Posts Tagged ‘política’

h1

Em quem vou votar no 2º turno

outubro, 4 - 2010

Ainda é cedo, e até dia 31 tudo pode acontecer. Mas acho que já sei qual vai ser minha decisão. Neste 2º turno acabou-se minha pseudoneutralidade suíça. Queria muito eleger uma mulher presidente do Brasil, que parece durona e capaz, o problema? O problema é que você compra o cachorro e leva de brinde os carrapatos!

O problema é o partido, velho!

Eu não vou votar em nenhum candidato. Vou votar é contra o Zé Dirceu, contra o Palocci, contra o Genoíno. Vou votar contra os mensaleiros. Vou votar contra “o cara” que, apesar da maior aprovação popular da história (e dada a volatilidade dos números nas pesquisas desta eleição, até disso tenho dúvidas), faz média com ditadores como o Hugo Chávez e o Ahmadinejad!

No mais, comportem-se no próximo dia 31 de outubro, crianças. Quem se vestir de bruxa neste Halloween pode ser acusado de fazer boca de urna pra Dilma. E quem se vestir de vampiro ou zumbi, de fazer boca de urna pro Serra! Guardem as fantasias pra de noite, depois da votação.

E boa ressaca eleitoral pra todos nós!

h1

Em quem vou votar

setembro, 29 - 2010

Alguns meses atrás eu tinha prometido não voltar a falar de política neste blog. Mas é que não dá!! Voltei da viagem para encontrar a eleição mais baixo nível que esperava ver na vida (ou será que sou que fiquei exigente demais?). Tiririca disparado em primeiro lugar para deputado federal??! Netinho para senador??! Esse é o tipo de notícia que me dá vontade de refazer as malas e ir embora pra Austrália! Estou profundissimamente decepcionada com minha falta de opções, e vou fazer bom uso deste canal de comunicação pessoal para deixar claro o meu protesto.

E já que o voto é meu para quem eu quiser mostrar, deixo minhas escolhas comentadas aqui, para quem quiser saber:

Presidente

Não vou votar na Dilma, não somente pelo recente escândalo da Berenice Guerra na Casa Civil, não somente por ter Michel Temer como vice, não somente porque não gosto do discurso assistencialista muito conveniente (e eleitoreiro) do PT, mas por vê-la como mero fantoche do partido, que já se dá ao devaneio (e cara de pau) de dividir cargos antes de ganhar a eleição.

Não vou votar no Serra, em primeiro lugar por aceitar este tipo de apoio político que já vem de outras eleições, se não com o mesmo candidato, com a mesma retórica. Segundo, por falar muito em aumentos, bolsas e expansões assistencialistas, com propostas de aumento do salário mínimo para R$600, aumento de 10% na aposentadoria, 13º salário do bolsa família, criação do bolsa adolescente, “erradicação da pobreza” (tá!), mas o que eu gostaria mesmo era ver a viabilidade dessas promessas.

Não vou votar na Marina. Até que ela tem propostas razoáveis, e merece aplausos por ser a única candidata a presidente com uma política clara voltada para o meio-ambiente. Mas… eita cabecinha! Marina, eu até te perdoaria por ser evangélica, mas por concordar com o ensino do criacionismo não dá! E é muito fácil quando um assunto polêmico como o aborto ou a união civil lhe cai nas mãos se livrar logo da batata quente propondo um “plebiscito”, e assim disfarçar que é conservadora ao mesmo tempo em que posa de democrática. Democrática uma banana! Quero ver se proporia um plebiscito se não tivesse certeza de que o povo brasileiro em massa compartilha da sua mesma opinião. Não consigo enxergar democracia em deixar que uma maioria de cidadãos decida por direitos de minorias. Valeu pela tentativa, Marina, mas não dá!

*Post-scriptum: e não é que, desertada do apoio dos evangélicos, Marina resolveu mudar o discurso para posar de candidata liberal? Ao mesmo tempo em que Dilma muda claramente o discurso sobre a legalização do aborto para se dobrar à vontade da bancada evangélica. Ah, as eleições e suas idiossincrasias!

Não vou votar no Plínio, que é o paradoxo em pessoa.

Não vou votar em nenhum dos outros candidatos.

Resumo da ópera: voto nulo.

Governador

Voto no Geraldo Alckmin, em quem vejo poucas probabilidades de me dar más surpresas.

Senador

Voto no Ricardo Young, do PV, por ter um curriculum que me orgulharia muito de que fosse de um presidente do Brasil.

Voto no Aloysio Nunes, do PSDB, pelo histórico de atuação contra impostos abusivos e principalmente por trabalhar em favor da cultura.

Deputado Federal

Eu ia votar no Fernando Alcântara, do PSB, mas nesta última hora soube que o Protógenes Queiroz está candidato a deputado federal pelo PCdoB e, levando em consideração que ele prendeu vagabundos de altíssimo quilate (Maluf, Pitta, Law King Chong, Daniel Dantas), razão pela qual foi perseguido, investigado, sacaneado e, por fim, afastado da PF, eu muito que vou dar um voto de confiança pra esse cara! Pena que se for eleito ele não vai pra Brasília com poder de polícia, mas espero que faça um bom serviço ajudando a desinfetar as cadeiras da Câmara dos Deputados daqueles vermes que roem o dinheiro público no Brasil.

Deputado Estadual

Voto no Carlos Giannazi, do PSOL. Candidato da capital paulista, ele tem como carro chefe da campanha a educação pública, foi pivô da expansão da Unifesp (com a criação do campus Santo Amaro), tem projetos para a área da cultura, além de ter discursado na câmara de SP em favor da criminalização da homofobia.

h1

Adendo

junho, 10 - 2010

Quanto mais discuto política, mais gosto de física quântica. Quanto mais discuto política, mais gosto de novela, de futebol, de carnaval e de axé. Quanto mais discuto política, melhor me parece o créu e o pangolé.

Por essas e outras razões, me calo.

Quero dizer que sou agnóstica em matéria de política. Esclareço que não sou fã de Israel, não sou fã do Irã, não sou fã do Lula, nem do Serra, nem da Dilma, nem da Marina. Vou segui-los no twitter, mas prometo que os políticos não voltarão a este blog tão cedo.

E não me candidato a nada.

E aproveito para declarar, também, que essa discussão está encerrada.

h1

Toma que o aborto é teu

junho, 6 - 2010

Segundo essa reportagem publicada no Estadão, uma em cada sete mulheres brasileiras entre 18 e 39 anos já abortou. A pesquisa ainda diz que 80% delas têm religião, 64% são casadas e 81% são mães, sinal de que essas “criminosas” (considerando que no Brasil o aborto é crime) não estão nada distantes do perfil da maioria das mulheres que você e eu conhecemos. Indiretamente, isso também significa que a cada sete mulheres com quem você e eu convivemos, uma já deve ter praticado o aborto. Elas estão nas nossas famílias, são nossas amigas, colegas de trabalho e de faculdade… Não são “as outras”.

O que acho intrigante é que as pessoas agem como se o problema do aborto existisse por si mesmo. Quando a discussão surge, me vem essa pergunta inquietante: por que o pessoal do “a favor” e do “contra” não resolve fazer algo verdadeiramente efetivo contra o aborto, como combater o seu problema original: a gravidez indesejada?

Suponhamos que exista o acesso universal a métodos contraceptivos e que as pessoas estejam devidamente informadas. Suponhamos que haja uma grande conscientização sobre o problema da gravidez indesejada. Suponhamos que cada mulher e cada homem que não deseja ter filhos faça a parte que lhe cabe para evitá-los.

Suponhamos que métodos de esterilização definitiva sejam disponibilizados sem restrições nos hospitais públicos para todas as pessoas que queiram optar por eles de espontânea vontade.

Suponhamos que não existam mulheres abandonadas pelos homens que as engravidaram.

Suponhamos que as crianças e adolescentes sejam devidamente orientados, acompanhados e não reprimidos (e jamais abusados).

Suponhamos que não haja estupros. Suponhamos que ninguém seja coagido a fazer sexo sem proteção.

Suponhamos que todas as mulheres sejam donas da sua sexualidade e não sejam oprimidas. Suponhamos que elas não tenham medo de perder o emprego por estarem grávidas.

Suponhamos que as pílulas contraceptivas não falham e que as camisinhas não furam.

Nessa suposta realidade, o problema do aborto foi minimizado ao extremo, e só se aplica em casos de exceção, de fetos malformados ou quando a gravidez é de risco para a mãe. O fim da gravidez indesejada tecnicamente colocaria um fim sobre o “problema do aborto”.

Mas se você concorda comigo que esse quadro está muito distante da nossa realidade, e que:

– Algumas pessoas são sexualmente irresponsáveis.

– Seres humanos cedem a impulsos independentemente da disponibilidade da camisinha.

– Mulheres são oprimidas.

– Mulheres são estupradas.

– Mulheres são abandonadas pelo pai da criança que levam no ventre.

– Mulheres perdem o emprego quando ficam grávidas.

– Homens acham que esse problema não é com eles.

– Métodos contraceptivos são combatidos por instituições religiosas, o acesso não é universal e as pessoas não estão devidamente informadas.

– Adolescentes sofrem pressão de grupo para transar, nem sempre têm acesso a métodos anticoncepcionais, nem sempre são orientados ou simplesmente acham que são imunes às consequencias do sexo sem proteção.

– Cirurgias de vasectomia e ligadura de trompas estão disponíveis nos hospitais públicos apenas para homens e mulheres maiores de 25 anos e com dois ou mais filhos vivos.

– Pílulas falham, camisinhas também.

– As leis nem sempre se cumprem neste país.

E por mais que se faça para combater a gravidez indesejada, ela continuará acontecendo por razões que fogem a toda tentativa de controle.

Pode-se adivinhar que enquanto houver gravidez indesejada, haverá aborto. E enquanto o aborto for ilegal, haverá abortos clandestinos. E enquanto houver abortos clandestinos, haverá mulheres com complicações, mortes e custos arcados pelo Estado no atendimento a essa população. A conclusão é que nada resolve o “problema do aborto”, ele no máximo pode ser minimizado, ou autorizado como método de redução de danos.

Agora, vou levantar uma outra questão, interessantíssima:

Quantas das pessoas que gostam de debater sobre o aborto estão realmente preocupadas em resolver o problema da gravidez indesejada?

Porque algo me diz que a febre do debate é uma dessas coisas que existem por si mesmas, uma forma de instinto bélico, onde a graça é a argumentação, defender seu grupo e seu ponto de vista como quem defende um território e demarca limites claros entre “bem” e “mal”, “certo” e “errado”. Existe o desejo de confrontar, de submeter e de controlar os outros. Sem um debate bem quente muitos ficam órfãos de causa.

Quem veio aqui na esperança de me ver tomar parte em algum dos lados do discurso vai ficar decepcionado. Eu vim dizer que a culpa do aborto é minha, é sua, é do padre, do presidente e da sua avó. Implicitamente, isso nos obriga a tomar, não uma posição, mas uma ação. Eu vim lhe inquirir e convidar você a se tornar também um chato inquiridor.

Pergunte às pessoas que gostam de debater sobre o aborto o que elas tem feito:

– Para aumentar a conscientização sobre a gravidez indesejada?

– Para informar a população sobre o assunto?

– Para contribuir com as políticas de planejamento familiar?

– Para garantir o acesso popular aos métodos contraceptivos nas redes de saúde públicas?

– Para orientar crianças e adolescentes sobre sexo seguro?

– Para desconstruir a cultura machista no Brasil?

– Para garantir os direitos da mulher?

– Para assegurar a punição dos estupradores e dos pais que fogem à paternidade?

– Para cobrar mais ações dos políticos?

– Para cobrar que sejam cumpridas as leis?

É muito gostoso apontar o dedo e inflamar o discurso, agora quero ver arregaçar as mangas e mostrar o que sabem fazer.

h1

As consequencias do casamento gay

maio, 31 - 2010

Como vocês vêem, é um assunto muito espinhoso, complicado, exige aconselhamento espiritual e um planejamento de longo prazo. Não importa o que já demonstrou a Holanda, a Dinamarca, a Noruega, a Alemanha, (contra os exemplos de Sodoma e Gomorra, nenhum país é páreo). Como as dúvidas são muito grandes, melhor fazer plebiscito (como propõe D. Marina Silva, já sabendo o resultado) ou deixar para a próxima geração de deputados e senadores resolverem (ou não).

Agora, definitivamente, com a desorganização que existe dentro da militância GLBT brasileira, ninguém vai conseguir pleitear nada. Nem nesse governo, nem no próximo.

E aí, Dilma?