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9 Filmes Renascentistas

novembro, 14 - 2010

Espartilhos, leques, perucas, cachinhos, brocados, babados, rendas, veludos, rococós, borlas, filigranas, carruagens, castiçais, duques, condes, princesas, cortesãos, reis, ópera, pó de arroz, clavicórdios, violinos…

Para você que também é fascinado pela estética renascentista, ou simplesmente gosta de história, ou simplesmente sonha com a Madonna cantando Vogue de Maria Antonieta, ou pra você que gosta de desfrutar das mordomias audiovisuais da modernidade, elaborei esta lista top 9 de filmes da renascença:

Ligações Perigosas (Dangerous Liaisons, 1988)

Direção: Stephen Frears

Baseado na obra Les Liaisons Dangereuses, de Pierre Choderlos, a versão cinematográfica com atuação brilhante de John Malkovich e Glenn Close traz uma bonita reconstrução da vida ociosa e frívola da nobreza francesa. Apresenta um duelo de sabotagem e sedução entre a Marquesa de Merteuil e o Visconde de Valmont, que não medem esforços em suas vinganças e conquistas. Um filme visualmente atraente, uma trama engenhosa e repleta de sutilezas.

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Orlando, A Mulher Imortal (Orlando, 1992)

Direção: Sally Potter

Ótima adaptação da biografia fantástica Orlando, de Virginia Woolf. Este também foi o filme que projetou Tilda Swinton, na minha humilde opinião. Retrata a vida de Orlando, um personagem que atravessa os séculos – o tempo, o espaço, e até a fronteira entre os sexos – num coming of age eterno, experimentando a condição humana em direferentes fases (e com diferentes sexos) numa viagem pelos espíritos de época do século XV até o XX. É uma das minhas obras favoritas (tanto o filme, quanto o livro) pela alegoria a um só tempo potente, criativa e muito bonita.

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Farinelli, Il Castrato (1994)

Direção: Gérard Corbiau

Biografia de Carlo Maria Broschi, o Farinelli, que foi o castrato mais famoso (ao lado de Caffarelli) e bem pago da história, praticamente um popstar do século XVIII. O filme apresenta não somente curiosidades sobre os cantores castrati (que eram castrados ainda na infância, devotavam-se à música e eram proibidos de se casar), mas tem enfoque especial sobre a relação do cantor com seu irmão mais velho, e que o castrara contra a vontade, o compositor Riccardo Broschi, com quem dividia tudo, até as amantes. O filme é uma viagem sensual pelas pomposas óperas do século XVIII.

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Carlota Joaquina, A Princesa do Brazil (1995)

Direção: Carla Camurati

Sim, por que não? Apesar de caricato, o filme de Carla Camurati manteve um nível razoável de fidelidade aos fatos históricos, aguçando as características mais estapafúrdias dos personagens reais para compor essa adaptação burlesca (quem quiser conferir, consulte o livro 1808, do Laurentino Gomes). Chama a atenção o início do filme, que mostra a vida da infanta Carlota na corte espanhola, rodeada de artistas e festanças, e, do casamento com D. João VI, a súbita entrada na estranhíssima corte portuguesa, carola, desanimada, sem festas, comandada por uma rainha louca e um príncipe covarde. E depois, o transporte atrapalhado dessa pompa e realeza ao Brasil tropical. Dispensando as piadas, o episódio da fuga da coroa portuguesa para o Brasil é exótico por si mesmo, e único na história das monarquias europeias. Os próprios brasileiros costumam ignorar que essa foi a grande guinada da história do Brasil (e também de Portugal), sem a qual não haveria hoje essa unidade territorial e política ou mesmo o nosso não-de-todo-ruim desenvolvimento estrutural e econômico.

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O Rei Dança (Le Roi Danse, 2000)

Direção: Gérard Corbiau

Do mesmo diretor de Farinelli, Le Roi Danse faz um retrato artístico da corte de Luís XIV, o rei sol, aficionado por música e balé, abordando sua relação de proteção e mecenato com Jean-Baptiste Lully, compositor tão talentoso quanto louco; e também a relação ambígua de amizade e rivalidade entre Lully e o dramaturgo da corte, Molière. Enfoca também a disputa entre a devassidão apaixonada dos artistas e o moralismo cristão, personificado na figura da rainha mãe, Ana de Áustria. Filme impecável pelos figurinos e fotografia.

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Casanova (2005)

Direção: Lasse Hallström

Casanova é, talvez injustamente, um dos filmes menos citados de Heath Ledger. Na adaptação cinematográfica desse peculiar personagem da Veneza do século XVIII – o maior sedutor da Idade Moderna – a opção foi pela comédia romântica. A inquisição veneziana está tentando endireitar o bon vivant, impondo-lhe uma sentença terrível: “casa-te ou vai pra forca”, e a Casanova resta a tarefa de arrumar uma esposa em tempo recorde. Nisso, ele se apaixona por Francesca Bruni, que é – vejam só – a maior feminista e detratora de Casanova nessa carnavalesca Veneza. Um filme leve, gracioso e visualmente interessante.

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Maria Antonieta (Marie Antoinette, 2006)

Direção: Sofia Coppola

Uma história de muitas joias, rendas, sedas e frufrus na luxuosa corte de Versalhes. Maria Antonieta, princesa austríaca, tornou-se rainha da França ao casar-se com Luís XVI. A história lhe deu um rodapé memorável com a frase “se os pobres não têm pão, que comam brioches” e um final terrível com a decapitação na guilhotina. O filme, fiel ao cenário da época, projeta um ponto de vista contemporâneo sobre a vida de Maria Antonieta, retratada como uma patricinha do século XVIII, que adora fazer compras e sair de balada, gastando sua beleza com os problemas do seu casamento, completamente alienada da realidade miserável que corria por fora dos portões de Versalhes. De certo modo, o filme lhe faz justiça: se Maria Antonieta entrou para a história como uma rainha que não se importava com o povo, que conste o fato de que ninguém lhe disse que ela deveria se importar.

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Os Fantasmas de Goya (Los Fantasmas de Goya, 2006)

Direção: Miloš Forman

Nem festas, nem banquetes, nem óperas. Diferente de outros países da Europa em fins do século XVIII, a Espanha retratada em Os Fantasmas de Goya é um reino sombrio, melhor definido pelos monstros que povoam as ilustrações de Goya, e onde o artista sofre censuras e tem que se curvar à vaidade dos reis e ao rigor da terrível e famosa – e famosa por tão terrível – Inquisição Espanhola. A história acompanha Goya e seu círculo de relacionamentos do palácio de Carlos IV aos calabouços da inquisição, até a carnificina das guerras napoleônicas.

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Elizabeth, The Golden Age (2007)

Direção: Shekhar Kapur

Megaprodução do cinema épico (e sequencia do filme Elizabeth, de 1998) com lindíssimos cenários e figurinos, e ótima atuação de Cate Blanchett (cuja beleza é uma enorme licença poética emprestada à personagem histórica), remonta a trajetória de Elizabeth I, a primeira grande mulher estadista da Idade Moderna e uma das maiores que já houve. Tendo herdado o trono após o desastroso reinado de sua irmã Bloody Mary (Maria I), Elizabeth conduz a Inglaterra a um período de prosperidade ao custo da quase total anulação da sua vida pessoal, e que dirá amorosa (razão pela qual foi eternizada sob a alcunha de Rainha Virgem).

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Fé na humanidade?

janeiro, 30 - 2010

“É tarde demais para ser pessimista.”

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Hoje, dia 30 de janeiro de 2010, declaro que perdi a fé na humanidade.

Não aconteceu nada extraordinário comigo ou com quem conheça, não testemunhei um assassinato, não assisti a nenhuma injustiça maior do que aquelas que acontecem todos os dias.

Foi só uma ficha, que, como é da natureza das fichas, às vezes resolve cair.

Tem caído um dilúvio na cidade onde moro. Os verões são chuvosos, mas não costumam ser o tempo inteiro. Adoro ver a lua nascer amarelada no horizonte, mas de anos pra cá ela às vezes surge vermelha. Estava me espreguiçando na praia onde passo as férias desde que nasci, quando me dei conta de que ainda em minha vida eu provavelmente a verei desaparecer. E como se não bastasse: talvez todas as praias desaparecerão. E algumas ilhas. E cidades. Alguns países.

Você não se preocupa até o momento em que vem a catástrofe e leva a sua casa. Somos péssimos para reagir a mudanças lentas e, infelizmente, muito adaptáveis. Digo infelizmente porque nossa adaptabilidade às vezes falha em nos impor freio, e continuamos seguindo com hábitos viciosos. Somos mais adaptáveis do que a grande maioria das espécies com as quais dividimos o mundo e esse não é um bom negócio.

Somos uma praga fora de controle, sem predador, sem barreiras geográficas. E o que acontece com as espécies que se reproduzem demais e esgotam os recursos do seu ambiente é algo que você pode conferir em qualquer livro escolar de ecologia. O problema é que se um dia a espécie humana provocar sua autoextinção é porque já terá feito o trabalho com todas as outras espécies com as quais coexistiu. Com exceção das baratas, talvez.

Mas não sou pessimista, nem catastrófica, muito menos teórica da conspiração. Não acho que a humanidade vá perecer por causa do aquecimento global. Vamos, sim, ter uma considerável redução populacional (o que acharia ótimo, não fosse pelas vias da catástrofe). Mas como ia dizendo, somos os diletos da evolução: amplamente adaptáveis. E em que mundo as próximas gerações terão que exercitar sua adaptabilidade, eu não faço ideia. Que espécie de planeta deserto, quente e estéril vai sobrar, não gosto de imaginar.

Dizem que temos uma década para fazer a revolução ambiental, dar a guinada para a sustentabilidade, alterar amplamente nossos modelos de extração, produção, distribuição e renovação, mudar radicalmente nossa economia energética. Isso nos dá a lista de tarefas mais longa da história, e nós, com os traseiros mais gordos de todos os séculos, teremos que fazer mágica para nos entendermos, negociarmos e revertermos nossa natureza depredatória num estalar de dedos (historicamente falando).

Por mais que se diga “é tarde demais para ser pessimista”, não sei por quê, tenho certeza de que essa utopia de mudanças não se realizará no curto prazo, e daqui 30, 50 anos estaremos assumidamente danados. Tenho 26 anos, mas parece que convivi tempo o suficiente com a espécie humana pra saber quão imbatível é nossa propensão à inércia e quão descuidados os nossos improvisos de última hora.

Acho que a besteira está feita. Pronto, falei.

Não sou,  nunca fui uma pessoa pessimista ou niilista. O pior é isso: não sou! Só que não acredito mais na humanidade. Não quero ter filhos, não pretendo levar isso adiante. Não vou ser hipócrita, não vou abdicar de confortos que o progresso me deu. Mas também estou me acostumando à ideia de não esperar mais nada.

* * *

HOME é um documentário de 1h 30 min sobre o aquecimento global que pode ser visto pelo Youtube. Tem imagens impressionantes, edição impecável e ótima didática. Infelizmente não encontrei nenhuma versão dublada ou legendada em português (se alguém achar, por gentileza poste nos comentários).

A pior maneira de ser cético é ser cético sobre um assunto absolutamente vital como este.

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Caramelo (Sukkar Banat)

junho, 24 - 2009

Não costumo fazer resenha de filmes, mas… Quando se trata do melhor filme a que você assistiu no ano, de boca aberta, sem piscar; não custa contar pros seus amigos, certo?

Acabei de ver Caramelo e estou deliciada.

caramel

No original, Sukkar Banat, é uma produção franco-libanesa, foi escrita, dirigida e estrelada por Nadine Labaki.

Sabe aqueles filmes do tipo “a vida como ela é”? Caramelo é uma parábola do universo feminino libanês, conta a vida de cinco mulheres unidas por um salão de beleza. Há a moça que se apaixonou pelo homem casado e vive uma eterna espera pela próxima ligação. Há a boa muçulmana que está noiva, tentando corrigir o problema de uma virgindade já perdida. Há a lésbica contida e a cliente encantada por ela. Há a atriz de comerciais inconformada com a chegada da menopausa. E há a senhora idosa que jamais se casou para cuidar da irmã mais velha deficiente mental.

Não vou entrar nos pormenores da trama, você vai encontrar resenhas muito melhores que a minha aqui e aqui. Queria apenas reforçar que o filme é bastante delicado, tem uma poesia sutil, uma fotografia bonita e um roteiro que é fantástico pela simplicidade com que retrata suas personagens e seus dilemas (nada simples). Sem clichês nem desfechos óbvios.

sukkar banat

Para os brasileiros é uma experiência de cinema bem diferente – pelo choque cultural, eu diria. Beirute, a cidade em que se passa Caramelo, é um dos lugares mais liberais do oriente médio. As moças não usam véu nos cabelos e têm por hábito cultivar um visual bastante sexy, ao mesmo tempo em que surpreendem pelo recato, tão desconhecido de nós brasileiros. Pra ter uma ideia, é um filme sem cena de beijo na boca (sexo, muito menos) e não paradoxalmente transborda sensualidade!

Só queria mesmo dizer: ASSISTA!!

nadine

Ah, e destaque para a jovem cineasta Nadine Labaki, que escreveu o roteiro, dirigiu muito bem, atuou como protagonista, é linda, charmosa, morena e dona de belos olhos escuros muito abertos esfumaçados de sombra. Nadine, quer casar comigo?

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Beauvoir no palco, Hipátia na tela

maio, 20 - 2009

Acabei de saber agora mesmo das estréias de duas obras sobre a vida de duas sábias supermulheres.

Viver Sem Tempos Mortos

simonefernanda

É um monólogo de reflexões sobre a vida e a obra de Simone de Beauvoir (minha filósofa favorita, não podia ser diferente), interpretada por ninguém menos que Fernanda Montenegro.

Recomendo essa entrevista excelente na revista Bravo com Fernanda falando sobre Simone e sobre a peça.

Viver Sem Tempos Mortos estréia neste sábado, dia 23 no Sesc Consolação. Não perco nem sob a ameaça dos meus ácaros ninjas!

 * * *

Ágora

agora

Essa eu vi no blog da Camila Fernandes. Hipátia de Alexandria foi filósofa, astrônoma, matemática e professora da Escola de Alexandria, tudo isso no século VI d.c., numa época em que ocupar tal posição era impensável para uma mulher.

O filme Ágora, do diretor espanhol Alejandro Amenábar, conta a chegada do cristãos ortodoxos no Egito e a tragédia que se desenrolou a partir de então, quando São Cirilo, patriarca da Igreja de Alexandria (canonizado e tudo!), mandou exterminar o paganismo da região. Como resultado, milhares de judeus e pagãos foram massacrados por fanáticos cristãos; entre eles, Hipátia, que foi arrancada de sua carruagem, espancada, despida e arrastada até uma igreja onde seu corpo foi dilacerado. Um lindo espetáculo desses que nos lembram de vez em quando os efeitos colaterais da religião.

O trailer pode ser visto aqui e tudo o que sei no momento sobre a data de estréia é um “coming soon”. Aguardo roendo as unhas.

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Adaptação de verdade

fevereiro, 7 - 2009

Uma das frases que mais costumo ouvir quando saio do cinema é “o livro é certamente melhor”. Cresci entendendo as adaptações infelizes como uma lei inviolável de Holywood. Quantos filmes não assisti com aquela sensação de vergonha alheia, imaginando o pobre autor se contorcendo no túmulo? Não vou dizer que não há adaptações boas, já assisti a muitas que foram fiéis e satisfatórias. Mas admito que em raras, muito raras ocasiões me senti na obrigação de tirar minha boina para certos diretores e roteiristas de cinema que alcançaram a façanha de deixar um bom livro no chinelo.

É exatamente o que aconteceu com a adaptação cinematográfica de David Fincher para o conto homônimo de F. Scott Fitzgerald: O Curioso Caso de Benjamin Button.

Um filme bastante surpreendente, simplesmente encantador com seus cenários vintage, atmosfera poética e o casamento perfeito do maravilhoso com o cotidiano. Prende a atenção terrivelmente a despeito das três horas de duração, que passam rápido, fazendo a volta no tempo. Muito tocante. No final da sessão, encontrei umas duas ou três pessoas com os olhos vermelhos, rasos. Talvez precise admitir que eu também saí do cinema me sentindo algo diferente.

E intrigada.

A qualidade da adaptação de O Curioso Caso de Benjamin Button não se mede pela fidelidade ao texto original, muito pelo contrário, a licença criativa é enorme! Tornou o filme muito mais rico, detalhado, cativante e interessante do que o conto publicado em 1920 (que é lindo, diga-se de passagem).

No conto de Fitzgerald, Benjamin Button nasce velhinho – um velhinho grandinho e não um bebê -, e desde o primeiro dia de vida fala e reclama como um velho. Seu pai não o abandona, mas tenta escondê-lo do mundo e forçá-lo numa vida apropriada à sua idade verdadeira. Assim, o velhinho resmungão é contrariado, ganha brinquedos, é mandado para o jardim da infância, mas sendo idoso de “corpo e alma” seu grande prazer é mesmo fazer companhia para o avô. No filme, Benjamin é literalmente uma criança em corpo de velho, é curioso, quer brincar, gosta da companhia das crianças, é mimado pelos outros velhos, e essa não conformidade de idade/aparência garante o choque dramático. O personagem, aqui, vive as angústias de tentar se ajustar ao mundo de acordo com sua aparência enquanto sua mente, adequada à idade, grita na direção contrária. Benjamin transita por suas várias fases cruzando a vida às avessas, é o velho infantil, o coroa atencioso, o homem apaixonado, o gatinho despojado, o menino retardado e o bebê esquecido. Sua relação com o grande amor de sua vida ganha posição central na trama. Daisy (a garota dos cabelos de cor inesquecível, exatamente como descreveu Fitzgerald) é ao longo da história sua amiguinha “de infância”, jovem sedutora, namorada apaixonada, mãe de família e, mais tarde, uma espécie de avó adotiva. O cruzamento das duas vidas é o ponto alto.

No conto, a relação de Benjamin e Daisy se desgasta com o tempo e eles se separam quando suas idades se extremam demais. No filme, a relação entre ambos é muito mais profunda e, de certo modo, indissolúvel. Daisy não é meramente uma coadjuvante, torna-se uma segunda protagonista.

Grande parte da riqueza do filme se deve à adição de personagens pictóricos e cativantes (o capitão do rebocador, a nadadora, o sobrevivente dos 7 raios, a mãe adotiva, o relojoeiro cego, o exótico pigmeu…), vários deles desempenhando um papel fundamental na biografia de Benjamin Button. Outra curiosidade é que, à exceção do Sr. Button pai, nenhum desses personagens está no conto de Fitzgerald.

É claro que o conto, apesar de comprido e dividido em capítulos, sofre com as limitações do seu espaço restrito. O detalhamento não é profundo, mas a história é redonda, basta-se em si mesma apesar da premissa permitir o desdobramento de um romance. O que vi no cinema merece ser chamado de uma adaptação de verdade. Uma obra à parte, que não é necessariamente fiel, mas enriquece e transcende ao texto por saber acrescentar.

Não dá pra ser mais recomendável. Assista!

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Bravo! Bravo! Bravo!

dezembro, 10 - 2008

Há muito tempo eu duvidava que a TV ainda me daria algo que valesse tanto a pena assistir.
Faz bem uns 10 anos que li Dom Casmurro e, ontem à noite, ao ver as primeiras cenas da adaptação televisiva de Luiz Fernando Carvalho – Capitu –, foi como se todas as reviravoltas do romance me viesseam à mente de súbito, como o calor que sobe depois de uma boa virada de bebida. Claro que isso é uma alusão a um livro que foi um porre na minha adolescência, e que hoje eu muito apreciaria, como sou capaz de apreciar um bom cálice de vinho seco.
E que adaptação! Conseguiu casar em perfeita harmonia a linguagem erudita de Machado de Assis com tomadas modernas (algumas absolutamente delirantes), trilha sonora clássica e contemporânea, para dar vida a cenas de um lirismo deslumbrante.
Eu me apaixonei. Agora lamento ter me desfeito do meu antigo exemplar de Dom Casmurro, que ajudou a atormentar minha adolescência como leitura obrigatória na escola. Lamento ter demorado demais para que eu sentisse prazer lendo Machado.

Hoje me redimo. Um brinde à Capitu!