Posts Tagged ‘sexualidade’

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Toma que o aborto é teu

junho, 6 - 2010

Segundo essa reportagem publicada no Estadão, uma em cada sete mulheres brasileiras entre 18 e 39 anos já abortou. A pesquisa ainda diz que 80% delas têm religião, 64% são casadas e 81% são mães, sinal de que essas “criminosas” (considerando que no Brasil o aborto é crime) não estão nada distantes do perfil da maioria das mulheres que você e eu conhecemos. Indiretamente, isso também significa que a cada sete mulheres com quem você e eu convivemos, uma já deve ter praticado o aborto. Elas estão nas nossas famílias, são nossas amigas, colegas de trabalho e de faculdade… Não são “as outras”.

O que acho intrigante é que as pessoas agem como se o problema do aborto existisse por si mesmo. Quando a discussão surge, me vem essa pergunta inquietante: por que o pessoal do “a favor” e do “contra” não resolve fazer algo verdadeiramente efetivo contra o aborto, como combater o seu problema original: a gravidez indesejada?

Suponhamos que exista o acesso universal a métodos contraceptivos e que as pessoas estejam devidamente informadas. Suponhamos que haja uma grande conscientização sobre o problema da gravidez indesejada. Suponhamos que cada mulher e cada homem que não deseja ter filhos faça a parte que lhe cabe para evitá-los.

Suponhamos que métodos de esterilização definitiva sejam disponibilizados sem restrições nos hospitais públicos para todas as pessoas que queiram optar por eles de espontânea vontade.

Suponhamos que não existam mulheres abandonadas pelos homens que as engravidaram.

Suponhamos que as crianças e adolescentes sejam devidamente orientados, acompanhados e não reprimidos (e jamais abusados).

Suponhamos que não haja estupros. Suponhamos que ninguém seja coagido a fazer sexo sem proteção.

Suponhamos que todas as mulheres sejam donas da sua sexualidade e não sejam oprimidas. Suponhamos que elas não tenham medo de perder o emprego por estarem grávidas.

Suponhamos que as pílulas contraceptivas não falham e que as camisinhas não furam.

Nessa suposta realidade, o problema do aborto foi minimizado ao extremo, e só se aplica em casos de exceção, de fetos malformados ou quando a gravidez é de risco para a mãe. O fim da gravidez indesejada tecnicamente colocaria um fim sobre o “problema do aborto”.

Mas se você concorda comigo que esse quadro está muito distante da nossa realidade, e que:

– Algumas pessoas são sexualmente irresponsáveis.

– Seres humanos cedem a impulsos independentemente da disponibilidade da camisinha.

– Mulheres são oprimidas.

– Mulheres são estupradas.

– Mulheres são abandonadas pelo pai da criança que levam no ventre.

– Mulheres perdem o emprego quando ficam grávidas.

– Homens acham que esse problema não é com eles.

– Métodos contraceptivos são combatidos por instituições religiosas, o acesso não é universal e as pessoas não estão devidamente informadas.

– Adolescentes sofrem pressão de grupo para transar, nem sempre têm acesso a métodos anticoncepcionais, nem sempre são orientados ou simplesmente acham que são imunes às consequencias do sexo sem proteção.

– Cirurgias de vasectomia e ligadura de trompas estão disponíveis nos hospitais públicos apenas para homens e mulheres maiores de 25 anos e com dois ou mais filhos vivos.

– Pílulas falham, camisinhas também.

– As leis nem sempre se cumprem neste país.

E por mais que se faça para combater a gravidez indesejada, ela continuará acontecendo por razões que fogem a toda tentativa de controle.

Pode-se adivinhar que enquanto houver gravidez indesejada, haverá aborto. E enquanto o aborto for ilegal, haverá abortos clandestinos. E enquanto houver abortos clandestinos, haverá mulheres com complicações, mortes e custos arcados pelo Estado no atendimento a essa população. A conclusão é que nada resolve o “problema do aborto”, ele no máximo pode ser minimizado, ou autorizado como método de redução de danos.

Agora, vou levantar uma outra questão, interessantíssima:

Quantas das pessoas que gostam de debater sobre o aborto estão realmente preocupadas em resolver o problema da gravidez indesejada?

Porque algo me diz que a febre do debate é uma dessas coisas que existem por si mesmas, uma forma de instinto bélico, onde a graça é a argumentação, defender seu grupo e seu ponto de vista como quem defende um território e demarca limites claros entre “bem” e “mal”, “certo” e “errado”. Existe o desejo de confrontar, de submeter e de controlar os outros. Sem um debate bem quente muitos ficam órfãos de causa.

Quem veio aqui na esperança de me ver tomar parte em algum dos lados do discurso vai ficar decepcionado. Eu vim dizer que a culpa do aborto é minha, é sua, é do padre, do presidente e da sua avó. Implicitamente, isso nos obriga a tomar, não uma posição, mas uma ação. Eu vim lhe inquirir e convidar você a se tornar também um chato inquiridor.

Pergunte às pessoas que gostam de debater sobre o aborto o que elas tem feito:

– Para aumentar a conscientização sobre a gravidez indesejada?

– Para informar a população sobre o assunto?

– Para contribuir com as políticas de planejamento familiar?

– Para garantir o acesso popular aos métodos contraceptivos nas redes de saúde públicas?

– Para orientar crianças e adolescentes sobre sexo seguro?

– Para desconstruir a cultura machista no Brasil?

– Para garantir os direitos da mulher?

– Para assegurar a punição dos estupradores e dos pais que fogem à paternidade?

– Para cobrar mais ações dos políticos?

– Para cobrar que sejam cumpridas as leis?

É muito gostoso apontar o dedo e inflamar o discurso, agora quero ver arregaçar as mangas e mostrar o que sabem fazer.

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A primeira foto do bebê

janeiro, 7 - 2010

“Aspectos afetivos e cognitivos da homofobia no contexto brasileiro – Um estudo psicofisiológico.”

Cristina Lasaitis, 2009 – Mestrado

Aí está a síntese dos meus esforços de 2009: três anos de experimentos, dois artigos publicados, centenas de voluntários analisados, muitos contos que não escrevi, as unhas roídas e uns 10 quilos de café extra-forte. O parto foi difícil e o rebento é pesado e lindo! Tem 182 folhas, capa bordô e letrinhas prateadas.

Minha sensação agora, passado tudo é… NÃO QUERO VER TESE POR UM BOM TEMPO!

Quer dizer, até o doutorado, que talvez comece este ano.

Eu diria que a pós-graduação é um delicioso (e insano) meio de vida – não um fim, um meio mesmo. Um estilo de vida que enlouquece mas que pode lhe dar bastante liberdade de movimento e de criação, o que é bom quando é exatamente isso que você deseja.

Minha tese deverá estar disponível no banco de teses da CAPES dentro de dois anos. Demora tudo isso porque os resultados do estudo ainda tem que ser publicados.

Agradeço a todas as pessoas que me ajudaram nessa empreitada, não seria possível sem a mãozinha de muita gente que acreditou, investiu e participou desse trabalho, que teve uma importância imensurável na minha vida.

E vamos pra próxima!

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Policromático e festamórfico

junho, 16 - 2009

 parada

É simplesmente prazeroso pensar que uma passeata que começou há pouco mais de 10 anos com 2 mil corajosos hoje arrasta pela cidade um público de milhões. Óbvio que nem metade das pessoas que vão à parada gay é gay de fato. A festa virou uma espécie de carnaval fora de época, vai gente de todas as idades e todas as tribos; casais, famílias, crianças, cachorros; e tem bandeirinhas, perucas, bexigas, muita fantasia e confete.  Dizem que no começo parecia um pouco mais com uma manifestação política, hoje parece muito mais com uma enorme festa – em teoria é um pouco das duas coisas. Tem gente que quer protestar, tem gente que só quer se divertir, tem gente que vai pra paquerar, tem gente que vai pra badernar… claro que uma mistura dessas só pode ferver, e dá-lhe policiamento. 

Pessoalmente, não sou muito fã da parada pelo mesmo motivo que não sou muito fã de carnaval. Não, não fui nesta última edição. Já tive paradas memoráveis e lindas, mas já faz alguns anos que não participo e tenho um pequeno número de razões que me desencorajam a ir (muitos furtos, muvuca, barulho, sujeira, preguiça e falta de companhia são alguns exemplos).

Tenho a impressão de que a metamorfose – ou festamorfose – da parada gay é aparentemente um fenômeno que só podia acontecer num país que tem esse estranho poder de transformar quase tudo em festa. Não é de admirar que a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo parece ser, não apenas a maior do mundo, mas também a mais plural e com a maior adesão popular. O que eu digo não é uma crítica, em absoluto. Se por um lado o clima de festa parece desvirtuar a seriedade de uma militância de décadas, por outro lado há uma gigantesca inclusão (de heterossexuais, veja só!), o que indiretamente significa apoio popular. Se o movimento LGBT reclamava de invisibilidade, uma maré de 3 milhões de pessoas tem o potencial de escancarar qualquer armário; e nas atuais circunstâncias de luta por direitos, ser visível e ter apoio visível é tudo o que interessa.

É uma apoteose. Um dia mágico que é concedido às pessoas manifestar tudo aquilo que vai nelas; as alegrias, as revoltas, os desejos… não é por acaso que parece uma gigantesca colcha de retalhos das mais variadas intenções. Parece que todos que estão ali (e não estou falando apenas do público LGBT) tomam-na como uma oportunidade única de expressão – de se existirem num estado diferente durante alguns momentos. Talvez num estado mais espontâneo.

Será que essas pessoas estão vestindo a fantasia ou se despindo dela?

Não é nova a ideia de que se todos os gays, lésbicas e bissexuais resolvessem sair do armário de uma hora pra outra, não haveria mais preconceito no mundo.  Algumas pesquisas têm indicado que o caminho é esse mesmo: as pessoas que convivem com alguém assumidamente gay e tem oportunidade de conversar abertamente sobre a sexualidade tendem a ter e a sentir menos preconceito. A atitude muda quando a ideia sai da caixinha dos estereótipos e toma a forma de uma pessoa querida.

Há quem arrisque estimativas populacionais: dizem que até 10% da população pode ser homossexual, de 30 a 50% deve ser bissexual; consequentemente, o restante deve ser hétero. Isso parece fazer tanto sentido quanto estimar quantos porcento gostam de sorvete de chocolate, quantos porcento gostam de sorvete de morango e quantos preferem o de creme, quando poderíamos deixar tudo isso de lado e comprar logo um pote de napolitano.

Os rótulos ajudam as pessoas a se identificar – verdade – mas a despeito disso, têm um peso terrível: o poder de enquadrar as pessoas dentro de categorias do tipo “tudo ou nada”. Assim começa o ciclo da rotulação: “se você se relacionou com alguém do mesmo sexo, então é homo ou pelo menos bissexual, e se você ficou com alguém do sexo oposto provavelmente só está reproduzindo os padrões da sociedade em que vive (logo, fazendo sua obrigação)… Por isso, tome muito cuidado com quem resolve sair e, principalmente, tome cuidado para a fofoca não vazar, porque isso vai decidir o rótulo que você vai levar colado na testa pelo resto da vida.”

É óbvio que as pessoas seriam mais livres sem os rótulos.

O que eu acho mais incômodo na homofobia não é a parte em que ela me agride, mas o fato de que atrapalha a vida de todo mundo, sem exceção. Atinge diretamente aos gays, lésbicas, travestis e transexuais; atinge aos heterossexuais que são estigmatizados por “parecerem” homossexuais; e atinge indiretamente a todas as pessoas, independentemente de sexo ou orientação sexual, que são forçadas dentro de protocolos de comportamento e desencorajadas a ter vínculos de amizade mais íntimos com alguém do mesmo sexo. Todos perdemos algo com isso.

Meu sonho sempre foi mais parecido com o sorvete napolitano ou a colcha de retalhos.  Não penso naquelas utopias horríveis em que as pessoas são dignas de respeito mútuo enquanto muito bem separadas por muralhas raciais/políticas/religiosas/whatever, como democracias hermeticamente fechadas, repúblicas de guetos. Guetos são claustrofóbicos. Seria bom se simplesmente todos pudessem se integrar à sociedade sem medo de serem quem são, e o serem a toda hora, em qualquer lugar; e então datas como o dia da “mulher”, o da “consciência negra” ou do “orgulho gay” se tornariam redundantes.

Eu reclamo do meu país por muitas razões, mas se tem algo no Brasil que me surpreende e me delicia é esse potencial formidável de misturar e conviver. Adoro viver num país cosmopolita, mestiço e sincrético! Sinal de que há espaço para mais mistura, confraternização e convivência. E esperança! Isso é melhor que qualquer utopia de paredes de papelão e teto de vidro, onde metade é democrata e metade é republicana, onde o presidente negro habita a Casa Branca e entoa o bordão: “yes, we can!”

Pois we can too. Perhaps much better!

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A misteriosa sexualidade feminina

junho, 12 - 2008

Recebi uma reportagem do NY Times esta manhã, cortesia da minha amiga Giseli, que, como pesquisadora na área de sexualidade e psicofisiologia – e não apenas como pesquisadora, – eu A-DO-REI!!

Sabe aquelas neuras que passam pela sua cabeça e a levam a perguntar: “Caramba, será que isso só acontece comigo? Sou tão diferente das outras?”. A resposta é: não. Debaixo do véu das normas culturais, parece que não somos tão diferentes assim.

Curti bastante o trabalho da Dra. Chivers. Quem sabe, desmistificando a intrincada sexualidade feminina, não podemos ajudar as mulheres a entenderem a si mesmas e umas às outras?

Depois dessa reportagem me sinto mais segura para dar aquela piscada 😉

Segue um trecho:

“O que excita as mulheres? Não, não é um homem nu”

“Mulheres! Vejam o esplendor da forma nua masculina: esbelta e poderosa, um milagre de músculos esculpidos, caminhando confiante pela areia ou alongando-se na sua frente em sua glória deslumbrante.

Pensando bem, talvez vocês prefiram outra coisa. Assim dizem os cientistas nas fronteiras da pesquisa em torno da eterna questão do que as mulheres acham erótico. A mais recente resposta parece ser: homens nus não ou ao menos não simplesmente homens nus.

“Para as mulheres heterossexuais, olhar para um homem nu caminhando na praia é tão excitante quanto ver uma paisagem”, diz a pesquisadora Meredith Chivers em um novo documentário sobre bissexualidade chamado “Bi the Way”, apresentado no festival de cinema de Nova York NewFest, no dia 6 de junho.
Chivers, pesquisadora do Centro de Vício e Saúde Mental da Universidade de Toronto, diz que tem dados para corroborar sua afirmativa. Recentemente, ela publicou resultados de um estudo no qual ela mostrava vídeos de homens e mulheres nus em várias situações sexuais e não sexuais e media a excitação genital de quem assistia as cenas.

As mulheres heterossexuais não ficavam mais excitadas por homens atléticos nus fazendo ioga ou jogando pedras no oceano do que ficavam com as cenas controle: imagens dos Himalaias cobertos de neve. Quando as mulheres heterossexuais viam um vídeo de uma mulher nua fazendo ginástica, por outro lado, seu fluxo sanguíneo aumentava significativamente.

O que realmente importa para as mulheres, ao menos no ambiente artificial do estudo em que a voluntária assistia a filmes ligada intimamente e a um aparelho chamado photoplethysmograph, não é o gênero do ator, mas seu grau de sensualidade, disse Chivers. Ainda mais do que pessoas nuas fazendo exercícios, elas ficavam excitadas com vídeos de masturbação e mais ainda por vídeos gráficos de casais fazendo amor. Mulheres com mulheres, homens com homens, homens com mulheres: não importava muito para as mulheres, disse Chivers.

“As mulheres parecem fisicamente não diferenciar entre os sexos em suas respostas sexuais, ao menos as mulheres heterossexuais”, disse ela. “Para as mulheres heterossexuais, o gênero não importa. Elas responderam ao nível de atividade”.

O trabalho de Chivers acrescenta a um corpo crescente de evidências científicas que coloca a sexualidade feminina em uma continuidade entre a heterossexualidade e a homossexualidade, em vez de um fenômeno excludente. “Ela está assinalando o que é meio óbvio e ainda assim não explorado: que as mulheres são fluidas em sua sexualidade”, disse uma das diretoras de “Bi the Way”, Josephine Decker, em uma festa após a apresentação do filme em um bar de temática russa.

Mesmo em uma cultura em que muitas vezes ser bissexual passa a ser chique – Britney e Madonna deixam o lugar para Lindsay Lohan e Samantha Ronson (fotografadas se beijando em Cannes, França)- e apesar dos dados da pesquisa mostrarem que os jovens, em particular, estão abertos à experimentação sexual, a bissexualidade ainda tende a ser tratada como novidade, como casualidade excitante, uma fase ou até uma forma de esconder a homossexualidade. A própria Chivers foi autora de um estudo de 2005 usando métodos similares que revelaram que os homens que se diziam bissexuais eram significativamente mais excitados por um único sexo, em geral o masculino.

As mulheres, contudo, são fundamentalmente diferentes, dizem alguns pesquisadores. Uma pesquisadora da Universidade de Utah, Dra. Lisa M. Diamond, publicou um estudo em janeiro na revista “Developmental Psychology” que acompanhava a vida amorosa de 79 mulheres não heterossexuais que se diziam lésbicas ou bissexuais ou nenhuma das opções anteriores. Ao longo de dez anos, as mulheres continuavam a ser atraídas por ambos os sexos, concluiu Diamond.

A resposta das mulheres às imagens dos casais se estende até para outras espécies, concluiu Chivers. Em um experimento de 2004 e novamente no estudo recente, publicado em dezembro de 2007 na revista “Journal of Personality and Social Psychology”, Chivers e seus colegas concluíram que as mulheres eram ligeira mas significativamente excitadas por centenas de chimpanzés bonobo cruzando. Os homens não mostraram a mesma resposta.

E quando Chivers pediu que as mulheres classificassem sua própria excitação diante dos vídeos que assistiam, as mulheres, homo ou heterossexuais, tendiam a dar maior classificação para filmes mostrando mulheres. “As mulheres heterossexuais reagem às mulheres, diferentemente do que se imaginaria”, disse Chivers. “Por que as mulheres são tão excitadas por outras mulheres?” Os homens, homo ou heterossexuais, assim como as lésbicas, foram mais previsivelmente excitados por imagens de seu sexo preferido, disse Chivers.

É difícil saber como entender essa informação. Chivers não faz alegações corajosas a respeito. “Concluir que as mulheres são bissexuais com base em sua resposta sexual seria negar a complexidade e as várias dimensões da sexualidade feminina”, escreveu em seu artigo. Ela admitiu, contudo, que a aparente flexibilidade das mulheres “esteja relacionada a um maior potencial de bissexualidade nas mulheres do que nos homens”.