Posts Tagged ‘psicologia’

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Minha dissertação sobre homofobia

setembro, 29 - 2014

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Disponibilizo a quem interessar minha dissertação sobre a pesquisa que fiz no meu mestrado em psicobiologia, “Aspectos afetivos e cognitivos da homofobia no contexto brasileiro – Um estudo psicofisiológico”.
A pesquisa foi concluída em 2009 mas o assunto continua mais atual do que nunca. De uns tempos pra cá tenho refletido sobre a necessidade de transformar essa dissertação em um livro de divulgação científica, coisa que pretendo fazer.

Você pode baixar o pdf clicando no link:

Aspectos afetivos e cognitivos da homofobia no contexto brasileiro – Um estudo psicofisiológico, Cristina Lasaitis, 2009.

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Eu no Universo Fantástico com Liz Vamp

junho, 26 - 2011

Todas as terças-feiras, às 13h, vai ao ar na ClicTV (filiada da TV UOL) o programa Universo Fantástico, apresentado pela Liz Vamp. Um espaço para falar de literatura, cinema, ficção científica, fantasia, terror e cultura nerd em geral. Dia 21/06 foi minha vez de me sentar na poltroninha ao lado da Liz e bater um papo de meia hora sobre algumas das 2087 coisas que andei fazendo nos últimos tempos, incluindo minha pesquisa sobre homofobia, a participação no Worldcon da Austrália, o lançamento da Fantástica Literatura Queer, dicas para escritores iniciantes, etc. etc. etc.. Foi divertidíssimo participar da gravação ao vivo e faltou programa para tanto papo.

Outro entrevistado do dia foi o Milho Wonka, personagem da noite paulistana, talentoso produtor de vídeos e que tem um canal no youtube só pra ele, a ChocolaTV, com vídeos engraçadíssimos, vale a pena ver!

Disponibilizei no Youtube 50 min do programa, fatiados em 10 pedacinhos, ao gosto do Jack Estripador. Quero deixar meus milhões de agradecimentos à Liz. E pra você que vai assistir, peço desculpas antecipadas por estas mãos que falam mais do que eu.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

Parte 6

Mais links para a parte 7, parte 8, parte 9 e parte 10.

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E por falar no trágico…

abril, 8 - 2011

Hoje, que uma escola no Rio foi invadida e uma dúzia de estudantes foram assassinadas (digo no feminino porque merece que assim seja dito, os alvos preferenciais foram meninas), eu senti que não sou imune – ou emocionalmente imune aos fatos (ufa, sou humana!). E senti uma inquietação enorme pra dizer algo (eu, que sou tão calada), então resolvi escrever sobre algumas coisas que acredito.

Falando brevemente sobre o episódio, o que ocorreu naquela escola do Rio é, na minha visão, tanto um problema de criminalidade quanto de saúde pública. De criminalidade porque as armas usadas não deviam estar naquelas mãos. E de saúde pública porque o atirador era um doente mental, jamais diagnosticado ou tratado, o que fica evidente pelo conteúdo da carta que ele deixou. Aquele homem tinha muitos traços que faz pressupor que era esquizofrênico ou que tinha transtorno de personalidade esquizóide (e não um psicopata – ou alguém com transtorno de personalidade antissocial –, como muitos dizem), com um delírio muito particular que o levou a um ato de vingança contra a escola onde estudou, possivelmente por bullying, e ironicamente contra pessoas que não tinham nada a ver com isso.

Na carta, chamava a atenção o discurso fortemente religioso e cristão, com várias menções à ideia de pureza e também pedidos de oração. A mim parece óbvio que a religião só serviu de muleta para uma mente caduca, como é característico de todo fanatismo. Talvez esse fator tenha ainda orientado outra particularidade macabra da execução: a preferência por matar meninas.

E agora, a quem vamos culpar? Ao louco com seu delírio? Aos órgãos públicos, que falharam em prover segurança? À saúde pública, que é ineficaz em dar o devido diagnóstico e tratamento aos doentes mentais? À mídia, pela falta de informação e esclarecimento popular sobre doenças mentais? À religião, que forneceu o discurso usado na desastrosa justificativa do atirador? À escola, que não impediu que o ex-aluno sofresse bullying? Aos traficantes de armas, que colocaram revólver e munição em mãos tão perigosas? À internet, que disponibiliza a todos qualquer tipo de informação? A busca por culpados nos deixa irremediavelmente apontando o dedo uns para os outros, e quem escolher um alvo preferencial para expiar a culpa estará assinando um atestado de simplismo.

Infelizmente isso significa que crimes assim são muito difíceis de impedir, e pela enormidade de fatores que fogem ao controle, o caso se parece muito mais com uma fatalidade do que com uma chacina.

E eu tinha iniciado este artigo num rompante de revoltas e emoções atropeladas sobre religião, machismo, bullying, dentre outros espinhos que me justificam como pessoa – a ideologia íntima com a qual eu, como filha desta espécie viciada em ideologias, faço uso dos fatos para defender minhas posições. Mas resta a perplexidade ao perceber como qualquer ideologia é mesquinha se aplicada sobre acontecimentos da vida alheia. Mas aí que está: não somos alheios. Eu me senti vitimada, embora não saiba bem em qual parte. A tragédia é nossa, é de todos. Amanhã pode ser comigo, com você, ou com alguém que amamos; e nesse hiato paira o sentimento insuportável que é a impotência perante o destino (no qual eu não acredito e prefiro chamar de acaso). Eu queria conhecer uma solução, queria tirar uma boa conclusão, mas de repente fiquei pequena demais. Acho que vou ficar só com isso: sou humana, e minha dor também é a dor dos outros, que são também os meus.

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Entrevista sobre homofobia para a Jovem Pan

janeiro, 25 - 2011

Hoje fui aos estúdios da TV Jovem Pan Online dar uma entrevista à Patrícia Rizzo para falar sobre homossexualidade e homofobia. Agradeço à Jovem Pan pela iniciativa e oportunidade. Seguem os vídeos da entrevista de meia-hora, em 3 partes:

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Entrevista sobre homofobia para a CBN

janeiro, 19 - 2011

Algumas pessoas têm pedido mais informações sobre o estudo sobre homofobia da UNIFESP que está circulando na mídia desde anteontem (segunda feira 16/01). Atendendo a pedidos, pretendo redigir um artigo informativo sobre o estudo e publicá-lo aqui em breve.

Mas por hora, deixo os esclarecimentos da entrevista que dei à Fabíola Cidral para o programa CBN Total na rádio CBN SP nesta noite de terça-feira (17/01). Para ouvir é só clicar no link abaixo (fiquem tranquilos que não é vírus!):

Entrevista CBN

E deixo o meu muito obrigada ao meu amigo Hugo Vera pela gravação do programa, sem a qual eu não teria como fazer este post!

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Minha pesquisa divulgada

janeiro, 18 - 2011

Hoje estou comemorando o quase encerramento de um ciclo. As dificuldades de se fazer pesquisa no Brasil ainda são grandes, e conseguir levar a cabo um estudo bem sucedido, publicá-lo e divulgá-lo é um fato que merece muita comemoração.

Ao me formar pesquisadora biomédica eu padecia de um certo desânimo, pois tinha a impressão de que a ciência estava muito afastada do cotidiano das pessoas (e sobretudo dos brasileiros), e eu não queria passar o resto da vida estudando “a proteína da asa esquerda da borboleta africana”.

Para uma pessoa a priori apaixonada pela compreensão do universo, o desfiladeiro de especializações que o mundo acadêmico impõe e que obriga o pesquisador a estreitar o seu foco de interesse até se tornar “doutor em tal coisa” é um martírio.

Eu sou uma generalista de corpo e alma, não uma especialista. E se você não pode usar o conhecimento para intervir no mundo em que vive, de que ele serve?

Grande parte da literatura de auto-ajuda, que vende tanto, existe para repetir indefinidamente às pessoas “a felicidade é fazer aquilo que você gosta, e trabalhar pelo que acredita”. No final, depois de um longo passeio pelo mundo dos enforcados, o que salva é o retorno ao sonho primordial: insuflado daquele idealismo quixotesco que o fez sonhar em melhorar o mundo, inda que isso significasse lutar contra os moinhos de vento.

Ao procurar uma pós-graduação, eu fui muito teimosa ao insistir que só valeria a pena se eu pudesse ver a repercussão de um estudo na minha realidade imediata, sendo que eu não queria enfrentar outra coisa senão os meus moinhos.

Minha dissertação de mestrado “Aspectos afetivos e cognitivos da homofobia no contexto brasileiro – Um estudo psicofisiológico” foi concluída em 2009 e está sendo divulgada na mídia agora no início de 2011.

Isso só foi possível pelo apoio de entidades e pessoas que muito me ajudaram e que agradeço de coração: meu orientador e co-orientadora, professor Orlando Bueno e professora Rafaela Ribeiro; os voluntários que participaram da pesquisa; as entidades que financiaram o estudo, FAPESP, AFIP e CNPq; e por último e não menos importante, o trabalho da Assessoria de Imprensa UNIFESP, especialmente do José Luiz Guerra.

Seguem os links das reportagens publicadas sobre o estudo até o momento:

Estudo da Unifesp revela que homofobia pode estar baseada em sentimentos como medo e vergonha e seria um comportamento defensivoCBN Noite Total (com áudio da entrevista)

Homofobia seria comportamento defensivo, sugere pesquisa da UnifespA Capa

Estudo da Unifesp sugere que a homofobia envolve relação de medo Comunicação UNIFESP, BOL Notícias, UOL Notícias, Ciber Saúde, Jornal de Floripa, Espaço GLS, SIS.SAÚDE

Estudo da UNIFESP indica que causa da homofobia pode ter origem no medo e no preconceitoLado A

Estudo da UNIFESP aponta que a homofobia é mais relacionada ao preconceito e ao medo que ao ódioAgência de Notícias da AIDS , Agência AIDS

Pesquisa realizada pela Unifesp aponta que o preconceito pode ser uma reação defensivaCesar Giobbi

BOO!!! UNIFESP ASSUSTOU HOMOFÓBICOS PARA DESCOBRIR UMA DAS FONTES DO PRECONCEITODAS LOKA (Blog da Salete Campari)

Nos casos de homofobia, estudos da Unifesp sugerem relações de medoMentes Atentas

Segundo pesquisa, homofobia seria comportamento defensivoMundo Alternativo

E ainda há a entrevista realizada terça, 18/01, para a rádio CBN SP (90,5 FM/ 780 AM) e que pode ser ouvida clicando aqui.

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A primeira foto do bebê

janeiro, 7 - 2010

“Aspectos afetivos e cognitivos da homofobia no contexto brasileiro – Um estudo psicofisiológico.”

Cristina Lasaitis, 2009 – Mestrado

Aí está a síntese dos meus esforços de 2009: três anos de experimentos, dois artigos publicados, centenas de voluntários analisados, muitos contos que não escrevi, as unhas roídas e uns 10 quilos de café extra-forte. O parto foi difícil e o rebento é pesado e lindo! Tem 182 folhas, capa bordô e letrinhas prateadas.

Minha sensação agora, passado tudo é… NÃO QUERO VER TESE POR UM BOM TEMPO!

Quer dizer, até o doutorado, que talvez comece este ano.

Eu diria que a pós-graduação é um delicioso (e insano) meio de vida – não um fim, um meio mesmo. Um estilo de vida que enlouquece mas que pode lhe dar bastante liberdade de movimento e de criação, o que é bom quando é exatamente isso que você deseja.

Minha tese deverá estar disponível no banco de teses da CAPES dentro de dois anos. Demora tudo isso porque os resultados do estudo ainda tem que ser publicados.

Agradeço a todas as pessoas que me ajudaram nessa empreitada, não seria possível sem a mãozinha de muita gente que acreditou, investiu e participou desse trabalho, que teve uma importância imensurável na minha vida.

E vamos pra próxima!