Posts Tagged ‘ciência’

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Pesquisa sobre homofobia na Veja

fevereiro, 28 - 2011

Que surpresa acordar nesta segunda-feira e encontrar publicadas duas matérias na Veja a respeito de homofobia baseadas numa entrevista que eu tinha concedido à jornalista Pollyane Lima e Silva tempos atrás.

Agradeço à Pollyane e à Veja pela divulgação do estudo, e espero que possa contribuir para a conscientização da sociedade e, sobretudo, dos veículos de comunicação.

Seguem os links das matérias:

Homofobia: o que leva alguém ao cúmulo de uma agressão?
Sensações de incômodo e insegurança ajudam a inflar preconceito contra gays

Homofobia: o homem é mais intolerante do que a mulher
Preconceito no país é preocupante, em especial no comportamento masculino

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Entrevista sobre homofobia para a Jovem Pan

janeiro, 25 - 2011

Hoje fui aos estúdios da TV Jovem Pan Online dar uma entrevista à Patrícia Rizzo para falar sobre homossexualidade e homofobia. Agradeço à Jovem Pan pela iniciativa e oportunidade. Seguem os vídeos da entrevista de meia-hora, em 3 partes:

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Entrevista sobre homofobia para a CBN

janeiro, 19 - 2011

Algumas pessoas têm pedido mais informações sobre o estudo sobre homofobia da UNIFESP que está circulando na mídia desde anteontem (segunda feira 16/01). Atendendo a pedidos, pretendo redigir um artigo informativo sobre o estudo e publicá-lo aqui em breve.

Mas por hora, deixo os esclarecimentos da entrevista que dei à Fabíola Cidral para o programa CBN Total na rádio CBN SP nesta noite de terça-feira (17/01). Para ouvir é só clicar no link abaixo (fiquem tranquilos que não é vírus!):

Entrevista CBN

E deixo o meu muito obrigada ao meu amigo Hugo Vera pela gravação do programa, sem a qual eu não teria como fazer este post!

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Minha pesquisa divulgada

janeiro, 18 - 2011

Hoje estou comemorando o quase encerramento de um ciclo. As dificuldades de se fazer pesquisa no Brasil ainda são grandes, e conseguir levar a cabo um estudo bem sucedido, publicá-lo e divulgá-lo é um fato que merece muita comemoração.

Ao me formar pesquisadora biomédica eu padecia de um certo desânimo, pois tinha a impressão de que a ciência estava muito afastada do cotidiano das pessoas (e sobretudo dos brasileiros), e eu não queria passar o resto da vida estudando “a proteína da asa esquerda da borboleta africana”.

Para uma pessoa a priori apaixonada pela compreensão do universo, o desfiladeiro de especializações que o mundo acadêmico impõe e que obriga o pesquisador a estreitar o seu foco de interesse até se tornar “doutor em tal coisa” é um martírio.

Eu sou uma generalista de corpo e alma, não uma especialista. E se você não pode usar o conhecimento para intervir no mundo em que vive, de que ele serve?

Grande parte da literatura de auto-ajuda, que vende tanto, existe para repetir indefinidamente às pessoas “a felicidade é fazer aquilo que você gosta, e trabalhar pelo que acredita”. No final, depois de um longo passeio pelo mundo dos enforcados, o que salva é o retorno ao sonho primordial: insuflado daquele idealismo quixotesco que o fez sonhar em melhorar o mundo, inda que isso significasse lutar contra os moinhos de vento.

Ao procurar uma pós-graduação, eu fui muito teimosa ao insistir que só valeria a pena se eu pudesse ver a repercussão de um estudo na minha realidade imediata, sendo que eu não queria enfrentar outra coisa senão os meus moinhos.

Minha dissertação de mestrado “Aspectos afetivos e cognitivos da homofobia no contexto brasileiro – Um estudo psicofisiológico” foi concluída em 2009 e está sendo divulgada na mídia agora no início de 2011.

Isso só foi possível pelo apoio de entidades e pessoas que muito me ajudaram e que agradeço de coração: meu orientador e co-orientadora, professor Orlando Bueno e professora Rafaela Ribeiro; os voluntários que participaram da pesquisa; as entidades que financiaram o estudo, FAPESP, AFIP e CNPq; e por último e não menos importante, o trabalho da Assessoria de Imprensa UNIFESP, especialmente do José Luiz Guerra.

Seguem os links das reportagens publicadas sobre o estudo até o momento:

Estudo da Unifesp revela que homofobia pode estar baseada em sentimentos como medo e vergonha e seria um comportamento defensivoCBN Noite Total (com áudio da entrevista)

Homofobia seria comportamento defensivo, sugere pesquisa da UnifespA Capa

Estudo da Unifesp sugere que a homofobia envolve relação de medo Comunicação UNIFESP, BOL Notícias, UOL Notícias, Ciber Saúde, Jornal de Floripa, Espaço GLS, SIS.SAÚDE

Estudo da UNIFESP indica que causa da homofobia pode ter origem no medo e no preconceitoLado A

Estudo da UNIFESP aponta que a homofobia é mais relacionada ao preconceito e ao medo que ao ódioAgência de Notícias da AIDS , Agência AIDS

Pesquisa realizada pela Unifesp aponta que o preconceito pode ser uma reação defensivaCesar Giobbi

BOO!!! UNIFESP ASSUSTOU HOMOFÓBICOS PARA DESCOBRIR UMA DAS FONTES DO PRECONCEITODAS LOKA (Blog da Salete Campari)

Nos casos de homofobia, estudos da Unifesp sugerem relações de medoMentes Atentas

Segundo pesquisa, homofobia seria comportamento defensivoMundo Alternativo

E ainda há a entrevista realizada terça, 18/01, para a rádio CBN SP (90,5 FM/ 780 AM) e que pode ser ouvida clicando aqui.

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O futuro do universo num arquivo *gif

setembro, 26 - 2010

Nunca vi uma sequência de slides que contasse de forma tão resumida e com tamanha competência científica o futuro do planeta Terra, do universo, e também o nosso.

Uma sinfonia de fim de mundo quase poética, com cenas que meus olhos mortais não irão ver, e que remete ao tipo de sentimento desolador que às vezes me impele a cometer certos textos como Viagem Além do Absoluto.

É triste mas é bonito.

Se a animação não rodar, clique na imagem:

O link original é este.

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Sebo da Cris – Preços imbatíveis!

março, 28 - 2010

LIVROS, LIVROS, LIVROS!! VENDO LIVROS!!

Biologia Molecular da Célula – 3ª edição (1997) – em perfeito estado

Bruce Alberts, Dennis Bray, Julian Lewis, Martin Raff, Keith Roberts, James D. Watson

Ed. Artmed

R$120 + postagem

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Atlas Colorido de Anatomia Humana de McMinn – 4ª edição (2000) – em perfeito estado

P.H. Abrahams, R.T. Hutchings, S.C. Marks Jr.

Ed. Manole

R$100 + postagem

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Neuroanatomia Funcional – 2ª edição (2000)

Ângelo Machado

Ed. Atheneu

R$40 + postagem

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Embriologia Clínica – 6ª edição (2000)

Moore & Persaud

Ed. Guanabara Koogan

R$70 + postagem

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Cobaias Humanas – A história secreta do sofrimento provocado em nome da ciência

Andrew Goliszek

Ediouro

R$30 + postagem

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Trilogia “O Clone de Cristo” – 1ª edição

Livro 1 – O Clone de Cristo – À Sua Imagem

Livro 2 – O Clone de Cristo – Nascimento de Uma Era

Livro 3 – O Clone de Cristo – Atos de Deus

James BeauSeigneur

Ed. Novo Século

R$15 cada ou R$30 a trilogia + postagem

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O Livro de Ouro da Mitologia – 32ª edição (2005)

Thomas Bulfich

Ediouro

R$30 + postagem

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A Profecia Celestina (2001) – em perfeito estado

James Redfield

Ed. Objetiva

R$15 + postagem

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Forma de pagamento: depósito em conta no Banco do Brasil ou Nossa Caixa

Interessou? Contate-me pelo e-mail: christie36@uol.com.br

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Fé na humanidade?

janeiro, 30 - 2010

“É tarde demais para ser pessimista.”

HOME

Hoje, dia 30 de janeiro de 2010, declaro que perdi a fé na humanidade.

Não aconteceu nada extraordinário comigo ou com quem conheça, não testemunhei um assassinato, não assisti a nenhuma injustiça maior do que aquelas que acontecem todos os dias.

Foi só uma ficha, que, como é da natureza das fichas, às vezes resolve cair.

Tem caído um dilúvio na cidade onde moro. Os verões são chuvosos, mas não costumam ser o tempo inteiro. Adoro ver a lua nascer amarelada no horizonte, mas de anos pra cá ela às vezes surge vermelha. Estava me espreguiçando na praia onde passo as férias desde que nasci, quando me dei conta de que ainda em minha vida eu provavelmente a verei desaparecer. E como se não bastasse: talvez todas as praias desaparecerão. E algumas ilhas. E cidades. Alguns países.

Você não se preocupa até o momento em que vem a catástrofe e leva a sua casa. Somos péssimos para reagir a mudanças lentas e, infelizmente, muito adaptáveis. Digo infelizmente porque nossa adaptabilidade às vezes falha em nos impor freio, e continuamos seguindo com hábitos viciosos. Somos mais adaptáveis do que a grande maioria das espécies com as quais dividimos o mundo e esse não é um bom negócio.

Somos uma praga fora de controle, sem predador, sem barreiras geográficas. E o que acontece com as espécies que se reproduzem demais e esgotam os recursos do seu ambiente é algo que você pode conferir em qualquer livro escolar de ecologia. O problema é que se um dia a espécie humana provocar sua autoextinção é porque já terá feito o trabalho com todas as outras espécies com as quais coexistiu. Com exceção das baratas, talvez.

Mas não sou pessimista, nem catastrófica, muito menos teórica da conspiração. Não acho que a humanidade vá perecer por causa do aquecimento global. Vamos, sim, ter uma considerável redução populacional (o que acharia ótimo, não fosse pelas vias da catástrofe). Mas como ia dizendo, somos os diletos da evolução: amplamente adaptáveis. E em que mundo as próximas gerações terão que exercitar sua adaptabilidade, eu não faço ideia. Que espécie de planeta deserto, quente e estéril vai sobrar, não gosto de imaginar.

Dizem que temos uma década para fazer a revolução ambiental, dar a guinada para a sustentabilidade, alterar amplamente nossos modelos de extração, produção, distribuição e renovação, mudar radicalmente nossa economia energética. Isso nos dá a lista de tarefas mais longa da história, e nós, com os traseiros mais gordos de todos os séculos, teremos que fazer mágica para nos entendermos, negociarmos e revertermos nossa natureza depredatória num estalar de dedos (historicamente falando).

Por mais que se diga “é tarde demais para ser pessimista”, não sei por quê, tenho certeza de que essa utopia de mudanças não se realizará no curto prazo, e daqui 30, 50 anos estaremos assumidamente danados. Tenho 26 anos, mas parece que convivi tempo o suficiente com a espécie humana pra saber quão imbatível é nossa propensão à inércia e quão descuidados os nossos improvisos de última hora.

Acho que a besteira está feita. Pronto, falei.

Não sou,  nunca fui uma pessoa pessimista ou niilista. O pior é isso: não sou! Só que não acredito mais na humanidade. Não quero ter filhos, não pretendo levar isso adiante. Não vou ser hipócrita, não vou abdicar de confortos que o progresso me deu. Mas também estou me acostumando à ideia de não esperar mais nada.

* * *

HOME é um documentário de 1h 30 min sobre o aquecimento global que pode ser visto pelo Youtube. Tem imagens impressionantes, edição impecável e ótima didática. Infelizmente não encontrei nenhuma versão dublada ou legendada em português (se alguém achar, por gentileza poste nos comentários).

A pior maneira de ser cético é ser cético sobre um assunto absolutamente vital como este.

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A primeira foto do bebê

janeiro, 7 - 2010

“Aspectos afetivos e cognitivos da homofobia no contexto brasileiro – Um estudo psicofisiológico.”

Cristina Lasaitis, 2009 – Mestrado

Aí está a síntese dos meus esforços de 2009: três anos de experimentos, dois artigos publicados, centenas de voluntários analisados, muitos contos que não escrevi, as unhas roídas e uns 10 quilos de café extra-forte. O parto foi difícil e o rebento é pesado e lindo! Tem 182 folhas, capa bordô e letrinhas prateadas.

Minha sensação agora, passado tudo é… NÃO QUERO VER TESE POR UM BOM TEMPO!

Quer dizer, até o doutorado, que talvez comece este ano.

Eu diria que a pós-graduação é um delicioso (e insano) meio de vida – não um fim, um meio mesmo. Um estilo de vida que enlouquece mas que pode lhe dar bastante liberdade de movimento e de criação, o que é bom quando é exatamente isso que você deseja.

Minha tese deverá estar disponível no banco de teses da CAPES dentro de dois anos. Demora tudo isso porque os resultados do estudo ainda tem que ser publicados.

Agradeço a todas as pessoas que me ajudaram nessa empreitada, não seria possível sem a mãozinha de muita gente que acreditou, investiu e participou desse trabalho, que teve uma importância imensurável na minha vida.

E vamos pra próxima!

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Science Fiction in action

setembro, 11 - 2009

Momento digestivo do dia. Já comeu hoje?

Vi no blog do Warren Ellis, mas deu na Discovery:

Um raro parasita que se abriga dentro do peixe hospedeiro antes de comer sua língua e substituí-la por ele mesmo foi encontrado na costa de Jersey.

Olha que meigo o bichinho:

bicho

Na dúvida, coma de boca fechada.

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A vida, em tese

junho, 9 - 2009

Não estou conseguindo progressos com a minha tese. Organizo o roteiro, sento para escrever, mas não saio do lugar. É preciso um esforço sobre-humano para conseguir um pouco de concentração; o problema é que sou só humana, demasiadamente humana.
Quem já passou pela TPM (tensão pré-mestrado) diz que esse bloqueio é normal.

Eu não quero admitir que estou em crise (ou não quero admitir minha incapacidade de lidar com ela). Às vezes, nalguns momentos, uma parte de mim encara outra parte de mim e xinga: “sua indisciplinada!” Não é possível uma pessoa ser tão selvagem a ponto de não conseguir se domesticar.

Mas são outros fantasmas que me dominam: ansiedade. Muita ansiedade.

Quando comecei esse projeto de mestrado ele me parecia a coisa mais apetitosa do universo. Agora mal consigo olhar pra ele. Não sei explicar, cansa.
O que aconteceu? Por que esse desânimo agora, tão perto da linha de chegada?

Eu acho que tenho a resposta. Mas sinto que para conseguir renovar o fôlego e pegar no tranco vou ter que repassar algumas das razões pelas quais cheguei até aqui. Me acompanha?

Rebobinando a fita, voltemos ao x da questão:

Afinal, por que uma pessoa resolve se tornar cientista?
Alguns dirão: porque gosto de ciência, porque quero descobrir a cura do câncer, porque sonho em ganhar o prêmio Nobel, porque tenho uma quedinha por aventais brancos e tubos de ensaio… As razões são as mais diversas.

Minha resposta é que muito cedo percebi que só uma formação científica me daria recursos para saciar essa curiosidade infinita que não sei de onde vem. Entender como funciona o universo é pra mim uma necessidade básica. Formular perguntas e não se contentar com o silêncio: aventurar-se na busca pelas respostas. Ir ao encontro das evidências por seus próprios meios. Tecer conclusões através de uma análise lógica. Ter massa crítica para se libertar de pressupostos, preconceitos, superstições, opiniões alheias e distorções midiáticas.

As razões que as pessoas encontram para se tornarem cientistas são formidáveis! As teorias são as entidades mais elegantes do mundo conceitual. Em teoria, tudo é lindo. Teoricamente as utopias existem, as terapias funcionam, os erros são descartados e a profissão de cientista é puro glamour.

Agora, na prática…

Melhor nem falar da prática.

Pensando bem, vou falar sim. A prática não é nada elegante. É onde a biologia fede, a física dá choque e a química explode. É onde o cientista se descabela, ganha olheiras e fica com aquele visual que todo mundo acha super descolado.

Na prática o pesquisador rebola para conseguir incentivo financeiro para a pesquisa. Rebola para administrar um laboratório equipado com aparelhos caros e material importado, à deriva no câmbio nem sempre favorável de um país em desenvolvimento. Rebola para conseguir pessoal qualificado, alunos interessados e bolsa pesquisa para todos eles. Rebola para conduzir os experimentos reproduzindo os níveis de qualidade dos laboratórios internacionais. Reza para conseguir dados inéditos. Rebola para escrever artigos num inglês impecável, não sendo essa a sua língua nativa. Reza para uma boa revista aceitar publicar seu trabalho e para que nenhum editor torça o nariz ao olhar o endereço (pois eles sabem que os países latinoamericanos praticamente não investem em pesquisa, os laboratórios estão sucateados e por isso mesmo acham que os trabalhos que produzem não devem ser confiáveis – além de serem escritos nesse inglês xinfrim). E o pior de tudo: o pesquisador brasileiro rebola para conseguir se sustentar, não tem aposentadoria, acesso a seguridade social ou sequer plano de saúde. Pode ter sua bolsa pesquisa simplesmente não renovada pelas entidades de fomento. Pode ter seu trabalho simplesmente ignorado pelas boas revistas da área. Na prática, é uma profissão de muita fé, rebolado, e não tem nenhum glamour.
Não é à toa que a pesquisa e a docência estejam tão ligadas no Brasil. O pesquisador não tem outra opção senão virar professor nas universidades, e dar aulas ao mesmo tempo em que faz pesquisa e orienta alunos. È óbvio que às vezes ele não consegue fazer direito nenhuma dessas coisas.

Esse não é, decididamente, um futuro com o qual eu sonharia.

Depois de dois anos em que estive trabalhando sobre uma bancada, fazendo minha iniciação científica em biologia molecular, quase nada sobrou daquele ideal encantado de me aventurar pelos mecanismos do universo e buscar minhas próprias respostas. A vida ficou subitamente reduzida a três proteínas, uma hipótese e um protocolo experimental. E muito tédio também, me dedicando a um projeto que, do fundo do coração, nem era meu, nem tinha qualquer sentido especial para mim.

Conheci outros jovens pesquisadores nessa mesma condição: vítimas de um trabalho desejado que aos poucos vira um martírio. E muito me assustei quando descobri, nessa minha crise laboratorial-existencial, que Newton estava certo: a inércia é implacável!
Os alunos precisam fazer um estágio, então entram em um laboratório, conhecem a linha de pesquisa, aceitam um projeto que é só um anexo do projetão do orientador, ganham uma bolsa que às vezes não chega a um salário mínimo (no caso da iniciação científica) e passam um tempo trabalhando sobre aquele minúsculo assunto que dificilmente o levará a uma descoberta, que mais dificilmente ainda terá uma aplicação a curto-prazo. Aos poucos vão morrendo as ambições de infância, aquela paixão pela ciência que agora parece tão pueril. O universo infinito perde atenção para a proteína. O sonho vasto perde espaço para a nota de rodapé. O cientista morreu e no lugar ficou só a máquina de publicar artigos. Há pessoas que caem nessa teia e jamais conseguem se livrar. E é medonho quando você vira um autômato, pois nem se questiona quando seu grande sonho perdeu totalmente o sentido.

Agora me responda: quanto tempo da sua vida você está disposto a vender por algo que não lhe dá sentido?

Eu me fiz essa pergunta quando me formei, depois de ter passado dois anos muito estressantes num laboratório. Tirei um tempo pra repensar meus planos. Foi quando fiz minha viagem pela América do Sul, que foi também uma viagem de “autoconversa”. Fui andar no meio das ruínas para perceber que neste mundo eu também estou só de passagem. Viajar é uma experiência muito enriquecedora, sobretudo quando você aproveita para viajar também internamente. Parece que consegui trazer, junto com os souvenires, um fôlego novo, novas resoluções para pôr em prática na vida.
Não por coincidência, foi nesse ano em que a literatura começou “a funcionar” para mim, e eu comecei a levá-la mais a sério.

Quando resolvi que estava na hora de fazer um mestrado, desenterrei do baú aquele antigo ideal: quero buscar respostas para as coisas que me assombram!
Decidi que só valeria a pena se me lançasse numa pesquisa que me dava ganas, que me desafiasse! Um assunto nada impessoal. Uma aventura toda minha.

Fui para um departamento que não tinha nada que ver com o que fazia antes – o de Psicobiologia. Fui adotada por professores maravilhosos, que me deram liberdade para exercitar esse meu modus operandi autodidata (e caótico).
Minha escolha foi estudar a dimensão emocional da homofobia. Eu queria isso. A homofobia é dessas coisas que me deixam angustiada perguntando por que as pessoas tornam o mundo tão complicado umas às outras. Queria trabalhar em algo que pudesse ser retribuído à sociedade em curto-prazo. Mas muito mais do que isso; foi também um modo de me habituar a lidar com um tema espinhoso com naturalidade. Com os rótulos de “tabu” e “polêmica”, a homossexualidade e seus assuntos relacionados raramente são abordados pelos pesquisadores das ciências básicas (ou com o jeito de fazer pesquisa dos cientistas básicos). Considerando que se eu não o fizesse, em meu lugar ninguém faria.
Desta vez, não poderia me queixar de tédio. Escrevi meu projeto em frenesi, devorei os artigos científicos da área. Consegui uma bolsa. Ao longo de dois anos conduzi a pesquisa com as dificuldades e tropeços inerentes ao meu pára-quedismo autodidata.

E a covardia vem me pegar justamente agora, quando olho aquela montanha de dados implorando para serem organizados em tese. Eu tento pensar num modo de organizar tudo num raciocínio lógico e minha entropia mental vai ao máximo. Também aconteceu, mais de uma vez, de estar escrevendo a introdução da tese e começar a entrar num transe de indignação e revolta (o lado pessoal reagindo) que me faz suspender o trabalho por mais um tempo.

Mas que outra razão nos atiça senão um belo desafio? Decifrar esfinges. Enfrentar fantasmas…

Sei de uma coisa: dá bastante trabalho procurar as respostas para as perguntas que você fez.

Vale a pena?  Imensamente.

Mas a gente precisa se convencer disso e lembrar, de tempos em tempos, a que veio.

Agora sim, acho que consigo voltar para a minha tese.

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Publicações científicas

março, 26 - 2009

Se há uma semelhança entre escritores e cientistas é que ambos creditam sua competência (e autoestima) profissional àquilo que publicam. São dois mundos governados respectivamente por grandes editoras e revistas de alto impacto, nas quais o direito de publicação é um passaporte para o reconhecimento.

Um pesquisador sem resultados publicados é como um escritor sem livros, experimenta uma sensação de incompletude, de semiprofissionalismo. Por mais que trabalhe, você não é ninguém caso não tenha uma obra para mostrar. O simples fato de publicar na mídia formal já leva a carreira a um outro patamar, é a superação de uma barreira.

Foi assim que me senti quando publiquei o primeiro livro da minha autoria. É assim que me sinto agora como pesquisadora. Apesar da minha atuação acadêmica ter começado antes da carreira de escritora, só agora começam a aparecer os frutos. Não publiquei meu livro por uma grande editora, também não estou publicando meus trabalhos em revistas de alto impacto indexadas no ISI, mas só essa sensação de ser publicada nada paga, é um alívio, um bom começo.

E são muitos motivos para comemorar. A princípio, é bem difícil conseguir publicar os resultados de uma pesquisa de mestrado dentro do prazo curtíssimo do próprio mestrado. E veja só, para quem não tinha nenhum artigo publicado, me vêm logo dois de uma vez: meus primeiros rebentos científicos são gêmeos!

São dois artigos sobre a validação de um instrumento de indução de estados emocionais que uso na minha pesquisa, publicados este mês na Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul e no Jornal Brasileiro de Psiquiatria. Ambos já estão disponíveis (baixáveis em pdf) pela SciELO.

rprs

Lasaitis C, Ribeiro RL, Freire MV, Bueno OFA. Atualização das Normas Brasileiras para o International Affective Picture System (IAPS). Rev Psiquiatr RS. 2008;30(3):230-235

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Lasaitis C, Ribeiro RL, Bueno OFA. Brazilian norms for the International Affective Picture System (IAPS) – comparison of the affective ratings for new stimuli between Brazilian and North-American subjects. J Bras Psiquiatr.2008;57(4):270-275.

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Notícias do país das bananas

fevereiro, 14 - 2009

Verba para ciência sofre redução de 18% em 2009

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, classificou como irresponsável o corte de 18% no orçamento da sua pasta, aprovado pelo Congresso Nacional para 2009, e admitiu que, se a situação não se reverter, “bolsistas terão de ser mandados embora”.

A peça orçamentária foi feita pelo senador Delcídio Amaral (PT-MS). “O relator demonstrou falta de responsabilidade, de compromisso, com o futuro do Brasil”, afirmou Rezende à Folha ontem.

Rezende diz que o corte no orçamento é irresponsável; caso a situação não seja revertida, bolsistas terão de ser mandados embora.

O corte de R$ 1,1 bilhão representa um valor 10% maior do que toda a receita de 2008 da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), a agência estadual de fomento à pesquisa mais rica do país, que sustenta quase toda a ciência paulista.

Apesar de dizer que existem “incertezas” sobre o futuro, o ministro afirma que tentará resolver a questão das bolsas dentro do Executivo. “Acharemos uma saída e isso [a perda do benefício] não vai ocorrer.”

O corte no orçamento recebeu críticas duras da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e da ABC (Academia Brasileira de Ciências). Os presidentes das duas instituições consideram a situação “extremamente grave” e dizem que, se os recursos forem realmente cortados, a política científica nacional ficará “desanimadora”.

Para Jacob Palis Jr, da ABC, esse corte seria como “dar um tiro no pé”. Ele demonstrou seu ponto de vista com o exemplo dos Estados Unidos: “No meio da maior crise que o país já teve, o presidente [Barack Obama] convocou grandes líderes científicos para participarem do governo e se comprometeu com o aumento dos investimentos no setor”, disse. “[Fazer cortes em ciência] é uma política de suicídio. A maneira de sair da crise é ser competitivo”, disse Palis.

Marco Antonio Raupp, da SBPC, concorda que investir em ciência e tecnologia é uma saída para a crise financeira e manifesta preocupação com a redução de recursos. Ele conta que “o Orçamento saiu do Executivo muito bem”. “Mas, no Congresso, de uma forma que a gente não entendeu direito, teve cortes significativos. Tudo isso nos pareceu arbitrário, uma aberração”, disse.

O ministério também foi pego de surpresa. “Tomamos conhecimento da proposta do relator na véspera da votação [em dezembro]”, disse Rezende.

“O governo, e o presidente Lula reafirmou isso, tinha a ideia de chegar ao fim de 2010 com 1,5% do PIB em investimentos de Ciência e Tecnologia. Atualmente, investimos na casa de 1%. Então, o aumento deveria ser de 50%. Esses cortes vão na contramão, evidentemente”, afirmou Palis.

Segundo ele, o prejuízo às bolsas de estudo é “um crime”. Em 2007, o país chegou a produzir 10 mil doutores. E a previsão para 2009 era de produzir 11,5 mil doutores. “Talvez isso não aconteça se esses cortes prevalecerem.”

Além das bolsas, os presidentes temem que os cortes afetem os recém-criados Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia –fato que Rezende rebate– e que eles travem o sistema de inovação no País. Esse programa, que cria centros de excelência em pesquisa no país, foi anunciado com pompa e circunstância pelo ministério no fim do ano passado.

Para os dirigentes científicos, o novo orçamento também pode prejudicar a tentativa de manter bons pesquisadores na Amazônia e atrair novos cientistas para a região.

* * *

Engraçado, eu não lembro de ter visto algum corte nos impostos que pago. Alguém aí sentiu que está pagando menos?

Sei que no Brasil a profissão de pesquisador é uma das mais ingratas. A “profissão” não tem regulamentação, a grande maioria dos pesquisadores trabalha sem carteira assinada ou vínculo empregatício, como meros professores visitantes ou adjuntos nas universidades públicas do país. Não há benefícios, 13º, licença maternidade ou aposentadoria. Não raro, a verba sequer é suficiente para manter os gastos de manutenção do laboratório, o “salário” dura enquanto durar a bolsa pesquisa, e a cada ciclo de aproximadamente quatro anos o profissional fica na dependência de uma renovação do auxílio junto às instituições de fomento, que têm poder total para decidir sobre a continuidade do projeto de pesquisa.

Tem dúvida de qual é o sentimento das pessoas que trabalham hoje com pesquisa científica no Brasil? O tamanho da desilusão de profissionais recém-formados que ainda têm expectativas quanto a um mestrado ou doutorado?

Mais do que nunca vê-se a opção de ir trabalhar no exterior como a única saída. O pior é que eu sei que na próxima eleição os candidatos à presidência (alô, Dilma?)  ainda vão fazer discurso denunciando a vergonha da fuga dos cérebros.

Cortar investimento em ciência é vergonhoso para um país emergente que diz ter sérias pretensões de ser alguma coisa na nova ordem mundial. O que há em comum entre as novas potências (inclusive China e Coréia do Sul) é a produção de ciência e tecnologia que depois venderão aos pobres burros que não têm condições de investir e por isso pagam muito mais caro para importar.

Meu sentimento no momento é: excelentíssimo senador Delcídio Amaral, uma banana trangênica pra você!!