Posts Tagged ‘fantasia’

h1

A Fantástica Literatura Queer

fevereiro, 2 - 2011

Querida pessoa certa na hora certa,

Esta chamada que você está preste a ler é uma proposta de parceria para um projeto como nunca houve igual na literatura brasileira. Trata-se da intersecção de duas tendências que têm em comum o fato de terem sido historicamente constituídas como marginais: o universo queer e a literatura fantástica.

A Fantástica Literatura Queer será a primeira coletânea de contos de ficção científica e fantasia brasileira dedicada à diversidade sexual, e esclarecemos que nosso objetivo não é meramente publicar um livro, mas criar um marco para a literatura de gênerosobre gêneros ao compor uma aliança de escritores fantásticos pela promoção da diversidade sexual na cultura brasileira, incluindo não somente a luta pela cidadania de gays, lésbicas e transgêneros, mas também a derrubada de tabus e preconceitos enferrujados dentro da nossa própria literatura.

Esta é uma proposta que diz especialmente respeito a nós, organizadores, e a você, convidado. Desejamos que A Fantástica Literatura Queer esteja bem representada por excelentes escritores gays e lésbicas assumidos, razão pela qual ficaremos muito honrados com a sua participação!

Vamos agora ao que interessa!

No começo havia uma subcultura tão “sub” que era chamada de gueto. E como ocorre a todo gueto, as pessoas que pertenciam a ele eram rotuladas, apontadas, diminuídas, ridicularizadas… Naturalmente, muitas tinham vergonha de assumir e ficavam de rosto vermelho e pernas bambas cada vez que suas preferências eram submetidas ao escrutínio alheio. Era um período obscuro de ignorância e incompreensão, o preconceito não dava tréguas, e não é de admirar que durante décadas tantos preferiram negar, disfarçar, omitir…

Algumas dessas pessoas descobriram à força a natureza mesquinha dos rótulos, que foram feitos para grudar e nunca mais, nunca mais nos deixar em paz. E quem não teme rótulos tão perigosamente grudentos? E quem não considerou, uma vez que seja, viver livre deles?

Mas os novos tempos encetaram uma reviravolta sem precedentes! E o resultado é que hoje eu, você e muitos de nós vencemos o medo do rótulo e temos orgulho de dizer que somos escritores brasileiros de ficção científica e fantasia!

E independentemente de sexo, cor, idade e outros dados tão meticulosamente registrados em nossas certidões de nascimento, carteiras de identidade, títulos de eleitor e perfis no facebook, todos nós já experimentamos a sensação de pertencer a uma minoria, e é exatamente desse sentimento que trata a proposta que você acaba de receber.

A coletânea “Queer” é uma proposta muito especial: será a primeira coletânea de contos brasileira dedicada à literatura fantástica queer, ou seja, relacionada ao universo de gays, lésbicas, bissexuais, transsexuais e transgêneros. E se você pensa que existe alguma bandeira ideológica por trás deste projeto, saiba que não poderia estar mais redondamente certo! A coletânea “Queer” estará comprometida com a afirmação, a visibilidade e a comemoração da diversidade sexual e literária!

Quem pode participar?

Uma vez que a palavra mágica é “diversidade”, o convite está aberto a todos os autores, independentemente da orientação sexual, identidade de gênero, time do coração, fruta favorita ou praia que gosta de frequentar.

Como você pode participar?

Enviando um conto bem escrito que corresponda de forma interessante à proposta da coletânea e que esteja dentro das especificações do projeto.

Quais os critérios de participação?

As histórias deverão obrigatoriamente aludir à diversidade sexual. A presença de personagens gays e lésbicas é desejável, mas não é compulsória. Destacamos que mais importante que o retrato será o questionamento – em outras palavras, serão priorizados os textos que induzam a pensar sobre o tema.

Como exemplo, o autor poderá apresentar a intracultura de minorias sexuais em contextos alternativos e/ou explorar sua interface com outras culturas; poderá debater papéis de gênero, preconceito e discriminação; fazer referências e reinvenções históricas; construir e desconstruir paradigmas afetivo-sexuais, etc. O importante é que o conto responda de forma criativa à proposta.

Os contos deverão se enquadrar dentro da literatura fantástica em sua ampla definição: ficção científicafantasia terror (e seus inúmeros subgêneros: ficção científica hard, ficção científica softspace opera, utopia/distopia, cyberpunk, steampunkweird fictionnew weird, pós-humanidade, slipstream, história alternativa, ficção alternativa/mashup, horror, terror, fantasia mitológica, fantasia medieval, fantasia urbana, dark fantasy, etc). Sem restrições quanto ao conteúdo erótico.

Os contos deverão ser inéditos para o meio impresso, e ter entre 5 e 20 páginas (com fonte 12 e espaçamento simples). Cada autor poderá enviar quantos contos quiser, porém apenas um poderá ser selecionado.

Os textos deverão ser enviados em arquivo .doc ou .docx para o e-mail: queerfiction@tarjaeditorial.com.br até o dia 31 de março de 2011.

Todos os contos serão avaliados e apenas serão aceitos aqueles que alcançarem os critérios de qualidade estabelecidos pelos (exigentes) organizadores.

Quantos contos serão escolhidos?

A composição da coletânea será norteada pela qualidade dos contos recebidos e os organizadores incluirão os textos de maior mérito. A estimativa é publicar cerca de 10 contos, mas reiteramos que o critério qualitativo terá prioridade.

Nada ficará no armário!

A coletânea “Queer” está comprometida com a transparência e a visibilidade, portanto não serão publicados contos sob pseudônimos desconhecidos! Os autores participantes deverão estar dispostos a “mostrar a cara”, o que inclui autorizar a publicação de sua foto na contracapa do livro.

Não serão aceitos:
Contos mal escritos, contos excepcionalmente fora das especificações de tamanho, contos anônimos ou sob pseudônimos desconhecidos, textos em qualquer outro formato que não seja conto, contos que não correspondam à proposta da coletânea “Queer” ou que apresentem conteúdo ofensivo e discriminatório de qualquer natureza.

Como será a publicação?

Os autores estarão isentos de despesas. Todos os custos da publicação (incluindo revisão, diagramação, arte de capa e impressão) serão arcados integralmente pela Tarja Editorial. A coletânea será publicada no formato 14cm X 21cm, com tiragem inicial de 300 exemplares.

Os direitos autorais serão divididos igualmente entre os autores publicados na coletânea “Queer” e cada um poderá escolher a forma na qual deseja receber o pagamento, que poderá ser em dinheiro ou em livros.

Previsão de Lançamento:

A organização tem por objetivo lançar a coletânea “Queer” em junho de 2011, ou seja, no mês do orgulho gay e em data próxima à Parada GLBT de São Paulo, no intuito de inserir o lançamento do livro na agenda de eventos da cidade.

Cordialmente,

Cris Lasaitis & Rober Pinheiro

h1

A Batalha do Apocalipse

janeiro, 31 - 2011

Eu costumava dizer por aí que meu lamento sobre a literatura fantástica brasileira era que eu ainda não tinha encontrado um livro que me despertasse o mesmo sense of wonder que senti com grandes autores como Arthur Clarke, Ursula Le Guin, Marion Zimmer Bradley… Ou seja, ainda não tinha lido uma obra brasileira arrebatadora.

Posso dizer que essa queixa, sim, ficou no passado!  O livro A Batalha do Apocalipse, do Eduardo Spohr, é merecedor do ISO9001 de excelência literária, e mais: virou um incontestável best seller digno de calar a boca de quem desacreditou do potencial da fantasia brasileira!

Um pouco por preconceito, um tanto por pós-conceito, nunca achei clara a associação entre best seller e qualidade literária, até porque acredito que para se tornar best seller o autor, por mais hábil que seja, precisa fazer certas concessões para agradar a um público numeroso. Nesse pensamento, alguns clichês são previsíveis (quiçá inevitáveis?). Não vou dizer que A Batalha do Apocalipse é um livro isento de clichês, mas é com certeza um best seller de uma qualidade literária surpreendente.

O livro conta a saga do anjo Ablon e seu séquito de anjos guerreiros, todos renegados, vivendo na terra entre os mortais e atravessando os milênios desde a expulsão do paraíso até os tempos do Juízo Final. A diferença fundamental entre anjos e homens é que os anjos não têm alma, nem paixões humanas: são movidos por objetivos maiores, têm uma personalidade estoica e uma inexplicável atração pelo combate. Nesse perfil, Ablon é o típico guerreiro solitário: lutador incansável, puro, movido por um ideal e até mesmo celibatário – exatamente como eram os heróis das novelas de cavalaria. Acontece que o arcanjo Miguel e Lúcifer, o príncipe que governa o inferno com mão de ferro, querem erradicar os anjos renegados, razão pela qual o exército de anjos caídos de Ablon está sendo caçado. Na sua jornada milenar pelo mundo, Ablon tem como sua única companheira a feiticeira Shamira, que conquistou a imortalidade com o domínio das artes da necromancia. Ablon e Shamira levam vidas solitárias, marcadas por encontros e desencontros através dos séculos e em grandes momentos da história humana. É fascinante a habilidade com que o autor desenha a trajetória dos protagonistas tomando confortavelmente como pano de fundo todo o planeta e a história da humanidade! A trama se passa em momentos e regiões tão diferentes quanto a Babilônia, a China, Roma, Alexandria, a Bretanha medieval, o Império Romano do Oriente, o Rio de Janeiro e a Jerusalém contemporânea – e mesmo as cidades bíblicas de Enoque e Sodoma – amarrando todos esses lugares e períodos dentro de uma única aventura, que se saiu muito variada e instigante.

É bastante interessante a forma com que foi tratada a coexistência dos universos: o mundo dos anjos que se liga ao dos mortais pelo “tecido da realidade”, que por sua vez pode se relacionar a outras teogonias, como os contos de fadas celtas e a mitologia chinesa.

Há um cuidado especial com as ambientações históricas, geográficas, técnicas e até mesmo bíblicas! É muito bom ler um livro tão rico e que passe as informações corretas, nota-se um profundo respeito para com a história e, principalmente, para com o leitor! Dentro da proposta do épico, o livro é praticamente perfeito. É uma história ambiciosa, variada, e constituída por uma pesquisa riquíssima. O texto é bem redigido e tem o ritmo certo. Apesar de ser um livro longo, não enrola o leitor. O universo tem consistência interna, é coerente e verossímil. E é bonito! Repleto de cenas grandiosas, é cinematográfico!

Eu comentei que o livro não é isento de clichês. Como no épico, tudo é idealizado: os personagens, as lutas, as situações. Em algumas circunstâncias, a idealização torna certos detalhes da trama bastante previsíveis, o que não prejudica a beleza e a força do resultado final.

Por uma questão de gosto pessoal, eu sou uma leitora que cochila em cenas de ação e de luta – curto mais a viagem, os questionamentos – então os últimos trechos, que contam a Batalha do Apocalipse propriamente dita, me pareceram um pouco cansativos. Em contrapartida, pude me deleitar em maravilhosas viagens com Ablon, Shamira e Flor do Leste (uma personagem de carisma irresistível) através da antiguidade.

Provavelmente a razão (e o merecimento) de tamanho sucesso d’A Batalha do Apocalipse é esta: é uma saga variada, com potencial de agradar a gregos e troianos e encantar todo mundo!

h1

Leituras de 2010

dezembro, 28 - 2010

Quando se chega ao fim do ano e cai a ficha -“minha nossa! já passou?” – é muito provável que o ano foi bom. Embora eu tenha furado várias promessas que escrevera na minha agenda (sim, eu tenho essa mania), só posso concluir que meu 2010 foi incrível!  Realizei sonhos de longa data: conheci a Austrália e a Nova Zelândia, participei pela 1ª vez do World Science Fiction Convention; e embora ainda não tenha conseguido publicar o meu romance, escrevi meu primeiro roteiro de cinema e ganhei uma lindíssima 2ª edição do Fábulas do Tempo e da Eternidade!

2010 foi ano de networking, conheci gente pra caramba! Foi ano de experimentações: provei comida tailandesa, viajei sozinha, dei palestra em inglês, comi ostra, peguei canguru no colo, andei de camelo… Sem rotina, foi ano de pensar muito e fazer planos, começar trabalhos novos e tomar decisões que devem nortear a vida inteira.

Meu 2011 vai começar repleto de projetos, e posso adiantar que vem muita novidade pela frente!

Com toda essa movimentação, não devo ter lido metade da montanha de livros que lera em 2009. Seguindo a tradição, vai a lista, e uma resenha para aqueles que tenho mais vontade de comentar:

*
Ficção Brasileira

Dom Casmurro e Os Discos Voadores – Lúcio Manfredi

Desde o lançamento de Orgulho e Preconceito e Zumbis (de Seth Grahame-Smith), o mundo literário tem sido sacudido por uma onda de mashups de clássicos da literatura com elementos fantásticos, na sequência vieram: Razão e Sensibilidade e Monstros Marinhos, Android Karenina, Jane Slayre e outros títulos. O sucesso foi tão grande que Orgulho e Preconceito e Zumbis já está ganhando adaptação cinematográfica! A proposta dessa novíssima – se é que já dá pra chamar assim: – vanguarda é, segundo o próprio Grahame-Smith: “transformar o clássico da literatura em algo que você gostaria de ler!” O conceito do mashup é conservar parte do texto original e misturar com outros elementos, dando uma nova roupagem à história; por isso o mashup é classificado dentro da ficção alternativa (uma discussão mais aprofundada sobre mashup e ficção alternativa você encontra neste ótimo artigo da Ana Cristina Rodrigues). Como você pode ver, a onda veio pro Brasil e em 2010 a Editora Leya lançou o selo Lua de Papel de “Clássicos Fantásticos” escritos por brasileiros – entre eles, Dom Casmurro e Os Discos Voadores é, na minha opinião, a melhor obra da safra.

Lúcio Manfredi é roteirista de televisão e nos últimos anos trabalhou no roteiro de seriados e novelas da Globo, como Ciranda de Pedra e A Casa das Sete Mulheres. Não é preciso dizer que ele sabe escrever cenas memoráveis, Machado de Assis não poderia ter encontrado melhor co-autor. O romance não é literalmente um mashup, porque pouquíssimo do texto original foi mantido, Lúcio reescreveu a saga inteira de Dom Casmurro na sua própria linguagem, leve e graciosa. Exatamente como no clássico de Machado, em Dom Casmurro e Os Discos Voadores o jovem Bentinho está predestinado desde o útero a seguir a carreira de padre – uma promessa feita por sua mãe, D. Glória – sendo que o menino não está nem um pouco inclinado ao sacerdócio, seja por vontade ou vocação, e acrescente ainda que ele está enfeitiçado pelos “olhos de ressaca” de sua amiga de infância e protonamorada, Capitu. As diferenças do romance original começam com a caracterização dos personagens: José Dias, o agregado, é um homem muito preciso, com engrenagens e articulações mecânicas; Capitu tem defeitos de nascença e atitudes esquisitas; e o tio Cosme não sai da frente do telescópio e conta ver coisas estranhas no céu. Bentinho testemunha uma sequência de acontecimentos estranhos que o acompanham desde a infância na casa da Rua Matacavalos aos seus estudos no seminário; vê-se pivô de uma conspiração estranhíssima da qual participam todas as pessoas que o cercam, mas que ele não compreende e de início nem desconfia que a origem dos seus problemas, na verdade, vem de Sirius…

Respeitando a tradição das ironias machadianas, não poderia faltar uma boa dose de humor, o que torna a leitura deste livro simplesmente deliciosa. E para quem é bom em captar referências, ele ainda reserva uma homenagem implícita  ao autor preferido do Lúcio.

 

A Paixão Segundo G.H. – Clarice Lispector (releitura)

Leio e releio sem cansar. Em matéria de ficção, A Paixão Segundo G.H. é um dos livros mais diferentes que o leitor pode experimentar. No nível superficial, a história é esdrúxula: uma mulher solitária faz a arrumação no seu apartamento, quando encontra uma barata no armário e a mata. E daí? E daí que nas entranhas dessa microscópica ação o universo inteiro palpita enquanto fala a voz interior dessa mulher. O assassinato da barata desencadeia uma saga subjetiva: uma imensa viagem interna por galáxias de sentimentos e ressignificações, tentativas de colocar em palavras aquilo que transcende à própria linguagem, uma busca de sentido, e no sentido, a liberdade de existir – o momento de epifania. Algumas pessoas acham este livro abstrato demais, outras se fascinam pelo alcance de tal abstração; para mim é uma das reflexões mais elevadas de toda a literatura (ao lado de De Profundis, do Oscar Wilde). Sempre que me sinto paralisada com ideias que não consigo formular, peço ajuda à G.H. e, especialmente, à Clarice, que são as melhores evidências de que não há nada que não possa ser colocado em palavras.


Cio (contos)– Marne Lúcio Guedes

Santa Clara Poltergeist – Fausto Fawcett

A Via Crúcis do Corpo (contos)– Clarice Lispector

A Bela e a Fera (contos) – Clarice Lispector

Game Over – Uma Ameaça Virtual – Rosana Rios

Memórias Desmortas de Brás Cubas – Pedro Vieira

O Ateneu – Raul Pompéia (releitura)

Noite na Taberna (poesia) – Álvares de Azevedo

Os Sete – André Vianco

*

Ficção Estrangeira

A Sombra do Vento – Carlos Ruiz Zafón

Este livro foi a grande surpresa de 2010. Peguei-o sem esperar muito e fui conquistada logo nas primeiras páginas. A história é narrada por Daniel, um menino que no seu aniversário de 11 anos, pouco tempo depois de ter ficado órfão de mãe, é levado pelo pai a um lugar misterioso: o Cemitério dos Livros Esquecidos, onde ele tem o direito de escolher entre as intermináveis prateleiras um livro raro que poderá guardar consigo. É assim que Daniel se apodera de um volume intitulado A Sombra do Vento, de autoria de um barcelonês chamado Julian Caráx. Ao longo dos anos, o garoto lê e relê o livro, e a curiosidade o leva a buscar outros títulos do mesmo autor, mas Daniel descobre que não há mais vestígio sequer da obra e de Julian Caráx. Intrigado, Daniel se põe a investigar a vida desse misterioso escritor, e as evidências que encontra lhe mostram a dimensão trágica da história que ele está prestes a descobrir.

A Sombra do Vento é desses livros que se apoderam e prestam tributo a uma cidade – vive-se e respira-se Barcelona, cenário que não poderia ser mais perfeito à trama. Apesar das pinceladas góticas, não é um livro melancólico, é antes um romance leve, de cenas delicadas, tiradas bem humoradas, personagens encantadores, trama engenhosa, repleto de figuras de linguagem originais; um livro magistralmente escrito! Sou uma leitora bastante exigente e posso dizer que A Sombra do Vento é um dos poucos romances que conseguiram corresponder a todas as minhas expectativas.

*

Chore Para o Céu (Cry To Heaven) – Anne Rice

Inicialmente famosa pelas Crônicas Vampirescas e pelas Bruxas Mayfair, Anne Rice alguns anos atrás passou pelo seu momento “encontrei Jesus” e escreveu livros sobre Cristo, recentemente entrou no momento “cansei dos cristãos” e voltou a escrever como escrevia antes, recentemente sintonizou a nova onda de anjos e acabou de publicar Tempo dos Anjos. Depois de ter lido Entrevista com o Vampiro anos atrás, quis ler algo novo de Rice e estabeleci como próximo alvo o Cry To Heaven (Chore Para o Céu), que eu não estava encontrando em lugar nenhum, até me deparar com uma edição em hardcover, com essa mesma capa que você vê acima, num sebo em Katoomba, na Austrália.

Apesar de não serem vampiros, nem bruxas, nem anjos, nem múmias, os personagens deste romance mainstream não deixam de ser criaturas “à parte” detentoras de um dom quase sobrenatural: Cry To Heaven é uma história sobre os castrati italianos do século XVIII. Numa época em que as mulheres eram proibidas de subir ao palco para cantar, meninos eram castrados para suprir a demanda de sopranos e contraltos para as óperas. Milhares de garotos eram castrados na esperança de um dia se tornarem estrelas da ópera, como foram Farinelli e Caffarelli, mas pouquíssimos eram os que, com muito talento e sorte, conseguiam fazer carreira como cantores. E para os milhares que não alcançavam esse objetivo, restava conviver com o estigma de se serem considerados sub-homens ao olhar de uma sociedade que os discriminava, sendo que a própria Igreja Católica não os ajudava, proibindo-os tanto de se casar como de seguir o sacerdócio.

No romance, Guido Maffeo é um talentoso castrato napolitano, que cantou na ópera durante a adolescência, mas tragicamente perdeu a voz num estirão da juventude (os castrati costumavam ficar muito altos, e podiam perder a qualidade da voz durante o crescimento); impedido de cantar, Guido estabeleceu como objetivo de vida encontrar uma voz perfeita e produzir uma nova estrela para a ópera; viaja pela Itália em busca de um prodígio. Em Veneza, o jovem Marc Antonio Treschi, o único herdeiro de uma dinastia de senhores venezianos, vive trancado em seu palácio junto à mãe, distraindo-se com música e canto. O seu velho pai, próximo à morte, revela a Tonio que ele tem um meio-irmão mais velho que fora exilado na Turquia como punição pela própria insolência. Assim que morre o senhor da casa, o irmão misterioso – Carlo – retorna e Tonio percebe que não é o único herdeiro, e que suas relações de sangue são mais profundas do que ele podia imaginar. Para reaver o seu direito sobre a Casa Treschi, Carlo sabota Tonio de uma maneira inusitada: manda castrá-lo e dá-lo para o caçador de talentos que veio a Veneza. Assim se cruzam os destinos de Guido e Tonio, começa uma aventura sensual pelas óperas italianas e, lentamente, a preparação de uma amarga vingança.

Cry To Heaven tem como pano de fundo as belíssimas paisagens de Veneza, Nápoles e Roma, e tem os mesmos temperos dos livros vampíricos de maior sucesso de Anne Rice: é recheado de erotismo, sensualidade andrógina, glamour e sangue – na minha opinião, mostra a fórmula da autora num estado mais puro. O livro ainda traz um adendo com referências da vasta pesquisa histórica que fundamenta a obra. Quem tiver curiosidade de entender melhor o mundo dos castrati, pode assistir ao filme Farinelli – Il Castrato (1994), ou ouvir a única gravação sonora existente da voz de um castrato: Alessandro Moreschi, o último, que morreu em 1922. Quem quiser ainda ter uma noção da complexidade das árias cantadas por eles, pode ouvi-las na voz da soprano Cecilia Bartoli, que lançou em 2009 o álbum Sacrificium, só com árias de castrati.

*

Perdido Street Station – China Miéville

Perdido Street Station tem sido um livro muito comentado nos últimos anos. Por quê? 1- é o primeiro livro que se conforma totalmente à definição de new weird fiction (como canonizado por Jack e Ann VanderMeer), portanto, é o marco de um novo subgênero literário (sem nada pejorativo no prefixo “sub”); 2- é um mergulho num universo surreal, de criatividade sem limites, uma viagem – se não literal, literária – no ácido; e 3- é um livro que incomoda. Se você me disser que vai ler, devo acrescentar: você vai “se aventurar a”.

O new weird se baseia na mistura de elementos de ficção científica, fantasia e terror – e até mesmo RPG, noir, policial, mitologia; o que vier. É uma ficção não-realista, que exige a criação de um cenário novo – um cenário urbano – que será construído nas bases de uma estética própria – a estética estranha.

Mas vamos à história: ela se passa no mundo de Bas Lag, na cidade de New Crobuzon, mais especificamente no submundo dessa metrópole labiríntica, industrial, de arquitetura vertiginosa, meio steampunk, meio esquisitóide, sob o vulto da imensa estação da Rua Perdido. Seres humanos dividem o cenário com raças pseudo-humanas, há os khepri – criaturas com corpo de gente e cabeça de besouro, hábeis na arte de esculpir a partir do próprio cuspe; os garuda – uma espécie de águias humanóides com um código de conduta bem peculiar; os vodyanoy – uma raça aquática semelhante a rãs; e os cactacae – um povo cacto que habita um bairro isolado debaixo de uma redoma, como uma grande estufa.

Os personagens são cidadãos comuns de New Crobuzon; cientistas, artistas, inventores; amostras ao acaso da salada mista que é tal sociedade. Conhecemos a princípio Isaac, um cientista humano que vive um relacionamento amoroso uma fêmea khepri (ou mulher-besouro): Lin, artista e criadora de grandes monumentos de cuspe. Yagharek é um garuda que cometeu um crime grave dentro do seu grupo e foi punido com a amputação de suas asas e o ostracismo, ele vai a New Crobuzon procurar Isaac e pedir que o cientista o ajude a voar novamente. A trama segue com a descoberta de uma espécie de néctar dos deuses – a dreamshit (que vou adorar saber como irão traduzir!) – uma secreção produzida por uma espécie misteriosa e que, ao ser identificada, constata-se que é também uma espécie mortal e que poderá colocar os protagonistas, a sociedade e o frágil equilíbrio de New Crobuzon em colapso.

A saga é uma colagem de ideias estupidamente criativa, extremamente complexa e anticlichê. Se há terror e cenas chocantes (e olhe ainda tenho pesadelos com o bairro da luz vermelha de New Crobuzon!), há também espaço para a poesia e o encanto nos anseios e sonhos dos seus personagens. Mièville utilizou referências mitológicas, folclóricas, políticas e históricas para fazer essa colagem. Por que é uma leitura difícil? Porque a linguagem é barroca, o texto é denso, pesado e extenso; mas nem por isso o livro deixa de ser deslumbrante.

 

A Cidade dos Hereges – Federico Andahazi

A Máquina do Tempo – H.G. Wells

O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel – J.R.R. Tolkien

A História do Olho – Georges Bataille

Snuff – Chuck Palahniuk

Laranja Mecânica – Anthony Burgess

Brazyl – Ian McDonald

 

Não Ficção

Infiel (Infidel) – Ayaan Hirsi Ali

Ayaan Hirsi Ali, hoje uma cidadã holandesa de 41 anos radicada nos EUA, tem o que se pode chamar de uma história de vida de arrepiar.

Nascida na Somália, aos 5 ela sofreu a mutilação genital, como acontece a praticamente todas as meninas na cultura somali. Esse procedimento é feito por cortadeiras que, como as tradicionais parteiras, são mulheres do povo convocadas pelas famílias, e o trabalho é feito sem anestesia, sem instrumentos apropriados, sem ambiente esterilizado e em geral, em situações precárias. A menina precisa ser segurada enquanto o clitóris e os pequenos lábios da vagina são extirpados, os grandes lábios são seccionados e suturados com espinho de acácia, deixando um buraquinho minúsculo para o escoamento da urina e da menstruação – no período de cicatrização esse buraco é mantido aberto por um palito de fósforo, e as pernas precisam ficar amarradas durante semanas. A vulva desaparece e no seu lugar fica uma cicatriz rígida e, por vezes, apertada e dolorida. Quando a mulher se casa, na noite de núpcias a cicatriz é aberta a faca pelo marido. Quando vai dar à luz o primeiro filho, é necessário aumentar o corte. E algumas vezes, após cada parto, a  mulher é novamente suturada. As meninas que não são cortadas são estigmatizadas na sociedade somali, então praticamente todas o são (não sei se o costume perdura até hoje). Muitas morrem de infecção após a mutilação genital, muitas outras morrem de complicações decorrentes do procedimento: e todas sofrem com o trauma e as dores resultantes.

Essa experiência é só o ponto de partida da biografia de Ayaan. Em Infiel, ela faz um retrato da sociedade somali: seus clãs, sua cultura, a religiosidade… Nascida e criada dentro da religião muçulmana, e tendo morado inclusive na cidade de Meca, Ayaan narra a sua vida e a das mulheres com quem conviveu sob a opressão e a brutalidade do Islã. Ela chegou a ser espancada pelo imã que lhe lecionava o corão e quase foi morta de pancada pela própria mãe. Ayaan chegou a  conhecer o fundamentalismo e combater o ocidente. A virada na sua vida se deu quando, contra a sua vontade, o pai arranjou-lhe casamento com um somaliano que morava no Canadá. No momento em que Ayaan pegou o avião para ir viver com o marido, aproveitou-se de uma escala na Europa para fugir e pedir refúgio na Holanda. Na Europa ela teve o seu primeiro choque com os valores do ocidente: via as mulheres livres, impressionava-se com as pessoas que lhe ajudavam e eram simpáticas sem querer nada em troca. Como refugiada na Holanda Ayaan recomeçou sua vida: trabalhou e conseguiu a cidadania, aprendeu a língua holandesa e conseguiu se matricular em ciência política na Universidade de Leiden. Estudando o trabalho dos filósofos, especialmente após a leitura do Manifesto Ateísta, Ayaan passou por um enorme cisma com suas crenças, sofreu o abalo de considerar que toda a estrutura ideológica do mundo em que vivera, pautado na retórica do Corão, era ficção, e nem o inferno que ela tanto temia e nem Alá existiam. Como resultado, em 2002 Ayaan afirmou-se ateísta – e o rompimento com a religião foi inevitavelmente um rompimento com a sua família. Depois de formada entrou para a política na Holanda, onde foi deputada de 2003 a 2006. Escreveu a sua biografia, virou crítica do Islã e ativista para a liberação das mulheres muçulmanas, como resultado, recebeu inúmeras ameaças de morte. Em 2004, em parceria com o cineasta Theo van Gogh, idealizou o curta-metragem Submission, sobre a realidade da mulher no Islã. As ameaças contra a vida de Ayaan explodiram, e ela contou com a proteção da polícia holandesa, mas Theo van Gogh foi assassinado na rua a facadas, e sobre o corpo dele foi deixada uma carta dizendo que a próxima vítima seria Ayaan. Atualmente ela mora nos EUA e continua com o seu ativismo, vivendo cercada de seguranças.

É difícil resenhar um livro tão profundo em tão poucas linhas e conseguir comunicar a dimensão dessa história. Há uma certa semelhança entre a biografia de Ayaan e a de Waris Dirie, a Flor do Deserto – com o detalhe de que a história da “infiel” tem menos glamour, mais violência e o fator “sorte” deu lugar a uma força de vontade invejável.

A trajetória de Ayaan Hirsi Ali é impressionante; uma mulher que escapou por uma porta inacreditável e teve coragem de vir a público enfrentar a truculência terrorista pedindo pelo fim de uma era de barbárie.

Infiel é um livro que recomendo a todos, sobretudo às mulheres. E o filme Submission, que levou ao assassinato de Theo van Gogh é este que você pode assistir abaixo:


*

Um Antropólogo em Marte – Oliver Sacks

A Mulher/Os Rapazes da História da Sexualidade – Michel Foucault

Alquimia e Misticismo – Alexander Roob

A Dança do Universo – Marcelo Gleiser

As Vidas de Chico Xavier – Marcel Souto Maior (releitura)

Voar Também é Com os Homens – O Pensamento de Mário Schenberg – José Luiz Goldfarb

1808 – Laurentino Gomes

*

Infanto-Juvenis

Matilda – Roald Dahl

George’s Marvelous Medicine – Roald Dahl

O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint-Exupéry

*

Antologia

Anno Domini – Helena Gomes (organização)

h1

Worldcon 2010/ Aussiecon 4 – o relato

outubro, 14 - 2010

A desvantagem de atravessar um país continente é que cada viagem é uma baita viagem. Na Austrália, para ir de uma cidade a outra, não costumava levar menos que 12 horas de ônibus. Depois de rodar a estrada noutra madrugada, voltei a Melbourne – o ponto de partida da minha viagem – para minha última e corrida semana na Austrália. Voltei para a mesma rua, o mesmo hostel, para acompanhar o Worldcon, que aconteceria no mesmíssimo lugar onde eu havia participado do congresso de psicologia, 2 meses antes. Nesses dias a câmera fotográfica ficou praticamente esquecida, eu estava mais preocupada em curtir do que em registrar. Cheguei em Melbourne dois dias antes do Worldcon e fui logo revisitar os pontos turísticos que mais havia gostado. Fiz minha última visita ao Queen Victoria Market, que é uma espécie de 25 de Março com Mercado Municipal, onde comprei souvenires e frutas e me deliciei com as comidas análogas ao nosso pastel de feira.

 

Melbourne Convention and Exhibition Centre

Essa foi minha última folga, porque dali em diante, entre os dias 02 e 06 de setembro, estaria mergulhada de cabeça na maratona do 68th World Science Fiction Convention – Aussiecon 4! E foi que na quinta feira, dia 2, cedinho, me arrumei e fui para o Melbourne Convention and Exhibition Centre buscar meu crachá, minha bolsa e minha inscrição como panelista, com o coração saltando e o espírito dividido entre a alegria de fã e a responsabilidade de representante.

 

A abertura do evento foi curta e simples: este era o quarto Worldcon a acontecer na Austrália e em homenagem fizeram um clipe com uma colagem de filmes de SF & F misturado com clássicos do cinema aussie, como o Crocodilo Dundee e as drag queens de Priscilla, a rainha do deserto. Não sei quantas pessoas estavam presentes no evento, mas sei que era um número de quatro dígitos: o evento era enorme, e me disseram que os Worldcons dos EUA costumam ser ainda maiores.Logo depois da abertura eu estava escalada para participar do meu primeiro panel: “Queer representations in speculative fiction” ao lado de Erika Lacey e Andrew M. Butler. E veja só, logo nos meus primeiros minutos do meu primeiro Worldcon, eu estava sentada atrás de uma mesa para falar de improviso em inglês a um público nativo em língua inglesa. Claro que logo de cara bateu uma insegurança, mas respirei fundo e fui em frente. Andrew e Erika citaram obras que trabalham com sexualidade, personagens gays e lésbicas. Falamos do quanto os autores clássicos não contribuíram para a questão, e como era difícil para os mesmos ousar quando se propunham a tal. Citando as obras da Ursula Le Guin (especialmente A Mão Esquerda da Escuridão, Os Despossuídos e The Telling), destaquei a diferença que há entre produzir uma obra que discuta sobre sexualidade ou simplesmente escrever uma obra que inclua personagens gays e lésbicas, inserindo a orientação sexual como uma mera característica – coisa que só passou a acontecer com mais naturalidade no território da ficção especulativa nas últimas décadas. Pra terminar, ainda mandei uma pergunta para os outros panelistas e o público sobre como trabalhar a empatia de um personagem gay ou lésbica para o público geral. Terminado o panel, houve quem viesse comentar que querer emplacar personagens gays e lésbicas para o público geral era utopia minha.

Sem tempo para respirar, saí do primeiro panel e já fui para a sala seguinte para a primeira das minhas apresentações acadêmicas. Esclarecendo: no Worldcon há uma programação acadêmica que ocorre em esquema de simpósio, e eu estava representando o grupo do Prof. Luís Paulo Piassi da USP, que estuda obras de FC. Fui escalada para apresentar o trabalho do Emerson Gomes e da Sônia Montone: “An historiographic view about HG Wells’ The Time Machine” em um bloco de pesquisas sobre a obra do Wells. A sala estava lotada e o feedback do público na apresentação foi excelente. Ao final algumas pessoas vieram cumprimentar os autores do trabalho e dar dicas de referências bibliográficas, outras vieram curiosas me perguntar do Brasil, e acabei até conversando em português com um tasmaniano que morou um ano no Mato Grosso do Sul.

No dia seguinte, sexta feira, panel acadêmico: “These are not the people you are looking for: race in SF/F”, com Sheldon Gill (malaio naturalizado australiano), Ika Nurain (malaia, escritora em língua inglesa), Alaya Johnson (americana, escritora de fantasia), Anita Harris Satkunananthan (indo-australiana estudiosa de literatura), China Miéville (escritor britânico muitíssimo bem cotado no momento) e eu, que era a única latinoamericana presente na convenção. Sala bastante cheia, começamos a mesa nos apresentando. Alaya Johnson, que é uma mulata novaiorquina lindíssima, denunciou o racismo no mercado literário e nas editoras norte-americanas, e no quanto foi difícil convencê-las a colocar mulheres não brancas/caucasianas na capa dos seus livros. Já Anita falou de algumas obras de ficção científica e fantasia que estudou, analisando a questão de gênero e etnia, e até se emocionou falando das desigualdades implícitas dentro das mesmas. Na minha vez, falei sobre a representação dos brasileiros e outros latinos na literatura de ficção científica, citando como exemplo o livro Brazyl, do Ian McDonald (que concorreu ao prêmio Hugo em 2009). Comentei, aludindo em partes a um artigo publicado pelo Fábio Fernandes, que poucos foram os brasileiros que leram a obra, porque Brazyl não foi publicado no Brasil, mas entre quem leu existe a opinião de que Ian McDonald fez um trabalho tão bom que um brasileiro poderia tê-lo escrito, acrescentando um porém: se um brasileiro o tivesse feito, dificilmente teria o livro traduzido e publicado em língua inglesa. Falei sobre a barreira que a língua é para nós escritores não anglófonos. Comentei que o fato de nós, brasileiros, sermos cada vez mais visíveis no plano internacional não nos dá uma voz própria: continuamos sendo descritos a partir de um ponto de vista externo, e com muitas dificuldades de representarmos a nós mesmos nesse mercado literário dominante, que é o da língua inglesa. Já o China Miéville, que é, entre outras coisas, PhD em relações internacionais, fez uma ótima análise sobre a hipocrisia dentro do meio editorial, mas que eu não conseguiria parafrasear aqui com palavras tão afiadas. Foi uma mesa excelente e saí de lá dando uma entrevista para uma rádio de Melbourne.

No sábado, dia 4, um panel de muito, muito peso: “Fred Hoyle: Scientists and Science Fiction”, ao lado de dinossauros da FC como Gregory Benford, Jeff Harris e Alastair Reynolds. Sala lotada e 3 escritores-cientistas com muito mais experiência do que eu nas costas. Gregory Benford foi amigo de Fred Hoyle durante muitos anos e, por isso mesmo, acabou falando quase o tempo todo sobre a vida e obra de Fred Hoyle. A mim coube fazer algumas perguntas no final sobre as ideias polêmicas de Hoyle, que recusava a teoria do big-bang em favor do design inteligente (mesmo quando a teoria foi considerada provada pela medição da radiação cósmica de fundo), negava a origem espontânea da vida em favor da panspermia, e negava a origem fóssil do petróleo.

Já no domingo, enfrentei uma maratona de 3 panels. Comecei com uma apresentação acadêmica do grupo da USP, dessa vez a autora era a Rhamyra Toledo e o trabalho era: “The relations between science and social representations in Orson Scott Card’s Speaker for the Dead”. Na sequência, entrei em outro panel: Make Room! Make Room! , ao lado de Gord Sellar, Sam Scheiner (que acabou de publicar um livro de ecologia no Brasil) e Jonathan Cowie. Baseados em “Make Room! Make Room!”, a obra do Harri Harrison que inspirou o filme Soylent Green, falamos sobre o impacto da superpopulação na Terra. A discussão girou em torno de teorias neomalthusianas, aquecimento global e devastação ambiental. Falei sobre o desmatamento da Amazônia (equivalente a um estado do Rio de Janeiro por ano), sobre nossa recente euforia econômica com a entrada do Brasil no BRIC, e como é injusto para as nações em desenvolvimento terem que desacelerar o crescimento em virtude dos acordos sobre as emissões de carbono. Me senti muito a vontade e  foi o panel que mais curti em toda a convenção. Por último, eu e Erika Lacey dividimos a mesa no panel “The future of gender and sexuality”. Erika é uma leitora voraz, e citou dezenas de obras que tratam da questão gênero e sexualidade em ficção especulativa. Eu falei sobre pós-generismo e sobre a evolução das técnicas de reprodução assistida. O público era pequeno, e logo abrimos para perguntas e comentários da platéia. Discutiu-se longamente sobre homofobia, sexismo e política.

Finalmente, na segunda feira me dei ao direito de me fantasiar de fã e caçar autógrafos. Dos panels que assisti, achei particularmente interessantes um sobre as consequências da imortalidade, um workshop sobre como escrever cenas de luta, e as palestras do escritor e convidado de honra Kim Stanley Robinson, todas ótimas!

 

Robert Silverberg e Kim Stanley Robinson

 

Autografei livros com o George R.R. Martin (que acabou de publicar “Guerra dos Tronos” no Brasil pela Leya), com o China Miéville (que vai ser publicado no Brasil pela Tarja Editorial), com o Kim Stanley Robinson (que ainda não tem livro publicado por aqui, alô editoras!) e com a Alaya Johnson (que já veio ao Brasil e com quem deixei um exemplar do meu livro Fábulas).

 

Eu e George R.R. Martin

 

Mas eu tenho que falar do Green Room! Os participantes dos panels têm o direito de usar o Green Room, que é uma salinha preparada para matar a fome, a sede, as dúvidas e onde os panelistas podem se reunir, conversar e preparar os panels. O Green Room tinha uma cafeteira de ficção científica, um buffet delicioso de frutas, queijos e doces, refrigerantes, chocolates, e até coalinhas de brinde para pendurar na lapela, tudo de graça e à vontade. Tinha dias que eu trocava o café da manhã no hostel pelo café da manhã no Green Room, que além de ter a vista belíssima do panorama de Melbourne, estava quase sempre povoada de escritores nos mais variados níveis de fama e reconhecimento, incluindo Robert Silverberg, Charles Stross, John Scalzi, George R.R. Martin, Kim Stanley Robinson… Quando eu descobri o Green Room, não queria mais sair do Green Room!

 

Green Room

 

Também não poderia deixar de falar da cerimônia do Hugo Awards! Para quem não conhece, o prêmio Hugo é o prêmio máximo da literatura de ficção científica e fantasia, atendendo diversas modalidades em diferentes mídias: literatura, fanzines, revistas especializadas, quadrinhos, artistas gráficos, filmes e seriados. Quem apóia ou participa do Worldcon tem o direito de votar para o Hugo Awards, e esta foi a primeira vez que eu votei.

O Hugo Awards é um evento de gala, o mais glamoroso do tipo. O mestre de cerimônias deste ano foi o escritor de ficção científica Garth Nix, que segundo ele mesmo, estava usando as botas de caubói do Isaac Asimov, a gravata do Robert Heinlein, os óculos do Cory Doctorow, só não teve dinheiro para comprar as cuecas do Neil Gaiman. Logo no início houve uma retrospectiva do ano de 2009 com os candidatos ao prêmio Hugo – é exatamente este vídeo que você pode assistir clicando abaixo.

Depois foi apresentado o troféu Hugo de 2010. O troféu Hugo é um foguete, e só a base é mudada de ano a ano. A base deste ano, de inspiração australiana, foi criação de Nick Stathopoulos. E então passou-se às premiações.

Melhores momentos:

Uma das partes mais interessantes foi quando Robert Silverberg foi receber o prêmio de best fan writer que saiu para o escritor Frederick Pohl (que tem 90 anos e já ganhou outros Hugos).  Sobre essa premiação inusitada, Silverberg simplesmente comentou: “that’s weird!”

O escritor Robert Silverberg daria um ótimo comediante stand up. Quando subiu ao palco para apresentar o prêmio de melhor editor, Silverberg fez a platéia cair na gargalhada analisando a dificuldade de ser engraçado apresentando um prêmio tão sem charme e sem graça como o de “melhor editor”.

Quando o prêmio de best semiprozine saiu para Clarkesworld, Cheryl Morgan veio ao palco muito concentrada no iPhone, tropeçou nos degraus e quase se esborrachou na escada. Veio ao microfone e pediu desculpas: estava fazendo live-blogging.

Enquanto todos os seus colegas estavam na estica e engravatados, um embasbacado Peter Watts subiu ao palco de calça jeans e camiseta confessando que não contava receber o prêmio de best novelette e nem tinha preparado discurso. Logo depois, Charles Stross subiu ao palco para receber o prêmio de best novela no mesmo embasbacamento, dizendo: “estava tão certo de que não iria ganhar que nem preparei discurso. Obrigado!”

Finalmente, o momento que todos esperavam. Kim Stanley Robinson veio apresentar o  vencedor de best novel, melhor romance, o prêmio mais esperado, concorrido e almejado. Abriu o envelope e então começou a divagar longamente sobre a natureza das estatísticas: coisas muito improváveis acontecem, somos todos improváveis, e aconteceu uma coisa improvável: um empate no primeiro lugar! Havia dois vencedores: The City & The City, do China Miéville e Windup Girl do Paolo Bacigalupi. China estava presente e subiu ao palco para agradecer. Disse que era véspera do seu aniversário de 38 anos e que este havia sido o melhor presente que poderia ganhar. Paolo não estava presente. Não entendo bem como são calculados os votos para o prêmio Hugo, mas levando em conta que deu empate na votação, é legal pensar que dei um Hugo Award de aniversário para o China Miéville.

Segue a lista de premiados do Hugo de 2010:

Best Novel: TIE: The City & The City, China Miéville (Del Rey; Macmillan UK); The Windup Girl, Paolo Bacigalupi (Night Shade)

Best Novella: “Palimpsest”, Charles Stross (Wireless; Ace, Orbit)

Best Novelette: “The Island”, Peter Watts (The New Space Opera 2; Eos)

Best Short Story: “Bridesicle”, Will McIntosh (Asimov’s 1/09)

Best Related Work: This is Me, Jack Vance! (Or, More Properly, This is “I”), Jack Vance (Subterranean)

Best Graphic Story: Girl Genius, Volume 9: Agatha Heterodyne and the Heirs of the Storm Written by Kaja and Phil Foglio; Art by Phil Foglio; Colours by Cheyenne Wright (Airship Entertainment)

Best Dramatic Presentation, Long Form: Moon Screenplay by Nathan Parker; Story by Duncan Jones; Directed by Duncan Jones (Liberty Films)

Best Dramatic Presentation, Short Form: Doctor Who: “The Waters of Mars” Written by Russell T Davies & Phil Ford; Directed by Graeme Harper (BBC Wales)

Best Editor Long Form: Patrick Nielsen Hayden

Best Editor Short Form: Ellen Datlow

Best Professional Artist: Shaun Tan

Best Semiprozine: Clarkesworld edited by Neil Clarke, Sean Wallace, & Cheryl Morgan

Best Fan Writer: Frederik PohlBest Fanzine: StarShipSofa edited by Tony C. Smith

Best Fan Artist: Brad W. Foster

Como comentei, o Worldcon é enorme, e aparentemente metade dos hóspedes do meu hostel estavam participando do evento. Nos corredores do hostel, a toda hora esbarrava com minha colega de panel Anita Satkunananthan, com quem conversei bastante. Na rua encontrava outros colegas panelistas, vivia esbarrando com o Sheldon Gill, encontrava a Ika Nurain na pizzaria… Conheci também um casal de steamers (fãs e cosplayers de steampunk) australianos que moram na Nova Zelândia, que elogiaram a organização do Conselho Steampunk brasileiro, um dos mais atuantes do mundo. Infelizmente eu perdi a maior parte das festas e baladas do Worldcon porque tinha que voltar cedo para o hostel para preparar os panels do dia seguinte. Na segunda feira, dia 6 de setembro, eu estava tendo meu dia de fã, feliz mas num danado clima de despedida. Lembro de estar no Green Room tomando meu último café, com a Alaya Johnson perguntando se ainda me veria depois da cerimônia de encerramento – bem que eu gostaria… Mas foi tudo tão rápido! Naquela tarde o Worldcon terminou, eu fui direto para o hostel para lavar as roupas e arrumar a bagagem, e logo depois, durante a madrugada, estaria puxando minha mala pelas ruas de uma Melbourne vazia, chuvosa, adormecida. Peguei um ônibus e segui para o aeroporto sozinha, vendo a cidade sumir na garoa e na escuridão. Antes do sol nascer, meu avião decolou, e eu dei adeus à Austrália.

h1

De volta à eternidade

abril, 28 - 2010

Queridos e queridas,

A Tarja Editorial e eu temos a satisfação de anunciar…

FÁBULAS DO TEMPO E DA ETERNIDADE – 2ª Edição!

Sim, sim! No Brasil, onde o mercado literário não é tão movimentado como nós escritores gostaríamos que fosse, poucas são as obras que chegam a uma segunda edição. Embora sua tiragem inicial tenha sido pequena, Fábulas do Tempo e da Eternidade foi muito bem recebido pelos leitores, e graças à divulgação de colegas atenciosos (a quem devo minha profunda gratidão) esgotou sua 1ª edição em menos de 2 anos. Para uma coletânea de contos de ficção científica e fantasia de uma autora brasileira em começo de carreira, este é um fato a ser muito comemorado!

O que há de novo?

A 2ª edição terá formato maior, mais páginas, encadernação de ótima qualidade, capa diferenciada e virá com comentários da autora.

A nova edição já pode ser encomendada no site da Tarja Livros com preço promocional de R$28,80 e previsão de entrega para o dia 10 de maio.

Em breve sortearei um exemplar aqui no blogue.

A propósito, 2010 promete outras novidades. Stay tunned!

*

Dados Técnicos:

Fábulas do Tempo e da Eternidade
Autoria: Cristina Lasaitis
ISBN: 978-85-61541-17-0
Páginas: 206
Formato: 14×21cm
Ano: 2010

Divulgado hoje no site da Tarja Editorial. Pré-venda na loja virtual da Tarja Livros.

h1

Leituras de 2009

janeiro, 9 - 2010

Você vai me perguntar: Cris, por que não tem resenhado mais livros?
Simples: porque a distração começava a virar obrigação, e chegou a um ponto em que eu me obrigava a resenhar livros que não estava com vontade de comentar. E também porque percebi que poderia ler alguns livros a mais se usasse o tempo das resenhas para isso. Mas na verdade, o supremo fator foi “saco cheio”: se você me entende (e eu não vou explicar) houve um momento em meados do ano em que considerei parar tudo e ir morar em uma cabana no Kiribati. Mas passou.
Agora sim, a retrospectiva 2009. Links para os livros que foram resenhados no primeiro semestre, estrelinhas para os “mais-mais” e novas resenhas dos que me arrebataram.

Antologias de autores


Paradigmas vol. 3     Paradigmas vol. 2      Paradigmas vol. 1  

Richard Diegues (organização)

Dizem que o Brasil é o país das antologias – verdade. Nossa literatura fantástica está saturada de antologias de contos enquanto vive uma crônica carência de histórias longas. No nosso caso, o excesso de andorinhas faz muito pouco verão – essa é uma literatura de círculo fechado: majoritariamente bancadas pelos autores e vendidas para seus conhecidos, logo não há nada que possamos chamar de um “grande público”.
Mas é um começo.
O problema das antologias é que, dependendo do processo de seleção e de publicação ($$), dificilmente se consegue uma uniformidade qualitativa dos contos. Conheço editores que triam uma infinidade de textos para conseguir compor coletâneas razoáveis.
A série Paradigmas foi a melhor proposta de antologias de autores que tenho visto na literatura nacional, e o volume Paradigmas 1 foi a melhor de todas as antologias brasileiras que li (não necessariamente pela parte que me cabe), com uma seleção muito forte de contos, variados em temática e razoavelmente uniformes em qualidade. A embalagem é diferenciada: as capas trazem montagens temáticas assinadas pela Camila Fernandes, a diagramação interna é arrojada e com espaço para um breve testemunho dos autores sobre seus contos.

Além do Tempo e do Espaço – diversos autores
Todas as Guerras vol.1 – Tempos Modernos – Nelson de Oliveira (organização)

Literatura Brasileira

Diário da Sibila Rubra – Kizzy Ysatis

Pra começo de conversa, sou praticamente uma náufraga na maré atual do vampirismo. Leio ocasionalmente e meus parâmetros nesse gênero são Anne Rice, Anne Rice e Anne Rice. Mas dentro dessa mania literária sem precedentes, com seus mui talentosos escritores, reparei que as inspirações e a atitude do Kizzy são sui generis, o que me levou a querer ler os livros dele. Diário da Sibila Rubra é uma “continuação autocontida” (ou seja, um romance que é uma continuação mas conclui-se como uma obra única) do Clube dos Imortais, seu primeiro livro. Confesso que foi uma leitura difícil a princípio, fui empurrando até metade do livro até que as coisas começaram a se encaixar e a narrativa fluiu. O Kizzy bebe fartamente nas referências clássicas, na literatura romântica e até no regionalismo, é dono de um estilo clássico com pinceladas de linguagem coloquial e uma narrativa caótica, o que dá um efeito bastante pós-modernista ao seu texto. O Diário da Sibila Rubra é uma história sobre uma dinastia de bruxas – as sibilas rubras – , que resiste desde a antiguidade convivendo com outras quimeras, como os vampiros e lobisomens. O personagem de destaque na obra do Kizzy é o vampiro Luar, que é elegante, airoso, solitário e amoral como os vampiros de Anne Rice (e bem diferente dos vampirinhos melodramáticos que brilham ao sol, como os de Stephenie Meyer), e na imortalidade ele segue aquele a quem ama, e que também foi transformado em vampiro: ninguém menos que o poeta Álvares de Azevedo.
Acho difícil achar escritores que tenham uma sensibilidade tão aguçada pelo “belo”, com cenas e situações tão criativas quanto marcantes. Diálogos excelentes.

Os Dias da Peste*** – Fábio Fernandes
Anacrônicas – Ana Cristina Rodrigues
Lavoura Arcaica – Raduan Nassar
Água Viva ***- Clarice Lispector
A Hora da Estrela *** – Clarice Lispector (releitura)
A Descoberta do Mundo – Clarice Lispector
Uma Ideia Toda Azul – Marina Colasanti
O Doce Veneno do Escorpião – Bruna Surfistinha
O Filho Eterno – Cristóvão Tezza

Literatura Estrangeira

O Físico – Noah Gordon

Não há palavras para definir este livro. O Físico promete e realiza o maior desejo dos leitores de romances: um arrebatamento de longo prazo para um cenário pitoresco e adoravelmente interessante, uma convivência com personagens carismáticos e tão próximos que se tornam praticamente presentes, uma aventura de descobertas, uma longa e prazerosa viagem.
A história? É a biografia de um médico na Idade Média. Robert J. Cole é um menino que nasce com o dom de sentir a morte próxima de uma pessoa ao segurar-lhe a mão. Cedo ele fica órfão, separa-se de seus irmãos e passa a trabalhar para um barbeiro-cirurgião viajante pelo interior da Inglaterra, desses que vivem de trambiques e serviços pseudomédicos. Robert cresce com um enorme interesse na arte de curar, e decide empreender uma jornada para uma das escolas médicas do oriente, proibidas para os cristãos. Na viagem, ele se disfarça de judeu e segue para a Pérsia, onde depois de alguns problemas e apertos consegue ser aceito numa escola de medicina e se tornar discípulo de um dos maiores médicos da antiguidade: Ibn Sina – o Avicena. A história segue muito, muito além, englobando a formação e a atuação profissional do protagonista, sua relação com personagens secundários cativantes, viagens, epidemias, festas, guerras… até o final da jornada, de volta à Europa.
O livro é o que eu chamaria de um “tijolão”, mas a narração do Noah Gordon é tão agradável que fiz questão de ler devagar. É o tipo de livro que te deixa órfão depois que termina.
Recomendo do fundo do coração.

 


As Brumas de Avalon – Marion Zimmer Bradley

Obrigada, Submarino, por colocar esta série em promoção. Me sinto até envergonhada por não ter lido Marion Zimmer Bradley antes.
Os 4 volumes d’As Brumas de Avalon – A Senhora da Magia, A Grande Rainha, O Gamo-Rei e O Prisioneiro da Árvore – compõem uma única e magnífica versão da saga arturiana, contada a partir do ponto de vista das heroínas: Igraine, Guinevere, Viviane, Morgause e – sobretudo e acima de todas – Morgana. Passa-se na Alta Idade Média, época de guerras entre os bretões romanizados e os bárbaros saxões, abordando também a destruição da velha religião da Deusa, cultuada por sacerdotisas e druidas, pelo cristianismo misógino e castrador da igreja medieval.
A coroação do rei Arthur dá início a um reinado de fartura e convivência quase pacífica entre os povos da Bretanha (bastante representativo das utopias medievais da Idade do Ouro), em que a segurança dos súditos era assegurada pelo rei e seu séquito de heróis, os Cavaleiros da Távola Redonda.
É da ilha mágica de Avalon que vem a espada Excalibur, que dá invencibilidade a Arthur em troca da sua lealdade para com a velha religião da Deusa – representada pela Senhora do Lago, a suprema sacerdotisa, e também pela irmã de Arthur, Morgana. No entanto, o casamento de Arthur com Guinevere, bela, infértil e com um fervor cristão que beira o extremismo, assegura a dominação cristã e coloca em risco a continuidade da velha religião.
Nesse cenário é tecida uma interessante rede de relações, que vão conduzir à tragédia dos irmãos Arthur e Morgana e coroar o amor impossível de Lancelote e Guinevere, numa história temperada com incesto, triângulos amorosos, traições e muitas sabotagens.
Marion dá sua própria versão aos mitos arturianos. Por exemplo, Guinevere, a Senhora de Camelot, classicamente enclausurada numa torre, é, segundo a autora, uma garota claustrofílica, que sente aterrorizada em lugares abertos. E a lealdade desmedida do cavaleiro Lancelote se explica por ele amar secretamente tanto Arthur quanto a rainha Guinevere.
Bem, se eu contar mais, estraga, é spoiler.
Mas como ia dizendo, os livros são maravilhosos e Marion Zimmer Bradley é uma romancista imbatível, com uma prosa envolvente, surpreendente, e ainda tem um jeito admiravelmente descomplicado de narrar tramas complexas.
Essa foi uma das leituras mais gratificantes do meu ano. Recomendo fortemente.

 
Time’s Eye, Sunstorm e Firstborn

Trilogia A Time Odyssey – Stephen Baxter & Arthur C. Clarke

Esta trilogia, escrita a 4 mãos, foi um dos últimos trabalhos do mestre Clarke (o último foi The Last Theorem, escrito em parceria com Frederick Pohl). São três livros bastante independentes dentro de um mesmo contexto e amarrados por uma protagonista.
Em Time’s Eye conhecemos a tenente indo-britânica Bisesa Dutt, trabalhando em uma missão de paz da ONU no Afeganistão. Quando, de repente, aparecem curiosas esferas no céu e o planeta é convertido em uma colcha de retalhos temporais: os soldados do século XXI encontram uma missão britânica do século XIX, que encontram os australopitecus, que são encontrados pelo exército de um tal de Alexandre, o Grande. Por sua vez, os astronautas da Mir fazem uma descida no deserto da Mongólia onde se encontram com o quase-nem-cruel exército de Gengis Khan.
Exilados de seus períodos natais, os personagens têm de aprender a viver nesse mundo estranho (que batizam de “Mir”), descobrir o que aconteceu e tentar entender qual é o recado que os “olhos” – as esferas alienígenas – querem lhes dar. Serão somente cobaias de um experimento de uma civilização tecnicamente muito mais avançada, que não os veria como algo mais do que formigas?
Os dois grupos seguem para a Babilônia, onde parece iminente o encontro mortal do exército de Alexandre com o de Gengis Khan – uma batalha que até eu (que odeio as guerras de paixão) gostaria de ver no cinema.
Em Sunstorm, a tenente Bisesa Dutt conseguira negociar com um “olho” o retorno ao seu século de origem. Após ter passado cinco anos em Mir, ela retorna exatamente ao mesmo dia do lapso. Reencontra sua filha, o exército a deixa de licença e, para quem não acredita na incrível história que ela conta, Bisesa consegue provar que seu corpo está cinco anos mais velho. Mas agora o mundo enfrenta uma outra ameaça: cientistas alocados na Lua detectam uma anomalia no fluxo de neutrinos do Sol e descobrem que dentro de poucos anos haverá uma tempestade solar de proporções catastróficas, que poderá esterilizar a Terra em uma tempestade de raios gama. As nações começam a se preparar para esse dia apocalíptico, as maiores cidades – a exemplo de Londres – constroem gigantescas redomas como escudos protetores. A civilização se mobiliza para construir em tempo recorde um enorme anteparo refletor para proteger o planeta dos raios mortais da tempestade solar.
A descoberta de que a tempestade seria causada por uma intervenção dos “olhos” – os firstborn, ou primogênitos – é corroborada pela curiosa história da tenente Bisesa Dutt: há uma civilização em outra galáxia que deseja que a vida em outros planetas não disperdice sua preciosa energia…
Não tendo conseguido destruir a humanidade em Sustorm, em Firstborn os alienígenas ainda colocam em rota de colisão com a Terra um objeto desconhecido, apelidado de “bomba Q” – uma espécie de armamento entrópico capaz de provocar cirurgicamente um “big rip“. Agora Bisesa Dutt, despertando de uma inexplicável hibernação criogênica, é conduzida às pressas até a colônia terrestre em Marte, onde está refugiado um dos “olhos” – afinal ela é a única pessoa com comprovado poder de negociação com eles. O livro apresenta os esforços da humanidade para contornar a ameaça e tentar compreender as razões (e conflitos internos) dos “olhos”, com direito até a uma viagem steampunk através de Mir e tramas políticas encabeçadas por trincas matrilineares de heroínas.

Time’s Eye é uma leitura interessante pela premissa absolutamente engenhosa. Sunstorm é um dos melhores livros de hard science fiction (ficção científica com embasamento técnico) que já li. Firstborn é, na minha opinião, um livro forçado e redundante, mas com um final surpreendente.
É uma série que gostei muito (apesar do último livro) e digno de coroar o legado de Sir Arthur C. Clarke. Digo mais: é uma série que deveria ser traduzida e publicada no Brasil. E de certo modo estou segura de que ela será – se dentro dois ou trinta anos, não sei. Se depender de mim para encher a paciência dos editores, tranquilamente o farei.
 

 

O Planeta do Exílio – Ursula K. Le Guin
A Mão Esquerda da Escuridão ***- Ursula K. Le Guin (releitura)
Cassandra ***- Christa Wolf
War In Heaven ***- David Zindell
O Escafandro e a Borboleta – Jean-Dominique Bauby
Hamlet ***- William Shakespeare
MacBeth – William Shakespeare
Anna Karenina ***- Liev Tolstói
A Divina Comédia – Dante Alighieri
As Memórias do Livro ***- Geraldine Brooks
Harry Potter e a Pedra Filosofal – J.K. Rowling
Harry Potter e a Câmara Secreta – J.K. Rowling
Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban ***- J.K. Rowling
Harry Potter e o Cálice de Fogo ***- J.K. Rowling
Harry Potter e a Ordem da Fênix ***- J.K. Rowling
Harry Potter e o Enigma do Príncipe ***- J.K. Rowling
Harry Potter e as Relíquias da Morte – J.K. Rowling
Sonhos de Robô – Isaac Asimov
O Último Cabalista de Lisboa – Richard Zimler
O Hobbit – J.R.R. Tolkien
A Estrada ***- Cormac McCarthy
Contato – Carl Sagan
Flashforward ***- Robert J. Sawyer
O Código Da Vinci – Dan Brown
The Pit and The Pendulum and Other Tales – Edgar Alan Poe

Não Ficção


Hyperspace (Hiperespaço) – Michio Kaku

O melhor livro de divulgação científica ever! Aqui Michio Kaku (o físico e cosmólogo vivo mais pop depois de Stephen Hawking) conta a evolução da física na compreensão da natureza do espaço-tempo rumo à teoria de todas as coisas.
Em síntese, nos dois últimos séculos a física tem encontrado as equações de campo para as forças da natureza: Maxwell as descreveu para o eletromagnetismo, Einstein para a gravidade, Yang-Mills para força nuclear fraca e forte. A “teoria de tudo” da física prevê a unificação de todas essas equações em um único corpo, capaz de unir teorias tão estranhas entre si como a relatividade e a mecânica quântica – um “Santo Graal” da física que Einstein morreu procurando e que os físicos da atualidade talvez estejam perto de descobrir.
A história é contada a partir da matemática de Riemman, passa por Einstein e a escola de Copenhagen (os físicos quânticos), pelos cálculos geniais de Srinivasa Ramanujan,  e segue descrevendo o modelo de unificação de Kaluza Klein, chegando à superssimetria, gravidade quântica e à teoria das supercordas.
A teoria das supercordas descreve um universo com 10 ou 26 dimensões e é baseada em uma matemática que, segundo Michio Kaku, parece coisa do século XXI descoberta por acidente no século XX. É difícil compreender forças como a gravidade através da nossa visão tridimensional, mas ao acrescentarmos novas dimensões, as forças tornam-se consequências da geometria do hiperespaço – que é onde as forças se unificam e se explicam matematicamente. O que faz a teoria das supercordas tão atraente é que ela é uma peça chave que parece se encaixar com praticamente todas as descobertas pregressas da física.
É um assunto complexo, destrinchado em detalhes pela didática milagrosa do autor. Em termos de divulgação científica para leigos, Michio Kaku é muito mais aprofundado do que Stephen Hawking jamais ousou, e qualquer leigo de boa vontade é capaz de entender perfeitamente os conceitos abordados no livro.
É um livro que pretendo eventualmente reler. Leitura obrigatória para as pessoas que têm um desejo sincero de entender o universo, de onde ele veio, para onde ele vai, numa área em que a ciência e a filosofia são tão próximas que poderíamos chamá-las de uma-só teoria.

Physics of the Impossible – Michio Kaku
A Mulher Independente ***- Simone de Beauvoir (releitura)
Mulheres, Mitos e Deusas – Martha Robles
The God Delusion (Deus, um Delírio) – Richard Dawkins
O Livro de Ouro da Mitologia (A Idade da Fábula) – Thomas Bulfich
A Austrália Interior (coleção Abril Timelife) – Ian Moffitt
O Tempo das Catedrais ***– Georges Duby
História da Vida Privada – Da Europa Feudal à Renascença – Georges Duby (organização)
Renascimento (coleção Quero Saber)
As Utopias Medievais ***- Hilário Franco Jr.
Iniciação à Alquimia – Alberto Magno
A Sociedade Secreta dos Templários – Lourivaldo Perez Baçan
História da Bruxaria – Jeffrey B. Russel & Brooks Alexander
Gênios da Ciência – Stephen Hawking
The Theory of Everything – Stephen Hawking
The 4-Hour Workweek (Trabalhe 4 Horas por Semana)- Thimothy Ferriss

Quadrinhos

O Terceiro Testamento vol. 1 – X. Dorison & A. Alice
Bórgia vol. 3 – As Chamas da Pira – Alejandro Jodorowsky & Milo Manara

 

Infanto & Juvenis

Mão Dupla – Christian David
A Mulher que Matou os Peixes – Clarice Lispector
A Vida Íntima de Laura – Clarice Lispector

h1

E você, já leu?

outubro, 5 - 2009

fabulas

Fábulas do Tempo e da Eternidade

Opinião dos leitores:

“Resumidamente: não é só um livro, é uma experiência”.

André Vianco, escritor

 

“Até monstros sagrados de reputação global, como Philip K. Dick e Ray Bradbury – ou monstras, como Ursula K. Le Guin e Marion Zimmer Bradley –, teriam orgulho de poder contar com um ou outro destes contos entre suas primeiras obras”.

Antonio Luiz M.C. Costa, para a revista Carta Capital

 

“O tempo virtual, o tempo universal, o tempo humano do amor e da tragédia, da miséria e da esperança, todos tratados com uma sutileza e contundência como apenas nas grandes histórias de Ficção Científica”.

Renato Azevedo, para o site Aumanack

 

“O melhor adjetivo que descreveria a impressão que tive depois da leitura seria sensacional“.

Chanceller Martok para o site SciFi Tupiniquim

 

“Mais que uma coletânea de contos, Fábulas do Tempo e da Eternidade é um exemplo de que o Brasil tem potencial para publicar escritores de ficção em um nível superior ao de muitos países”.

Cezar Berger Junior, para o site Falando de Fantasia

 

“Se posso dar uma dica de um livro de Ficção para este final de ano, este é o livro. Para os apaixonados pelo poema de ficção. Desprentencioso e apaixonante”.

Alan, para o blog Xeque-Mate

 

“Uma obra ímpar, com histórias que podem ser lidas e relidas uma dezena de vezes e ainda causar o mesmo espanto e maravilhamento da primeira vez”.

Bruno Schlatter, para o blog Rodapé do Horizonte

 

Um ano já se passou, e o Fábulas do Tempo e da Eternidade desfolhou o calendário conquistando os leitores.

Como este é o mês do meu aniversário, vou dar de presente uma promoção:

Livro autografado + postagem para todo o Brasil (carta normal) apenas R$20,00.

Para pedir o seu, e-mail-me: christie36@uol.com.br .

Só no mês de outubro, tá? 🙂

h1

Fábulas do Tempo e da Eternidade

julho, 27 - 2009

Uma resenha vinda do outro lado do Atlântico, pela Cristina Alves, uma super-leitora e resenhista de FC e Fantasia.

2505831

Fábulas do tempo e da eternidade é a primeira colectânea de contos de Cristina Lasaitis, um conjunto de doze contos que se centram, como o título indica, em torno da temâtica tempo Vs eternidade e se enquadram nos géneros fantástico e de FC.

O primeiro conto tem como título Para além do Invisível e centra-se num encontro virtual entre duas pessoas.. mas uma destas, Maya, é algo mais do que revelou ao amante. Anos mais tarde encontramos as mesmas personagens no último conto, Meia-Noite. Neste à hora marcada, uma entidade artificial e inteligente é obrigada a atacar o servidor de uma empresa, com o objectivo de fazer evoluir as capacidades cognitivas de uma inteligência artificial, a ela semelhante, que comanda o servidor.

Um dos contos que mais apreciei foi Irmãos Siameses. Este retrata a sobrevivência de duas crianças que, numa aldeia isolada e pobre nos Andes, nascem coladas, espelho uma da outra, mas tão opostas em carácter como o Sol e a Lua – e assim são nomeados, Mani e Luri. De pensamentos e desejos opostos, os dois irmãos aprendem a grande custo a coordenarem as suas acções e movimentos.

Num outro conto, Assassinando o tempo, uma cientista prova que o tempo não existe e torna possível a comunicação com pessoas de épocas diferentes. Esta possibilidade dá origem ao conto Os parênteses da eternidade, em que dois jovens, embora separados por 250 anos, se comunicam e estabelecem uma forte amizade. 

Caçadores de Anjos é um conto que se destaca dos demais, bem distinto destes que acabo de referir. Num mundo em decadência, em que até os anjos são banidos por Deus e caem na Terra como trovões, uma caçadora de anjos procura resgatar, das mãos de Lucifer os seres alados.

Para além destes contos, presenciamos à descoberta de uma Pedra Filosofal amarga em Revés Alquímico,  a uma viagem através do tempo nas asas de um Condor em As Asas do Inca, ou ao final do Universo em Viagem além do Absoluto.

Todas as histórias possuem algo de original e o tom da narração difere consoante os acontecimentos que nos são relatados: nalguns os termos deslizam para o linguajar tecnológico, noutros para vocabulário alquímico. Este é um conjunto coeso de contos (excepto por uma ou duas histórias) que parecem ter alguma continuidade entre elas e formar um círculo, como indicado no relógio que nos serve de índice – no final, retornamos à história inicial.

h1

FANTASTICON 2009 – III SIMPÓSIO DE LITERATURA FANTÁSTICA

junho, 21 - 2009

Fantasticon_arte

Este ano, o Fantasticon 2009 – III Simpósio de Literatura Fantástica, será nos dias 25 e 26 de julho, na Biblioteca Viriato Corrêa, Vila Mariana, na capital de São Paulo.

A idéia do Fantasticon 2009 é reunir pessoas interessadas em Literatura Fantástica (ficção científica, fantasia e horror) para que elas possam se encontrar, trocar idéias, informações e se divertir.

A proposta é incentivar e enriquecer o estudo e o debate sobre o Fantástico no Brasil. Para isso, contaremos com palestras, mesas-redondas, oficinas, mostra de filmes, exposições, lançamentos, sessões de autógrafos e muita confraternização!

O Fantasticon 2009 é organizado por Silvio Alexandre, em uma realização da Biblioteca Temática Literatura Fantástica Viriato Corrêa, do Sistema Municipal de Bibliotecas e da Secretaria Municipal de Cultura. Com o apoio do GELF (Grupo de Estudos de Literatura Fantástica), da Fly Cow Produções Culturais, da Cálamo Editorial, do CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica), da OPELF (Oficina de Produção e Estudos de Literatura Fantástica) e da TV Cronópios.

logo_Fantasticon_corA

 

Programação

SÁBADO – dia 25 de julho

11 às 13 horas

Palestra: “PERSONAGENS DE FANTASIA: ARQUÉTIPOS,HERÓIS E ANTI-HERÓIS”
GELF_logoAEncontro do GELF (Grupo de Estudos de Literatura Fantástica), coordenado pela escritora Rosana Rios, que se dedica a discutir, apreciar e divulgar obras literárias de literatura fantástica (ficção científica, fantasia e horror) suas interações e obras precursoras, além de comentar transposições para cinema, teatro, televisão e quadrinhos.

11 às 13 horas

Oficina: “ENTRANDO NO MERCADO EDITORIAL – O QUE FAZER PARA PUBLICAR SEU LIVRO”
Para quem tem um projeto literário pronto e está buscando entrar no mercado; para quem está colocando seu projeto no papel; ou ainda para quem está com uma boa idéia e quer iniciar sua obra. O objetivo desta oficina é, através das experiências do editor e escritor Gianpaolo Celli, e da autora Cristina Lasaitis, não só mostrar um pouco do mercado, mas também dar dicas de como fazer para entrar nele, passando por aspectos que abrangem desde a criação da idéia, personagens, trama; até como apresentar o projeto terminado para editora, e o que fazer após a publicação, quando o livro já estiver nas prateleiras. 

  • Cristina LasaitisCristina Lasaitis é escritora e biomédica pela Unifesp, onde atua como pesquisadora na área de Neurociências. É co-autora das coletâneas “Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos” (Tarja), revista “Scarium” (Scarium Info), “FC do B” (Book House Boys), e “Paradigmas, volume 1″ (Tarja); e autora do livro “Fábulas do Tempo e da Eternidade” (Tarja).
  • GianpaoloGianpaolo Celli é escritor e editor, além de administrador de empresas. Tem se dedicado ao estudo de ocultismo, esoterismo e mitologia. É colunista do site de neopaganismo “Tribos de Gaia”; co-autor da coleção Necrópole: “Histórias de Vampiros” (2005), “Histórias de Fantasmas” (2007) e “Histórias de Bruxaria” (2008); das coletâneas “Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos” (2006) e “Paradigmas, volume 3″ (2009), e co-editor e co-autor dos livros “Histórias do Tarô” (2008) e “Steampunk” (2009).

 

13 às 13h30

Mostra de filmes: “OS PREMIADOS DO FESTIVAL CURTA FANTÁSTICO”
Festival Curta FantasticoAO Festival Curta Fantástico é um evento que exibe curtas-metragens nacionais, desde 2006, com a temática fantástica, ou seja, filmes de horror, ficção científica ou fantasia, a Fly Cow, produtora que realiza o festival, fez uma seleção com os melhores curtas fantásticos nacionais que foram apresentados na última edição, no ano passado em São Paulo. Teremos uma sessão no Sábado e outra no Domingo.
 
13h30 às 14 horas

Mostra de vídeos: “MOSTRA DE BOOK TRAILERS”
Com a popularização da internet, a literatura fantástica brasileira entrou na era digital. Driblando a falta de interesse e de divulgação na grande mídia, os escritores vêm utilizando novas formas de promover seu trabalho. A criação de vídeos vem se tornando cada vez mais popular e alcançando o objetivo principal, que é tornar conhecido o livro que anuncia. O CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica) e a OPELF (Oficina de Produção e Estudos de Literatura Fantástica) reuniram alguns desses vídeos numa pequena mostra.
 
14 às 15 horas

Mesa-redonda: “MITOS E DRAMAS DO VAMPIRO CONTEMPORÂNEO”
Imortalidade, sedução, mistério, sexualidade, terror, suspense, sobrenatural, fazem dos vampiros, personagens fascinantes. Desde sua origem, a figura do vampiro passou por uma transformação completa e complexa. Vamos discutir como, no dias de hoje, este morto-vivo tomador de sangue é visto no seio da nossa atual cultura globalizada? Giulia Moon

  • Giulia Moon é escritora e publicitária. Publicou três coletâneas de contos: “Luar de Vampiros” (Scortecci), “Vampiros no Espelho & Outros Seres Obscuros” (Landy) e “A Dama-Morcega” (Landy). Participou da coletânea  “Amor Vampiro” (Giz Editorial). Edita o fanzine FicZine e é co-editora da revista “Scarium Megazine”. Está lançando o romance “Kaori – Perfume de Vampira” (Giz Editorial).judy 2a
  • Judith Tonioli Arantes é tradutora e professora. Faz mestrado em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, onde desenvolve sua dissertação pesquisando sobre o mito do vampiro contemporâneo, principalmente os personagens dos livros de Anne Rice e Stephenie Meyer. Foi uma das autoras do livro “Senhora dos Anéis” (Devir).
    NatashaA
  • Natasha dos Reis é fundadora e organizadora dos fãs clubes Twilight Universe (fã clube oficial brasileiro da saga “Crepúsculo”) e Slyfriends (fã clube brasileiro da saga “Harry Potter”). Produtora de eventos e pesquisadora de Literatura Fantástica, principalmente quando vampiros são o tema principal.
  • ElidiaAElídia “Lica” Zotelli é membro fundadora e líder do fã clube Twilight Universe (fã clube oficial brasileiro da saga “Crepúsculo”).  Uma zootécnica que tem se dedicado ativamente ao estudo,  pesquisa e divulgação da literatura de vampiros.

 
15 às 16h30 horas

Bate-papo: “O MERCADO EDITORIAL DE LITERATURA FANTÁSTICA NO BRASIL”
Saiba tudo por quem decide.Importante participação dos editores do gênero fantástico com novidades, informações e curiosidades do mundo editorial de hoje.

  

17 às 18h30

Bate-papo: “PRÁTICA DE ESCRITA DE LITERATURA FANTÁSTICA”
Autores veteranos da nova geração se encontram para a troca de experiências e conhecimentos sobre o mercado editorial e a prática da criação literária. Internet, cinema, teatro, poesia, conto, crônica e outros gêneros textuais, eles discutem Literatura Fantástica, num bate-papo cheio de idéias e dúvidas, começos e fins. 

  • Nelson de OliveiraANelson de Oliveira é escritor. Doutor em Letras pela USP, publicou mais de vinte livros, entre eles os romances “Subsolo Infinito” (Cia. das Letras) e “A Maldição do Macho” (Record – publicado também em Portugal); a coletânea de contos “O Filho do Crucificado (Ateliê – também lançado no México), e de ensaios “A Oficina do Escritor” (Ateliê). Organizou as antologias “Geração 90: Manuscritos de Computador” (Boitempo) e “Geração 90: Os Transgressores” (Boitempo), com os melhores prosadores brasileiros surgidos no final do século 20. Dos prêmios que recebeu destacam-se o Casa de las Américas (1995), o da Fundação Cultural da Bahia (1996), duas vezes o da APCA (2001 e 2003) e o da Fundação Biblioteca Nacional (2007). Atualmente coordena, em várias instituições, oficinas de criação literária para escritores com obra ainda em formação.
  • Kizzy YsatisKizzy Ysatis é escritor. Estudioso da vida gótica e da cultura underground, é grande amante e conhecedor dos mitos de vampiro. Publicou o romance “Clube dos Imortais: a Nova Quimera dos Vampiros (Novo Século), além de vários contos. Cursou Produção Editorial até o penúltimo ano. Em 2005, o “Clube dos Imortais” foi agraciado com o prêmio Rachel de Queiroz, da Academia Brasileira de Letras, e outorgado pela União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro.
  • Ronaldo BressaneARonaldo Bressane é escritor, jornalista e editor. Publicou a trilogia de contos “A Outra Comédia”, formada por “Os Infernos Possíveis (Com-Arte/USP), “10 Presídios de Bolso” (Altana) e “Céu de Lúcifer” (Azougue); e o volume de poemas “O Impostor” (Ciência do Acidente). Ao lado de Joca Reiners Terron, Marcelino Freire e Nelson de Oliveira, co-editou a coleção “Risco: Ruído” (DBA). Além de colaborações em sites, revistas e suplementos literários, participou da revista “PS: SP” (Ateliê) e das antologias “Geração 90: Os Transgressores” (Boitempo), “Paixão por São Paulo” (Terceiro Nome), “Fábulas da Mercearia: Uma Antologia Bêbada” (Ciência do Acidente), “Sex’n’Bossa” (Mondadori) e “Lusofonia” (Nuova Frontiera).
  • Santiago NazarianSantiago Nazarian é escritor, tradutor e roteirista. Autor de cinco romances, entre eles “O Prédio, o Tédio e o Menino Cego” (Record), “Feriado de Mim Mesmo” (Planeta) e Mastigando Humanos (Nova Fronteira). Em 2003, recebeu o Prêmio Fundação Conrado Wessel de literatura por seu romance de estréia, “Olívio” (Talento). Em 2007, foi um dos autores convidados para as comemorações do Hai Festival em Bogotá, Capital Mundial do Livro. Suas obras foram traduzidas para o espanhol e o italiano, em diversos países da Europa e da América Latina.

 

 

DOMINGO – dia 26 de julho

11 às 13 horas

Oficina: “COMO CRIAR PERSONAGENS”
André Vianco, o mais consagrado escritor da atualidade do gênero fantástico abre o jogo, dá dicas e informações sobre como construir e utilizar os personagens nas histórias. Uma oportunidade rara! 

  • Andre ViancoAndré Vianco é autor dos best sellers “Os Sete” e “Sétimo”, que explora o universo sobrenatural (vampiros, lobisomens, anjos e batalhas entre o bem e o mal) elaborando um cenário surrealista, mas com elementos da realidade do dia-a-dia e histórias passadas no Brasil. É hoje o escritor brasileiro que mais conquista leitores de fantasia & horror e seus livros estão entre os mais vendidos na literatura fantástica brasileira.

11 às 12 horas

Bate-papo: “STEAMPUNK E OS NOVOS RUMOS DA FICÇÃO CIENTÍFICA”
Criativos, retrofuturistas no estilo e no comportamento. Esses são alguns dos conceitos do Steampunk, um gênero de ficção que explora um “mundo alternativo” movido a vapor (”steam”). Assim, temos uma fusão de “era vitoriana” com “futuro pós-apocaliptico” ou “punk” no sentido de transgredir o hoje e o passado. Algo com muitas engrenagens, com grandes zepelins voando pelos céus e seus respectivos piratas, um misto de roupas vitorianas com tecnologias que parecem do nosso tempo. Mais do que nunca, surgem novos e talentosos autores na atual Ficção Científica que expandem as barreiras do gênero. E os editores fazem a sua parte: buscam rótulos para categorizá-los. No meio de tantos rótulos e inovações, o que exatamente eles representam?

  • FabioFabio Fernandes é jornalista, tradutor e dramaturgo. Seus contos foram publicados no Brasil, Portugal, Romênia e Estados Unidos. Publicou a coletânea de contos “Interface com o Vampiro” (Writers) e “A Construção do Imaginário Cyber” (Anhembi Morumbi). É Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e professor pela mesma instituição. Foi curador do “Invisibilidades II” (2008), do Instituto Itaú Cultural, evento voltado para a Ficção Científica, e fará a curadoria da terceira edição, ainda em 2009.
  • Gian 3aGianpaolo Celli, além administrador de empresas, é escritor e editor. Estudioso de ocultismo, esoterismo e mitologia. Tem matérias e aventuras-solo de fantasia na revista Dragão Brasil; é colunista do site de neopaganismo “Tribos de Gaia”; co-autor da coleção Necrópole: “Histórias de Vampiros” (2005), “Histórias de Fantasmas” (2007) e “Histórias de Bruxaria” (2008); das coletâneas “Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos” (2006) e “Paradigmas, volume 3″ (2009), e co-editor e co-autor dos livros “Histórias do Tarô” (2008) e “Steampunk” (2009).
  • Bruno AcciolyBruno Accioly é empresário da área de tecnologia, editor da revista de internet OutraCoisa.com.br, co-fundador do Conselho SteamPunk e responsável pela loja Rio de Janeiro. Crítico da forma como o homem se relaciona com a tecnologia, é estudioso de Filosofia e seu rebento mais bem sucedido, a Ciência. Especialista em Usabilidade – disciplina que lida com a interação homem/máquina – atua na área há mais de dez anos enquanto divide seu tempo como redator e ficcionista.

 
12 às 12h30

Mostra de filmes: “OS PREMIADOS DO FESTIVAL CURTA FANTÁSTICO”
Festival Curta FantasticoAO Festival Curta Fantástico é um evento que exibe curtas-metragens nacionais, desde 2006, com a temática fantástica, ou seja, filmes de horror, ficção científica ou fantasia, a Fly Cow, produtora que realiza o festival, fez uma seleção com os melhores curtas fantásticos nacionais que foram apresentados na última edição, no ano passado em São Paulo. Teremos uma sessão no Sábado e outra no Domingo.

12h30 às 13 horas

Mostra de vídeos: “MOSTRA DE BOOK TRAILERS”
Com a popularização da internet, a literatura fantástica brasileira entrou na era digital. Driblando a falta de interesse e de divulgação na grande mídia, os escritores vêm utilizando novas formas de promover seu trabalho. A criação de vídeos vem se tornando cada vez mais popular e alcançando o objetivo principal, que é tornar conhecido o livro que anuncia. O CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica) e a OPELF (Oficina de Produção e Estudos de Literatura Fantástica) reuniram alguns desses vídeos numa pequena mostra.
 
13 às 14h30

Mesa-redonda: “O FANTÁSTICO NA EDUCAÇÃO”
Uma discussão sobre a utilização da Literatura Fantástica como instrumento pedagógíco e sua utilização em sala de aula. Como promover a formação de novos leitores e utilizar a literatura e os elementos do universo fantástico como um recurso dentro da escola para melhorar o desempenho dos estudantes. 

  • Flavia MunizFlávia Muniz é escritora e pedagoga. Com vários prêmios e diversos livros adotados por escolas e instituições, têm mais de 3 milhões de livros vendidos. Entre eles “Os Noturnos”, “Viajantes do Infinito” (Editora Moderna), “Brincadeira de Saci” (Editora Scipione), “O Tubo de Cola” (Editora Moderna) e “A Gatocleta do Miafino” (FTD).Trabalhou também na criação de produtos para crianças e jovens, como revistas de atividades, quadrinhos, enciclopédias, sites e jogos. Participou, ainda, de teatro infantil e escreveu para a TV Cultura.  
  • MarthaAMartha Argel é bióloga, com doutorado em Ecologia, e escritora de livros de literatura fantástica, crônicas e divulgação científica. Como escritora de literatura fantástica, publicou entre outros, o romance “Relações de Sangue” (Novo Século) e a coletânea “O Livro dos Contos Enfeitiçados” (Landy Editora). Participou de antologias, como “Amor Vampiro” (Giz Editorial) e “O Livro Vermelho dos Vampiros” (Devir). Seus lançamentos mais recente são “O Vampiro Antes de Drácula” (Aleph) e “O Vampiro da Mata Atlântica” (Idea Editora). 
  • Rosana RiosRosana Rios é bacharel em Arte-Educação pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo. Foi roteirista de programas infantis para a TV Cultura de São Paulo e outras emissoras. É autora de Literatura Infantil e Juvenil desde 1988, e já publicou mais de 100 livros em 15 editoras. Recebeu vários prêmios literários, entre eles o Bienal Nestlé de Literatura, em 1990, o Cidade de Belo Horizonte,  em 1991, além de selos “Altamente Recomendável”, da FNLIJ (Fundação afiliada ao IBBY) em 1995 e 2005; e foi finalista do prêmio Jabuti 2008 na categoria Literatura Juvenil.
  • Janaina AzevedoAJanaina Azevedo tem formação acadêmica em Lingüística e Teoria Literária pela Universidade de São Paulo e em Ciências da Religião pela Faculdade Mosteiro de São Bento. É presidente da OPELF – Oficina de Produção e Estudos de Literatura Fantástica, e já comandou várias entidades de produção cultural. Pela Editora Vortex (antiga Tudoteca), trabalha como agente literária e publica obras de pesquisa histórica e literatura fantástica. É pioneira no uso da Literatura Fantástica em sala de aula.

 
15 às 16h30

Palestra: “A LITERATURA FANTÁSTICA NA AMÉRICA LATINA”
O Realismo Mágico é uma característica própria da literatura latino-americana da segunda metade do século XX que funde a realidade narrativa com elementos fantásticos e fabulosos, não tanto para reconciliá-los como para exagerar sua aparente discordância. Floresceu nos anos sessenta e setenta, enraizado nas discrepâncias surgidas entre cultura da tecnologia e cultura da superstição, e em um momento em que o auge das ditaduras políticas converteu a palavra numa ferramenta infinitamente apreciada e manipulável.

  • Ana Cecilia OlmosAna Cecília Olmos é graduada em letras modernas pela Universidad Nacional de Córdoba, Argentina, é professora de literatura hispano-americana da USP, especialista em literatura e cultura hispano-americana do século XX. É autora, entre outros, de “Intelectuales, instituciones, tradiciones” (Javier Lasarte [org.]), “Territorios Intelectuales. Pensamiento y cultura en América Latina” (Caracas, La nave va) e de “Releituras de Borges. A revista Punto de Vista nos anos 80″ (Jorge Schwartz [org.]), “Borges no Brasil” ( Edunesp).
  • Horacio CorralAHorácio Corral é produtor cultural. Foi livreiro e organizador de eventos na Livraria Cultura. Atualmente é um dos produtores da OPELF – Oficina de Produção e Estudos de Literatura Fantástica. É responsável pela loja virtual Beco Imaginário e a produtora de jogos Tudoteca. Entre as suas áreas de atuação encontram-se jogos e literatura fantástica, tendo uma especial atenção sobre a obra de Jorge Luis Borges e Alejandro Dolina. É estudioso de literatura hispano-americana e trabalha com difusão de leitura e produção independente, além de tradução.

17 às 18h30

Palestra: “AS HISTÓRIAS DESCONHECIDAS DE EDGAR ALLAN POE”
Narrativas científicas, misteriosas, permeadas de terror, horror, suspense, policialescas, Edgar Allan Poe carrega nas costas o título de criador de vários gêneros literários. Poe foi responsável não somente por influenciar alguns dos escritores decisivos das décadas seguintes, bem como por estabelecer com propriedade caminhos novos e férteis para a literatura ocidental do então século XIX. Recordando os 200 anos do seu nascImento, o escritor Bráulio Tavares está preparando uma antologia com contos pouco conhecidos de Poe. Nesta palestra, ele falará sobre essas histórias e de como Poe elevou o conto como gênero.

  • Braulio TavaresBráulio Tavares é escritor, roteirista e compositor. Compilou a primeira bibliografia do gênero: o Fantastic, Fantasy and Science Fiction Literature Catalog (Fundação Biblioteca Nacional). Autor de “A Espinha Dorsal da Memória”, “A Máquina Voadora” e “Anjo Exterminador” (todos pela Rocco). Organizou as antologias “Freud e o Estranho”, “Contos Fantásticos no Labirinto de Borges” e “Páginas de Sombra”; (todos pela editora Casa da Palavra).

 

 EXPOSIÇÕES


SÁBADO e DOMINGO –  a partir das 11 horas

Painel comemorativo: “40 ANOS DO SYMPOSIUM DE FICÇÃO CIENTÍFICA
Sanz_AC Clarke2O “Simpósio de FC” foi o primeiro “international meeting” (encontros internacionais de escritores profissionais), da história do gênero. O “Simpósio de fc” foi um evento integrante do II Festival Internacional do Filme, no Rio de Janeiro, em março de 1969, entre os dias 24 e 30.

Dos Estados Unidos, vieram Forrest J. Ackerman, Karen e Poul Anderson, Alfred Bester, Robert Bloch, Leigh Chapman, Roger Corman, Carol e Ed Emshwiller, Harlan Ellison, Philip José Farmer, Harry Harrison, Robert A. Heinlein, Damon Knight e Kate Wilhelm, George Pal, Frederik Pohl, Robert Sheckley e A. E. van Vogt.

Da Espanha veio Luis Gasga e da França vieram Jacques Baratier, Robert Benayoun, Michel Cae e Jacques Sadoul. Da Inglaterra, Brian W. Aldiss, J. G. Ballard, John Brunner, Val Guest e Rolf Rilla. Do Uruguai veio Marcial Souto.

E do Brasil estiveram presentes André Carneiro, Clóvis Garcia, Ruy Jungman, Álvaro Malheiros, Walter Martins e Jerônymo Monteiro.

Um outro inglês, Arthur C. Clarke, cujo filme 2001: Uma Odisséia no Espaço , desenvolvido por ele em parceria com o cineasta Stanley Kubrick, fora lançado no ano anterior e alcançado reconhecimento estrondoso, também esteve presente para ser homenageado com o troféu “Monólito Negro”.

Exposição de esculturas: “VISÕES SECRETAS
Cavani Rosas_rosto2Caboclos coroados, golems feitos de algas, índios guerreiros com cocares vivos, criaturas híbridas de vegetal, animal e humano, parecem ter-se despregado da superfície bidimensional dos desenhos para invadir o mundo em três dimensões de onde os contemplamos.

O mundo de onde Cavani Rosas extrai seus personagens é um mundo fantasmagórico cujas leis parecem definidas em parte por essas escolas esotéricas, e em parte pela Física Quântica.

São criaturas que parecem personagens de William Blake invadindo-se de um desenho de Rugendas, ou seres lovecraftianos esvoaçando sobre uma paisagem de Frans Post.

Cavani Rosas sempre deu uma duplicidade perturbadora aos seres que engendra: o mágico ao lado do científico, o vislumbre onírico trazido à tona da mente com o rigor anatômico de quem já dissecou cadáveres por mero hobby. As criaturas podem ser inverossímeis, mas sua concretude física desafiaria as objeções de uma banca examinadora. O elemento fantástico emerge com todo vigor nas esculturas a que Cavani vem se dedicando nestes últimos anos.

  • Cavani Rosas é desenhista e escultor. Artista pernambucano, nascido no Recife, dedica-se basicamente à escultura e ao desenho em bico-de-pena.

 
 LANÇAMENTO & ENCONTROS COM OS AUTORES

 “Alma e Sangue”, de Nazarethe Fonseca (Editora Aleph)

 “O Arqueiro e a Feiticeira”, de Helena Gomes (Idea Editora)

“Os Guardiões do Tempo”, de Nelson Magrini (Giz Editorial)

 “Kaori – Perfume de Vampira”, de Giulia Moon (Giz Editorial)

 “O Livro Vermelho dos Vampiros”, de Luiz Roberto Guedes (org.) (Devir)

“O Prédio, o Tédio e o Menino Cego”, de Santiago Nazarian (Record)

 “O Povo da Névoa”, de H. R. Haggard (Edições GRD)

 “Steampunk”, de Gianpaolo Celli (org.) (Tarja Editorial)

 “Ubik”, de Philip K. Dick (Editora Aleph)

 
TV CRONÓPIOS: FANTASTICON 2009 AO VIVO

logo_tvcronopios1ANeste ano, teremos a cobertura jornalística da TV Cronópios, que transmitirá ao vivo toda a programação do Fantasticon 2009. A TV Cronópios é um canal online de literatura e arte que transmite entrevistas com escritores em eventos, coberturas de lançamentos literários e reportagens gravadas no local de trabalho ou na casa de escritores.

Criado em 2005, o portal Cronópios é um projeto com o intuito de mapear e fomentar a literatura contemporânea brasileira, em todas as regiões do país. Tem 40 colunistas fixos, que são escritores premiados de várias gerações literárias, e de diversas regiões do país, assim como de outros países: Espanha, México, Uruguai, Argentina e Angola. O site movimenta hoje cerca de 1 milhão e 300 mil de PageViews ao mês.

Mostra de filmes: ”OS PREMIADOS DO FESTIVAL CURTA FANTÁSTICO”

BICHO – (Melhor Filme de Fantasia)
Dir. Vitor Brandt – 13 min. Fantasia
Garoto de 9 anos, tímido e solitário, tem uma fascinação por animais. Sua mãe odeia bichos e sempre se livra deles. Ao encontrar um bicho diferente dessa vez, a história do garoto não irá terminar da mesma maneira.

O DIABO DA GUARITA (Menção Honrosa)
Dir. João Tenório – 18 min. Horror
Um homem dentro de uma guarita é assombrado. Baseado em fatos reais.

O ANDAR SUPERIOR (Menção Honrosa)
Dir. Leo Ribeiro – 06 min. Fantasia
Teotônio Flanela, um simples contador, vive situações inusitadas para conseguir embarcar para o descanso eterno.

 O POVO ATRÁS D MURO (Menção Honrosa)
Dir. Marconi Loures – 08 min. Fantasia
Um povo descobre não serem os únicos habitantes em um pequeno planeta.

 O GRITADOR (Prêmio Estímulo)
Dir. Ulisses Costa e Carlos Porto – 15 min. Horror
Três rapazes da cidade grande acampam nos cânions dos Campos de Cima da Serra (RS). Encontram dois misteriosos guias e ficam conhecendo a lenda de um homem cruel que foi condenado a vaguear pelo mundo como uma alma penada – o temível Gritador.

MEU CARRO, O MEU CARRO (Melhor Filme pelo Júri Popular)
Dir. Guilherme Nasraui – 08 min. Fantasia
Ao pegar se velho carro para um encontro profissional, homem encontra baú mágico e tem a oportunidade de pedir qualquer coisa. É hora de colocar à prova sua inteligência.

 VOLTAGE (Melhor Filme de Ficção Científica)
Dir. Willian Paiva e Filipe Lyra – 04 min. Ficção Científica
Um homem dentro de uma guarita é assombrado. Baseado em fatos reais.

Em Voltage, robôs meio-humanos e meio-sintetizadores movidos por doses cavalares de energia se conectam num transe elétrico e caótico.

VADATA (Melhor Filme de Horror)
Dir. Manuel Lebelt – 10 min. Horror
Dentro de um envelope com remetente desconhecido. uma única peça de um quebra-cabeça. Outros envelopes chegam com mais peças e algo se torna real além da soma das partes.

ROCK ROCKET DOIDÃO (Melhor Maquiagem)
Dir. Kapel Furman – 05 min. Horror
Um bar se tornará palco para uma seqüência sangrenta alucinante, apresentando o rock’n’roll da forma mais visceral possível.

A VOLTA DO CANDANGO  (Melhor Criatura)
Dir. Filipe Gontijo e Eric Aben-Atharo – 06 min. Fantasia
Os operários (candangos) que construiram Brasília trabalhavam mais de 16 horas por dia. Muitos morriam no canteiro de obras. Agora um desses operários volta dos mortos para ver como ficou a cidade que ajudou a construir. 

O HOMEM DA CABEÇA DE PAPELÃO (Melhor Efeito)
Dir. Carlos Canela – 15 min. Ficção Científica
Em uma sociedade no tempo, um homem muda de cabeça e descobre que só a verdade não o libertará.

O ASSASSINATO DA MULHER METAL (segundo mais votado pelo público)
Dir. Joel Caetano – 18 min. Ficção Científica
Antigos heróis se juntam para desvendar o assassinato de uma ex-companheira, durante a investigação descobrem algo maior acontecendo.

 
 Biblioteca Viriato Correa_logoA

Endereço: Rua Sena Madureira, 298
Vila Mariana – 04021-050 São Paulo, SP
Tel.: (11) 5573-4017 e (11) 5574-0389
ENTRADA FRANCA

1) Não é necessário se inscrever antecipadamente.
As senhas, para todas as atividades,
serão distribuídas com 1h de antecedência,
obedecendo à capacidade de lotação:
101 lugares na Sala Luiz Sérgio Person e
40 lugares no Espaço Temático de Literatura Fantástica.

2) As exposições estarão no andar térreo da biblioteca durante todo o evento.
 

Sistema municipal bibliotecas_logo    cultura_logo_horizontal

h1

And the Nebula award goes to…

abril, 26 - 2009

Novel : Powers – Ursula K. Le Guin (Harcourt, Sep07)

Novella : “The Spacetime Pool” – Catherine Asaro (Analog, Mar08)

Novelette : “Pride and Prometheus” – John Kessel (F&SF, Jan08)

Short Story : “Trophy Wives” – Nina Kiriki Hoffman (Fellowship Fantastic, ed. Greenberg and Hughes, Daw Jan08)

Script : “WALL-E” Screenplay by Andrew Stanton, Jim Reardon, Original story by Andrew Stanton, Pete Docter (Walt Disney June 2008)

Andre Norton Award : Flora’s Dare: How a Girl of Spirit Gambles All to Expand Her Vocabulary, Confront a Bouncing Boy Terror, and Try to Save Califa from a Shaky Doom (Despite Being Confined to Her Room) – Ysabeau S. Wilce (Harcourt, Sep08)

* * *

O que é o prêmio Nebula? Pergunte à Wikipedia, caro navegante. Para poupar seu trabalho, adianto que é uma das duas maiores premiações da literatura de ficção científica e fantasia (a outra é o prêmio Hugo).

Por que estou contente? Porque a mulher que me capturou para a literatura fantástica levou o prêmio mais uma vez. Ursula K. Le Guin completa 80 aninhos este ano e continua mais do que lúcida, na ativa, escrevendo a mil, publicando bonito e prosseguindo com sua pequena revolução pessoal que começou há 40 anos com a publicação de A Mão Esquerda da Escuridão (que também levou os prêmios Hugo e Nebula). Ela é uma dessas pessoas para quem eu olho e penso: ” é assim que quero ser quando crescer”. Parabéns vovó, mais uma vez!

E fica aqui a dica: conheçam a Ursula, crianças! Vale a pena.

Ursula K. Le Guin

h1

Quebrando paradigmas

março, 7 - 2009

paradigmas

Não é só mais uma coletânea de contos. Paradigmas é um esforço conjunto de jovens autores brasileiros para dar um passo além da mesmice e romper com os rótulos da literatura fantástica.

A edição de estréia vem com contos de Ana Cristina Rodrigues, Bruno Cobbi, Camila Fernandes, Eric Novello, Jacques Barcia, Leonardo Pezzella Vieira, MD Amado, Maria Helena Bandeira, Osíris Reis, Richard Diegues, Roberta Nunes, Romeu Martins e eu! 8)

O festança já tem data marcada: dia 20 de março de 2009, às 18:30 no Bardo Batata – Rua Bela Cintra, 1.333 – Jardins (São Paulo – SP)

Preço no lançamento: R$13,00 (grátis um chope).

Pode vir, é só chegar! 

convite-paradigmas-1

Mais informações no site da Tarja Livros.

h1

Matéria sobre o Fábulas na Carta Capital

agosto, 30 - 2008

Como a revista já saiu de circulação, carreguei a matéria escaneada para os arquivos do blog. O link está disponível na sessão “artigos”. Ou, em todo caso, clique na imagem: