Posts Tagged ‘contos’

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SciFi Tupiniquim

maio, 5 - 2009

Resenha do Chanceler Martok para o site SciFi Tupiniquim

livrofabulas

Está é a primeira resenha que faço de um livro, e foi uma boa escolha para essa resenha inaugural, o melhor adjetivo que descreveria a impressão que tive depois da leitura seria, “sensacional”.

Lembro-me da primeira vez que tive contato com um livro de contos, foi na escola, um livro de Machado de Assis. Confesso que na época não dei a importância que o livro e o novo gênero literário que tinha acabado de conhecer mereciam. Talvez por que na época da escola, muitas coisas nos parecem imposições. Só depois, mais velho, e já um apaixonado por ficção científica, por opção própria, lendo os contos de Asimov me dei conta do quão sensacional é um livro de contos.

Já ouvi umas críticas de alguns colegas, dizendo que não gostam do gênero, pois muitas histórias começam no meio algumas terminam sem dar aquela sensação de fim. Eles não se deram conta que o objetivo do conto é esse mesmo, lançar uma idéia, dar uma mensagem, despertar questionamentos usando fragmentos de história, fazendo com que o leitor participe do livro, entrando na história, raciocinando sobre ela, imaginando seu próprio final, ou se colocando no lugar dos personagens e bolando outras formas de lidar com as situações. Alem disso é uma oportunidade de visitar vários temas, várias épocas da humanidade, fantasiar sobre passado presente e futuro, ler um livro e ter a sensação de que leu vários.

Tudo isso é muito bem feito e explorado nesse livro de contos, Fábulas do Tempo e da Eternidade de Cristina Lasaitis. Quando o meu amigo Maicon praticamente me intimou a ler o livro, eu sabia que ia gostar, pois gosto muito de livros nesse estilo, só não sabia que iria gostar tanto. Ótima linguagem, narrativa, desenvolvimento, caracterização do ambiente e dos personagens, uma viagem surpreendente a várias épocas e temas. Uma prova de que temos potencial sim para escrever ficção científica de alto nível, e que nossa literatura pode abranger temas mais densos, mais sócio-políticos, coisa que não é feita com muita freqüência na literatura tupiniquim.

Nota para o conto “Assassinando o Tempo”, que é um dos melhores que já li, se conhecesse a autora pessoalmente, a primeira pergunta que faria a ela é, se aquela teoria é 100% de sua autoria. Uma forma intrigante de ver as coisas, o conto foi muito bem construído dando veracidade à teoria.

O livro também quebra alguns tabus, a maioria acha que ficção científica é falar sobre tecnologia, dispositivos futuristas e naves espaciais, nada disso, ficção científica sempre foi e sempre será sobre pessoas. Como cada um de nós encaixa em nossa sociedade, e como a sociedade age e reage em cada situação e em cada época e isso é muito bem desenvolvido nesse livro.

Não tenho palavras pra descrever mais o quanto eu gostei, sem entrar spoilers, recomendo esse livro a qualquer pessoa, mesmo que não costume ler ficção científica. É diversão garantida.

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A multiplicação das resenhas

maio, 4 - 2009

Não tenho como explicar a explosão de resenhas da última semana (pedi uma, apareceram cinco!), e o que me deixa mais bem impressionada é a atitude dos leitores: “li, gostei, tenho algo a dizer, vou resenhar!” São ou não são os melhores leitores do mundo? 😉

Desta vez, encontrei quase por acaso a resenha do Bruno Schlatter, para o blog Rodapé do Horizonte, que como leitor está se saindo um ótimo crítico literário. Muito grata pela resenha, Bruno!

Segue:

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“Ao se pegar pela primeira vez Fábulas do Tempo e da Eternidade, de Cristina Lasaitis, a impressão que se tem é que o livro não vale o preço cobrado. O formato pequeno, do tipo que cabe facilmente no bolso traseiro da calça, e as relativamente poucas páginas, fruto da fonte pequena e das margens espremidas, nos fazem refletir um pouco sobre o valor de capa, ainda mais com a concorrência daqueles pockets importados que, mesmo com o dólar alto, continuam com um preço bem convidativo – coisas do mercado editorial brasileiro, vai entender. Mas é verdade também que os melhores (e geralmente mais caros) perfumes vêm nos menores frascos, ou ao menos é o que nos diz a sabedoria popular, e acho que não há melhor analogia a fazer nesse caso.

O livro é dividido em doze contos, organizados no índice como as horas de um relógio, revelando já ali o tema principal que preenche a maioria das histórias: o tempo e a sua passagem. Da teoria do não-tempo de Assassinando o Tempo ao terror do futuro de As Asas do Inca e a busca da imortalidade de Revés Alquímico, todos discorrem de alguma forma sobre o assunto, abordando de diferentes maneiras o conflito entre a noção do que é efêmero e passageiro e a busca pela eternidade. A própria ordem dos contos já transmite um pouco dessa idéia, à medida que o ponteiro segue de uma hora até a seguinte, e encontramos novamente os cenários e personagens das primeiras histórias décadas ou séculos depois – diferente do que ocorre na maioria das coletâneas, os contos de Fábulas devem ser lido idealmente na ordem em que estão dispostos.

A autora recorre ainda a uma vasta gama de recursos da fantasia e da ficção científica, sempre de forma imaginativa e com soluções inesperadas. Que não se espere, no entanto, histórias de aventura e ação, com heróis maiores-que-a-vida e batalhas intensas; o tom fantástico destas fábulas está em um nível muito mais humano e cotidiano, pagando tributos a Borges e García Márquez mais do que a Tolkien ou Howard. Há ecos de Calvino e suas Cosmicômicas em Viagem Além do Absoluto, sobre a jornada das últimas partículas do universo até o fim dos tempos, e também do cyberpunk nos mundos virtuais de Além do Invisível e Meia-Noite, histórias que abrem e fecham a obra, respectivamente, fazendo a ligação entre a primeira e a última horas do relógio. E, pequeno que seja o livro, sobra espaço mesmo para textos mais densos e introspectivos (A Outra Metade), ou para um realismo fantástico mais inusitado (De Onde Viemos, Para Onde Vamos, que é narrado por uma estátua).

Fábulas do Tempo e da Eternidade é, enfim, uma obra ímpar, com histórias que podem ser lidas e relidas uma dezena de vezes e ainda causar o mesmo espanto e maravilhamento da primeira vez. Talvez se possa dizer que a autora peca algumas vezes no rebuscamento de algumas frases, ou que poderia ser mais contida em algumas descrições; mas aí também seria só eu querendo ser chato, provavelmente, com a minha mania de minimalismo e até, vá lá, uma pontinha de inveja de uma obra tão interessante de uma jovem autora nacional. Ainda assim, é impossível não recomendar o livro para qualquer um que goste de fantasia, ficção científica ou simplesmente boa literatura.”

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Um outro olhar sobre as Fábulas do Tempo…

maio, 1 - 2009

A nova resenha é do Cezar Berger Júnior, que com seus 18 anos é um jovem divulgador da literatura fantástica e autor do blog Falando de Fantasia. Também está resenhando para o site de cultura pop Ambrosia.

Fábulas do Tempo e da Eternidade

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O mercado editorial brasileiro voltado para a literatura de ficção fantástica e científica é ainda limitado e muitas vezes conservador, baseando-se unicamente em estratégias de vendas e publicando apenas obras com um público maior, mas pouco estruturado. As conseqüências dessas medidas são a pouca variedade dentro dos gêneros e a péssima qualidade dos livros que são publicados. Já tive a oportunidade de ler muitos livros nacionais ruins, sendo que alguns deles se tornaram muito famosos. Muitos autores populares, como é o caso do escritor e desenhista Orlando Paes Filho, parecem não possuir potencial estilístico para criar uma obra consistente e satisfatória para leitores amadurecidos. Felizmente não é o caso do primeiro livro  da autora Cristina Lasaitis, uma paulistana de apenas 26 anos que ganhou espaço na ficção publicando contos em diversas coletâneas e recebendo notoriedade pelo seu excelente trabalho.

Publicado em 2008 pela Tarja Editorial, uma ótima editora que se propõe a publicar novos autores e obras inovadoras, além de manter um acabamento gráfico diferenciado, Fábulas do Tempo e da Eternidade nos mostra diferentes histórias acerca do tempo através de 12 contos. Os leitores fanáticos por ficção científica terão o prazer de encontrar referências sobre Isaac Asimov, Arthur C. Clarke, Ray Bradbury, William Gibson, Ursula K. Le Guin, entretanto não é só isso, pois também sentimos a aura do realismo fantástico dos gênios Jorge Luis Borges e Ítalo Calvino, a perspicácia de Clarice Lispector e até a sabedoria do mestre Machado de Assis. Admito que  fiquei impressionado com a quantidade de referências durante a leitura, algo que só teve a acrescentar no estilo de Cristina.

A teoria do Não-Tempo desenvolvida pela professora brasileira Cláudia Mansilha e a mudança repentina de tudo que sabíamos sobre a física constituem o que há de mais interessante na obra para muitos leitores. Com um ritmo de leitura sintético e objetivo, carregado de complexas teorias e suposições sobre a constituição do tempo, que soam abstratas até para leitores que estudam ou trabalham na área de Exatas, o conto nos transporta para um Brasil prestes a ser reconhecido mundialmente através de uma experiência cujo objetivo é provar a inexistência do tempo. A quantidade de informações atiradas para o leitor, além dos fatos que compõem intrigante vida da professora Mansilha e sua obstinação pelo trabalho, cria uma realidade alternativa maravilhosamente verossímil e digna de ser comparada a credibilidade do mundo do livro As Fontes do Paraíso de Arthur C. Clarke.

Em oposição à “ficção científica soft” temos o conto de realismo fantástico As Asas do Inca, onde a história de um imperador assombrado pelo medo da morte termina com uma ótima lição de moral. Ainda nessa mesma linha temos Nascidos das Profundezas, um dos meus contos preferidos, onde é possível observar uma apimentada antropológica durante o encontro de um povo miserável que habita o deserto e os visitantes de uma região mais rica da Terra. É interessante observar a linha tênue que separa os mundos onde os contos se passam, pois também Os Irmãos Siameses alimenta um cenário baseado na cultura latina, algo que enriquece a história dramática sobre a relação de dois irmãos fadados a convivência.

Outro conto de grande destaque é o Viagem Além do Absoluto, onde a escrita de Cristina nos faz flutuar diante de um mundo de fantasia e ficção científica sem limites! É com certeza um conto que nos remete imediatamente a fantasia absurda de Cosmicômicas, obra essencial para quem admira Ítalo Calvino, mas com um teor científico que coloca os leitores de ficção científica mais ferrenhos no chão. Um conto que gostei muito, tanto pela forma criativa de ter sido escrito, quanto pelo conteúdo e o final inesperado, foi o Os Parênteses da Eternidade, onde dois desconhecidos trocam cartas que viajam através do tempo, história ambientada em universo alternativo criado anos após a fantástica experiência de Cláudia Mansilha. Recomendo também a leitura do Caçadores de Anjos, onde Cristina Lasaitis utiliza mais uma vez da sua versatilidade como escritora e assim estrutura um cenário de fantasia medieval impecável.

Mais que uma coletânea de contos, Fábulas do Tempo e da Eternidade é um exemplo de que o Brasil tem potencial para publicar escritores de ficção em um nível superior ao de muitos países. Espero que assim como Cristina Lasaitis, muitos outros escritores surjam aí para mostrarem a qualidade e a criatividade do escritor brasileiro.

* * *

Oxalá, Cezar!  Você é um garoto literalmente à frente do nosso tempo. Quando eu completar 26, acho que te alcanço 😉
Obrigada pela resenha.

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Outras visões da eternidade

abril, 16 - 2009

Mais uma resenha sai do forno quentinha. Esta é do Alex de Souza para o site de notícias nominuto.com 

Fábulas do Tempo e da Eternidade

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Gênero de sucesso comercial nas livrarias, alavancado na última década pelo fenômeno Harry Potter, pela versão cinematográfica da trilogia O Senhor dos Anéis e semelhantes, a fantasia pena para ter reconhecimento no mercado nacional.

Entre os autores brazucas de sucesso, nomes como André Vianco e Orlando Paes Filho conseguem destaque nas vendas, apesar das limitações estilísticas. Por isso, é de se louvar quando um bom livro – que também se arrisca pelo pantanoso terreno da ficção científica (outro patinho feio) – é lançado em nossas terras.

Este livro é Fábulas do Tempo e da Eternidade (Tarja Editorial, 176 páginas, R$ 25) da estreante Cristina Lasaitis. Com apenas 26 anos, a escritora mostra desenvoltura e domínio da técnica do conto nas 12 histórias que compõem o volume.

Em comum, as narrativas se debruçam sobre o mais cruel dos deuses: o tempo e suas implicações. Está lá por todo lado: em histórias futurísticas, em universos alternativos, em cenários medievais, a difícil relação do homem (ou de qualquer coisa parecida com isso) com a passagem dos dias está no âmago das histórias.

Apesar de brincar com teorias e conceitos científicos de difícil compreensão até para um leitor mais preparado, as histórias de ficção científica de Lasaitis escapam da armadilha do hermetismo, preferindo descrições prosaicas de situações complexas, principalmente nos contos que envolvem a teoria do Não-Tempo – uma brincadeira da autora com a relatividade einsteiniana que nos brinda com uma personagem instigante: a professora Cláudia Mansilha.

A física brasileira que muda a história da ciência é a protagonista de ‘Assassinando o Tempo’, texto incluído na coletânea FC do B – Ficção Científica Brasileira – Panorama 2006/2007, concurso literário no qual também tive um conto selecionado. A teoria do Não-Tempo rende ainda uma história cheia de lirismo e sentimento, Os Parênteses da Eternidade, em que um casal troca correspondências através dos séculos.

Ainda na seara da FC, a escritora faz um tour de force imaginativo em Viagem Além do Absoluto, uma instigante especulação científica de como as duas últimas consciências do universo observariam o fim dos tempos, num futuro para lá de longínquo.

Nesta história, Lasaitis mostra que tem imaginação de sobra, além de um bom embasamento teórico para evitar absurdos científicos. Há também ecos das Cosmicômicas, de Calvino – mas sem a comédia.

É nas histórias fantásticas, ou seja, em que o estranho se manifesta não pela ciência, mas pelo sobrenatural ou o inexplicável, que Cristina Lasaitis se supera – e foge aos lugares comuns do gênero.

Mesmo na história mais capa-e-espada do livro, Caçadores de Anjos, há ali uma visão feminina da história típica de escritoras como Zimmer Bradley e Ursula K. Le Guin, que foge ao clichê machista que infesta esse tipo de narrativa.

Outro ponto positivo do livro está no uso da América espanhola como cenário. É tentador imaginar que o instigante As Asas do Inca, em que um imperador tenta antever o futuro de seu povo, guarde relações espaciais com Nascidos nas Profundezas e Irmãos Siameses. Ainda que não esteja implícito, fica-se com a impressão que ambas se passam no mesmo local geográfico, e as fronteiras entre história e imaginação se dissolvem ante os olhos do leitor.

Por fim, Lasaitis mostra-se antenada com o que há de mais instigante na produção contemporânea da ficção científica, com o conto Meia-Noite. Como bem explica o escritor paulista Fábio Fernandes, na introdução, a história “pós-cyber” traz ecos de William Gibson e Cory Doctorow.

Ampliando seu leque de opções temáticas, a escritora mostra que está muito além da chamada ‘sorte de principiante’ com este primeiro lançamento.

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Leituras de Março/2009

março, 29 - 2009

Hamlet – William Shakespeare

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Você já teve a impressão de que toda a literatura de língua inglesa, de um modo ou de outro, converge para o legado de Shakespeare? Pois não é sem razão. Descobri que ler suas peças é bem diferente de assistir às montagens teatrais, e muito diferente de somente ouvir falar nesse teatrólogo tão influente quanto mitificado.

Afinal, o que Shakespeare tem? É um autor que domina com perfeição a profundidade do drama, consegue fazer rir na tragédia e chorar na comédia, constrói diálogos geniais, cenas clássicas e marcantes, é um crítico, é um filósofo, é um gozador excepcional da sociedade de seu tempo e de todos os tempos.

E quanto a Hamlet? Eu tinha a impressão de que ele fosse uma espécie de emo do século XV, um príncipe que ao ser confrontado com a perda se punha melancolicamente a filosofar sobre a vida e a morte com uma caveirinha na mão. Nada disso! Encontrei um personagem extremamente carismático e irônico. Jovem herdeiro do trono da Dinamarca e órfão recente de pai, Hamlet começa a se revoltar quando sua mãe e seu tio resolvem se casar nem dois meses depois do velho rei (o Hamlet pai) ter descido à sepultura, e termina de se revoltar completamente  quando o fantasma do antigo rei vem lhe contar que fora assassinado e exigir de seu filho uma vingança. Hamlet usa de toda a sua criatividade para investigar a culpa do tio (agora entronado rei), faz-se de louco, dispensa sua amada aos xingamentos, arma um espetáculo teatral na corte para esfregar na cara do assassino os pormenores do seu ato. E em descobrir o reino de vilanias e morte que o tem como príncipe, Hamlet vai tomando intimidade com a amargura e a desesperança, ou – como comenta o crítico literário Harold Bloom – torna-se o próprio anjo caído: sarcástico, amargurado e vingativo.

Apesar da transmutação, o carisma de Hamlet é tão grande e seu comportamento é de tal graça que o expectador (ou leitor) não deixa de se identificar e torcer por ele um único momento. Um personagem simplesmente arrebatador.

A edição que eu tenho é o pocket da L&PM, a capa é do Delacroix (isso, aquele pintor da revolução francesa) e tradução de ninguém menos que Millôr Fernandes.

Mulheres, Mitos e Deusas – o feminino através dos tempos – Martha Robles

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Achei bem interessante a proposta desta escritora mexicana que resolveu concentrar em um único livro 52 biografias de personagens femininas influentes na cultura universal (e mexicana): figuras mitológicas, personagens trágicas, donzelas de contos de fadas, rainhas, nobres, intelectuais, santas, escritoras, artistas, monjas… É o tipo de livro que gosto bastante pela alta densidade de informação aproveitável. Quando fechava o livro, precisava fechar muito bem pra não vazar conteúdo pelas lombadas.

Descobri várias curiosidades, por exemplo: na cultura grega antiga, de acordo com o que se pode concluir através dos mitos e narrativas heróicas, grandes demonstrações emocionais eram tidas como comportamento de homem; das mulheres esperava-se que ocultassem suas emoções, que fossem mais frias e estóicas. Descobri também que São Cirilo, o mais provável mandante do assassinato da filósofa e astrônoma Hipátia de Alexandria, foi canonizado pela Igreja, adivinha por quê por quê por quê? Porque defendeu a infalibilidade da religião católica. Digna de nota também é o capítulo dedicado à rainha Elizabeth I, que tem um dos mais invejáveis currículos a que um estadista pode aspirar. Outros destaques são Catarina de Médici, Cleópatra, Simone de Beauvoir, Virginia Woolf, Cristina da Suécia…

O livro peca em alguns pontos. A começar pela linguagem floreado-diafanizada da autora que nas intermitências do texto penetra os escaninhos de uma prolixidade que, de momento a momento, não quer dizer porcaria nenhuma. Ela não percebeu que certos exercícios de síntese não funcionam, p. ex: não dá pra resumir a queda de Tróia em detalhes dentro de quatro páginas citando todos os heróis, vilões e os vinte filhos de Príamo e Hécuba. Também senti que em alguns momentos a autora trata versões apócrifas de mitos como se fossem as mais confiáveis, e às vezes parece tentar minimizar certos indícios históricos, como no caso da biografia de Safo, que era lésbica de nascimento (Ilha de Lesbos) e gostava de mulheres,  mas, segundo a autora, “não era bem assim”… A parte mais desmerecida é o capítulo chamado “Caminho de Deus”, em que se assiste a um desfile interminável de Nossas Senhoras mexicanas e santinhas milagreiras feitas de pasta de milho que só são do interesse dos católicos nativos. Para não compensar, há lacunas e omissões inexplicáveis: nem uma menção sequer a Julieta, Desdêmona, Hildegard von Bingen, Joana D’arc, Catarina Grande, Lucrécia Bórgia, as irmãs Brontë ou Mary Shelley. Não deu pé nem para Frida Kahlo, pintora mexicana que na visão de Martha Robles é menos merecedora de uma biografia que sua conterrânea e colega de arte María Izquierdo (alguém já ouviu falar dela?).

 Em geral é um livro muito bom, a leitora aqui que é meio cricri.

Paradigmas 1 – Vários autores

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Não é porque o filho também é meu, mas essa é uma das coletâneas melhor organizadas da cena literária atual. São 13 contos de 13 autores bastante diversificados em temáticas e estilos, todos eles se encaixam de algum modo nas designações da literatura fantástica, mas aqui não existem fronteiras claras de gênero e vanguarda, a proposta é justamente gerar uma quebradeira de rótulos. Creio que a maioria dos contos conseguiu cumprir com a missão.

Reparei que muitos autores investiram na quebra dos paradigmas por meio da reinvenção mitológica e, em alguns casos, com o tempero do erotismo.

+ Jacques Barcia em O Vento, Seu Fôlego. O Mundo, Seu Coração operou a tranfiguração da mitologia indiana em uma vertiginosa epopéia onírica.

+ Roberta Nunes em Una deu vidas passadas e ares de ficção científica à saga de Lilith. Belíssimo!

+ Já Fogo de Artifício, do Eric Novello, é um inusitado conto policial onde os bandidos são personagens de contos de fadas e a loura Alice com seu coelho inseparável não é mais uma menininha…

+ Em Aqui Há Monstros, Camila Fernandes praticamente inventa um novo mito grego, um jovem náufrago vai parar em uma ilha desconhecida onde é salvo por uma misteriosa mulher cuja beleza ele jamais pode olhar.

+ E quem disse que dragões não tem nada a ver com favela e tráfico de drogas? Essa conexão inusitadíssima é mérito do Bruno Cobbi, com O Mendigo e o Dragão.

+ Um Forte Desejo, de MD Amado, conta as aventuras sexuais de uma mulher independente com uma bizarra criatura.

+ Tem ainda uma escritora chamada Cris Lasaitis com sua alegoria moderna sobre um maestro narcisista e uma melodia mágica (Sinfonia Para Narciso).

+ Leonardo Pezzella com A Lenda do Homem de Palha praticamente inventou uma lenda popular tão pictórica quanto as que povoam o imaginário da cultura brasileira.

+ O conto da Ana Cristina Rodrigues, O Templo do Amor, traz um interessante duelo entre as duas maiores forças que norteiam a nossa existência: o amor e a morte.

+ A Teoria na Prática (excelente título) é uma grande sacada do Romeu Martins ao dar sentido e quintas intenções à cultura da pasmaceira que chamamos de teoria da conspiração. Ou você não percebeu que tem alguém interessado em fazer você acreditar que camisinha dá câncer?

+ O conto do Richard Diegues, MAI-NI Expressas é uma viagem alucinante num mundo ciber-futurista-distópico onde motoboys rompem fronteiras a mil e seiscentos quilômetros por hora para entregar o seu pacote antes que a guerra comece.

+ O Combate de Maria Helena Bandeira é um altar de sacríficios ao deus Xanam, o deus do acaso e também das roletas russas.

+ E Madalena, de Osíris Reis, é um conto de terror situado entre o grotesco e o escatológico, onde não há fronteira entre os pesadelos e a realidade para uma menina de nove anos aterrorizada e violada pelos seus monstros pessoais e pela religião. Lembra um pouco um caso que aconteceu no Pernambuco outro dia…

Acho que não deixei faltar ninguém. É isso aí, criançada, parabéns! E que venha o volume 2!

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Os portais irão se abrir…

março, 19 - 2009

Preparar para o lançamento:

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9…

8…

7….

6………

5…………………………

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3……………………………………………………………………………………………

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[distorção relativística ativada]

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Lançamento do Paradigmas Vol. I

É nesta sexta-feira, dia 20 de março de 2009 a partir das 18:30 no Bardo Batata!!

Rua Bela Cintra, 1.333 – Jardins (São Paulo – SP), pertinho do metrô Consolação.

Pode vir. Não precisa espiar pelo buraco da fechadura!

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MAI-NI Expressas » Richard Diegues » autor dos livros Tempos de AlgóriA (2009), Sob A Luz do Abajur (2007), Magia – Tomo I (1997), além de organizador e co-autor do livro Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos (2006), co-autor dos livros Histórias do Tarô (2008), Necrópole – Histórias de Bruxaria (2008), Necrópole – Histórias de Fantasmas (2006) e Necrópole – Histórias de Vampiros (2005). Trabalha com eventos e palestras na área literária, atuando também como editor pela Tarja Editorial. Paga as contas como programador de computadores, consultor editorial para autores, rastreando hackers, e jogando bilhar. É o idealizador do projeto Paradigmas.

Vento, Seu Fôlego. O Mundo, Seu Coração » Jacques Barcia » é um escritor azul de ficção estranha. Tem contos publicados no Brasil e Romênia, em papel e prana. É editor da revista online Terra Incógnita junto com o rishi Fábio Fernandes, com quem também divide o blogue Post-Weird Thoughts. Quando não escreve, berra mantras e dança com duas belas apsarases.

Um Forte Desejo » M. D. Amado » analista de sistemas, mineiro de Belo Horizonte, e participou do livro Necrópole – Histórias de Fantasmas (2006) com o conto O Fotógrafo. Possui contos publicados em vários sites revistas eletrônicas. Desde 1996 mantém o site Estronho e Esquésito, que, entre outras coisas, disponibiliza gratuitamente um espaço para que autores de literatura fantástica divulguem seus trabalhos. Na atualidade desenvolve dois projetos literários solo, que em breve se tornarão livros.

O Mendigo e o Dragão » Bruno Cobbi » é tradutor, designer multimídia e escritor estreante. Descobriu seu talento para contar histórias através do RPG e atualmente é aluno da primeira turma do Curso de Pós Graduação em Formação de Escritores, em São Paulo. Fã de videogames, cinema e quadrinhos, é dono do blog Aprendiz de Escritor e editor do blog d3system.

Una » Roberta Nunes » gosta tanto de literatura que não suporta quem a maltrata. Publicou alguns textos em listas de discussão de literatura e blogs literários, tendo um trabalho publicado o livro Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos (2006). Atualmente tenta, com afinco, se dedicar aos blogs pessoais Profana?Eu?, onde escreve suas desventuras e ao Estilhaços de Alma, dedicado a críticas de livros, peças teatrais, filmes, eventos e de bares onde a cerveja teima em não gelar.

Fogo de Artifício » Eric Novello » autor dos romances Dante – o Guardião da Morte (2004) e Histórias da Noite Carioca (2005). Participou do livro Necrópole – Histórias de Bruxaria (2008) com o conto De Fumaça e Sombras, possui mais de 60 contos e crônicas online e mantém atualmente o site Fantastik de divulgação de literatura fantástica nacional. É tradutor e trabalha como crítico literário e de cinema para o portal de arte Aguarrás. Está trabalhando em um romance de Fantasia Urbana com o mesmo protagonista de Fogo de Artifício.

Aqui Há Monstros » Camila Fernandes » alter ego de Mila F. Enquanto Camila Fernandes assina contos e revisões, Mila F, é ilustradora especializada em pintura digital e capista desta edição. Lançou seus primeiros contos no NecroZine, depois, participou dos livros Necrópole – Histórias de Vampiros (2005), Necrópole – Histórias de Fantasmas (2006), Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos (2006) e Necrópole – Histórias de Bruxaria (2008). No momento, tem desenhado muito, feito revisão de textos para editoras e autores independentes e reparado seu livro solo.

Sinfonia Para Narciso » Cristina Lasaitis » Não sabe dizer se é uma cientista que se apaixonou pela ficção ou se é uma escritora que se apaixonou pela ciência. Autora da coletânea de contos de ficção científica e fantasia Fábulas do Tempo e da Eternidade (2008) e participante do livro Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos (2006). Sua imaginação vive uma constante viagem, e ela sonha com o dia em que poderá viver de contar histórias. Atualmente mora com seus pais e vive catando as traças da sua biblioteca de estimação.

A Lenda do Homem de Palha » Leonardo Pezzella Vieira » engenheiro que escrevia poesias. Dono de um forte hábito de leitura, participou de grupos de escritores e trocou as poesias pelos contos e pequenos romances de terror e ficção. Publicou no Jornal da Praça e em diversos sites de contos e crônicas. Participou do livro Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos (2006). Seus textos podem ser encontrados em seu blog pessoal, o Monologando.

A Teoria na Prática » Romeu Martins » jornalista especializado na área de divulgação científica, com ênfase em inovação tecnológica, é co-autor do livro Conhecimento & Riqueza (2007), o que o torna, na maioria das vezes, bastante cético quanto a avanços radicais em um futuro próximo. Resenhista e entrevistador, do site Overmundo, também é o criador do blog Terroristas da Conspiração.

O Combate » Maria Helena Bandeira » formada em jornalismo, artista plástica. Menção Especial do Prêmio Guararapes da União Brasileira de Escritores. Conto Brasileiro do Mês da Isaac Asimov Magazine, indicada pra o Prêmio Argos em 2002, colaboradora do fanzine Somnium, da revista Scarium e do site português E-nigma. Participou das antologias Anjos de Prata (2001-2007), Antoloblogue (2007) e FC do B – panorama 2006/2007 (2007) e GRAGEAS – 100 cuentos breves de todo el mundo (2007), na Argentina.

O Templo do Amor » Ana Cristina Rodrigues » escritora, historiadora, funcionária pública, professora, editora, agitadora cultural, roteirista e mãe. Balzaquiana, escreve para tentar calar as vozes (sem sucesso). Já apareceu com contos em diversos sites brasileiros e internacionais. Está escrevendo um romance de fantasia histórica alternativa.

Madalena » Osíris Reis » cursou três semestres em Medicina, e três em Mecatrônica, até assumir o gosto pela narrativa. Autor do livro Treze Milênios – Gênese Vermelha (2006), o primeiro de uma saga de Ficção Científica e Terror. Escreveu o conto Bandeiras, publicado na Scarium Megazine. Estudante do curso de Audiovisual (TV, Rádio, Cinema), trabalha com roteiros de cinema e HQ.

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O Auto das Normas Divinas

março, 13 - 2009

 (e das coisas que não se deve questionar em vão)

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Muitas histórias contam aqueles que o conhecem. Dizem que quando os passos dele soam no corredor, é como se ecoassem através das catacumbas, o chão até estremece. Ao ouvi-lo se aproximar, as baratas se esgueiram por buracos estreitos, as aranhas se recolhem cautelosas para o vértice das teias, as lagartixas ficam tão pálidas que podem ser confundidas com a pintura das paredes e as formigas, coitadas, debandam num salve-se-quem-puder desesperado. Como um titã, ele vem. Um halo de pesar anuncia a sua chegada e perdura após a partida. O véu negro de sua autoridade se projeta contra as paredes brancas ao mesmo tempo em que um pesadume recai no cerne de todas as coisas: suam as testas dos santinhos de barro, agonizam as chamas das velas. As traças não ousam roer os mantos da sua batina (dizem que certa vez uma tentou e como resultado caiu morta em cinco minutos, vítima de convulsões terríveis!).
Ele passa e atrás dele vem a sombra. Atrás da sombra vem o silêncio.
A sensação que dá é que bem ali, no final do corredor, a qualquer momento irão se abrir os portais do limbo e entrar os cavaleiros do apocalipse, pois os passos de D. José Sardoso Cobrinho já prepararam o terreno para a sua chegada.
Você está tentando encará-lo nos olhos? Pois eu aviso: não o faça! Os olhos dele irradiam labaredas, mas dizem ser tão frios que por onde ele olha neva e nem o calor infernal de Olinda é capaz de aplacar os arrepios.
Falam dos mistérios que cercam a sua clausura. Ninguém nunca ousou entrar lá para conferir, mas dizem que a entrada é guardada por cinco bestas invisíveis – íncubos e súcubos aprisionados, adestrados e castrados. Veja, lá estão eles. Ao ouvir passos começam a ladrar e rosnar como loucos, fazem um escarcéu dos infernos que não é ouvido por ninguém, mas cujos ecos fazem os corações mortais se espremerem até caber em um dedal. A soleira da porta é o limite, dali ninguém ousa ultrapassar.
Ante as flamas nas órbitas de D. Sardoso, os íncubos grunhem e se espantam com os rabinhos entre as patas. Duas gárgulas de Notre Dame do Piratininga vigiam a cabeceira de sua cama. Uma costuma ser muito falante e boba, a outra é calada e esperta. Neste instante estão adormecidas, mas percebendo-o chegar, se endireitam e arrotam golfadas de fogo. Dom Sardoso entra. Em sua mão traz uma carta com a insígnia de Roma. Senta-se na cama sob o olhar curioso das gárgulas e com muita cerimônia abre o envelope do remetente papal.
É uma mensagem de apoio, assinada por ninguém mais que dom Ratzinger. Seus olhos brilham de emoção…

Por muito tempo ele esperou uma oportunidade tão oportunamente boa para provar ao mundo como é implacável a lei de Deus e infinita a sua bondade.
Todas as noites antes de dormir dom José Sardoso rezava três pai-nossos, três ave-marias, um salve rainha e um credo, pedia a proteção divina e já com as roupas de dormir livrava seus íncubos e súcubos da coleira para que saíssem pela noite a amedrontar as criancinhas que ainda estavam fora da cama e se apossar das mãos direitas daqueles que praticavam a luxúria na solidão de seus leitos. Quem sabe um destes pecadores não enlouqueceria o bastante para fazer algo muito, mas muito feio? Um pecado mortal desses que açulam a ira da opinião pública. Quanto pior o mal, mais brilha o bem; um criminoso convertido vale por dez virtuosos. Que propaganda maravilhosa o mal não faz para a diocese?
Pois num belo dia ensolarado, desses que não são nenhuma novidade no Recife, o jornal chega à mesinha de sua clausura com uma notícia bombástica:
– Um aborto! E de gêmeos!
Uma das gárgulas, ouvindo distraidamente os pensamentos do arcebispo, se engasga com o próprio enxofre: cof cof…
– Duma menina de 9 anos!… Violada pelo padrasto.
As flamas brilham nos olhos de dom Sardoso:
– Já sei! Vou excomungar todos os envolvidos – ele pega uma caneta e começa a anotar os nomes –, os médicos, vejam só, são católicos! Malandros! Hereges… Quem mais?
Animada com a novidade, a gárgula opina:
– As enfermeiras?
– Não, não sua anta!
– Err… a diretoria do hospital?
– Não. A mãe! A mãe da menina que autorizou esse pecado descomunal! – ruge o arcebispo.
– Ah.
Esboçando nos lábios o sorriso que Caim tinha para Abel no momento supremo, dom Sardoso anota mais um nome em sua listinha negra. A gárgula se intromete de novo:
– E o pai?
– O pai? Ah, o pai eu vejo depois.
– Não, quer dizer, o padrasto. O estuprador.
Nesse instante os íncubos e súcubos começam a latir freneticamente:
– Au au! Woof woof! (É isso aí – eles querem dizer – manda excomungar ele também!)
O arcebispo olha de soslaio para os demoniozinhos, durante um tempo muito curto, mas o suficiente para que chorem de arrependimento:
– Caim caim caim…
Depois de uma respiração com toda a profundidade da sua sabedoria, o arcebispo decide:
– Não. A lei canônica é clara: o aborto é um pecado gravíssimo e passível de excomunhão. O estupro é um pecado grave, mas nem se compara ao aborto!
A gárgula se entristece, seus olhos vermelhos em fenda ficam melancólicos:
– Mas, mas…
– Sem “mas”!
– Mas e a menina, excelência?
Emanando a lucidez que é marca registrada dos defensores da lei canônica, o arcebispo diz:
– Para dar uma amostra da infinita bondade de Deus e da nossa profundissíssima compaixão, a menina será poupada da excomunhão. O mesmo para o estuprador, para mostrar à essa corja de infiéis que a misericórdia de Deus é capaz de perdoar todas as faltas. – E depois de cinco segundos de um silêncio descontente ele arremata: – Menos o aborto, é claro. Essa é uma penalidade latae setentiae!**
“Oxe, fica tão chique dizer isso!”, ele pensou. (**Agora tente imaginá-lo falando latim com sotaque pernambucano).
A gárgula sorri comovida:
– Como o senhor é bom, excelência! Arretada essa sua decisão!

E assim foi feito. Dom José Sardoso Cobrinho excomungou os médicos que fizeram o aborto na menina e também a mãe. Não satisfeito, ele mandou informar devidamente os donos das almas perdidas e deu um jeitinho para que o fato chegasse aos ouvidos bisbilhoteiros dos jornalistas.
Foi um estouro! Virou manchete no país inteiro. Dom Sardoso até passou perfume para dar entrevista na tevê. E como um homem muito sério no cumprimento do dever ele explicou aos jornalistas a lei implacável de Deus:
– Esse padrasto cometeu um pecado gravíssimo. Agora, mais grave do que isso, sabe o que é? O aborto, eliminar uma vida inocente.
Talvez tivesse se esquecido de que a menina também fosse inocente e que sua jovem vida corria risco de ser igualmente abortada. Mas os bebês assassinados, esses com certeza eram mais inocentes do que a menina.
Mas peraí, isso importa? Não, realmente.
Talvez passasse bem de leve na imaginação do arcebispo que a mãe da garota, a mulher excomungada, no instante em que foi atingida pelo raio dos fatos teria desejado cavar um buraco no chão e se enfiar ali para sempre. Talvez, durante fugazes momentos, inda passasse pela cabeça dele a imagem de uma menininha de 9 anos sustentando com seus 30 e poucos quilos uma gravidez de gêmeos adiantada, sem posição nem ânimo para brincar, a barriga avantajada raiada de estrias vermelhas e profundas, a pele sofrendo com a dor das distensões e com o peso; e a garota vergada, atrapalhada para se equilibrar levando consigo o resultado final de três anos de abusos do padrasto agüentados em silêncio para que ele não cumprisse com a ameaça de matar a sua mamãe, suportando os chutes e pontapés daquelas coisinhas inocentes que poderiam matá-la no final… Poderiam? Mas e se ela já estivesse morta por dentro?
Que nada. Besteira! Depois dos bebês nascerem ela nem se lembraria mais do estuprador. O amor maternal supera tudo, quer apostar quanto? É sempre assim, a Igreja está cheia de casos virtuosos para mostrar.
As mulheres fazem aquelas caras de sofredoras, mas nunca provaram ter vida inteligente. Alguma vez você ouviu uma mulher dizer coisa com coisa? A única mulher que dom Sardoso se lembrava de ter dito algo sensato foi a Virgem Maria, na anunciação: “eis aqui vossa serva, que seja feita a vossa vontade!”
Isso sim que era mulher!
As feministas iriam ficar enfurecidas com a decisão, o que é mais um belo motivo para comemorar, o arcebispo precisava até se segurar para não dar pulinhos de triunfo. Já pensava até no bordão: “estupra, mas não aborta!”
Não teria pena da menina, não. Quando ele era pequeno não tinha essa coisa de ficar passando a mão na cabeça do pirralho. Se fizesse algo errado, levava uma chinelada; se fizesse certo, levava duas. Quando foi para o seminário não havia moleza, não! Ao menor deslize os padres faziam estalar a vara de marmelo nos fundilhos dos noviços. Graças a Deus e à ortodoxia das varadas hoje dom José Sardoso é um arcebispo cabra-macho. Pra ele não existe essa frescura de meias palavras, de “força da necessidade”; de “interpretação da palavra divina”. Se tá escrito, tá escrito, pombas!

Mas na finalmência dos finalmentes, a mais verdadeira verdade é que dom Sardoso não estava preocupado com os bebês abortados, a menina ou as críticas. Ele estava mesmo adorando dar entrevistas! A todo momento choviam ligações, cartas, mensagens de apoio do país inteiro e também do estrangeiro; e ele nunca tinha recebido tanta atenção na vida, nem antes nem depois dos votos. Sentia uma massagem tão grande no ego quando lhe diziam que ele tinha razão! Dava até arrepio…
Ficar famoso não tem preço. Todas as outras coisas a fé pode comprar.
Pois não é fácil essa vida de representante das repartições celestiais na Terra, sabe? A menos que você seja um padre galã e carismático como aquele Marcelo Rossi, geralmente é uma vida bastante anônima e solitária, tão franciscana e tediosa… Mas agora ele lavou a honra da Igreja, é o vingador de Deus e das criancinhas não nascidas. Pois se os homens são o sal da terra, as crianças são o mel. “Deixai vir a mim os pequeninos”, e se eles não vierem, nós iremos até eles. Os homens de Deus têm o dever supremo de defender todas as crianças; as perfeitas, as anencéfalas, as retardadas… Crianças são luz, crianças são calor, crianças relaxam a gente.
Dom José Sardoso nunca esteve com a consciência tão limpa. Seguira metodicamente cada regra da cartilha, suspeitava até que seria canonizado. Um dia vai acabar surgindo um papa que reconhecerá a grandiosidade de seu caráter. Mas esse é um sonho secreto que o arcebispo guarda a sete chaves, afinal, ele é um homem infinitamente humilde. Tão humilde que quando morrer irá diretamente ao encontro de São Pedro nos portais do paraíso. E se por acaso o guardião quiser discutir a sua entrada, ele dirá: “por obséquio, Seu Pedro, vá lá na minha escrivaninha, veja os meus despachos, as minhas obras de caridade, a minha vigilância irretocável pela sagrada lei de Deus. Veja que não faltou uma refeição sem que eu rezasse o padre-nosso, todas as minhas missas estão em dia, todas as minhas confissões (os meus poucos pecados perdoados), todos os sacramentos que ministrei e que me foram ministrados, todos os perigos que afastei e os fiéis que acolhi…” E depois de mostrar a São Pedro o seu virtuoso bolo de papéis, o santo não teria outra alternativa senão carimbar o seu passaporte de entrada no paraíso com validade para todo o sempre.

Mas antes que termine de se elevar em hosanas nas alturas, dom José Sardoso Cobrinho desperta e atina novamente na carta vinda do Vaticano manifestando apoio irrestrito à sua decisão.
O apoio do papa!
O papa é infalível. Se Vossa Santidade o apóia, isso quer dizer que ele não está errado.
– Mas e se vossa excelência, por acaso, por uma ligeira possibilidade, tiver sido cruel com a menininha? – a gárgula tagarela, que ouviu todos os seus pensamentos secretos, pergunta.
O arcebispo cruza olhares com a gárgula estraga-prazeres e de imediato ela esbugalha as órbitas vermelhas como se uma força interna estivesse prestes a explodi-la. Comeaça a tremer incontrolavelmente e, em dois segundos, se espatifa em um milhão de caquinhos de mármore imaginário que se espalham pelo chão de toda a clausura beijando os pés de dom José Sardoso.
– Ainda que eu pudesse estar errado, Deus a tudo perdoa, não é mesmo? – responde docemente com aquele mesmo sorriso fraterno de Caim. – Perdoa tudo, menos o aborto.
O arcebispo está nas nuvens. Ele adora ter razão, ter razão é cristalino e puro! Mostra a assinatura do papa para a gárgula que restou (a esperta, a que fica quieta). Ela se espanta e abaixa os chifres em respeito. Os íncubos e súcubos de estimação abaixam as cabeças e lambem as patinhas, até as bestas medievais mais tapadas reconhecem o valor da autoridade. E com a glória fluindo nas veias, dom José Sardoso vai até a janela espiar as ladeiras da cidade velha, sentindo uma vaga nostalgia dos tempos em que ali crepitavam as fogueiras, o calor da justiça, a chama da ordem… Quando os homens vão aprender que não devem questionar a autoridade do único Ser inquestionável? Chegou a pensar que nascera nos tempos errados, agora sabe que não. Sua missão se revelou: será o redentor dos séculos. E de braços abertos, crucificado na luz do sol causticante frente o parapeito da janela ele sonha com os dias em que a utopia católica se tornará realidade e o mundo será um imenso rebanho de ovelhas dóceis, penitentes, na rígida observância da lei canônica; e nesse mundo – ele sabe – não haverá abortos nem revoltas, não existirá células tronco nem querelas heréticas. Tudo será comunhão, serão olhos aos céus e oferendas ao altar, serão joelhos no chão, mentes imaculadas, consciências limpas e cabeças vazias livres de todo o mal, amém.

* * *

Se liga, pastel, este é um texto de ficção. Antes de querer acusar alguém por difamação, saiba que há certos tipos de vilão que só existem nos contos de fadas e que há certos monstros invejosos dos primeiros que rastejam pelo mundo real fantasiados de gente e que de vez em quando merecem levar um tapa na cara. Toda e qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência, como você está cansado de saber.

* * *

Sobre a autora:
Cristina Lasaitis não tem medo da excomunhão. Como toda mulher emancipada, tem máquina de lavar roupas em casa, aspirador de pó e forno microondas. Não toma anticoncepcional e não planeja fazer nenhum aborto (é lésbica, se isso explica). De vez em quando sofre delírios de lucidez e finge ter um esboço primitivo de inteligência. Fica injuriada com coisas sem sentido, tem surtos emocionais às escondidas e rompantes maternais por crianças injustiçadas. É um caso perdido.

* * *

Quer chorar? Leia essa matéria da Miriam Leitão (ela mesma) sobre o caso que deu o que falar. Economistas também têm coração.
E também o lindo texto da Luciana Muniz.

* * *

Agora chega. Tô passada. Esgotada. Arrasada. Acabei de ler Hamlet e chorei um rio de pitangas. Preciso de oblívio. Vou virar a página e voltar para a minha tese, quero algo bem científico, frio e impessoal, de preferência com muitos números e fórmulas estatísticas. Juro que não dou mais um piu sobre o assunto.
Tchau, fui.

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Quebrando paradigmas

março, 7 - 2009

paradigmas

Não é só mais uma coletânea de contos. Paradigmas é um esforço conjunto de jovens autores brasileiros para dar um passo além da mesmice e romper com os rótulos da literatura fantástica.

A edição de estréia vem com contos de Ana Cristina Rodrigues, Bruno Cobbi, Camila Fernandes, Eric Novello, Jacques Barcia, Leonardo Pezzella Vieira, MD Amado, Maria Helena Bandeira, Osíris Reis, Richard Diegues, Roberta Nunes, Romeu Martins e eu! 8)

O festança já tem data marcada: dia 20 de março de 2009, às 18:30 no Bardo Batata – Rua Bela Cintra, 1.333 – Jardins (São Paulo – SP)

Preço no lançamento: R$13,00 (grátis um chope).

Pode vir, é só chegar! 

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Mais informações no site da Tarja Livros.

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Leituras de Fevereiro/2009

fevereiro, 28 - 2009

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War In Heaven – David Zindell

É o romance que encerra a série Requiem For Homo Sapiens. A sequência de livros é:

Neverness  (1988)
The Broken God  (1992)
The Wild  (1995)
War In Heaven  (1998)

Fiz alguns comentários sobre a série no tópico Leituras de 2008. O balanço final, depois de ter concluído a saga, é que ler David Zindell é uma experiência diferente, dolorosa e recompensadora. Diferente por quê? Porque é um épico de ficção científica sui generis, uma aventura gigantesca comparável à Duna do Frank Herbert, porém com uma dimensão profundamente humana, filosófica e um tratamento que ora resvala para o romantismo, ora para o arcadismo, alimentada pelo mito do bom selvagem e os motes carpe diem, fugere urbeminutilia truncat. O resultado é beleza, é arrebatamento. Ainda hoje considero difícil encontrar escritores de ficção científica que tenham coragem (sim, isso mesmo) de demonstrar tanta sensibilidade. Doloroso por quê? Primeiro porque faz pensar muito na condição humana, na vida e na morte. Depois porque cada livro é um calhamaço de 700 a mil páginas, com margens estreitas, espaçamento simples e letrinhas pequenas. Para leitores vorazes, isso não é problema. Mas David Zindell tem uma qualidade que de certo modo também é um defeito: ele é muito prolixo e repetitivo, a ponto de podermos cortar 70% do texto sem acarretar nenhum prejuízo à história. Mas logo percebe-se que o excedente é responsável pela ambientação e o detalhamento que transportam o leitor para outro universo, e como o próprio Zindell confessou em uma entrevista que li tempos atrás, ele realmente gosta de preencher todas as lacunas e descrever tudo ao nível dos pequenos detalhes. E aí se explica por que é recompensador ler: Zindell conta a história de 4 gerações em um universo fabuloso, que é uma das coisas mais ambiciosas que já vi na ficção científica. Em muitos aspectos lembra o universo de George Lucas, em que existem centenas de planetas e inúmeras irmandades, tribos, sociedades, onde a política tem um papel centralizador, a tecnologia alcançou a aparência de mágica e há até um vilão-mocinho que fora corrompido para o lado negro da força e uma espécie de estrela da morte ameaçando pulverizar a galáxia. Mas as semelhanças param aí. É evidente que David Zindell usa os mesmos arquétipos, mas lhes confere uma aparência toda nova e peculiar. A série inteira é bastante engenhosa e criativa. Em alguns momentos cai no marasmo, mas há a recompensa dos trechos em que fica impossível largar o livro.

Se fossem traduzidos para o português, Neverness e a trilogia Requiem For Homo Sapiens seriam publicações caras demais para um público muito restrito, e não vejo uma editora louca que se arrisque. As edições americanas ficaram muito tempo sem ser reeditadas e podem ser importadas pela Amazon. David Zindell está longe de ser um autor popular, mesmo nos EUA, mas quem resolver se aventurar nas dobras do universo formidável que ele criou tem o meu estímulo.

escaphandre

 O Escafandro e a Borboleta – Jean-Dominique Bauby

É a autobiografia tragicômica de Jean-Dominique Bauby, ex-redator chefe da revista Elle, que após um acidente vascular cerebral ficou totalmente paralisado dos pés à cabeça, e o que é pior: completamente lúcido. Essa condição bastante rara, conhecida como síndrome locked-in, é descrita como a sensação mais próxima de ser enterrado vivo. Jean-Dominique ficou privado de toda a sua ligação com o mundo e impossibilitado de se comunicar, ou de acordo com a metáfora criada por ele mesmo: sentia-se afundar dentro de um escafandro, enquanto sua memória e imaginação intactas – a borboleta – eram as únicas forças capazes de libertá-lo por alguns instantes. O único movimento que lhe restou foi o da pálpebra esquerda, e isso bastou para que a ortofonista estabelecesse um elo de comunicação, soletrando a Jean-Dominique uma versão do alfabeto no qual as letras são ordenadas de acordo com sua frequência na língua francesa para que ele piscasse na letra escolhida e assim, letra por letra, formasse palavras e depois frases. O livro inteiro foi escrito nesse sistema. Jean-Dominique descreve o seu processo de compor o texto, memorizar e editar mentalmente para depois escrevê-lo com a ajuda de uma redatora em intermináveis sessões de piscadas. E olhe que não é um livro tão curto. Jean-Dominique conta suas memórias constrastando a sua vida antes do AVC com a do homem que um dia acordou dentro do escafandro, descrevendo o tamanho da sua angústia ao mesmo tempo em que ri da tragédia com um sarcasmo e senso de humor incríveis.

Jean-Dominique faleceu dez dias após a publicação de O Escafandro e a Borboleta.

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Água Viva – Clarice Lispector

Ler um livro da Clarice é sempre uma experiência refrescante para a linguagem e para o espírito. Água Viva é um livro epifânico, na mesma linha de A Paixão Segundo G.H., transbordante de emoção e reflexão, uma viagem sem início nem final através da alma da autora. A viagem é existencial, é uma tentativa de descrever em palavras a vida quando não existem palavras que possam descrevê-la. O “eu” de Clarice mergulha inúmeras vezes na tessitura da existência, morre, renasce, dá à luz a consciência do leitor, nega a morte diante de Deus para reassumi-la e tentar compreendê-la, num processo cíclico, contínuo.

Tenho que dizer algo muito pessoal agora: cada livro da Clarice é um terremoto pra mim. Sinto que preciso dela, como ser humano e como escritora.

tempoespaco

Além do Tempo e do Espaço – vários autores

Publicada em 1965, é uma coletânea de contos da chamada “1ª onda” da ficção científica brasileira. Como toda coletânea, alguns autores se saem melhor do que outros. Algo que reparo muito nessa geração é que o conceito de ficção científica  ainda não parecia estar totalmente absorvido, alguns textos da coletânea não me pareceram nem um pouco sci-fi, mas sim contos fantásticos.  O elogio é que eles introduziram o gênero no Brasil. A crítica é que não tinham ninguém a superar senão eles mesmos.

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Meu vício predileto

janeiro, 16 - 2009

cafe

Não saio de casa sem o pretinho básico. De vez em quando, se bebo demais, bate uma sensação de estômago corroído e uma ligeira percepção de entorpecimento – efeito que costumo atribuir ao adoçante, ou talvez ao plástico da colherinha.

O coração fica meio descompassado, mas não é de paixão. Mexe de um jeito meio errado, criando um vácuo no peito – oi! estou aqui! – Mexe como quem não quer ser esquecido. Não escolhe hora para debandar a bater, às vezes no meio da propaganda da Telessena, às vezes durante o sono sem sonhos, ou numa visita ao banheiro, ou virando a esquina de casa… Dizem que é por causa da cafeína. Eu insisto: é culpa do adoçante, vou mudar de marca.

Um dia, ele – seu coração – dá um salto no peito e te põe num baita susto. É aí que você promete: vou parar de tomar por um tempo.

Dito. Dito e feito.

Entra em jogo a neuroquímica dizendo: esquece, você não vai conseguir; se não conseguiu parar de roer unha em vinte anos – as unhas!, que só servem para remoer a ansiedade e não dão nenhum barato – imagine se vai aguentar viver sem a molécula chave da alquimia metropolitana!

Você percebe que está viciado quando tenta parar e descobre que não dá. Dois dias de abstinência é o limite.

O despertador toca, o dia começou sem pedir licença. Você acorda sem acordar, se autoexpulsa da cama. Vai tomar o café da manhã sem café – ou seja, toma só a manhã. Fecha a porta de casa e o corpo segue por inércia, dormindo nas profundezas do cérebro o sono das múmias. A calçada é cinza, as casas são cinzas, os carros são cinzas, o cachorro é invisível (você não viu e foi logo chutando). Anda por aí que nem um zumbi, se arrastando. Pega o metrô e percebe que o tempo se move aos saltos. Agora eu existo, agora não. Existo. Não existo. Estou. Não estou (deixe recado na caixa postal). Tenta ler um livro, precisa amarrar a mente em algo que lhe prenda na realidade. Lê um parágrafo, uma página, dez folhas… e o que estava escrito mesmo? Não faço idéia.

O dia não rende. Você faz o trabalho com o mesmo prazer de alguém que faz um tratamento de canal: anestesiado.

Alguém lhe vê de olhos baixos, pensa que está de porre – você tomou alguma coisa? Não, o problema é esse: eu deixei de tomar! E adoraria ir tomar bem agora… em qualquer lugar.

Chega em casa um trapo. Cai na cama e dorme que nem um bebê (o que não quer dizer necessariamente que irá acordar babado, melado e vomitado, isso não). Dez, doze irremediáveis horas de sono; uma verdadeira hibernação. E se não dormir o suficiente, o dia seguinte será a mesma maravilha.

Por fim, dor de cabeça.

E na manhã seguinte vem aquele cheiro inconfundível de um pretinho bem passado, que o faz esquecer que um dia na vida teve dor de estômago – é melhor que a enxaqueca de ontem, que andar de olhos baixos e ser daltônico por opção – esquece do coração destrambelhado. O coração descompassa, mas é de fissura. Vai buscar a xícara. Melhor, a tigela de sopa! E toma pela primeira vez em dois dias o café da manhã com café.

E o mundo volta a ser como era antes. Você e a molécula, felizes para sempre…

* * *

Motivos para você também tomar, beber ou encher a cara, a seu critério:

Beber café pode prevenir o Alzheimer, diz estudo.

Café reduz risco da doença de Parkinson, indica estudo.

Mulheres que bebem café tem risco reduzido de câncer de ovário.

Consumo de café protege fígado contra cirrose e câncer.

Cafeína reforça a barreira hematoencefálica prevenindo doenças neurológicas.

Beber café melhora o humor, deixa a pessoa mais desperta, melhora a capacidade de raciocínio e retenção de conhecimento.

Cafeína demais pode causar alucinação, diz estudo. (agora sei que nunca tomei o bastante)

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Comunidade do Fábulas no Orkut

novembro, 13 - 2008

Fui pesquisar o número de ocorrências no orkut sobre o Fábulas do Tempo e da Eternidade, e qual é minha surpresa quando encontro uma comunidade dedicada a ele! Até então com um membro apenas: o criador, um fã do livro. Desnecessário comentar que isso valeu meu dia.

Vocês podem acessar a comunidade pelo link:

http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=69842581

Quem já leu o Fábulas, pode dar uma mãozinha respondendo às enquetes.

Deixo meu muito obrigada ao criador, Maurão 😉

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Festival de resenhas

agosto, 30 - 2008

Quem resenhou o Fábulas do Tempo e da Eternidade desta vez foi o Álvaro A.L. Domingues, para o site de entretenimento Homem Nerd. Esta é a primeira resenha que destrincha a obra conto a conto, dando pinceladas gerais sobre as 12 histórias (ou 12 horas, como preferir : )  Valeu, Álvaro!

Para ler a resenha, bota o dedinho aqui.