Posts Tagged ‘contos’

h1

O mês promete

julho, 10 - 2009

21 de Julho:

conviteparadigmas3

anuario2008

26 de Julho:

coletaneasteampunk

h1

Leituras – Junho/2009

julho, 1 - 2009

Paradigmas vol.2 – vários autores

paradigmas2

Depois de uma excelente estréia, o projeto segue com a quebradeira de paradigmas. O número 2 da coletânea está muito bom, se bem que um pouco menos uniforme na qualidade dos contos. Desta vez serei menos impessoal e tentarei fazer críticas com sugestões construtivas, ok?

+ Já havia lido o conto de abertura Ricardo Edgar, Detetive Particular, do Ataíde Tartari, na coletânea Portal Solaris. É uma história detetivesca com toques de ficção científica que manipula alguns clichês do estilo noir para construir um desfecho inesperado. Já li outros trabalhos do Ataíde, a quem considero um ótimo escritor.

+ Em O Pequeno Oenteph, do Raul Tabajara, uma excursão escolar a um casarão colonial guarda muitas surpresas para um garoto, que descobrirá que é um… oenteph! E o que é um oenteph? Só lendo pra entender. Conheço o Raul como um excelente ilustrador; como escritor eu o aconselho a tomar mais intimidade pelas técnicas narrativas.

+ No conto do Flávio Medeiros, Efeitos Adversos, um cientista sofre com os efeitos colaterais de uma experiência secreta e imprevisível. Um ótimo conto de ficção científica hard com o tempero mutante das HQs de super-heróis. Muito bem escrito. Adoro a espontaneidade com que o Flávio usa nomes brasileiros em suas histórias de FC.

+ A Boa Senhora de Convent Garden, da Camila Fernandes, conta a vida de uma cortesã londrina, cotada na Lista de Harris das Damas de Convent Garden (ou seja, a lista das melhores prostitutas londrinas do século XVIII com a descrição detalhada de seus atributos especiais), gozando uma liberdade que poucas mulheres tinham na época e eventualmente transformando alguns de seus clientes em vítimas. Achei um conto delicioso construído sobre uma premissa histórica deveras interessante.

+ Fuga, conto do Fernando S. Trevisan, narra a perseguição frenética de uma agente numa missão que ela mesma pouco compreende, mas na qual mergulha de cabeça. Eu diria que o conto caberia perfeitamente em um dos episódios surreais do desenho Aeon Flux. É difícil eu gostar de cenas de ação, até porque é difícil encontrar autores que saibam escrevê-las de maneira envolvente. A narrativa psicológica do Fernando é surpreendente, mostra que suas habilidades literárias vão muito além das resenhas que ele posta regularmente em seu site.

+ O Deus de Muitas Faces, do Gabriel Boz, é um conto de inspiração mítica e com jeito de lenda. Narra a passagem de um jovem à vida adulta no contexto de uma tribo antiga da Albânia, numa época em que os homens literalmente falavam com os deuses. Conheço os textos do Gabriel Boz de outros projetos e também o considero um ótimo escritor da nova geração.

+ Frei François, do Ademir Pascale, se passa no século XVII e narra o encontro de um frei caçador de aventuras com uma criatura demoníaca, uma história bastante inspirada em O Nome da Rosa. Tenho lido outros contos do autor e a sugestão que faço ao Ademir é não se cristalizar em uma única forma narrativa (a que usa em 99% dos textos, como ele conta), mas fazer um esforço para ser mais versátil: usar outras pessoas e tempos verbais, experimentar outras formas de contar histórias. Diversifique o quanto puder.

+ Abaixo de Nós, da Luciana Muniz, é um conto bem no estilo Viagem ao Centro da Terra, literalmente, à medida em que um explorador se aventura a desbravar as imensidões interiores da Terra, descobrindo um novo mundo, habitado por outros homens… Achei uma história bastante ambiciosa, que infelizmente ficou um pouco espremida em formato de conto. Tenho acompanhado a evolução dos textos da Lu e me parece que ela está num caminho ótimo (estou curiosa para ver o romance que ela tem na manga!). A sugestão que faço é que o conto tem potencial para ser expandido e virar, talvez, uma noveleta.

+ Em Carta a Monsenhor, Ana Cristina Rodrigues usa seu conhecimento como historiadora para contar a história de um homem encarregado de recensear vilas num mundo medieval devastado pela praga. Ela demonstra ótimo domínio da forma de narrar dos homens da Idade Média, observando seus protocolos e vocabulário, unidos numa técnica pessoal muito bem desenvolvida. Achei interessante o modo como ela faz uso de um fato histórico, que visto pela ótica medieval se transmutou em um conto de terror.

+ Conto BÁRBARO do Saint Clair Stockler, Triângulo em Tempo Rubato e Gota de Sangue conta um pitoresco triângulo amoroso de uma moça, um rapaz e… um gato! A história é contada através das impressões do felino a respeito dos humanos e os rastros que eles deixam no universo que o rodeia. O que o faz formidável é o domínio da narrativa, criando um texto leve, lírico, sinestésico, preenchido de momentos casuais e belos. Este é o conto que mais gostei no livro.

+ A Dama e o Cavaleiro, do Ricardo Delfin, é uma história cavaleiresca, à primeira vista idêntica às (muito) antigas novelas de cavalaria, no conteúdo e nos clichês, mas com um desfecho surpreendente. Recomendo fortemente ao autor ler mais, treinar muito a escrita e exercitar a linguagem, repensando na escolha das palavras – e sobretudo no uso dos adjetivos – para que a narração se torne mais fluida, natural e menos truncada.

+ O Fazedor de Terra, do Ubiratan Peleteiro, é definitivamente um conto diferente de tudo que já li. É uma trama política que se passa em um clã de carneiros monteses muito geniosos e donos de uma cultura própria. Achei uma história muito criativa em todos os sentidos, está de parabéns!

+ Na noveleta Clausura, Richard Diegues conta a história de uma filha de fazendeiros feita refém de um prolongado sequestro. É um texto torturante, passa uma sensação terrível de angústia, dor; e por todas essas fortes emoções que rende ao leitor, digo que foi uma tacada de mestre do Richard. Excelente.

 E que venha o volume 3!

A Mulher que Matou os Peixes – Clarice Lispector

mulherquematouospeixes

Ainda não tinha experimentado Clarice Lispector escrevendo pra crianças. Profundamente intimista e confessional como só ela sabe ser,  neste livro Clarice fala de suas relações com os animais, desde as indesejáveis baratas até sua mais apegada macaquinha de estimação. É bonito, insólito e triste, bem no estilo Clarice.

Sei que me deu uma vontade enorme de escrever livros confessionais.

O Terceiro Testamento – Livro I – X. Dorison & A. Alice

terceiro testamento

Não resisti, comprei esta graphic novel pelo conteúdo gráfico caprichadíssimo e um trabalho de ambientação histórica tecnicamente perfeito. É uma trama inquisitorial passada na Europa do século XIV, misturando religião e elementos macabros. Influência cabal de O Nome da Rosa, com direito a um protagonista que é a cara de Sean Connery. Achei uma história em quadrinhos bastante complexa e adulta, o que quer dizer que realmente gostei. Só me incomodou o decote da mocinha, gratuitamente escancarado na maior parte das cenas, uma alusão besta àquele mundo das HQs feitas sob medida para meninos nerds que não transam.

Série Harry Potter – J.K. Rowling

harry-potter

Na minha mais sincera opinião, foi uma façanha. J.K. Rowling é bruxa, só pode ser!

Uma escritora competentíssima, dona de uma fertilidade criativa invejável, arquiteta de tramas macarrônicas saturadas de reviravoltas rocambolescas e – o mais incrível – que não confunde o leitor! Ela consegue sustentar através de sete livros uma narrativa leve e cativante, dosando um nível de maturidade crescente. Sabe construir personagens carismáticos; aliás, gera um exército deles! Lança todos no tabuleiro e não perde o comando do jogo, constrói uma teia supercomplexa de relações e brinca de fazer e desfazer os nós… Isso que é uma tremenda contadora de histórias!

O que mais me admira não é o amplo impacto da série Harry Potter e o fato dela tem ter conquistado leitores de todas as idades, em todos os países. Tenho certeza que ela criou um conto de fadas para as crianças dos próximos séculos. É um clássico absoluto. Rowling não escreveu simplesmente uma história de bruxos, ela criou uma mitologia completa e a situou no mundo contemporâneo, na realidade das crianças de hoje, falando a língua delas, conhecendo as suas necessidades e gostos. E a despeito da complexidade, que é bem alta (inclusive nos primeiros livros), consegue prender a atenção infantil – por isso eu repito: é uma façanha!

Muitas pessoas – eu, inclusive – vivem lembrando as influências onde Rowling bebeu para criar Harry Potter. A começar que o menino é a cara de Tim Hunter, o menino bruxo dos Livros da Magia, do Neil Gaiman, que também é órfão, também está destinado a se tornar um grande bruxo e também tem uma coruja de estimação. Ou pode ainda ter se baseado numa tal escola de magia de Roke, do mundo de Terramar (Earthsea, concebido pela Ursula K. Le Guin), igualmente povoado de dragões e palavras mágicas, e com vilões cuja grande aspiração é a imortalidade. Eu não chamaria de plágio, mas tenho certeza que essas referências passaram por Rowling e a ajudaram, ainda que inconscientemente, a compor o universo de Harry Potter. No caso, o que interessa não é se ela usou as referências, mas COMO as usou.

Mas vamos aos livros…

Falando dos personagens que mais gostei (e os mais criativos, na minha opinião) destaco: a família trouxa Dursley, o gigante Hagrid (e seus bichinhos: Norberto, Bicuço, os explosivins…), Alvo Dumbledore, o narcisista Gilderoy Lockhart, os gêmeos tagarelas Fred e Jorge Weasley, o lobisomem Lupin, os dementadores, a professora Trelawney, a veela Fleur Delacour, Olho-Tonto Moody, Ninfadora Tonks, a megera Umbridge e – minha clone fictícia: – Luna Lovegood. No entanto, como tenho uma verdadeira fascinação por personagens ambíguos – que transitam entre a vilania e o heroísmo – o meu favorito é o Severo Snape, com quem simpatizei logo de início e no final virei fã completa (soube que é um dos personagens favoritos de Rowling também). É raro encontrar personagens tão bem trabalhados.

Das metáforas inteligentes: medalha de bronze para  o F.A.L.E., da Hermione Granger, uma instituição devotada a querer libertar os elfos domésticos, que não fazem a menor questão de serem libertados. Medalha de prata para a Inquisidora de Hogwarts, Dolores Umbridge, e seus decretos-lei que não deixam nada a dever para o AI-5. Medalha de ouro para a supremacia da raça bruxa e a perseguição aos sangue-ruins; só faltava os Comensais da Morte usarem a suástica no lugar da marca negra.

Críticas. Acho que eu recomendaria um pouco menos de Agatha Christie no tempero. Às vezes a trama fica rocambolesca demais, e então a situação se esclarece magicamente numa conversa com algum personagem chave. Estranho também Harry Potter e cia terem um chutômetro excepcionalmente bom e um talento inexplicável para juntar pistas e chegar a conclusões improváveis e magicamente certeiras. Senti uma certa falta de arrependimento em Harry nos momentos em que ele percebeu que estava errado. E bem que fiquei me perguntando se um dos pré-requisitos para ser professor em Hogwarts é ser solteiro e celibatário. E sobre a temática dos últimos livros – a morte -, a questão do medo da morte perdeu o impacto num universo que é habitado por fantasmas e onde os mortos voltam por magia para dar conselhos. Conheço muita gente que não gostou do final; realmente, o livro 7 parece ter algumas fraquezas – personagens esquecidos que ficam sem desfecho, muitas idas e vindas em meio às batalhas finais, uma certa tendência a sucumbir a clichês e um epílogo que me pareceu totalmente redundante. Mas de resto, perfect!

Os dois primeiros livros pouco me prenderam. A trama começou a ficar muito mais empolgante a partir do 3º (o prisioneiro de Azkaban); a mudança radical de atitude do 5º livro (a Ordem da Fênix) é o ponto alto da série, e também curti o roteiro imprevisível e diferentoso do sétimo livro (as Relíquias da Morte).

É isso aí. Elogios feitos, chapéu tirado. Agora, se me permite, vou desaparatar…

h1

TODAS AS GUERRAS na Off FLIP – Festa Literária de Paraty

junho, 28 - 2009

Dia 04/07 durante a FLIP (mais especificamente na OFF FLIP – Circuito Paralelo de Ideias) será lançada a coletânea de contos TODAS AS GUERRAS – Vol1. Tempos Modernos, da Editora Bertrand Brasil, organizada e editada por Nelson de Oliveira.

todas-as-guerras

Neste livro, cada uma das principais guerras da humanidade é abordada pela narrativa de um autor diferente. São contos de ficção de diversos gêneros, incluindo ficção especulativa e fantástica. Eu trato da II Guerra Mundial, com o conto Das Cinzas, uma história com uma certa pegada surrealista. Confesso que não foi uma proposta fácil para uma pacifista convicta, mas tenho em mente que falar sobre guerra é também falar sobre paz.

Agradeço ao Nelson de Oliveira pela ótima oportunidade!

Lançamento:

Data: 04 de julho
Horário: 16h00
Onde: Choperia Farandole
Rua Santa Rita, 190
Centro Histórico – Paraty.
 

 

convite-off-flip

Nos últimos anos, a OFF FLIP tem se destacado na vida cultural de Paraty, conquistando a cidade e o Brasil, chegando também ao exterior, em uma profícua troca de experiências em torno da literatura. Por meio dos Encontros Literários paralelos à FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), e Prêmio OFF FLIP de Literatura, a OFF FLIP se fundamenta em agregar manifestações culturais variadas, criando e difundindo cada vez mais um circuito de produção alternativa de cultura do Brasil. Em muitos aspectos, este circuito paralelo de ideias atua como complemento ao evento maior, a Flip, em outros firma sua própria identidade, tornando-se importante espaço de visibilidade e referência para a produção cultural local e nacional. A OFF FLIP tem o mérito de ter instituído o primeiro prêmio literário da cidade de Paraty, hoje na quarta edição e com projeção nacional e internacional.

h1

Scarium – Mulheres & Horror

maio, 27 - 2009

Tem continho meu na área! Acabou de sair a

scarium25

SCARIUM 25: ESPECIAL MULHERES
Edição e organização de Giula Moon

Nesta Edição:

Especial de horror: Mulheres

Editorial – Giulia Moon
Entrevista: Martha Argel e Humberto Moura
Quadrinhos – Althéia – Giulia Moon
Nilza Amaral – Medo
Martha Argel – Quando o Lobo sai para caçar
Nelson Magrini – À Luz do dia
Mário Carneiro Jr. – Bruxa!
Regina Drummond – Uma História de Mulheres
Marcelo Augusto Galvão – Criança Feia
Cristina Lasaitis – Sangria
Ademir Pascale – Diabólica
Richard Diegues – Uma Flor a Gambô
Ana Cristina Rodrigues – Brinco de Prata
Alexandre Lancaster – Artísta da Capa
Marco Bourguignon – A Filha do Demônio
Cartas

Edgar Smaniotto – Farei Meu Destino de Miguel Carqueija: Construindo uma Ficção Fantástica para Jovens Leitores
Cesar Silva – Faroeste Fantástico

Edição de maio de 2009.
Edição Especial de horror com contos sobre mulheres.
R$ 8,00 (envio gratuito para todo o Brasil)

Compras, diretamente no site da Scarium.

h1

Vem aí o Paradigmas II

maio, 13 - 2009

Lançamento!!

Quando? 15 de maio a partir das 18:30

Onde? Bardo Batata – Rua Bela Cintra, 1.333 – Jardins – São Paulo/SP

Quanto? R$13,00 e leva um chope grátis

Mais informações: Tarja Editorial

convite-paradigmas-2

Ricardo Edgar, Detetive Particular  »  Ataíde Tartari  » empresário e escritor, já participou de várias coletâneas de contos de FC, entre as quais Estranhos Contatos (1998), Phantastica Brasiliana (2000) e Futuro Presente (2009). Participou também de coletâneas mainstream como Contos Cruéis (2006). Publicou os romances Amazon (2001) e Tropical Shade (2003), ambos em inglês. Colaborou com o projeto literário internacional Babylonia, do qual participa com o e-book bilíngüe Tropical Shade/O Doutor Suástica. Entre 1999 e 2001, atuou como cronista na coluna Arte pela Arte do Jornal da Tarde de São Paulo.

O Pequeno Oenteph  »  Raul Tabajara  »  diretor de criação e professor de arte conceitual em uma escola de cinema em São Paulo. Publicou o livro Horror e Pensamentos (2004) por produção independente e o conto Sensíveis no livro Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos (2006), além de escrever periodicamente matérias para revistas da área de publicidade e cinema. Seus trabalhos de criação e ilustração podem ser vistos em sua página pessoal.

Efeitos Adversos  »  Flávio Medeiros  »  médico oftalmologista em Belo Horizonte, onde nasceu. Leitor compulsivo de tudo que lhe cai nas mãos, bem cedo começou a achar que também sabia escrever. Autor dos romances Quintessência (2004) e Casas de Vampiro (inédito), além da coletânea de contos Leia e Fique Rico (inédita). Também escreveu dezenas de contos e crônicas, além de cartoons publicados por jornais universitários da UFMG e FUMEC e pelo jornal Felicíssimo. Terceiro colocado no concurso de contos do Gabinete Paraibano de Cultura (1989) e menção honrosa no mesmo concurso pelo conjunto das obras. Escritor de peças teatrais montadas por grupos amadores de Belo Horizonte.

A Boa Senhora de Covent Garden  »  Camila Fernandes »  alter ego de Mila F. Enquanto Camila Fernandes assina contos e revisões com seu nome de batismo, Mila F, o apelido, é ilustradora e  capista desta edição. Nascida em São Paulo, capital, lançou contos no NecroZine e nos livros Necrópole – Histórias de Vampiros (2005), Necrópole – Histórias de Fantasmas (2006), Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos (2006), Necrópole – Histórias de Bruxaria (2008) e Paradigmas – Volume I (2009). Fantasia, horror, realismo e erotismo habitam seu universo. No momento, tem desenhado muito, feito revisão de textos para editoras e autores independentes e montado um livro solo.

Fuga  »  Fernando S. Trevisan  »  com a cabeça enfiada num computador desde os 8 anos de idade, já foi empresário na área e hoje atua como consultor freelancer. No campo literário, sempre teve o incentivo de professores para escrever, notas excelentes em redação e algumas boas colocações em concursos literários, como um 2° lugar no concurso de poesia promovido pela ETE Jorge Street (1997). Possui textos publicados online, em blogs, revistas e sites literários, além de fanzines. Foi um dos mentores do MeloDrama, movimento literário que envolveu mais de 50 autores em Itajaí, Balneário Camboriú, Jaraguá do Sul, Florianópolis e Maringá. Seu conto nesta edição é sua primeira publicação offline.

O Deus de Muitas Faces  »  Gabriel Boz  »  escritor e designer gráfico. É co-editor da revista Scarium Megazine, foi editor da revista eletrônica de literatura Desfolhar e tem um livro publicado: Arcontes (1999). Publicações mais recentes incluem os contos Digital Éden na antologia portuguesa Por Universos Nunca Dantes Navegados (2007) e Mar Negro na antologia FC do B – Ficção Científica Brasileira – Panorama 2006/2007 (2008).

Frei François  »  Ademir Pascale  »  lingüista, crítico de cinema, ativista cultural, escritor, professor de informática, idealizador do projeto de inclusão social Vá ao Cinema e do zine TerrorZine – Minicontos de Terror. Administrador do Portal Cranik e dos sites O Entrevistador e Divulga Livros. É autor do audiolivro Cinema – Despertando Seu Olhar Crítico (2007).  Já publicou seus contos em diversas antologias e organizou a coletânea Draculea – o livro secreto dos vampiros (inédito) e Invasão Fic Science Edition (inédito).

Abaixo de Nós  »  Luciana Muniz  »  Analista de Sistemas graduada em Sistemas de Informação. Como escritora, participou de duas antologias: Soltando o Verbo (2006), com as crônicas A Catedral e Essência, e Vampirus Brasil: Sedução, Fascínio e Traição (2008), com o conto A Marca da Maldade.

Carta a Monsenhor…  »  Ana Cristina Rodrigues  »  escritora, historiadora, funcionária pública, professora, editora, agitadora cultural, roteirista e mãe. Carioca e balzaquiana, escreve para tentar calar as vozes (sem sucesso). Já apareceu com contos em diversos sites brasileiros e internacionais. Publicou o livro Anacrônicas – Pequenos Contos Mágicos (2009) e está escrevendo um romance de fantasia histórica alternativa.

Triângulo em Tempo Rubato e Gota de Sangue »  Saint-Clair Stockler  »  mineiro que vive no Rio de Janeiro há muitos anos. É mestre em literatura brasileira e tem um livro de contos inédito: Dias Estranhos.

A Dama e o Cavaleiro  »  Ricardo Delfin  »  formou-se em Processamento de Dados, pois paga aluguel, e em Cinema, anos mais tarde, quando um pouco de sabedoria lhe permitiu um momento de juízo. Publicou diversos contos, na verdade quatro, em antologias. Participou do e-zine TerrorZine do Portal Cranik, cujo download é gratuito. Co-organizador da antologia Dias Contados (inédita). Colaborador da revista virtual B12.

O Fazedor de Terra  »  Ubiratan Peleteiro  »  nasceu em Vitória, Espírito Santo. É engenheiro de computação e trabalha atualmente como Auditor Fiscal no Rio de Janeiro. Sempre gostou muito de ler e teve seu primeiro contato com o escrever em 2004, quando participou da Oficina da Palavra da UFES, que produziu um livro com os contos e poemas dos participantes. Em 2006, travou contato com a produção de textos de ficção científica e fantasia, gêneros com os quais se identificou. Desde então passou a escrever contos nessa linha. Participa do grupo de escritores online Fábrica dos Sonhos e também já participou da Oficina de Escritores, outro grupo virtual. Escreve na Black Rocket, revista eletrônica de ficção científica.

Clausura  »  Richard Diegues  »  autor dos livros Tempos de AlgóriA (2009), Sob a Luz do Abajur (2007) e Magia – Tomo I (1997), além de organizador e co-autor do livro Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos (2006), co-autor dos livros Histórias do Tarô (2008), Necrópole – Histórias de Bruxaria (2008), Necrópole – Histórias de Fantasmas (2006) e Necrópole – Histórias de Vampiros (2005). Trabalha com eventos e palestras na área literária, atuando também como editor pela Tarja Editorial. Paga as contas como programador de computadores, consultor editorial para autores, rastreador de hackers e jogador de bilhar. É o idealizador do projeto Paradigmas e participou do Volume I, além deste.

h1

SciFi Tupiniquim

maio, 5 - 2009

Resenha do Chanceler Martok para o site SciFi Tupiniquim

livrofabulas

Está é a primeira resenha que faço de um livro, e foi uma boa escolha para essa resenha inaugural, o melhor adjetivo que descreveria a impressão que tive depois da leitura seria, “sensacional”.

Lembro-me da primeira vez que tive contato com um livro de contos, foi na escola, um livro de Machado de Assis. Confesso que na época não dei a importância que o livro e o novo gênero literário que tinha acabado de conhecer mereciam. Talvez por que na época da escola, muitas coisas nos parecem imposições. Só depois, mais velho, e já um apaixonado por ficção científica, por opção própria, lendo os contos de Asimov me dei conta do quão sensacional é um livro de contos.

Já ouvi umas críticas de alguns colegas, dizendo que não gostam do gênero, pois muitas histórias começam no meio algumas terminam sem dar aquela sensação de fim. Eles não se deram conta que o objetivo do conto é esse mesmo, lançar uma idéia, dar uma mensagem, despertar questionamentos usando fragmentos de história, fazendo com que o leitor participe do livro, entrando na história, raciocinando sobre ela, imaginando seu próprio final, ou se colocando no lugar dos personagens e bolando outras formas de lidar com as situações. Alem disso é uma oportunidade de visitar vários temas, várias épocas da humanidade, fantasiar sobre passado presente e futuro, ler um livro e ter a sensação de que leu vários.

Tudo isso é muito bem feito e explorado nesse livro de contos, Fábulas do Tempo e da Eternidade de Cristina Lasaitis. Quando o meu amigo Maicon praticamente me intimou a ler o livro, eu sabia que ia gostar, pois gosto muito de livros nesse estilo, só não sabia que iria gostar tanto. Ótima linguagem, narrativa, desenvolvimento, caracterização do ambiente e dos personagens, uma viagem surpreendente a várias épocas e temas. Uma prova de que temos potencial sim para escrever ficção científica de alto nível, e que nossa literatura pode abranger temas mais densos, mais sócio-políticos, coisa que não é feita com muita freqüência na literatura tupiniquim.

Nota para o conto “Assassinando o Tempo”, que é um dos melhores que já li, se conhecesse a autora pessoalmente, a primeira pergunta que faria a ela é, se aquela teoria é 100% de sua autoria. Uma forma intrigante de ver as coisas, o conto foi muito bem construído dando veracidade à teoria.

O livro também quebra alguns tabus, a maioria acha que ficção científica é falar sobre tecnologia, dispositivos futuristas e naves espaciais, nada disso, ficção científica sempre foi e sempre será sobre pessoas. Como cada um de nós encaixa em nossa sociedade, e como a sociedade age e reage em cada situação e em cada época e isso é muito bem desenvolvido nesse livro.

Não tenho palavras pra descrever mais o quanto eu gostei, sem entrar spoilers, recomendo esse livro a qualquer pessoa, mesmo que não costume ler ficção científica. É diversão garantida.

h1

A multiplicação das resenhas

maio, 4 - 2009

Não tenho como explicar a explosão de resenhas da última semana (pedi uma, apareceram cinco!), e o que me deixa mais bem impressionada é a atitude dos leitores: “li, gostei, tenho algo a dizer, vou resenhar!” São ou não são os melhores leitores do mundo? 😉

Desta vez, encontrei quase por acaso a resenha do Bruno Schlatter, para o blog Rodapé do Horizonte, que como leitor está se saindo um ótimo crítico literário. Muito grata pela resenha, Bruno!

Segue:

fabulinhas

“Ao se pegar pela primeira vez Fábulas do Tempo e da Eternidade, de Cristina Lasaitis, a impressão que se tem é que o livro não vale o preço cobrado. O formato pequeno, do tipo que cabe facilmente no bolso traseiro da calça, e as relativamente poucas páginas, fruto da fonte pequena e das margens espremidas, nos fazem refletir um pouco sobre o valor de capa, ainda mais com a concorrência daqueles pockets importados que, mesmo com o dólar alto, continuam com um preço bem convidativo – coisas do mercado editorial brasileiro, vai entender. Mas é verdade também que os melhores (e geralmente mais caros) perfumes vêm nos menores frascos, ou ao menos é o que nos diz a sabedoria popular, e acho que não há melhor analogia a fazer nesse caso.

O livro é dividido em doze contos, organizados no índice como as horas de um relógio, revelando já ali o tema principal que preenche a maioria das histórias: o tempo e a sua passagem. Da teoria do não-tempo de Assassinando o Tempo ao terror do futuro de As Asas do Inca e a busca da imortalidade de Revés Alquímico, todos discorrem de alguma forma sobre o assunto, abordando de diferentes maneiras o conflito entre a noção do que é efêmero e passageiro e a busca pela eternidade. A própria ordem dos contos já transmite um pouco dessa idéia, à medida que o ponteiro segue de uma hora até a seguinte, e encontramos novamente os cenários e personagens das primeiras histórias décadas ou séculos depois – diferente do que ocorre na maioria das coletâneas, os contos de Fábulas devem ser lido idealmente na ordem em que estão dispostos.

A autora recorre ainda a uma vasta gama de recursos da fantasia e da ficção científica, sempre de forma imaginativa e com soluções inesperadas. Que não se espere, no entanto, histórias de aventura e ação, com heróis maiores-que-a-vida e batalhas intensas; o tom fantástico destas fábulas está em um nível muito mais humano e cotidiano, pagando tributos a Borges e García Márquez mais do que a Tolkien ou Howard. Há ecos de Calvino e suas Cosmicômicas em Viagem Além do Absoluto, sobre a jornada das últimas partículas do universo até o fim dos tempos, e também do cyberpunk nos mundos virtuais de Além do Invisível e Meia-Noite, histórias que abrem e fecham a obra, respectivamente, fazendo a ligação entre a primeira e a última horas do relógio. E, pequeno que seja o livro, sobra espaço mesmo para textos mais densos e introspectivos (A Outra Metade), ou para um realismo fantástico mais inusitado (De Onde Viemos, Para Onde Vamos, que é narrado por uma estátua).

Fábulas do Tempo e da Eternidade é, enfim, uma obra ímpar, com histórias que podem ser lidas e relidas uma dezena de vezes e ainda causar o mesmo espanto e maravilhamento da primeira vez. Talvez se possa dizer que a autora peca algumas vezes no rebuscamento de algumas frases, ou que poderia ser mais contida em algumas descrições; mas aí também seria só eu querendo ser chato, provavelmente, com a minha mania de minimalismo e até, vá lá, uma pontinha de inveja de uma obra tão interessante de uma jovem autora nacional. Ainda assim, é impossível não recomendar o livro para qualquer um que goste de fantasia, ficção científica ou simplesmente boa literatura.”