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2001, uma odisseia, uma viagem

abril, 19 - 2014

Publico aqui uma breve monografia que fiz como trabalho para a disciplina de Design Editorial, do curso de editoração da ECA-USP. A proposta era discutir o conceito e a materialidade nas publicações. Escolhi um projeto gráfico que me chamou bastante atenção: a nova publicação que a editora Aleph fez de 2001: Uma Odisseia no Espaço, que é também uma dos meus romances preferidos do Arthur C. Clarke. Creio que esse exercício pode ser encarado como uma resenha diferente, centrada no nível semântico e do design. Ou talvez só mais uma viagem minha mesmo.

* * *

2001: Uma Odisseia no Espaço – A repaginação de um clássico

Em seu prefácio para a edição mais recente de A Mão Esquerda da Escuridão, Ursula K. Le Guin disserta: “o objetivo do experimento mental (…) não é prever o futuro – mas sim descrever a realidade, o mundo atual”, em outras palavras: escrever ficção científica é um exercício extrapolativo sobre o aqui e o agora, não é futurologia. Assim é que as datas terminais citadas nas opera magna dos escritores de ficção científica estão fadadas a serem atropeladas pela linha do tempo sem que a metáfora de seus universos se perca. Depreendemos que 1984 de George Orwell continua atual, apesar do ano de 1984 ter-se ido do calendário há três décadas, e, do mesmo modo, passamos pelo ano de 2001 sem termos vivido uma “odisseia no espaço” (aliás, continuamos muito defasados na tecnologia astronáutica para sonhar com as viagens narradas na obra de Clarke). O livro 1984 de George Orwell foi escrito no ano de 1948, sendo que o autor escolheu esse título por guardar relação de anagrama com seu próprio tempo, projetando o universo ficcional de 1984 para um não lugar – em grego, utopos, raiz etimológica de “utopia”, – que por não ser idealizado como a Utopia de Thomas More, tornou-se o não lugar problemático: uma distopia. A data futura de 1984 não guardava, portanto, relação com o futuro cronológico, mas construía a metáfora de uma realidade alternativa e plausível, um campo para experimentar e dissecar as mazelas presentes no zeitgeist do 1948 em que Orwell viveu.

O livro 2001: Uma Odisseia no Espaço de Arthur C. Clarke é sui generis nessa proposta. Enquanto obra literária foi precedida pelo filme de 1968 do diretor Stanley Kubrick, do qual Clarke foi o roteirista. Concebida primeiramente para o cinema, tinha o objetivo de contar uma história que retratasse um futuro plausível. Não era um exercício de adivinhação sobre como o ano de 2001 seria, mas um exercício extrapolativo sobre como a revolução tecnológica pode transformar o cotidiano da humanidade, e, nesses termos, ele projeta o olhar para um futuro cronológico em que os anseios por avanço técnico foram traduzidos em conquistas. O 2001 de Clarke é o não lugar (utopia) do maravilhamento científico, e no seu esforço havia um significado futurológico verdadeiro: de que nos anos vindouros estaríamos mais imersos nesse maravilhamento e mais mudados pela revolução técnica e científica. Talvez possamos afirmar que a metáfora de 2001 seja menos metafórica do que a de 1984.

Não obstante, de certo modo, podemos dizer que essas obras encerram um “futuro” que o passado pretendia, e chamar suas estéticas de paleofuturismo. Enquanto metáforas literárias, 1984 e 2001: Uma Odisseia no Espaço tornaram-se clássicos.

Faço esta longa introdução para dissertar sobre a missão editorial de manter, na forma, a atualidade de obras que, em conteúdo, serão sempre atuais. Fazendo um trocadilho com o título do livro de Janet H. Murray: nos novos tempos consumiremos Hamlet no holodeck. Como dar cara nova às obras eternas?

Elegi para objeto deste breve exame um desses dois clássicos da ficção científica, o livro 2001: Uma Odisseia no Espaço, que ganhou nova edição no final do ano de 2013 por uma editora que se demonstra ciosa do conceito e da materialidade dos seus produtos, a editora Aleph.

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Em formato 16cm x 23cm, o livro é apresentado dentro de uma luva: uma caixa inteiramente preta, com um “2001” grafado em fonte branca ocupando toda a largura, o restante do título “Uma Odisseia no Espaço” em fonte bastonada e fina, muito discretamente inserido abaixo do “2001”. Os dois terços inferiores são ocupados por um círculo de diâmetro idêntico à largura do “2001”, criando um conjunto proporcional e estável. O círculo vermelho e laranja, destacado do fundo preto, guarda analogia com um sol no espaço. Ilustra, na verdade, o olho do computador HAL 9000, que apesar de ser “coisa”, é um personagem ativo do enredo de 2001. O filme de Stanley Kubrick projeta uma visão interessante desse personagem: HAL 9000 tem seu banco de dados e central de processamento armazenados em segurança em uma sala da nave em viagem pelo espaço interplanetário. HAL 9000 é o controle da nave, seus “tentáculos” invisíveis controlam todo o microcosmo onde vivem os astronautas humanos. Sem algo que se possa individualizar como um corpo, a figura de HAL 9000 foi esquematizada por um olho, mais especificamente, por uma lâmpada vermelha posicionada na parede, protegida por um pequeno domo de vidro sobre o qual se refletem imagens do espaço interno da nave. Esse olho converge atenções quando HAL 9000 se coloca – ele entra no foco da câmera quando sua voz masculina, suave e monótona fala. O círculo mais a luminosidade vermelha atuam como espontâneos atratores de atenção, e essa foi a imagem escolhida para a luva que apresenta a nova edição da obra. A despeito das cores quentes, há de se concordar que o olho inumano de HAL 9000 projeta um olhar frio, de cíclope maquínico, desprovido de uma expressão facial que transpareça emoções e intenções. A ilegibilidade da expressão de HAL 9000 encerra a sua incógnita, e o seu perigo.

Dentro da luva é guardado o livro propriamente dito, um único volume em brochura, com um detalhe marcante: inteiramente preto. Capa, contracapa, lombada e até o corte das folhas; inteiramente tingidos de preto. Em sua forma, esse objeto retangular mimetiza outro personagem não humano de 2001, o monolito. Não um personagem qualquer, o monolito é um objeto inteligente que surge na primeira cena do filme de Stanley Kubrick, aparecendo para os ancestrais dos homo sapiens em um remoto paleolítico. A intervenção do monolito se dá por um mecanismo além do entendimento, mas sabemos que de algum modo ele catalisa a evolução da espécie humana. Permanece como um observador misterioso a vigiar os passos da humanidade em sua saga exploratória pelo espaço sideral. A natureza do monolito não é revelada completamente no filme de Kubrick nem no romance de Clarke. Acreditam que seja uma sonda alienígena, embora isso diga pouco. Embora sua intervenção não seja maléfica, tampouco é compreensível; um artefato que (se supõe) venha de uma civilização tão avançada deve agir segundo uma moralidade própria e que nada tem a ver com a moral humana. De modo parecido ao que ocorre com HAL 9000, a ilegibilidade das intenções do monolito faz inspirar por ele um temor sagrado.

O monolito guarda a ideia de uma caixa-preta: algo que encerra um mistério. Quando o livro-monolito é retirado da luva, o leitor tem a sensação de um mistério prestes a se revelar. O encontro com o livro guarda a simbologia de conduzir o leitor – assim como o monolito conduz os australopitecos do filme de Kubrick – a um evento transformador: o encontro com o “passado” e o “futuro” da humanidade em um não lugar, o encontro de outros mundos. Dessa forma, o livro-monolito torna-se um mediador entre o leitor e as possibilidades cósmicas.

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Referências Bibliográficas
CLARKE, Arthur C.. 2001: Uma Odisseia no Espaço. São Paulo, Editora Aleph, 2013.
LE GUIN, Ursula K.. A Mão Esquerda da Escuridão. São Paulo, Editora Aleph, 2008.
ORWELL, George. 1984. New York, Penguin, 1977.

Referência Cinematográfica
2001: Uma Odisseia no Espaço. Direção: Stanley Kubrick [S.I.] Warner Home, 1968. 1 DVD (141 min).

 

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Retrospectiva Literária 2013

dezembro, 29 - 2013

2013 foi o melhor ano que dava para ter feito no improviso. Comecei projetos novos – a faculdade de editoração na USP, o melhor deles. 30 anos, já formada, mestrada, e aí deu a louca de assumir a mudança de carreira e fazer uma segunda faculdade, que, pra mim, é pura diversão: só livros, livros e livros… Além da faculdade, comecei também o curso de tradução literária da Casa Guilherme de Almeida, e o resultado é que os estudos têm consumido a maior parte da minha rotina. Muito do que li este ano está relacionado aos cursos e também aos serviços editoriais que tenho oferecido. Não li nem um quinto do que gostaria, praticamente não atualizei o blog (senão numa circunstância triste, meses atrás), não produzi nem sequer um conto, mas estou com a sensação de que foi um ano incomparavelmente produtivo.

A esta altura de dezembro também estou com uma baita preguiça de fazer resenhas, mas vou inserir algumas, mais especificamente de obras pouco conhecidas e que valem a pena. Três estrelinhas*** para os 5 livros que mais curti no meu critério subjetivíssimo de gosto literário. Uma estrelinha* para aqueles que me surpreenderam positivamente e que recomendo. E o troféu “abðbrinha radiðativa” vai para Ramsés do Christian Jacq.

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Ficção de língua portuguesa

Rubem Fonseca – O Caso Morel

José Saramago – Memorial do Convento

Marconi Leal – Tumbu*

Fábio Barreto – Os Filhos do Fim do Mundo

Raul Pompeia – As Joias da Coroa

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Ficção de língua estrangeira

Christian Jacq – Ramsés – O Filho da Luz

Marguerite Yourcenar – Memórias de Adriano

Milan Kundera – A Brincadeira

Philip K. Dick – Ubik***

Liev Tolstoi – A Morte de Ivan Ilitch***

Fiódor Dostoiévski – Memórias do Subsolo

Puchkin – O Conto Maravilhoso do Tsar Saltan

Jeff Vandermeer – A Situação

Cory Doctorow – Pequeno Irmão*

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Biografia

Piers Paul Read – Os Sobreviventes: A Tragédia nos Andes*

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Pablo Vierci – A Sociedade da Neve***

Entre 2012 e 2013 resolvi ler todo o material que podia encontrar sobre aquela que me parece uma das histórias mais fantásticas de sobrevivência: a queda do avião 571 da Força Aérea Uruguaia na Cordilheira dos Andes, em 1972, e os 15 rapazes que foram resgatados após passarem 72 dias isolados no alto das montanhas em condições extremas, com nada para comer senão os cadáveres. É mais uma dessas histórias que fazem crer que a realidade consegue ser mais dramática e inverossímil do que a ficção.

A Sociedade da Neve é um “livro comemorativo” por assim dizer, o mais recente, lançado em 2012, e em relação às outras obras já escritas sobre essa história tem o diferencial de trazer os relatos subjetivos dos 15 sobreviventes – todos vivos 40 anos após o resgate! – e as impressões particulares de cada um deles após quatro décadas de digestão dos fatos. Na minha opinião essa é, por isso mesmo, a obra mais completa, mais fiel e mais interessante.

Para quem não conhece a fundo essa história, vale a pena. É incrível.

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Teatro

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Aristófanes – Lisístrata ou a Greve do Sexo*As AvesPluto ou um Deus Chamado Dinheiro

Aristófanes foi o maior autor de comédias da Grécia antiga, escreveu mais de 40 peças, das quais 11 chegaram até nós. A editora 34 publicou três delas com uma adaptação excelente para a linguagem atual, o que tornou a leitura bastante agradável, tanto que depois de ler a primeira eu não parei até conferir as três disponíveis.

Em Lisístrata, as mulheres gregas organizam uma greve do sexo para convencer seus maridos a parar com as guerras que devastam suas cidades. Em Pluto ou Deus Chamado Dinheiro, um cidadão e seu escravo resolvem devolver a visão a Pluto, o deus do dinheiro, para que ele passe a distribuir a riqueza de forma justa entre os homens. Em As Aves, dois atenienses resolvem se juntar aos pássaros e fundar uma cidade só deles, nas nuvens, para viverem livres da corrupção que grassa em Atenas.

O que me pareceu mais fascinante é que as peças de Aristófanes são atualíssimas para o contexto da democracia do século XXI; tratam de corrupção, desigualdade, desonestidade, desejo por paz e liberdade. São obras de crítica social e política e, por isso mesmo, subversivas e revolucionárias.

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Quadrinhos

Estevão Ribeiro – Os Passarinhos*

Robert Crumb – Gênesis

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Não Ficção

Mara Hvistendahl – Unnatural Selection: Choosing boys over girls and the consequences of a world full of men*

Marilena Chauí – O Que é Ideologia* [coleção primeiros passos]

Edgar Malagodi – O Que é Materialismo Dialético [coleção primeiros passos]

Stuart Sim & Boris Van Loon – Entendendo a Teoria Crítica

Laurentino Gomes – 1889*

Ivan Teixeira – Raul Pompeia [série essencial ABL]

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Steven Pinker – The Better Angels of Our Nature: Why violence has declined***

Em The Better Angels of Our Nature Steven Pinker propõe que a história humana pode também ser recontada como a história da contenção da violência e delimitou seis períodos de transição: processo de pacificação (da anarquia tribal às primeiras civilizações), processo civilizatório (da Idade Média até a Moderna, quando houve grande declínio em homicídios), revolução humanitária (Idade da Razão, com a abolição da escravatura), longa paz (durante a Guerra Fria, momento de poucos conflitos diretos), nova paz (pós-Guerra Fria, redução das guerras civis e genocídios) e revolução dos direitos (dos anos 1950 até a atualidade, com as conquistas dos direitos das minorias e uma crescente repulsa coletiva aos preconceitos e à discriminação). O argumento do Pinker é que o declínio da violência é resultado de mudanças biológicas e cognitivas que levaram à sofisticação do nosso senso moral, e que, apesar de não termos garantias que essa paz será definitiva, vivemos o período mais pacífico da história da humanidade.

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Hannah Arendt – As Origens do Totalitarismo: Antissemitismo, Imperialismo, Totalitarismo***

Resolvi atravessar as Origens do Totalitarismo só em razão de chegar nos últimos capítulos, que tratam do clímax do nazismo, quando acontece esse fenômeno que me faz sacar a caneta a todo momento no meio do metrô para sublinhar partes.
O que vejo de mais surpreendente é que a análise da Hannah escancara o poder que as realidades totalitárias têm de atropelar a ficção. Não apenas isso, ela disserta como as ideologias dos sistemas totalitários criam, fundamentam-se e sobrevivem a partir de uma ficção de Estado persistente e permanentemente instável, tão absurda que beira o inverossímil.

A própria ficção esbarra nesse limite: a verossimilhança. Uma história inventada, para ser convincente, não pode se inclinar tantos graus na direção do absurdo.

Não aprendi tanto lendo 1984, Animal Farm, Admirável Mundo Novo, The Handmaid’s Tale, Farenheit 451 ou nenhuma das distopias que adoro. Não vou dizer que essa constatação mata um pouco da autora dentro de mim, mas esse livro da Hannah Arendt é mais uma das coisas que me levam a perguntar “como escrever ficção com esta realidade?”

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Editoração, crítica literária, comunicação, etc.

James Wood – Como Funciona a Ficção

Martyn Lyons – Livro: Uma História Viva*

Ciro Marcondes Filho – Para Entender a Comunicação

Emanuel Araújo – A Construção do Livro

Laurence Hallewell – O Livro no Brasil: sua história*

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Revisões, serviços prestados

Elizabeth Chandler – Eternamente – série Beijada por um Anjo vol.6 (revisão)

Debbie Macomber – O Amor Mora ao Lado (revisão)

Jeffrey Zaslow – O Momento Mágico (revisão)

Regina O’Melveny – O Livro da Loucura e das Curas (revisão)

Sarah Jio – As Violetas de Março (2ª ed, revisão)

Molly Hopkins – Aconteceu em Paris (2ª ed, revisão)

Mark Twain – O homem que corrompeu Hadleyburg (tradução)

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Retrospectiva Literária de 2012

dezembro, 29 - 2012

Este foi um ano de poucos posts e muitas leituras. Conheci muitos autores e tive ótimas surpresas.

Comecei 2012 selecionando contos para os volumes amarelo e verde d’A Fantástica Literatura Queer, e termino o ano recebendo contos para os próximos e últimos volumes, o azul e o roxo.

metanfetaedro annabel cira

Em literatura nacional, os jovens talentos da Alliah, Jim Anotsu e Walter Tierno me impressionaram a ponto de reconfigurar meu entendimento de literatura fantástica brasileira. Eu, que nunca gostei de literatura policial e noir, descobri que Rubem Fonseca é um autor que me diverte de morte e me deu vontade de conferir todos os seus livros. E finalmente li Jorge Amado, sendo Capitães da Areia a leitura mais prazerosa a que a Fuvest já me “obrigou”.

summerprince morel tan

Tive o prazer de fazer uma beta-leitura para The Summer Prince, uma utopia quilombola futurista pós-brasileira criada pela minha colega novaiorquina Alaya Johnson. Devorei sem parar os cinco livros da Canção de Gelo e Fogo do George RR Martin e a trilogia Jogos Vorazes da Suzanne Collins. A clássica Odisseia 2001 do Arthur C. Clarke deixou uma impressão tão boa que tenho medo de estragar se ler as continuções. E A Invenção de Morel do argentino Bioy Casares é uma belíssima ficção científica de língua espanhola, quisera ler mais obras assim. Uma aquisição muito bacana foi Contos de Lugares Distantes do Shaun Tan, autor que conheci em 2010, quando ele foi homenageado no Worldcon. O livro é muito criativo em vários aspectos, traz narrativas fantásticas conectadas com ilustrações maraviníficas. Outro livro que adorei é Tipping the Velvet (Toque de Veludo) da Sarah Waters, um dos romances lésbicos mais legais já escritos e que deu origem à mini-série da BBC.

tipping visões perigosas clarice

Curti demais o Visões Perigosas da Adriana Amaral, livro sobre as origens culturais do cyberpunk e suas modas, que me mostrou que eu também sou punk. Todas as biografias que li foram extraordinárias. Clarice, uma biografia do Benjamin Moser adquiri sem pretensões e foi um grande acerto. Eu, que sou tão fã de Clarice, não fazia ideia do quanto é “milagrosa” sua origem em meio à guerra na Ucrânia. E Milagre nos Andes, sobre a história dos sobreviventes do acidente com o avião da Força Aérea Uruguaia, que em 2012 faz 40 anos, me deixou com o coração em apertos e interessada em ler mais livros sobre esse acontecimento.

Fazer listas é viver, então aí vai minha lista de leituras:

Antologias

A Fantástica Literatura Queer – Volume Amarelo 

A Fantástica Literatura Queer – Volume Verde 

 

Ficção em língua portuguesa

Metanfetaedro – Alliah 

Annabel e Sarah – Jim Anotsu

O Homem que Calculava – Malba Tahan

Viagens na Minha Terra – Almeida Garret

A Cidade e As Serras – Eça de Queirós

Til – José de Alencar

Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis (releitura)

Memórias de Um Sargento de Milícias – Manuel Antonio de Almeida (releitura)

O Cortiço – Aluísio Azevedo (releitura)

Vidas Secas – Graciliano Ramos (releitura)

O Bom Crioulo – Adolfo Caminha

Agosto – Rubem Fonseca

O Seminarista – Rubem Fonseca

Capitães da Areia – Jorge Amado

Cira e o Velho – Walter Tierno

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Ficção em língua estrangeira

O Fogo do Céu – Mary Renault

La Invención de Morel – Adolfo Bioy Casares

The Pillars of The Earth – Ken Follett

2001: Odisseia Espacial – Arthur C. Clarke

The Summer Prince – Alaya Dawn Johnson

A Game of Thrones – George R.R. Martin

A Clash of Kings – George R.R. Martin

A Storm of Swords – George R.R. Martin

A Feast for Crows – George R.R. Martin

A Dance with Dragons – George R.R. Martin

Hunger Games – Suzanne Collins

Catching Fire – Suzanne Collins

Mockingjay – Suzanne Collins

Contos de Lugares Distantes – Shaun Tan

The Plot Against America – Philip Roth

O Menino do Pijama Listrado – John Boyne

Starters – Lissa Price

Tipping The Velvet – Sarah Waters

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Não Ficção

Visões Perigosas – Uma Arque-genealogia do Cyberpunk – Adriana Amaral

Best Seller – A História de um Gênero – Halime Musser Prado Henrique

De Bizâncio Para o Mundo – A Saga de um Império Milenar – Colin Wells

1808 – Laurentino Gomes (releitura)

1822 – Laurentino Gomes (releitura)

The End of Faith – Sam Harris

Borboletas da Alma – Escritos sobre Ciência e Saúde – Drauzio Varella

História da Morte no Ocidente – Philippe Ariès

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Biografias

O Médico Doente – Drauzio Varella

O Homem que Sabia Demais – Alan Turing e a Invenção do Computador – David Leavitt

Viagem Solitária – Memórias de um transexual 30 anos depois – João W. Nery

Clarice, uma biografia – Benjamin Moser

Milagre nos Andes – Nando Parrado & Vince Rause

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Para Escritores

Como Narrar uma História – Sílvia Adela Kohan

Como Escrever Diálogos – Sílvia Adela Kohan

Writing for Videogame Genres – Wendy Despain

Plot & Structure – James Scott Bell

Characters, Emotion & Viewpoint – Nancy Kress

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Poesia

Sentimento do Mundo – Carlos Drummond de Andrade

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Leituras de 2011

dezembro, 31 - 2011

2011 foi um ano em que me dividi bastante entre leituras convencionais, revisões, leituras críticas e leituras beta. Desta vez troquei as tradicionais resenhas por um pouco de surf e bicicleta (já que eu também mereço férias!). Listo abaixo somente as leituras dos livros já publicados, meus favoritos ganharam uma estrelinha.

Antologias

*A Fantástica Literatura Queer – Volume Vermelho – Cris Lasaitis & Rober Pinheiro (organizadores)

*A Fantástica Literatura Queer – Volume Laranja – Cris Lasaitis & Rober Pinheiro (organizadores)

Imaginários 4 – Erick Sama (organizador)

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Ficção Brasileira

*A Batalha do Apocalipse – Eduardo Spohr

*O Centésimo em Roma – Max Mallmann

Sombras e Sonhos (contos) – Álvaro Domingues

Deixando de Existir – Goulart Gomes

Os Guardiões do Tempo – Nelson Magrini

*Reino das Névoas (contos) – Camila Fernandes

Tempos de Algória – Richard Diegues

A Criação do Mundo – Contos e Lendas Afro-Brasileiros – Reginaldo Prandi

As Meninas – Lygia Fagundes Telles


Ficção Estrangeira

A Casa Negra – Stephen King & Peter Straub

*Cassandra – Christa Wolf (releitura)

*Galileo’s Dream – Kim Stanley Robinson

Red Mars – Kim Stanley Robinson

O Senhor das Moscas – William Golding

*The Persian Boy – Mary Renault

Quando Nietzsche Chorou – Irvin D. Yalom

*Diário Absolutamente Verdadeiro de um Índio de Meio Expediente – Sherman Alexie

Orgulho e Preconceito – Jane Austen

Orgulho e Preconceito e Zumbis – Jane Austen & Seth Grahame-Smith

*Maurice – E.M. Forster

*Os Homens que Não Amavam as Mulheres/ trilogia Millenium – Stieg Larsson

A Menina que Brincava com Fogo/ trilogia Millenium – Stieg Larsson

A Rainha do Castelo de Ar/ trilogia Millenium – Stieg Larsson

*O Segredo de Brokeback Mountain – Annie Proulx*

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Não Ficção

*1822 – Laurentino Gomes

1983: O Ano dos Videogames no Brasil – Marcus Vinicius Garret Chiado

O Redator da Arca Perdida – Marcus Vinicius Garret Chiado

Além de Darwin – Reinaldo José Lopes

A Versão Babilônica sobre o Dilúvio e a Epopeia de Gilgamesh – E.A. Wallis Budge

Incidente em Varginha – Vitório Pacaccini

O Caso Varginha – Ubirajara Rodrigues

UFOs – General, Pilots, and Government Officials Go On The Record – Leslie Kean

*Heróis e Exílios – Ícones Gays Através dos Tempos – Tom Ambrose

*O Outono da Idade Média – Johan Huizinga

*3096 Dias – Natascha Kampusch

*Saga Brasileira – A Longa Luta de um Povo por sua Moeda – Miriam Leitão

O Universo Elegante – Brian Greene

Steve Jobs – A Biografia – Walter Isaacson

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Poesia

As Coisas Desse Mundo – Nicole Rodrigues & Nathy Silva

Canções Sem Metro – Raul Pompéia

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Ensaios

Um Corpo Estranho – Ensaios sobre Sexualidade e Teoria Queer – Guacira Lopes Louro

Olho de Vidro – A Televisão e o Estado de Exceção da Imagem – Marcia Tiburi

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Para escritores

*Story – Substância, Estrutura, Estilo e os Princípios da Escrita de Roteiro – Robert McKee

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Infantil

A Princesinha Medrosa – Odilon Moraes

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A Fantástica Literatura Queer – 2ª Chamada!

novembro, 24 - 2011

To be continued…

versão pdf

A Fantástica Literatura Queer é a primeira coletânea de contos brasileira dedicada à ficção fantástica queer, ou seja, relacionada ao universo GLS, ou LGBT, ou LGBTTT, ou simplesmente de A a Z. Diversidade é o nosso negócio, e se você pensa que existe alguma bandeira ideológica por trás deste projeto, saiba que não poderia estar mais redondamente certo! Nosso compromisso é com a afirmação, a visibilidade e a comemoração da diversidade sexual e literária!
Após duas bem-sucedidas edições – o Volume Vermelho e o Volume Laranja – temos o prazer de anunciar uma nova chamada para submissão de contos para os próximos volumes d’A Fantástica Literatura Queer!

Qual é o prazo da nova chamada?
Vamos receber contos até o dia 01/03/2012.

Quem pode participar?
Uma vez que nosso lema é “diversidade”, podem participar pessoas de toda a galáxia e redondezas. Sem distinção. Sempre.

Como você pode participar?
Enviando um conto bem escrito que corresponda de forma interessante à proposta da coletânea e que esteja dentro das especificações do projeto.

Quais os critérios de participação?
As histórias deverão obrigatoriamente aludir à diversidade sexual. A presença de personagens gays, lésbicas, trans, etc. é desejável, mas não é compulsória. Destacamos que mais importante que o retrato será o questionamento – em outras palavras, serão priorizados os textos que induzam a pensar sobre o tema.
Como exemplo, o autor poderá apresentar a intracultura de minorias sexuais em contextos alternativos e/ou explorar sua interface com outras culturas; poderá debater papéis de gênero, preconceito e discriminação; fazer referências e reinvenções históricas; construir e desconstruir paradigmas afetivo-sexuais, etc. O importante é que o conto responda de forma criativa à proposta.
Os contos deverão se enquadrar dentro da literatura fantástica em sua ampla definição: ficção científica, fantasia e terror (e seus inúmeros subgêneros: ficção científica hard, ficção científica soft, space opera, utopia/distopia, cyberpunk, steampunk, weird fiction, new weird, pós-humanidade, slipstream, história alternativa, ficção alternativa/mashup, horror, terror, fantasia mitológica, fantasia medieval, fantasia urbana, dark fantasy, etc). Sem restrições quanto ao conteúdo erótico.
Os contos devem ser redigidos em língua portuguesa, ser obrigatoriamente inéditos para o meio impresso e ter entre 5 e 25 páginas (com fonte 12 e espaçamento simples). Cada autor poderá enviar quantos contos quiser, porém apenas um poderá ser selecionado.
Os textos deverão ser enviados em arquivo .doc ou .docx para o e-mail: queerfiction@tarjaeditorial.com.br até o dia 01 de março de 2012. Não haverá prorrogação no prazo de recebimento.
Todos os contos serão avaliados e apenas serão aceitos aqueles que alcançarem os critérios de qualidade estabelecidos pelos (exigentes) organizadores.

Quantos contos serão escolhidos?
A composição da coletânea será norteada pela qualidade dos contos recebidos e os organizadores incluirão os textos de maior mérito. A estimativa é publicar entre 7 e 8 contos por volume, mas reiteramos que o critério qualitativo terá prioridade.

Nada ficará no armário!
A Fantástica Literatura Queer está comprometida com a transparência e a visibilidade, portanto não serão publicados contos anônimos ou sob pseudônimos desconhecidos.

Não serão aceitos:
Contos mal escritos, contos excepcionalmente fora das especificações de tamanho, textos em qualquer outro formato que não seja conto, contos que não correspondam à proposta da coletânea ou que apresentem conteúdo ofensivo e discriminatório de qualquer natureza.

Posso mandar o mesmo conto que enviei na chamada anterior?
Se o seu conto estava dentro dos critérios, mas não foi aprovado na primeira seleção d’A Fantástica Literatura Queer, é porque os organizadores julgaram que ele não estava entre os melhores. Nesse caso, sim, você pode mandar a mesma história novamente, mas pedimos que mande uma versão aprimorada.

Já fui publicado n’A Fantástica Literatura Queer, posso participar de novo?
Com certeza! Os autores já publicados nos volumes Vermelho e Laranja podem mandar novos contos.

Como será a publicação?
Os autores estarão isentos de despesas. Todos os custos da publicação (incluindo revisão, diagramação, arte de capa e impressão) serão arcados integralmente pela Tarja Editorial. A coletânea será publicada no formato 14cm X 21cm, com tiragem inicial de 300 exemplares.
Os direitos autorais serão pagos antecipadamente na forma de exemplares da nova edição.

Previsão de Lançamento:
Junho de 2012, mês do orgulho gay, em data próxima à Parada LGBT de São Paulo.

Organização:

Cristina Lasaitis & Rober Pinheiro

Tarja Editorial

queerfiction@tarjaeditorial.com.br

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E se Harry Potter Fosse Gay?

outubro, 20 - 2011

O Tratamento da Diversidade Sexual na Literatura Fantástica

Este será o tema do bate-papo que os autores e organizadores d’A Fantástica Literatura Queer faremos na Livraria Cultura. Gostou? Ficou curioso? Pois venha!

O evento contará com esse super bate-papo descontraído e, como não podia faltar, uma noite de autógrafos com presença de vários autores da coletânea A Fantástica Literatura Queer.

Quando? Na data cabalística de 11/11/11 (sexta-feira), a partir das 19h.

Onde? No auditório da Livraria Cultura do Bourbon Shopping Pompeia. Rua Turiassú, 2100 – Perdizes – São Paulo-SP.

Quanto custa? É grátis!

Participarão da mesa os escritores Rober Pinheiro, Eric Novello, Alliah, Renato A. Azevedo, Camila Fernandes, Cesar Sinicio Marques… e eu! 8) . Alguns autores mais participarão da noite de autógrafos. Além disso, teremos presença da equipe da Revista Fantástica, que estará gravando, twittando e transmitindo o evento ao vivo. Quem não for, fique conectado! As tags #FLQueer e #SeHarryPotterFosseGay irão dominar os TTs do Twitter!

Você encontra informações sobre o evento no site da Livraria Cultura, clicando aqui e aqui. E dê uma passadinha na nossa página no Facebook!

Vejo vocês lá, queers!

Organização: Tarja Editorial – Muito além dos gêneros. Literalmente.

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Entrevista no Talk Show – Just TV

setembro, 14 - 2011

E tem entrevista nova!! Ontem fui ao Talk Show da Just TV para um papo agradabilíssimo com a Célia Coev. Falamos sobre literatura fantástica, sobre minha pesquisa com homofobia, e as coletâneas Fábulas do Tempo e da Eternidade e A Fantástica Literatura Queer.

Quero agradecer à Célia Coev e Adriano Tardoque da Just TV, e ao Sérgio Pereira Couto e Ricardo Avari, que me ajudaram a chegar lá! Beijo, meninos!

E obrigada pela audiência 😉