Posts Tagged ‘Brasil’

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Rio de Janeiro 2016

outubro, 2 - 2009

Estive no Rio duas vezes, a primeira em 2001, a segunda em 2008, quando ganhei um curso na UFRJ e passei 10 maravilhosos dias hospedada em Copacabana. Para quem passou a vida toda na cidade cinzenta-sufocante, o Rio de Janeiro é algo bem próximo do paraíso. Para qualquer ângulo que se olhe há uma praia belíssima, um morro verde embalsamado na névoa marítima e uma favela.

Cada vez que saía do hotel para passear no calçadão de Copacabana, ou pelo centro velho, ou pelas alamedas arborizadas, pelas livrarias e sebos antigos, ou sentava em um charmoso restaurante com um menu de camarões a um preço camarada para o meu bolso, pensava: esta é uma cidade que eu escolheria para morar. Escolheria, ao menos se…

“Se…” – você sabe. Se ali se pudesse levar uma vida tranquila.

Com 25 anos de São Paulo, sou faixa preta em esquiva de assaltos e fuga pela porta dos fundos. Estão te seguindo? Corra! Desconfiou? Suma! Disseram abobrinha? Finge que não é contigo. E assim foi que eu sobrevivi incólume a 10 dias passeando sozinha pelo Rio de Janeiro. Fora uma tentativa frustrada de roubo de câmera fotográfica, nada me aconteceu, mas a cada dia eu assistia a um espetáculo diferente: vi uma menina de rua debandar gritando com um segurança às suas costas, que, para se vingar, arrancou-lhe as roupas no meio da rua. Cruzei com um convulsivo garoto de rua me xingando repetidamente porque eu não quis lhe dar dinheiro. Vi uma moça do morro dar barraco na porta de um botequim. Vi corre-corre na rua. Batida policial na porta do hotel. Aquelas cenas de filme de bang-bang que lhe prometem as melhores cias de cinema.

Paulistano acha que no Rio o problema está nos morros, do mesmo modo como em São Paulo ele mora na periferia. O que o paulistano não sabe é que no Rio o morro está em todos os lugares – não é Maomé que vai ao morro, o morro vem a Maomé. E a criminalidade carioca é a mais democrática do Brasil.

Assim que soube da escolha do Rio de Janeiro para sediar as olimpíadas fiquei contente – me deixei levar pelo meu lado criança, que adora festa – enquanto o lado cerebral começou a pensar na conta (R$25,9 bilhões de investimentos) e nas reais condições do Rio sediar um evento desse porte. Vai ser vantajoso pra nós?

Prefiro não alimentar muitas expectativas, mas acho saudável ser otimista. Quero acreditar que a Olimpíada pode forçar as mudanças que a cidade precisa. Quero acreditar que a operação que se dará para conter a criminalidade seja uma solução definitiva.  Quero acreditar que gerará empregos para a população, e que as dívidas não vão sobrar para o povo pagar.

E prometo não fazer piadas sobre a inclusão da nova modalidade olímpica: “tiro/bala perdida”.

Dou parabéns?  Em todo caso, boa sorte pros cariocas!

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Imortais de araque

setembro, 3 - 2009

 Já ouviu falar naquele livro: “Brasil, o país do oportunismo“?

 A Academia Brasileira de Letras se compõe de 39 membros e 1 morto rotativo.

 Millôr Fernandes

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José Sarney

Ex-presidente da república (1985-1990), atual presidente do Senado Federal

Eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1980 (atualmente, o seu membro mais antigo). Também é membro da Academia Maranhense de Letras, da Academia Brasiliense de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa.

Livros publicados:

A Canção Inicial. Poesia. São Luís: Afluente, 1952.
Norte das Águas. Contos. São Paulo: Martins Editora, 1969. 2.ª ed. Com estudo de Josué Montello, Léo Gilson Ribeiro e Luci Teixeira. Rio de Janeiro: Artenova, 1980. 3.ª ed. Lisboa, Ed. Livros do Brasil, 1980. 4.ª ed. Rio de Janeiro: Editora José Olympio, 1993. 5.ª ed. São Paulo: Ed. Siciliano, 2001. 6.ª ed. São Paulo: Ed. Siciliano, 2003.
Marimbondos de Fogo. Poesia. Rio de Janeiro: Artenova, 1978. 2.ª ed., Lisboa: Bertrand, 1986. 3.ª ed., Rio de Janeiro: Alhambra, 1987. 4.ª Ed. São Paulo: Siciliano, 2002.
10 Contos Escolhidos. Brasília: Editora Horizonte, 1985.
Brejal dos Guajas e Outras Histórias. Rio de Janeiro: Editora Alhambra, 1985.
O Dono do Mar. Romance. São Paulo: Siciliano, 1995. 2.ª a 11.ª edição. São Paulo: Ed. Siciliano, 1996 a 2005.
Sexta-feira, Folha. São Paulo: Siciliano, 1994.
A Onda Liberal na Hora da Verdade. São Paulo: Siciliano, 1999.
Saraminda. Romance. São Paulo: Siciliano, 2000. Edição fixada. São Paulo: Ed. Siciliano, 2005.
Saudades Mortas. Poesia. São Paulo: Editora ARX, 2002.
Canto de Página – Notas de um Brasileiro Atento.  São Paulo: Ed. ARX, 2002.
Crônicas do Brasil Contemporâneo. São Paulo: A Girafa, 2004. 2 vols.
Tempo de Pacotinha. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 2004. (Coleção Austregésilo de Athayde, v.20)

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Marco Maciel

Vice-presidente da república no mandato de Fernando Henrique Cardoso (1994-1998)

Eleito em 1991 para a Academia Pernambucana de Letras e em 2003 para a Academia Brasileira de Letras (ocupando a cadeira que foi de Roberto Marinho).

Livros (?) publicados:

Vocação e Compromisso.
Importância da Educação para a Realização Democrática
. Brasília: s.n., 1983. (Ação Parlamentar)
Participação do Congresso na Política Externa. Brasília: s.n., 1983.
Importância do Mar e Presença na Antártica. Brasília: s.n., 1983. (Ação Parlamentar)
Subsídios para uma Política Cultural. Brasília; s.n., 1983. (Ação Parlamentar)
Grupos de Pressão e Lobby: Importância de Sua Regulamentação. Brasília: s.n., 1984. (Ação Parlamentar)
Democracia Racial e Lei Afonso Arinos. Brasília: s.n. 1984. (Ação Parlamentar)
Trabalho e Sindicalismo. Brasília: s.n., 1984. (Ação Parlamentar)
Movimento Estudantil e Reforma Universitária. Brasília: Ministério da Educação, 1985.
Educação e Constituinte. Brasília: Ministério da Educação, 1985.
Educação e Liberalismo. Rio de Janeiro: José Olympio, 1987.
Liberalismo e Justiça Social. Brasília: Senado Federal, 1987.
Idéias Liberais e Realidade Brasileira. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1989.
Missão da Universidade. Brasília: Senado Federal, 1990.
O Mar de 200 Milhas e o Desenvolvimento Nacional.
Nordeste: o Semi-Árido. Brasília: s.n. 1983. (Ação Parlamentar)
Um Conceito de Direito Internacional.
Letras & Política: posse na Academia Pernambucana de Letras. Brasília: Centro Gráfico do Senado Federal, 1992.
Presidencialismo: Por que Mudar? Brasília: Senado Federal, 1993.
Democracia e Brasilidade. Brasília: s.n., 1995.
Pacto pela Educação. Brasília: s.n., 1996.
O Poder Legislativo e os Partidos Políticos do Brasil.
Pobreza e Desigualdade. Brasília: s.n., [2000?]
Avanço Digital e Hiato Social.
A Integração Racial no Brasil.
O Brasil e o Desafio da Globalização.
Brasil: século XXI. Discurso de retorno ao Senado Federal, proferido em 26.03.2003. Brasília: Senado Federal, 2003.
Bicentenário da Independência. Brasília: Senado Federal, 2004.
Reformas e Governabilidade. Brasília: Senado Federal, 2004.
Escreve artigos para jornais e revistas nacionais, especialmente sobre questões institucionais e relativas às reformas políticas.

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Ivo Pitanguy

Cirurgião plástico

Eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1990.

Livros publicados: 

Mamaplastias. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1976.
Plastische Eingriffe and der Ohrmuschel. Stuttgart: Springer Thieme Verlag, 1976.
Aesthetic Surgery of the Head and Body. Heidelberg: Springer Thieme Verlag, 1981. Premiado como o melhor livro científico do ano, na Feira Internacional do Livro de Frankfurt, 1981.
Plastic Operations of the Auricle. New York: Springer Thieme Verlag, 1982.
Les Chemins de la Beauté. Paris: Editions J.C. Lattés, 1983.
Paraty. São Paulo: Gráfica Editora Hamburg, 1983.
El Arte de la Belleza. Barcelona: Ediciones Grijalbo, 1984.
Le Vie della Belezza. Milão: Rizzoli Editore, 1984.
Direito à Beleza. Rio de Janeiro: Editora Record, 1984.
Angra dos Reis – Baía dos Reis Magos. São Paulo: Marprint Ind. Gráfica, 1986.
O Destino. Rio de Janeiro: Terceira Margem Editora, 1988.
Um Jeito de Ver o Rio. Texto de Ivo Pitanguy. Fotografias de Pedro Henrique. Projeto Gráfico de Ziraldo. Rio de Janeiro, 1991.
Atlas de Cirurgia Palpebral. Rio de Janeiro: Colina/Revinter, 1994.
Aprendendo com a Vida. São Paulo: Best Seller, 1993. Tradução italiana: Imparando con la vita. Milano, Mediamix, 1996.
Chirurgia Estetica – Estrategie Preoperatoria – Tecniche Chirurgiche. 2 vols. Torino: UTET, 1997.
Cirurgia Estetica – Estrategia Preoperatoria – Técnicas Quirurgicas – Cara y Cuerpo. Caracas: Actualidades Medico Odontológicas Latinoamerica, 1999.
Rhinoplasties. Em pareceria com Yves Saband e Frédéric Braccini. Nice, 2003.
Ivo Pitanguy. Organizado por Luiz Carlos Lisboa. Rio de Janeiro: Editora Rio, 2003. Coleção Gente.

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Fernando Collor de Mello

Ex-presidente da república (1990-1992), atual presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado Federal

Acaba de ser eleito para a Academia Alagoana de Letras

Livros publicados: nenhum.

Vou dormir tranquila hoje, a literatura brasileira está em boas mãos.

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A Globo e o Cidadão Kane

maio, 10 - 2009

Acabei de assistir pelo Google Videos a um documentário da BBC proibido no Brasil em 1993 sobre a hegemonia da Rede Globo na vida política, na cultura e no cotidiano dos brasileiros.

O documentário é um pouco datado (do começo da década de 90), mas curiosamente continua atualíssimo. Conta como uma das redes televisivas mais poderosas do mundo se formou e se instituiu através de uma escravização midiática com potencial de esculpir o consumo e o comportamento de uma nação. Apresenta em pormenores a longa relação das organizações Roberto Marinho com a ditadura militar, e também com os grandes senhores feudais da política brasileira – Antonio Carlos Magalhães, José Sarney e Fernando Collor – e como ela ajudou a entroná-los através de uma abertura política nem tão democrática assim.

Participam desse documentário Chico Buarque, o publicitário Washington Olivetto, o antigo líder sindical e nosso atual presidente Lula e alguns ex-diretores e executivos da Globo demitidos ou aposentados do cargo.

Em conclusão, esse documentário me fez sentir um imenso alívio por viver nos tempos da internet, que nos trouxe a democracia da informação e a maravilhosa oportunidade de podermos simplesmente  ignorar o pão e circo diário das redes de televisão.

Embora o legado continue, o marajá das organizações Globo se foi de velho, bem como alguns de seus aliados políticos. Outros, no entanto, estão vivíssimos, um ocupando a presidência do senado (e uma cadeira de imortal na ABL!), outro – quem diria –  superou seu passado político e hoje ocupa a presidência da comissão de infra-estrutura do senado.

Que o cidadão Kane puxe seus pés de noite.

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Demita um político você também!

maio, 3 - 2009

Sei que estou aqui ralando loucamente para conseguir bancar minha passagem para a Austrália enquanto pago 40% de impostos sobre quase tudo para que meus representantes no congresso nacional viagem com a família de graça para Paris, Buenos Aires, Nova Iorque…

Tô com vontade de mandá-los todos para o Putaquiparistão, me ajuda?

espalhe

Vamos nos fazer o favor de não reeleger ninguém. Não sei se vai resolver, mas tenho certeza que tentar é mais barato do que repetir o erro.

Espalhe por aí!

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Retratos da Leitura no Brasil

fevereiro, 20 - 2009

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Saíram os resultados de uma pesquisa muito interessante feita pelo IBOPE para o Instituto Pró-Livro que teve por objetivo traçar o perfil dos leitores e não leitores brasileiros. O relatório da pesquisa traz uma grande quantidade de informações que acredito ser do maior interesse dos escritores, ou ao menos daqueles interessados em saber quem e quantos são os leitores do Brasil, o que eles lêem e porque lêem. Segue um resumo dos dados mais importantes:

Gêneros mais lidos pelos leitores:

Bíblia  45%
Livros didáticos  34%
Romance  32%
Literatura infantil  31%
Poesia  28%
História em quadrinhos  27%
Livros religiosos  27%
História, política e ciências sociais  23%
Contos  20%
Enciclopédias e dicionários  17%
Literatura Juvenil  15%
Biografias  14%
Auto-ajuda  13%
Cozinha/ artesanato/ assuntos práticos  12%
Livros técnicos  12%
Artes  10%
Ensaios, Ciências e Humanidades  7%
Esoterismo (ocultismo)  4%
Outros  3%
Nenhum destes  3%

Escritores brasileiros mais admirados pelos leitores:

1) Monteiro Lobato
2) Paulo Coelho
3) Jorge Amado
4) Machado de Assis
5) Vinícius de Moraes
6) Cecília Meireles
7) Carlos Drummond de Andrade
8) **Érico Veríssimo
9) José de Alencar
10) Maurício de Souza  
11) Mário Quintana
12) Ruth Rocha
13) Zibia Gasparetto
14) Manuel Bandeira
15) Ziraldo
16) Chico Xavier
17) Augusto Cury
18) Ariano Suassuna
19) Paulo Freire
20) Edir Macedo               *medo*
21) Castro Alves
22) Graciliano Ramos
23) Rachel de Queiroz
24) Luis Fernando Veríssimo
25) Clarice Lispector

**essa carinha foi sacanagem do wordpress

Os livros mais importantes na vida dos leitores:

1) Bíblia
2) O Sítio do Pica-pau Amarelo**
3) Chapeuzinho Vermelho
4) Harry Potter
5) Pequeno Príncipe
6) Os Três Porquinhos
7) Dom Casmurro
8) A Branca de Neve
9) Violetas na Janela
10) O Alquimista
11) Cinderela
12) Código Da Vinci
13) Iracema
14) Capitães de Areia
15) Ninguém é de Ninguém
16) O Menino Maluquinho
17) A Escrava Isaura
18) Romeu e Julieta
19) Poliana
20) Gabriela Cravo e Canela
21) Pinóquio
22) Bom Dia Espírito Santo
23) A Moreninha
24) Primo Basílio
25) Peter Pan
26) Vidas Secas
27) Carandiru
28) O Segredo
29) A Ilha Perdida
30) Meu Pé de Laranja Lima

**O número de citações da Bíblia é 10 vezes maior do que do 2º colocado.

O último livro que os leitores leram ou estavam lendo na data da pesquisa:

1) Bíblia
2) Código Da Vinci
3) O Segredo
4) Harry Potter
5) Cinderela
6) Chapeuzinho Vermelho
7) Violetas na Janela
8) A Branca de Neve
9) Os Três Porquinhos
10) O Sítio do Pica-pau Amarelo**
11) O Caçador de Pipas
12) Dom Casmurro
13) O Monge e o Executivo
14) A Moreninha
15) Senhora
16) A Bela e a Fera
17) Romeu e Julieta
18) Iracema
19) Peter Pan
20) Bom Dia Espírito Santo
21) A Pequena Sereia
22) O Cortiço
23) O Grande Conflito
24) Pinóquio
25) O Alquimista
26) Pequeno Príncipe
27) O Menino Maluquinho
28) Quem mexeu no Meu Queijo
29) Edir Macedo (Biografia)
30) Pais Brilhantes, Professores Fascinantes

Quem mais influenciou os leitores a ler:

Mãe (ou responsável mulher)  49%
Professora  33%
Pai (ou responsável homem)  30%
Outro parente  14%
Amigo  8%
Padre, pastor ou líder religioso  5%
Colega ou superior no trabalho  2%
Outros  3%
Ninguém  14%
Não sabe ou não informou  1%

Principais formas de acesso aos livros:

Emprestados por outras pessoas  45%
Comprados  45%
Emprestados por bibliotecas (inclusive escolares)  34%
Presenteados  24%
Distribuídos pelo governo e/ou escolas  20%
Baixados gratuitamente da internet  7%
Fotocopiados/ xerocados  7%
Não informou  4%

Canais do mercado para acesso aos livros:

Livrarias  35%
Bancas  19%
Sebos  9%
Feiras de livro  9%
Igrejas  6%
Supermercados  5%
Vendedores ambulantes  4%
Pela internet  4%
Na escola  4%
Lojas de departamentos  2%
Porta a porta  2%
Outros  1%

Motivação do consumidor para comprar um livro:

Prazer ou gosto pela leitura  28%
Entretenimento e lazer  21%
Porque a escola/faculdade exige  17%
Necessidade do trabalho  9%
Presentear  6%
Outro motivo  3%
Não compram livros  47%

Fatores que mais influenciam os leitores na escolha de um livro:

Tema  63%
Título do livro  46%
Dicas de outras pessoas  42%
Autor  33%
Capa  23%
Críticas/resenhas  13%
Publicidade/ Anúncio  12%
Editora  7%
Outro motivo  2%
Não costuma escolher livros  9%

Quanto aos não leitores, razões alegadas para não terem lido livros no último ano:

Por falta de tempo  29%
Não é alfabetizado  28%
Por desinteresse ou não gostar de ler  27%
Prefere outras atividades  16%
Não ter dinheiro  7%
Falta de bibliotecas por perto  4%
Não havia onde comprar  2%
Por problemas de visão ou doença  1%
Não costuma ler  15%
Não sabe ou não informou  3%

Indicadores:

Números de leitores autodeclarados:

95,6 milhões (55% da população estudada)*

*Leram pelo menos 1 livro nos 3 meses anteriores à pesquisa.
*Não inclui os 6 milhões que disseram ter lido em outros meses do ano.
*47,4 milhões (50%) leram livros indicados pelas escolas (incluindo didáticos) e 6,9 milhões estavam lendo a Bíblia.

Número de não leitores:

77,1 milhões (45% da população estudada)#

#Não leram nenhum livro nos 3 meses anteriores à pesquisa.
#Estão aqui os 6 milhões que disseram ter lido pelo menos 1 livro nos outros meses do ano.
#4,5 milhões (6%) dos não leitores lêem a Bíblia.

Número de livros comprados por ano:

1,2 livros por habitante/ano €

€ Entre compradores, a média foi de 5,4 livros adquiridos por ano.
€ 36,3 milhões (21% da população estudada) compraram pelo menos 1 livro no ano anterior.
€ Informações prestadas pelo entrevistado e não checadas no ponto de venda. Referem-se a livros em geral, inclusive os indicados pela escola.

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Notícias do país das bananas

fevereiro, 14 - 2009

Verba para ciência sofre redução de 18% em 2009

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, classificou como irresponsável o corte de 18% no orçamento da sua pasta, aprovado pelo Congresso Nacional para 2009, e admitiu que, se a situação não se reverter, “bolsistas terão de ser mandados embora”.

A peça orçamentária foi feita pelo senador Delcídio Amaral (PT-MS). “O relator demonstrou falta de responsabilidade, de compromisso, com o futuro do Brasil”, afirmou Rezende à Folha ontem.

Rezende diz que o corte no orçamento é irresponsável; caso a situação não seja revertida, bolsistas terão de ser mandados embora.

O corte de R$ 1,1 bilhão representa um valor 10% maior do que toda a receita de 2008 da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), a agência estadual de fomento à pesquisa mais rica do país, que sustenta quase toda a ciência paulista.

Apesar de dizer que existem “incertezas” sobre o futuro, o ministro afirma que tentará resolver a questão das bolsas dentro do Executivo. “Acharemos uma saída e isso [a perda do benefício] não vai ocorrer.”

O corte no orçamento recebeu críticas duras da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e da ABC (Academia Brasileira de Ciências). Os presidentes das duas instituições consideram a situação “extremamente grave” e dizem que, se os recursos forem realmente cortados, a política científica nacional ficará “desanimadora”.

Para Jacob Palis Jr, da ABC, esse corte seria como “dar um tiro no pé”. Ele demonstrou seu ponto de vista com o exemplo dos Estados Unidos: “No meio da maior crise que o país já teve, o presidente [Barack Obama] convocou grandes líderes científicos para participarem do governo e se comprometeu com o aumento dos investimentos no setor”, disse. “[Fazer cortes em ciência] é uma política de suicídio. A maneira de sair da crise é ser competitivo”, disse Palis.

Marco Antonio Raupp, da SBPC, concorda que investir em ciência e tecnologia é uma saída para a crise financeira e manifesta preocupação com a redução de recursos. Ele conta que “o Orçamento saiu do Executivo muito bem”. “Mas, no Congresso, de uma forma que a gente não entendeu direito, teve cortes significativos. Tudo isso nos pareceu arbitrário, uma aberração”, disse.

O ministério também foi pego de surpresa. “Tomamos conhecimento da proposta do relator na véspera da votação [em dezembro]”, disse Rezende.

“O governo, e o presidente Lula reafirmou isso, tinha a ideia de chegar ao fim de 2010 com 1,5% do PIB em investimentos de Ciência e Tecnologia. Atualmente, investimos na casa de 1%. Então, o aumento deveria ser de 50%. Esses cortes vão na contramão, evidentemente”, afirmou Palis.

Segundo ele, o prejuízo às bolsas de estudo é “um crime”. Em 2007, o país chegou a produzir 10 mil doutores. E a previsão para 2009 era de produzir 11,5 mil doutores. “Talvez isso não aconteça se esses cortes prevalecerem.”

Além das bolsas, os presidentes temem que os cortes afetem os recém-criados Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia –fato que Rezende rebate– e que eles travem o sistema de inovação no País. Esse programa, que cria centros de excelência em pesquisa no país, foi anunciado com pompa e circunstância pelo ministério no fim do ano passado.

Para os dirigentes científicos, o novo orçamento também pode prejudicar a tentativa de manter bons pesquisadores na Amazônia e atrair novos cientistas para a região.

* * *

Engraçado, eu não lembro de ter visto algum corte nos impostos que pago. Alguém aí sentiu que está pagando menos?

Sei que no Brasil a profissão de pesquisador é uma das mais ingratas. A “profissão” não tem regulamentação, a grande maioria dos pesquisadores trabalha sem carteira assinada ou vínculo empregatício, como meros professores visitantes ou adjuntos nas universidades públicas do país. Não há benefícios, 13º, licença maternidade ou aposentadoria. Não raro, a verba sequer é suficiente para manter os gastos de manutenção do laboratório, o “salário” dura enquanto durar a bolsa pesquisa, e a cada ciclo de aproximadamente quatro anos o profissional fica na dependência de uma renovação do auxílio junto às instituições de fomento, que têm poder total para decidir sobre a continuidade do projeto de pesquisa.

Tem dúvida de qual é o sentimento das pessoas que trabalham hoje com pesquisa científica no Brasil? O tamanho da desilusão de profissionais recém-formados que ainda têm expectativas quanto a um mestrado ou doutorado?

Mais do que nunca vê-se a opção de ir trabalhar no exterior como a única saída. O pior é que eu sei que na próxima eleição os candidatos à presidência (alô, Dilma?)  ainda vão fazer discurso denunciando a vergonha da fuga dos cérebros.

Cortar investimento em ciência é vergonhoso para um país emergente que diz ter sérias pretensões de ser alguma coisa na nova ordem mundial. O que há em comum entre as novas potências (inclusive China e Coréia do Sul) é a produção de ciência e tecnologia que depois venderão aos pobres burros que não têm condições de investir e por isso pagam muito mais caro para importar.

Meu sentimento no momento é: excelentíssimo senador Delcídio Amaral, uma banana trangênica pra você!!

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No país dos analfabetos funcionais

novembro, 15 - 2008

Raras são as edições que ultrapassam 3 mil exemplares, raros são os escritores que esgotam a 1ª edição. Estima-se que não há mais de 3 mil leitores de literatura brasileira contemporânea, três mil é a tiragem de um livro numa grande editora.

Esses números estão na matéria de Bob Fernandes para o Terra Magazine, descrevendo o status triste do mercado editorial e da literatura brasileira, inseridos num gigante país de analfabetos funcionais, onde os livros são superfaturados e acabam se tornando para a média da população objetos sagrados ou meramente ornamentais. Bob cita o testemunho de um escritor americano residente no Brasil, que compara os escritores brasileiros a uma gangue de loucos, pois vivem num mundo restrito sem perceber a pouca abrangência de seu trabalho.

Terminei de ler essa matéria com uma certa tristeza, concordando com cada linha. Há tempos estou inquieta perguntando: como vamos mudar isso? Se as escolas empurram para os alunos clássicos tão densos, de cuja leitura eles jamais conseguirão extrair qualquer prazer? Se por força do vestibular uma pilha de livros chatos são empurrados na marra para quem nunca teve o hábito de ler?

Vou lançar uma campanha: faça a sua parte, dê um livro legal para uma criança que você conhece!

É o que eu vou fazer.