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Lançamentos da Tarja Editorial

julho, 28 - 2011

Quero recomendar dois livros que serão lançados pela Tarja Editorial no Fantasticon 2011. Não, nenhum deles é meu, mas tive o privilégio de pôr um dedinho em ambos e conferi-los em primeiríssima mão. São dois livros de fantasia brasileira de excelente cepa, produzidos por duas feras da literatura fantástica: a Camila Fernandes e o Richard Diegues.

O tão esperado livro solo da Camila – Reino das Névoas – é uma coletânea de contos de fadas. Mas não se iluda, estamos falando do contos de fadas para adultos!  Isso mesmo. E não quer dizer que se trata de literatura erótica, não. O Reino das Névoas traz contos de fadas inéditos que tratam de aprendizado, amadurecimento e desafios da vida adulta. As 7 histórias do livro são perfeitamente brutais e belas: trazem o melhor das narrativas clássicas de faz-de-conta, ao mesmo tempo em que rasgam de alto a baixo a inocência e ingenuidade associadas a esse universo. A obra é toda ilustrada pela autora – um verdadeiro colírio! Além do mais, esse livraço já nasceu premiado: ganhou nada menos do que a bolsa de incentivo ProAc, da secretaria de cultura do governo de São Paulo!

Leia, leia!! Você não vai se arrepender!

Apresentação do livro, por Richard Diegues:

Um livro. Sete contos de fadas para adultos. Novos contos de fadas, não releituras dos clássicos, brincando com seus elementos tradicionais: príncipes e princesas, feiticeiras (boas e más), maldições, bosques misteriosos, feras falantes. Mas com uma roupagem adulta, sem censura nem maniqueísmo. Nada de lutas do bem contra o mal: a dualidade está presente em todos e é dentro de cada um de nós que a grande batalha ocorre. Estas narrativas procuram resgatar a essência dos contos de fadas originais, contados ao pé do fogo numa época em que não havia divisão entre “histórias para adultos” e “histórias para crianças”.”Gosto de contos de fadas. Todos gostam. (…) Crescemos com eles em nossa memória. E, então, chegamos à vida adulta e aprendemos que nem tudo neles é factível na vida real. Enfim, começamos a nos perguntar: o que foi escondido pelos escritores que, ao longo dos tempos, foram adaptando, lapidando e moldando essas lendas para se tornarem palatáveis ao gosto popular? O que nossos pais esconderam sutilmente de nós enquanto liam à cabeceira de nossas camas?”Agora que somos adultos, precisamos de respostas. E aqui, neste livro, elas estão em cada linha, atrás de uma árvore na floresta escura, debaixo de uma ponte, atrás da passagem secreta do castelo ou no ninho do dragão. Cada uma delas esperando por uma nova leitura. Por uma nova descoberta. Bem-vindo ao mundo surreal.”

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Autoria: Camila Fernandes
ISBN: 978-85-61541-38-5
Páginas: 168
Formato: 14x21cm
Ano: 2011
Edição: 1ª
Preço promocional: R$24,00
Onde encomendar? Tarja Livros
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Book Trailer:
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Já o Tempos de AlgóriA, do Richard, é uma boa pedida de literatura juvenil para todas as idades. Narrado também na toada do faz-de-conta, o livro inicia uma saga de fantasia encenada nas paragens oníricas; uma aventura repleta de ação e de humor. Mais do que isso, Tempos de AlgóriA  introduz um multiverso ficcional que vem sendo preparado há alguns anos no caldeirão da Tarja Editorial, e do qual podemos esperar muitas outras novidades. Tive a honra de escrever a apresentação do livro e me diverti pacas como leitora, revisora e prefaciadora desta pequena maravilha. Pois é claro que eu vou recomendar: não deixe de ler!
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Apresentação da obra, por Cristina Lasaitis:
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Venha, entre logo, antes que os ventos levem você embora. Não ligue para os móveis revirados. Saiba que eu seria uma melhor anfitriã se ao menos pudesse servir o chá com elegância em meio a um terremoto. Ao ver você chegar, estendi a toalha e coloquei água para ferver, mas os céus se rasgaram, o chão começou a tremer, o vento estourou as vidraças, o lustre caiu e toda a porcelana ficou em pedaços. O clima tem sido assim desde que este livro nasceu na mente do seu autor.
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Saiba que temos aqui vários universos; inúmeros, como as portas que não se contam até o último corredor deste castelo. Todos interligados, separados por infinitas distâncias e, ao mesmo tempo, mais próximos entre si do que os gomos de uma laranja. Se meu chão treme, posso adivinhar que o teto de alguém está desmoronando. Se meu coração acelera, sei que o de outrem foi arrancado do peito.
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Havia harmonia antes, quando tudo era fácil de entender: as fadas ainda tinham asas, as serpentes eram sagradas e os dragões, ameaças distantes. Lembro que minha avó dizia: “Nunca se meta nos assuntos dos dragões, porque você, além de intrometida, é crocante e rica em vitaminas.” Ela não podia ter me dado um conselho mais sábio. Sugiro que você o guarde também. Vai precisar.
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Se tiver coragem para perambular por aí, guiarei você até uma saída – uma das infinitas deste labirinto: o Universo de Todos os Olhos. Não direi que é um lugar seguro, mas a paisagem é bonita se você tiver olhos para ver. É um reino de bravos reis e cavaleiros, de donzelas esquecidas e rainhas intrépidas – e também de dinossauros, duendes, monges, toupeiras de várias cores e monstros que você não gostaria de ver nem como bichos de pelúcia. Se sentir uma estranha familiaridade, não será por acaso: você certamente já visitou o lugar enquanto dormia. Não negue, você é um sonhador!
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E não é fácil ser um sonhador. A estrada para os sonhos passa por uma região de inconsciência profunda, onde tudo é escuro e incerto e, ao chegar ao Reino dos Sonhos, você nem sequer lembra por quais paragens teve de transitar. Não é de estranhar que tantas vezes, sem saber, tenha tomado o caminho errado e ido parar no reino vizinho: o dos Pesadelos. Tão próximo e tão diferente, com seus habitantes sibilantes e corredeiras de medo.
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Uma vez, o escritor Terry Pratchett descreveu a literatura de fantasia como uma bicicleta ergométrica para o cérebro. Na prática, ela não nos leva a lugar nenhum, mas tem a propriedade de exercitar os músculos que irão nos conduzir a todos os lugares. Não será exagero, portanto, dizer que os leitores de fantasia costumam ter cérebros sarados e sabem enfrentar a realidade sem se apoiar em muletas invisíveis. Todas as formas de literatura têm algo a nos ensinar. O bom livro de fantasia é muito parecido com um objeto fantástico propriamente dito: um portal entre mundos. Como este pelo qual você acaba de passar.
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Mas discorrer sobre os porquês da fantasia é o mesmo que tentar justificar um delicioso peru assado com batatinhas sauté – ou aquele chá com biscoitos que infelizmente não posso lhe oferecer, pois o pote se espatifou e as rosquinhas saíram rolando escada acima. O fato é que há momentos em que uma bela história nos é mais necessária do que um prato de comida, não é mesmo? Fantasiamos porque temos fome de fantasia. Precisamos comer um pouco de arroz com ficção todo dia, beber um antídoto contra a rotina, usar um emplastro Brás Cubas contra o tédio; isso, até que venham as noites de gala, quando encontramos um livro muito especial ou assistimos a um grande filme – e assim nos é oferecido um verdadeiro banquete de imaginação, convite para o maravilhamento. Só para atiçar a sua gula, adianto que sua estadia aqui corresponde bem a este caso: um bem-vindo sequestro para o mundo da fantasia.
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Garanto que uma grande aventura espera por você nas próximas páginas deste desfiladeiro de letras. Torço para que encontre uma resposta para o grande mistério que chacoalha os mundos de AlgóriA. Vamos, coragem! Desculpe a pressa, mas, para dizer a verdade, nem sei se ainda haverá um castelo aqui quando você voltar. Quem sabe não nos encontraremos de novo outro dia, em outro universo?
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Que a Grande Luz ilumine o seu percurso, que a noite devore os seus medos. A passagem está livre. Avante! Começam aqui os Tempos de AlgóriA.
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Autoria: Richard Diegues
ISBN: 978-85-61541-00-2
Páginas: 220
Formato: 14x21cm
Ano: 2011
Edição: 1ª
Preço promocional: R$25,00
Onde encomendar? Tarja Livros
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Eu vejo Testrálios!

julho, 18 - 2011

E bem na semana em que sai a parte final da saga Harry Potter, dei entrevista para um blog com nome bastante sugestivo: o Criando Testrálios!

A entrevista é curtinha e girou em torno das minhas sagas fantásticas favoritas, o hábito da leitura e a concepção do meu livro, Fábulas do Tempo e da Eternidade.

Agradeço ao blog Criando Testrálios e ao Emerson, que conduziu a entrevista. Você pode lê-la clicando aqui, ou aqui, ou aqui também…

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Queervite

junho, 17 - 2011

Falta uma semana para o lançamento da coletânea A Fantástica Literatura Queer!

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A Fantástica Literatura Queer sai do armário!

junho, 4 - 2011

Siiim!! Demorou, mas saiu: a Fantástica Literatura Queer estreia em 2 volumes e já está em pré-venda pelo site da Tarja Livros:

O lançamento será na sexta-feira, dia 24 de junho/2011 – a partir das 18h no Bardo Batata – Rua Bela Cintra 1333 – Jardins – São Paulo/SP (perto da estação Consolação do metrô).

Venha nos prestigiar nessa festa!!

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A Fantástica Literatura Queer é obra exemplar de como devem se pautar obras literárias coletivas: o respeito e destaque da diversidade.

Luiz Mott

Diversidade: a palavra mágica.

15 Autores brasileiros unidos por um ideal comum: prestar uma homenagem fantástica ao amor entre iguais. Queers são eles, somos nós, somos todos – conjugado assim mesmo, no coletivo, pois nossas diferenças não importam realmente. E do mesmo modo como a vivência de gays, lésbicas e transexuais não cabe em um gueto, A Fantástica Literatura Queer não cabe em um rótulo. É escancarada, livre.

Aceite o convite e embarque conosco em uma aventura caleidoscópica através de mitologias, distopias e ideologias; voe nas asas de 15 histórias de ficção científica, fantasia e terror que contemplam o amor e o prazer, desafiam preconceitos e proibições.

A porta do armário foi derrubada, as cortinas estão para se abrir… Desfilarão por este palco anjos e demônios, deuses e fantasmas, feras da noite e criaturas sobrenaturais, guerreiros e meros mortais – gente como eu e você, partilhando as emoções de um espetáculo inédito para a literatura brasileira, cuja estrela principal é o Amor que só não ousa ficar calado.

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A Fantástica Literatura Queer – Volume Vermelho

ALLIAH

Morgana Memphis Contra a Irmandade Gravibranâmica

O universo weird, caótico, explícito e debochado de Morgana Memphis tem principal influência da HQ “Transmetropolitan”, e trata de temas LGBT com uma comicidade impiedosa. Subversivo, porém comprometido, nasceu da vontade de criar e extrapolar personagens que beiram o limiar entre o cotidiano fantástico e o absurdo psicológico.

Alliah é natural de Niterói (RJ). Estudante de Artes Plásticas, é escritora, desenhista e pintora. Publicou nas coletâneas VII Demônios ~ Luxúria (2011), Deus Ex Machina (2011), VII Demônios ~ Inveja (2011), Cursed City (2011), Cyberpunk ~ Histórias de um Futuro Extraordinário (2010) e FCdoB ~ Ficção Científica do Brasil ~ Panorama 2008-2009 (2009).

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CAMILA FERNANDES

É Foda Existir

Nossa sexualidade influencia quem nos tornamos, mas não define sozinha quem somos – há muitos outras causas e efeitos na história de cada um. Há muito mais para se contar sobre alguém. Por isso, o que surgiu em minha cabeça foi um conto sobre duas pessoas – um casal. Seu gênero e orientação sexual só apareceram depois, quando eu já começara a escrever. Poderia ter escolhido diferente. Não é uma história sobre diversidade sexual, mas com diversidade sexual.

Camila Fernandes é de São Paulo (SP). Escritora, revisora e ilustradora. Participou das coletâneas Necrópole – Histórias de Vampiros (2005), Necrópole – Histórias de Fantasmas (2006), Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos (2006), Necrópole – Histórias de Bruxaria (2008), Paradigmas – volumes I, II e III (2009) e Extraneus 2 – Quase Inocentes (2010).

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CESAR SINICIO MARQUES

Eu Tenho um Disco Voador na Garagem

Todo mundo tem um disco voador na garagem. Um segredo, uma particularidade indizível que faz querer calar e gritar quase sempre ao mesmo tempo. Escrever sobre mundos outros e descobrir se eles reverberam nas cabeças alheias é uma emoção aventuresca que liberta, e que faz do pequenino particular algo universal.

Cesar Sinicio Marques é de Guarulhos (SP). Psicólogo e estudante de Letras. Além de escrever, estuda Semiótica – pretende fazer Mestrado em análise da narrativa em video games – e compõe para peças de teatro musical.

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ROGÉRIO P. VIEIRA

Alternativa A

Observo que há pessoas que não conseguem o que almejam devido a uma limitação ou restrição imposta pela sociedade. O tema de meu conto é sobre isso: o fato dos homossexuais, se quiserem ter direito às mesmas oportunidades dos heteros, serem respeitados, serem aceitos e não temerem perseguições, ainda precisam esconder sua orientação sexual. Algo que deveria ser natural (a pessoa seguir sua orientação sexual), hoje ainda é uma atitude que requer coragem de ser tomada e que pode apresentar consequências pouco favoráveis à pessoa.

Rogério Paulo Vieira é formado em Ciências Contábeis e Atuariais, trabalha como funcionário público, atuando na área fiscal-tributária. Possui contos publicados no fanzine Megazine Scarium.

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MONICA MALHEIROS

Distúrbia

O projeto da Tarja Editorial surgiu em meu twitter através de um link postado por um autor que admiro. Acabei acessando o site e achando a proposta incrível. Como eu já escrevia histórias voltadas para a temática homoerótica, decidi participar.

Monica Malheiros nasceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Técnica publicitária formada e graduando em Letras. Distúrbia é seu primeiro conto a ser lançado e em seu blog, The Last Of Diary, podem ser encontrados outros trabalhos da autora.

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LAURA VALENÇA

Eros

Poderia definir meu conto da seguinte forma: um indivíduo gay procurando entender a si mesmo, e a sua relação com o mundo. Procurando seu espelho e querendo ser amado, como todo ser humano necessita ser.

Laura Valença Guerra é do Rio de Janeiro (RJ). Tradutora e professora de Inglês, autora de ficção, crônicas e poesia, além de ser estudante de Letras. Participa das antologias Painel Brasileiro de Novos Talentos – Volume 17 (2002) e Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos 2 (2003).

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CRISTINA LASAITIS

Sal e Fogo

A relação entre o amor e o sexo ainda é concebida em nossa cultura como a antítese entre o sagrado e o profano – embora complementares, por vezes são tratados como antagônicos. A tradição judaico-cristã estabeleceu que o sexo, por quaisquer motivos outros que não a reprodução, é sujo e que somente o amor, este sim, puro e idealizado, pertence à esfera do sagrado. Foi pelos tropeços da história que tais concepções de pureza viraram imposições por intermédio da fé e foram usadas para justificar a opressão e o massacre silencioso daqueles considerados impuros, sobretudo mulheres e homossexuais. A homofobia por motivos religiosos é uma herança ingrata para os nossos dias, é a lama dos tempos de barbárie sujando a barra das nossas calças. O meu conto n’A Fantástica Literatura Queer é uma resposta àqueles que usam covardemente a sua religião para agredir aos seus semelhantes.

Cristina Lasaitis é de São Paulo (SP). Escritora, revisora, biomédica e mestre em psicobiologia, realizou pesquisa sobre as bases psicofisiológicas da homofobia (dissertação: Aspectos afetivos e cognitivos da homofobia no contexto brasileiro – Um estudo psicofisiológico, 2009). Lançou o livro Fábulas do Tempo e da Eternidade (2008).

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A Fantástica Literatura Queer – Volume Laranja

CLÁUDIO PARREIRA

A Presença

Para mim, A Fantástica Literatura Queer foi antes de mais nada um desafio. Estou habituado, sim, à Literatura Fantástica, mas a temática Queer me assustou um pouco a princípio. O que dizer, o que escrever, como me inserir neste universo ao mesmo tempo tão misterioso e fascinante? Fiquei uma semana pensando, mas o texto fluiu em meras quatro horas. O desafio, portanto, acabou se tornando um prazer. Muito obrigado!

Claudio Parreira é de São Paulo (SP). É escritor e jornalista. Foi colaborador da Revista Bundas, do jornal O Pasquim 21, Caros Amigos, Agência Carta Maior, entre outras. Participou das antologias Contos da Algibeira, Fiat Voluntas Tua, Dimensões.BR, e também do Portal 2001. É colunista d’O BULE.

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CINDY DALFOVO

O Beijo de Alice

Eu fiquei bem empolgada com a proposta da coletânea por juntar dois temas que me fascinam: literatura fantástica e aceitação e compreensão de uma minoria.Nós temos visto muitos avanços no decorrer da história no sentido de aprender a aceitar pessoas de uma orientação diferente, e eu quis mostrar isso no meu conto: a evolução dessa aceitação no decorrer dos anos, da época em que ser gay significa ser destinado a fogueira, e então ao ostracismo na sociedade, para então começar a ser aceito como um igual pela sociedade.

Cindy Dalfovo estuda Engenharia de Controle e Automação. Gosta de assuntos como jogos, RPG, literatura, história e ciência, e tenta misturar todos esses interesses em seus textos.

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DANIEL MACHADO

A Primeira Vez de Silvânia

A ideia de uma vampira transexual, brasileira e negra surgiu da tentativa de criar um personagem que pudesse simplesmente fugir ao clichê, Silvânia foi criada a três mãos, entre mim, uma amiga, Ana Flavia Borges, e um amigo, Osiris Reis, há mais ou menos um ano. Quando vi a chamada para a coletânea percebi que seria a melhor oportunidade, se não a única, de dar visibilidade a uma personagem tão excêntrica, que na relidade se mostrou uma metáfora para os personagens que caminham na noite em qualquer grande cidade. Então meus companheiros me deram a liberdade total para escrever o início da história dessa vampira.

Daniel Machado é estudante de literatura, em vias de concluir mestrado, e professor pela secretária de educação do Distrito Federal, amante das contos épicos e fantásticos.

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ERIC NOVELLO

Sonhos e Refúgios

O conto é uma palestra do exorcista Tiago Boanerges sobre magia e diversidade sexual. Tiago conta um caso que ocorreu com ele e se tornou conhecido da mídia: o seu envolvimento com um djin de fumaça e uma musa que deveria ter apenas inspirado uma rockeira, mas a possuiu. A história é ambientada no universo de fantasia urbana que criei para meus próximos romances e que justamente abordará temas de diversidade sexual e liberdade de escolha dentro de um mundo de fantasia.

Eric Novello é autor, tradutor e roteirista. Seu romance mais recente é Neon Azul (2010).

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KYRAN

Awaken

Estamos enfastiados de tantas heranças sociais que nem hoje, nem ontem, correspondem verdadeiramente aos direitos de civilidade dos indivíduos. Colecionamos todos os tipos de precedências históricas, e agora vemos luzir que mesmo bem e mal são construções sociais. Uma das maiores vítimas é o amor, e amor é amor em qualquer envoltório.

Kyran é estudante de História. Esboça suas fantasias com base em animações e quadrinhos do gênero “yaoi” (ou “boys love”), popular na cultura nipônica.

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OSÍRIS REIS

Queda

Eu surtei ao ler o anúncio d’A Fantástica Literatura Queer. Coletânea Histórica (com “H” maiúsculo!), vanguarda da vanguarda, a chance perfeita pra falar de pluralidade, de olhar pra fora da concha, de valor humano. Eu não conseguiria conviver comigo mesmo se não desse o meu melhor pra participar.

Osíris Reis ziguezagueou pela Medicina e Mecatrônica até formar-se em Audiovisual. É autor de Treze Milênios (2006), participou de várias coletâneas de Ficção Fantástica, além de Colossus dos X-men: as Crônicas Proibidas, uma história homoerótica.

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RENATO A. AZEVEDO

A Lista: Letras da Igualdade

Quando soube do lançamento de A Fantástica Literatura Queer, considerei esta uma ótima oportunidade de retornar as raízes da ficção científica. Este sempre foi o gênero que mais combateu a estupidez humana, incluindo evidentemente os preconceitos. Escrevi meu conto não apenas com o intuito de discutir o preconceito homofóbico e como combatê-lo, mas também várias outras formas de discriminação. Incluindo, claro, o preconceito contra a própria ficção científica (muito comum aqui no Brasil), além do preconceito contra aqueles que como nós, autores desta antologia, desfrutamos de cultura e conhecimento. E para os que perguntam, também de maneira preconceituosa, o que nós que temos cultura e conhecimento fizemos por este país, uma das respostas é: produzimos contos que incentivam a discussão e o combate aos preconceitos!

Renato A. Azevedo é autor de De Roswell a Varginha (2008). Consultor da revista UFO, colaborador da revista Scifi News, co-editor do site Aumanack. Autor convidado nas antologias UFO: Contos Não Identificados e Medieval Scifi. Participante da antologia Histórias Fantásticas Vol. 1, e Imaginários 4.

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ROBER PINHEIRO

Eu Era um Lobisomem Juvenil

Estou literalmente sem palavras para expressar o que essa obra é. Comprove lendo!

Rober Pinheiro é publicitário, tradutor e revisor. Publicou o romance Lordes de Thargor, o Vale de Eldor (2008) e participa das antologias Sagas, Vol. 1 – Espada & Magia (2011), Histórias Fantásticas 2 (2011), Paradigmas (2010), Imaginários (2010) e Medieval Sci-Fi (2010).

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Leia um trecho da obra!

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Guia de Primeiros Socorros para o Escritor Iniciante

maio, 22 - 2011

Acabo de criar uma nova página neste blogue. Na verdade, um pequeno manual de escrita com a finalidade de sanar as dúvidas mais frequentes que os jovens escritores me mandam.

O Guia de Primeiros Socorros para o Escritor Iniciante 1.0 pode ser baixado em PDF ou ser consultado diretamente clicando aqui ou no ícone do menu. É copyleft, o que significa que ele é gratuito e ficará disponível a todos os que se interessarem em consultá-lo.  Pretendo atualizá-lo eventualmente, inserindo mais perguntas e respostas; portanto seja bem vindo se quiser contribuir com suas dúvidas, comentários e dicas!

Divirta-se! 😉

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Entrevista quentinha

março, 5 - 2011

Acaba ser publicada a entrevista que concedi ao Muller Gomes para um blogue de literatura, entretenimento e variedades.

Falamos sobre literatura de FC e Fantasia, carreira de escritor, como publicar livros e sobre os meus projetos em andamento. Fazia tempo que não dava uma entrevista, agradeço ao Muller pela oportunidade!

Leia o papo na íntegra no blogue da Taberna do Viking!

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A Batalha do Apocalipse

janeiro, 31 - 2011

Eu costumava dizer por aí que meu lamento sobre a literatura fantástica brasileira era que eu ainda não tinha encontrado um livro que me despertasse o mesmo sense of wonder que senti com grandes autores como Arthur Clarke, Ursula Le Guin, Marion Zimmer Bradley… Ou seja, ainda não tinha lido uma obra brasileira arrebatadora.

Posso dizer que essa queixa, sim, ficou no passado!  O livro A Batalha do Apocalipse, do Eduardo Spohr, é merecedor do ISO9001 de excelência literária, e mais: virou um incontestável best seller digno de calar a boca de quem desacreditou do potencial da fantasia brasileira!

Um pouco por preconceito, um tanto por pós-conceito, nunca achei clara a associação entre best seller e qualidade literária, até porque acredito que para se tornar best seller o autor, por mais hábil que seja, precisa fazer certas concessões para agradar a um público numeroso. Nesse pensamento, alguns clichês são previsíveis (quiçá inevitáveis?). Não vou dizer que A Batalha do Apocalipse é um livro isento de clichês, mas é com certeza um best seller de uma qualidade literária surpreendente.

O livro conta a saga do anjo Ablon e seu séquito de anjos guerreiros, todos renegados, vivendo na terra entre os mortais e atravessando os milênios desde a expulsão do paraíso até os tempos do Juízo Final. A diferença fundamental entre anjos e homens é que os anjos não têm alma, nem paixões humanas: são movidos por objetivos maiores, têm uma personalidade estoica e uma inexplicável atração pelo combate. Nesse perfil, Ablon é o típico guerreiro solitário: lutador incansável, puro, movido por um ideal e até mesmo celibatário – exatamente como eram os heróis das novelas de cavalaria. Acontece que o arcanjo Miguel e Lúcifer, o príncipe que governa o inferno com mão de ferro, querem erradicar os anjos renegados, razão pela qual o exército de anjos caídos de Ablon está sendo caçado. Na sua jornada milenar pelo mundo, Ablon tem como sua única companheira a feiticeira Shamira, que conquistou a imortalidade com o domínio das artes da necromancia. Ablon e Shamira levam vidas solitárias, marcadas por encontros e desencontros através dos séculos e em grandes momentos da história humana. É fascinante a habilidade com que o autor desenha a trajetória dos protagonistas tomando confortavelmente como pano de fundo todo o planeta e a história da humanidade! A trama se passa em momentos e regiões tão diferentes quanto a Babilônia, a China, Roma, Alexandria, a Bretanha medieval, o Império Romano do Oriente, o Rio de Janeiro e a Jerusalém contemporânea – e mesmo as cidades bíblicas de Enoque e Sodoma – amarrando todos esses lugares e períodos dentro de uma única aventura, que se saiu muito variada e instigante.

É bastante interessante a forma com que foi tratada a coexistência dos universos: o mundo dos anjos que se liga ao dos mortais pelo “tecido da realidade”, que por sua vez pode se relacionar a outras teogonias, como os contos de fadas celtas e a mitologia chinesa.

Há um cuidado especial com as ambientações históricas, geográficas, técnicas e até mesmo bíblicas! É muito bom ler um livro tão rico e que passe as informações corretas, nota-se um profundo respeito para com a história e, principalmente, para com o leitor! Dentro da proposta do épico, o livro é praticamente perfeito. É uma história ambiciosa, variada, e constituída por uma pesquisa riquíssima. O texto é bem redigido e tem o ritmo certo. Apesar de ser um livro longo, não enrola o leitor. O universo tem consistência interna, é coerente e verossímil. E é bonito! Repleto de cenas grandiosas, é cinematográfico!

Eu comentei que o livro não é isento de clichês. Como no épico, tudo é idealizado: os personagens, as lutas, as situações. Em algumas circunstâncias, a idealização torna certos detalhes da trama bastante previsíveis, o que não prejudica a beleza e a força do resultado final.

Por uma questão de gosto pessoal, eu sou uma leitora que cochila em cenas de ação e de luta – curto mais a viagem, os questionamentos – então os últimos trechos, que contam a Batalha do Apocalipse propriamente dita, me pareceram um pouco cansativos. Em contrapartida, pude me deleitar em maravilhosas viagens com Ablon, Shamira e Flor do Leste (uma personagem de carisma irresistível) através da antiguidade.

Provavelmente a razão (e o merecimento) de tamanho sucesso d’A Batalha do Apocalipse é esta: é uma saga variada, com potencial de agradar a gregos e troianos e encantar todo mundo!