nuclear fraca e forte. A “teoria de tudo” da física prevê a unificação de todas essas equações em um único corpo, capaz de unir teorias tão estranhas entre si como a relatividade e a mecânica quântica – um “Santo Graal” da física que Einstein morreu procurando e que os físicos da atualidade talvez estejam perto de descobrir.
A história é contada a partir da matemática de Riemman, passa por Einstein e a escola de Copenhagen (os físicos quânticos), pelos cálculos geniais de Srinivasa Ramanujan,  e segue descrevendo o modelo de unificação de Kaluza Klein, chegando à superssimetria, gravidade quântica e à teoria das supercordas.
A teoria das supercordas descreve um universo com 10 ou 26 dimensões e é baseada em uma matemática que, segundo Michio Kaku, parece coisa do século XXI descoberta por acidente no século XX. É difícil compreender forças como a gravidade através da nossa visão tridimensional, mas ao acrescentarmos novas dimensões, as forças tornam-se consequências da geometria do hiperespaço – que é onde as forças se unificam e se explicam matematicamente. O que faz a teoria das supercordas tão atraente é que ela é uma peça chave que parece se encaixar com praticamente todas as descobertas pregressas da física.
É um assunto complexo, destrinchado em detalhes pela didática milagrosa do autor. Em termos de divulgação científica para leigos, Michio Kaku é muito mais aprofundado do que Stephen Hawking jamais ousou, e qualquer leigo de boa vontade é capaz de entender perfeitamente os conceitos abordados no livro.
É um livro que pretendo eventualmente reler. Leitura obrigatória para as pessoas que têm um desejo sincero de entender o universo, de onde ele veio, para onde ele vai, numa área em que a ciência e a filosofia são tão próximas que poderíamos chamá-las de uma-só teoria.

Physics of the Impossible – Michio Kaku
A Mulher Independente ***- Simone de Beauvoir (releitura)
Mulheres, Mitos e Deusas – Martha Robles
The God Delusion (Deus, um Delírio) – Richard Dawkins
O Livro de Ouro da Mitologia (A Idade da Fábula) – Thomas Bulfich
A Austrália Interior (coleção Abril Timelife) – Ian Moffitt
O Tempo das Catedrais ***– Georges Duby
História da Vida Privada – Da Europa Feudal à Renascença – Georges Duby (organização)
Renascimento (coleção Quero Saber)
As Utopias Medievais ***- Hilário Franco Jr.
Iniciação à Alquimia – Alberto Magno
A Sociedade Secreta dos Templários – Lourivaldo Perez Baçan
História da Bruxaria – Jeffrey B. Russel & Brooks Alexander
Gênios da Ciência – Stephen Hawking
The Theory of Everything – Stephen Hawking
The 4-Hour Workweek (Trabalhe 4 Horas por Semana)- Thimothy Ferriss

Quadrinhos

O Terceiro Testamento vol. 1 – X. Dorison & A. Alice
Bórgia vol. 3 – As Chamas da Pira – Alejandro Jodorowsky & Milo Manara

 

Infanto & Juvenis

Mão Dupla – Christian David
A Mulher que Matou os Peixes – Clarice Lispector
A Vida Íntima de Laura – Clarice Lispector