Posts Tagged ‘terror’

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Minha prateleira na Amazon.com

agosto, 25 - 2012

E já são 3 e-book-contos da minha autoria disponíveis na loja online da Amazon.com a 99 centavos de dólar cada!

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O Incrível Congresso de Astrobiologia 

A bióloga Lima C. é convidada para o MCXI congresso de Astrobiologia por seres anônimos e de outras dimensões da existência. O que poderá aprender essa curiosa humana quando se depara com a sua pequenez em relação ao universo?

O Auto das Normas Divinas (e das coisas que não se deve questionar em vão) 

É um conto de terror sobre vigilância moral protagonizado por um bispo em cruzada contra o aborto e que gostava muito de excomungar.

Sangria

Dizem que as mulheres são bichos estranhos, pois não é normal uma criatura sangrar todo mês e não morrer. Mas será isso verdade? Sangria é um conto de terror psicológico sobre um terror existente na vida das mulheres… todos os meses!

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A Fantástica Literatura Queer – 2ª Chamada!

novembro, 24 - 2011

To be continued…

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A Fantástica Literatura Queer é a primeira coletânea de contos brasileira dedicada à ficção fantástica queer, ou seja, relacionada ao universo GLS, ou LGBT, ou LGBTTT, ou simplesmente de A a Z. Diversidade é o nosso negócio, e se você pensa que existe alguma bandeira ideológica por trás deste projeto, saiba que não poderia estar mais redondamente certo! Nosso compromisso é com a afirmação, a visibilidade e a comemoração da diversidade sexual e literária!
Após duas bem-sucedidas edições – o Volume Vermelho e o Volume Laranja – temos o prazer de anunciar uma nova chamada para submissão de contos para os próximos volumes d’A Fantástica Literatura Queer!

Qual é o prazo da nova chamada?
Vamos receber contos até o dia 01/03/2012.

Quem pode participar?
Uma vez que nosso lema é “diversidade”, podem participar pessoas de toda a galáxia e redondezas. Sem distinção. Sempre.

Como você pode participar?
Enviando um conto bem escrito que corresponda de forma interessante à proposta da coletânea e que esteja dentro das especificações do projeto.

Quais os critérios de participação?
As histórias deverão obrigatoriamente aludir à diversidade sexual. A presença de personagens gays, lésbicas, trans, etc. é desejável, mas não é compulsória. Destacamos que mais importante que o retrato será o questionamento – em outras palavras, serão priorizados os textos que induzam a pensar sobre o tema.
Como exemplo, o autor poderá apresentar a intracultura de minorias sexuais em contextos alternativos e/ou explorar sua interface com outras culturas; poderá debater papéis de gênero, preconceito e discriminação; fazer referências e reinvenções históricas; construir e desconstruir paradigmas afetivo-sexuais, etc. O importante é que o conto responda de forma criativa à proposta.
Os contos deverão se enquadrar dentro da literatura fantástica em sua ampla definição: ficção científica, fantasia e terror (e seus inúmeros subgêneros: ficção científica hard, ficção científica soft, space opera, utopia/distopia, cyberpunk, steampunk, weird fiction, new weird, pós-humanidade, slipstream, história alternativa, ficção alternativa/mashup, horror, terror, fantasia mitológica, fantasia medieval, fantasia urbana, dark fantasy, etc). Sem restrições quanto ao conteúdo erótico.
Os contos devem ser redigidos em língua portuguesa, ser obrigatoriamente inéditos para o meio impresso e ter entre 5 e 25 páginas (com fonte 12 e espaçamento simples). Cada autor poderá enviar quantos contos quiser, porém apenas um poderá ser selecionado.
Os textos deverão ser enviados em arquivo .doc ou .docx para o e-mail: queerfiction@tarjaeditorial.com.br até o dia 01 de março de 2012. Não haverá prorrogação no prazo de recebimento.
Todos os contos serão avaliados e apenas serão aceitos aqueles que alcançarem os critérios de qualidade estabelecidos pelos (exigentes) organizadores.

Quantos contos serão escolhidos?
A composição da coletânea será norteada pela qualidade dos contos recebidos e os organizadores incluirão os textos de maior mérito. A estimativa é publicar entre 7 e 8 contos por volume, mas reiteramos que o critério qualitativo terá prioridade.

Nada ficará no armário!
A Fantástica Literatura Queer está comprometida com a transparência e a visibilidade, portanto não serão publicados contos anônimos ou sob pseudônimos desconhecidos.

Não serão aceitos:
Contos mal escritos, contos excepcionalmente fora das especificações de tamanho, textos em qualquer outro formato que não seja conto, contos que não correspondam à proposta da coletânea ou que apresentem conteúdo ofensivo e discriminatório de qualquer natureza.

Posso mandar o mesmo conto que enviei na chamada anterior?
Se o seu conto estava dentro dos critérios, mas não foi aprovado na primeira seleção d’A Fantástica Literatura Queer, é porque os organizadores julgaram que ele não estava entre os melhores. Nesse caso, sim, você pode mandar a mesma história novamente, mas pedimos que mande uma versão aprimorada.

Já fui publicado n’A Fantástica Literatura Queer, posso participar de novo?
Com certeza! Os autores já publicados nos volumes Vermelho e Laranja podem mandar novos contos.

Como será a publicação?
Os autores estarão isentos de despesas. Todos os custos da publicação (incluindo revisão, diagramação, arte de capa e impressão) serão arcados integralmente pela Tarja Editorial. A coletânea será publicada no formato 14cm X 21cm, com tiragem inicial de 300 exemplares.
Os direitos autorais serão pagos antecipadamente na forma de exemplares da nova edição.

Previsão de Lançamento:
Junho de 2012, mês do orgulho gay, em data próxima à Parada LGBT de São Paulo.

Organização:

Cristina Lasaitis & Rober Pinheiro

Tarja Editorial

queerfiction@tarjaeditorial.com.br

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Veja o que rolou no bate papo da Fantástica Literatura Queer

novembro, 16 - 2011

O evento d’A Fantástica Literatura Queer foi um sucesso! A Cabine Literária preparou um resumão do que rolou no bate papo “E se Harry Potter fosse gay? O tratamento da diversidade sexual na literatura fantástica“.

Participaram da mesa Eric Novello, Alliah, eu 😎 , Rober Pinheiro, Cesar Sinicio Marques, Renato A. Azevedo e Camila Fernandes.

Assista!

Sim, sim! Abrimos nova chamada para submissões para o próximo volume d’A Fantástica Literatura Queer! Mais informações aqui, em breve!

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A Diversidade Sexual na Literatura Fantástica

novembro, 8 - 2011

Está chegando! Na próxima sexta-feira, 11/11/11, teremos a sessão de autógrafos da coletânea A Fantástica Literatura Queer na Livraria Cultura, e também um bate-papo com os autores, o tema: E se Harry Potter fosse gay? O tratamento da diversidade sexual na literatura fantástica.

O evento terá a cobertura da equipe da Revista Fantástica, que está fazendo um ótimo trabalho com a divulgação. Queria reproduzir aqui um texto da Carol Chiovatto, colunista da Revista Fantástica (e também publicitária, escritora e pessoa multitalentosa), com uma interessante reflexão sobre o tema que pretendemos abordar no evento:

A Diversidade Sexual na Literatura Fantástica

por Carol Chiovatto

A arte imita a vida ou a vida imita a arte?

Enquanto a mídia discute a temática da diversidade sexual à medida que os governos do mundo todo começam a adotar políticas que finalmente param de fechar os olhos a algo que já é realidade a muitos anos, observamos que a literatura começou a incluir personagens gays em suas histórias.

E, como não poderia deixar de ser, gostaria de focar na literatura fantástica, que, por natureza, é a que atinge os jovens e consegue chamar a atenção deles para os mais diversos assuntos, mesmo que de forma sutil. Li ultimamente livros de grande sucesso internacional (entre os best-sellers do The New York Times) que traziam personagens gays no núcleo protagonista.

A série Morada da Noite (House of Night, no original), de PC Cast e Kristin Cast, traz Damien como um dos melhores amigos da personagem principal, assim como a série Os Imortais, de Alison Nöel, traz Miles, também gay, no círculo das principais amizades da protagonista.

As duas séries tem muito em comum, já que surgiram na onda dos romances sobrenaturais, e Miles e Damien se parecem muito: são legais, adoráveis, e um tanto estereotipados.

No entanto, as histórias não são sobre eles. Os rapazes, nos livros em que aparecem, são apenas coadjuvantes, de cuja vida nem ficamos sabendo muito. Na verdade, salvo poucas palavras, e o papel que desempenham na vida da protagonista, poderiam sumir da história ou serem trocados por uma amiguinha, e não faria a menor diferença.

Isso é bom ou ruim?

Se a proposta é mostrar que os gays estão sendo incluídos, é péssimo, porque não os inclui. Por outro lado, podemos considerar que a inserção de um personagem homossexual acabou ficando tão natural que nem é preciso grande alarde para o fato. E, nesse caso, é um pouco hipócrita, porque a sociedade ainda teima em segregar essas pessoas como se fossem realmente diferentes de todo o resto – os normais, os héteros.

Um amigo meu uma vez escreveu em algum canto, talvez no Twitter, que não é que os gays queiram dominar o mundo. Eles simplesmente querem ter o direito de ler um livro ou ver um filme em que o foco da história seja um casal gay. E isso não precisa ser ofensivo para quem é hétero, porque há décadas e décadas todos leem e assistem o que está passando. Sempre a mocinha e o mocinho apaixonados passando por uma espécie de conflito e vivendo felizes para sempre depois.

JK Rowling revelou, fora do ambiente de Harry Potter, que o mago e mentor de Harry, Dumbledore, era gay e apaixonado por seu maior inimigo e antes melhor amigo, Grindenwald. Alguns falaram que a autora não quis revelar essa informação antes porque seria muito estranho os dois andarem juntos sendo que o velho diretor era gay. Pessoalmente, acho que nada foi mencionado no livro porque a informação não cabia no contexto da história.

É de extremo mau gosto a enxurrada de comentários sobre Dumbledore ser um pedófilo que se seguiu ao anúncio de Rowling. Isso só prova o quanto a sociedade continua preconceituosa, e os parcos progressos legislativos são hipócritas quando os comparamos às notícias de agressões.

A literatura sempre teve o papel de conversar conosco. Então, porque não permiti-la mostrar o que uma boa corrente da sociedade está tentando dizer a tempos? O óbvio: que os gays são simplesmente gays. Nada mais além disso. Que não há nada de errado, imoral ou qualquer outra coisa que as pessoas queiram pregar contra. Que a opção sexual de um indivíduo faz parte de sua identidade, e não há nada para ser ‘aceito’ ou ‘mal visto’.

Essa foi a premissa da coletânea A Fantástica Literatura Queer, publicada em dois volumes pela Tarja Editorial, pioneira no tema em solo brasileiro – mas também uma das primeiras a decidir tratar o tema da diversidade sexual dentro da literatura fantástica.

Li apenas o volume vermelho, por enquanto, e, de minha parte, posso dizer que li contos dos mais brilhantes em que já coloquei os olhos.

Nesta sexta-feira, dia 11 de novembro, às 19h, acontecerá um debate com lançamento do livro na Livraria Cultura do Shopping Bourbon, em São Paulo. O tema: “E Se Harry Potter fosse gay? A diversidade sexual na literatura fantástica”, com parte dos autores de A Fantástica Literatura Queer.

Interessante que, ante o anúncio do tema na página de Facebook da editora, houve alguns compartilhamentos criticando o tema, perguntando se já não bastava que Dumbledore fosse gay, que Harry não era, porque ele é apaixonado “pela Gina”, entre outros comentários. Visivelmente, não entenderam a proposta.

A FANTÁSTICA fará a cobertura do evento via Twitter e uma matéria com o resumo da ópera. Quem estiver fora de São Paulo na data, ou não puder ir no horário, é só acessar o Twitter e procurar as hashtags #FLQueer e #seharrypotterfossegay, que estaremos online.

Vamos agitar os tt’s do Twitter Brasil, Fantásticos?

E o que você acha da discussão da diversidade sexual pela literatura fantástica?”

* * *

Recado dado. Obrigada, Carol, pelo excelente texto.

E vejo vocês lá! 😉

Lembrando que é dia 11/11/11 (sexta-feira), a partir das 19h, no auditório da Livraria Cultura do Bourbon Shopping Pompeia.

Rua Turiassú, 2100 – Perdizes – São Paulo-SP.

Entrada Franca.

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Queervite

junho, 17 - 2011

Falta uma semana para o lançamento da coletânea A Fantástica Literatura Queer!

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A Fantástica Literatura Queer sai do armário!

junho, 4 - 2011

Siiim!! Demorou, mas saiu: a Fantástica Literatura Queer estreia em 2 volumes e já está em pré-venda pelo site da Tarja Livros:

O lançamento será na sexta-feira, dia 24 de junho/2011 – a partir das 18h no Bardo Batata – Rua Bela Cintra 1333 – Jardins – São Paulo/SP (perto da estação Consolação do metrô).

Venha nos prestigiar nessa festa!!

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A Fantástica Literatura Queer é obra exemplar de como devem se pautar obras literárias coletivas: o respeito e destaque da diversidade.

Luiz Mott

Diversidade: a palavra mágica.

15 Autores brasileiros unidos por um ideal comum: prestar uma homenagem fantástica ao amor entre iguais. Queers são eles, somos nós, somos todos – conjugado assim mesmo, no coletivo, pois nossas diferenças não importam realmente. E do mesmo modo como a vivência de gays, lésbicas e transexuais não cabe em um gueto, A Fantástica Literatura Queer não cabe em um rótulo. É escancarada, livre.

Aceite o convite e embarque conosco em uma aventura caleidoscópica através de mitologias, distopias e ideologias; voe nas asas de 15 histórias de ficção científica, fantasia e terror que contemplam o amor e o prazer, desafiam preconceitos e proibições.

A porta do armário foi derrubada, as cortinas estão para se abrir… Desfilarão por este palco anjos e demônios, deuses e fantasmas, feras da noite e criaturas sobrenaturais, guerreiros e meros mortais – gente como eu e você, partilhando as emoções de um espetáculo inédito para a literatura brasileira, cuja estrela principal é o Amor que só não ousa ficar calado.

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A Fantástica Literatura Queer – Volume Vermelho

ALLIAH

Morgana Memphis Contra a Irmandade Gravibranâmica

O universo weird, caótico, explícito e debochado de Morgana Memphis tem principal influência da HQ “Transmetropolitan”, e trata de temas LGBT com uma comicidade impiedosa. Subversivo, porém comprometido, nasceu da vontade de criar e extrapolar personagens que beiram o limiar entre o cotidiano fantástico e o absurdo psicológico.

Alliah é natural de Niterói (RJ). Estudante de Artes Plásticas, é escritora, desenhista e pintora. Publicou nas coletâneas VII Demônios ~ Luxúria (2011), Deus Ex Machina (2011), VII Demônios ~ Inveja (2011), Cursed City (2011), Cyberpunk ~ Histórias de um Futuro Extraordinário (2010) e FCdoB ~ Ficção Científica do Brasil ~ Panorama 2008-2009 (2009).

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CAMILA FERNANDES

É Foda Existir

Nossa sexualidade influencia quem nos tornamos, mas não define sozinha quem somos – há muitos outras causas e efeitos na história de cada um. Há muito mais para se contar sobre alguém. Por isso, o que surgiu em minha cabeça foi um conto sobre duas pessoas – um casal. Seu gênero e orientação sexual só apareceram depois, quando eu já começara a escrever. Poderia ter escolhido diferente. Não é uma história sobre diversidade sexual, mas com diversidade sexual.

Camila Fernandes é de São Paulo (SP). Escritora, revisora e ilustradora. Participou das coletâneas Necrópole – Histórias de Vampiros (2005), Necrópole – Histórias de Fantasmas (2006), Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos (2006), Necrópole – Histórias de Bruxaria (2008), Paradigmas – volumes I, II e III (2009) e Extraneus 2 – Quase Inocentes (2010).

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CESAR SINICIO MARQUES

Eu Tenho um Disco Voador na Garagem

Todo mundo tem um disco voador na garagem. Um segredo, uma particularidade indizível que faz querer calar e gritar quase sempre ao mesmo tempo. Escrever sobre mundos outros e descobrir se eles reverberam nas cabeças alheias é uma emoção aventuresca que liberta, e que faz do pequenino particular algo universal.

Cesar Sinicio Marques é de Guarulhos (SP). Psicólogo e estudante de Letras. Além de escrever, estuda Semiótica – pretende fazer Mestrado em análise da narrativa em video games – e compõe para peças de teatro musical.

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ROGÉRIO P. VIEIRA

Alternativa A

Observo que há pessoas que não conseguem o que almejam devido a uma limitação ou restrição imposta pela sociedade. O tema de meu conto é sobre isso: o fato dos homossexuais, se quiserem ter direito às mesmas oportunidades dos heteros, serem respeitados, serem aceitos e não temerem perseguições, ainda precisam esconder sua orientação sexual. Algo que deveria ser natural (a pessoa seguir sua orientação sexual), hoje ainda é uma atitude que requer coragem de ser tomada e que pode apresentar consequências pouco favoráveis à pessoa.

Rogério Paulo Vieira é formado em Ciências Contábeis e Atuariais, trabalha como funcionário público, atuando na área fiscal-tributária. Possui contos publicados no fanzine Megazine Scarium.

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MONICA MALHEIROS

Distúrbia

O projeto da Tarja Editorial surgiu em meu twitter através de um link postado por um autor que admiro. Acabei acessando o site e achando a proposta incrível. Como eu já escrevia histórias voltadas para a temática homoerótica, decidi participar.

Monica Malheiros nasceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Técnica publicitária formada e graduando em Letras. Distúrbia é seu primeiro conto a ser lançado e em seu blog, The Last Of Diary, podem ser encontrados outros trabalhos da autora.

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LAURA VALENÇA

Eros

Poderia definir meu conto da seguinte forma: um indivíduo gay procurando entender a si mesmo, e a sua relação com o mundo. Procurando seu espelho e querendo ser amado, como todo ser humano necessita ser.

Laura Valença Guerra é do Rio de Janeiro (RJ). Tradutora e professora de Inglês, autora de ficção, crônicas e poesia, além de ser estudante de Letras. Participa das antologias Painel Brasileiro de Novos Talentos – Volume 17 (2002) e Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos 2 (2003).

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CRISTINA LASAITIS

Sal e Fogo

A relação entre o amor e o sexo ainda é concebida em nossa cultura como a antítese entre o sagrado e o profano – embora complementares, por vezes são tratados como antagônicos. A tradição judaico-cristã estabeleceu que o sexo, por quaisquer motivos outros que não a reprodução, é sujo e que somente o amor, este sim, puro e idealizado, pertence à esfera do sagrado. Foi pelos tropeços da história que tais concepções de pureza viraram imposições por intermédio da fé e foram usadas para justificar a opressão e o massacre silencioso daqueles considerados impuros, sobretudo mulheres e homossexuais. A homofobia por motivos religiosos é uma herança ingrata para os nossos dias, é a lama dos tempos de barbárie sujando a barra das nossas calças. O meu conto n’A Fantástica Literatura Queer é uma resposta àqueles que usam covardemente a sua religião para agredir aos seus semelhantes.

Cristina Lasaitis é de São Paulo (SP). Escritora, revisora, biomédica e mestre em psicobiologia, realizou pesquisa sobre as bases psicofisiológicas da homofobia (dissertação: Aspectos afetivos e cognitivos da homofobia no contexto brasileiro – Um estudo psicofisiológico, 2009). Lançou o livro Fábulas do Tempo e da Eternidade (2008).

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A Fantástica Literatura Queer – Volume Laranja

CLÁUDIO PARREIRA

A Presença

Para mim, A Fantástica Literatura Queer foi antes de mais nada um desafio. Estou habituado, sim, à Literatura Fantástica, mas a temática Queer me assustou um pouco a princípio. O que dizer, o que escrever, como me inserir neste universo ao mesmo tempo tão misterioso e fascinante? Fiquei uma semana pensando, mas o texto fluiu em meras quatro horas. O desafio, portanto, acabou se tornando um prazer. Muito obrigado!

Claudio Parreira é de São Paulo (SP). É escritor e jornalista. Foi colaborador da Revista Bundas, do jornal O Pasquim 21, Caros Amigos, Agência Carta Maior, entre outras. Participou das antologias Contos da Algibeira, Fiat Voluntas Tua, Dimensões.BR, e também do Portal 2001. É colunista d’O BULE.

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CINDY DALFOVO

O Beijo de Alice

Eu fiquei bem empolgada com a proposta da coletânea por juntar dois temas que me fascinam: literatura fantástica e aceitação e compreensão de uma minoria.Nós temos visto muitos avanços no decorrer da história no sentido de aprender a aceitar pessoas de uma orientação diferente, e eu quis mostrar isso no meu conto: a evolução dessa aceitação no decorrer dos anos, da época em que ser gay significa ser destinado a fogueira, e então ao ostracismo na sociedade, para então começar a ser aceito como um igual pela sociedade.

Cindy Dalfovo estuda Engenharia de Controle e Automação. Gosta de assuntos como jogos, RPG, literatura, história e ciência, e tenta misturar todos esses interesses em seus textos.

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DANIEL MACHADO

A Primeira Vez de Silvânia

A ideia de uma vampira transexual, brasileira e negra surgiu da tentativa de criar um personagem que pudesse simplesmente fugir ao clichê, Silvânia foi criada a três mãos, entre mim, uma amiga, Ana Flavia Borges, e um amigo, Osiris Reis, há mais ou menos um ano. Quando vi a chamada para a coletânea percebi que seria a melhor oportunidade, se não a única, de dar visibilidade a uma personagem tão excêntrica, que na relidade se mostrou uma metáfora para os personagens que caminham na noite em qualquer grande cidade. Então meus companheiros me deram a liberdade total para escrever o início da história dessa vampira.

Daniel Machado é estudante de literatura, em vias de concluir mestrado, e professor pela secretária de educação do Distrito Federal, amante das contos épicos e fantásticos.

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ERIC NOVELLO

Sonhos e Refúgios

O conto é uma palestra do exorcista Tiago Boanerges sobre magia e diversidade sexual. Tiago conta um caso que ocorreu com ele e se tornou conhecido da mídia: o seu envolvimento com um djin de fumaça e uma musa que deveria ter apenas inspirado uma rockeira, mas a possuiu. A história é ambientada no universo de fantasia urbana que criei para meus próximos romances e que justamente abordará temas de diversidade sexual e liberdade de escolha dentro de um mundo de fantasia.

Eric Novello é autor, tradutor e roteirista. Seu romance mais recente é Neon Azul (2010).

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KYRAN

Awaken

Estamos enfastiados de tantas heranças sociais que nem hoje, nem ontem, correspondem verdadeiramente aos direitos de civilidade dos indivíduos. Colecionamos todos os tipos de precedências históricas, e agora vemos luzir que mesmo bem e mal são construções sociais. Uma das maiores vítimas é o amor, e amor é amor em qualquer envoltório.

Kyran é estudante de História. Esboça suas fantasias com base em animações e quadrinhos do gênero “yaoi” (ou “boys love”), popular na cultura nipônica.

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OSÍRIS REIS

Queda

Eu surtei ao ler o anúncio d’A Fantástica Literatura Queer. Coletânea Histórica (com “H” maiúsculo!), vanguarda da vanguarda, a chance perfeita pra falar de pluralidade, de olhar pra fora da concha, de valor humano. Eu não conseguiria conviver comigo mesmo se não desse o meu melhor pra participar.

Osíris Reis ziguezagueou pela Medicina e Mecatrônica até formar-se em Audiovisual. É autor de Treze Milênios (2006), participou de várias coletâneas de Ficção Fantástica, além de Colossus dos X-men: as Crônicas Proibidas, uma história homoerótica.

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RENATO A. AZEVEDO

A Lista: Letras da Igualdade

Quando soube do lançamento de A Fantástica Literatura Queer, considerei esta uma ótima oportunidade de retornar as raízes da ficção científica. Este sempre foi o gênero que mais combateu a estupidez humana, incluindo evidentemente os preconceitos. Escrevi meu conto não apenas com o intuito de discutir o preconceito homofóbico e como combatê-lo, mas também várias outras formas de discriminação. Incluindo, claro, o preconceito contra a própria ficção científica (muito comum aqui no Brasil), além do preconceito contra aqueles que como nós, autores desta antologia, desfrutamos de cultura e conhecimento. E para os que perguntam, também de maneira preconceituosa, o que nós que temos cultura e conhecimento fizemos por este país, uma das respostas é: produzimos contos que incentivam a discussão e o combate aos preconceitos!

Renato A. Azevedo é autor de De Roswell a Varginha (2008). Consultor da revista UFO, colaborador da revista Scifi News, co-editor do site Aumanack. Autor convidado nas antologias UFO: Contos Não Identificados e Medieval Scifi. Participante da antologia Histórias Fantásticas Vol. 1, e Imaginários 4.

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ROBER PINHEIRO

Eu Era um Lobisomem Juvenil

Estou literalmente sem palavras para expressar o que essa obra é. Comprove lendo!

Rober Pinheiro é publicitário, tradutor e revisor. Publicou o romance Lordes de Thargor, o Vale de Eldor (2008) e participa das antologias Sagas, Vol. 1 – Espada & Magia (2011), Histórias Fantásticas 2 (2011), Paradigmas (2010), Imaginários (2010) e Medieval Sci-Fi (2010).

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Leia um trecho da obra!

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A Fantástica Literatura Queer

fevereiro, 2 - 2011

Querida pessoa certa na hora certa,

Esta chamada que você está preste a ler é uma proposta de parceria para um projeto como nunca houve igual na literatura brasileira. Trata-se da intersecção de duas tendências que têm em comum o fato de terem sido historicamente constituídas como marginais: o universo queer e a literatura fantástica.

A Fantástica Literatura Queer será a primeira coletânea de contos de ficção científica e fantasia brasileira dedicada à diversidade sexual, e esclarecemos que nosso objetivo não é meramente publicar um livro, mas criar um marco para a literatura de gênerosobre gêneros ao compor uma aliança de escritores fantásticos pela promoção da diversidade sexual na cultura brasileira, incluindo não somente a luta pela cidadania de gays, lésbicas e transgêneros, mas também a derrubada de tabus e preconceitos enferrujados dentro da nossa própria literatura.

Esta é uma proposta que diz especialmente respeito a nós, organizadores, e a você, convidado. Desejamos que A Fantástica Literatura Queer esteja bem representada por excelentes escritores gays e lésbicas assumidos, razão pela qual ficaremos muito honrados com a sua participação!

Vamos agora ao que interessa!

No começo havia uma subcultura tão “sub” que era chamada de gueto. E como ocorre a todo gueto, as pessoas que pertenciam a ele eram rotuladas, apontadas, diminuídas, ridicularizadas… Naturalmente, muitas tinham vergonha de assumir e ficavam de rosto vermelho e pernas bambas cada vez que suas preferências eram submetidas ao escrutínio alheio. Era um período obscuro de ignorância e incompreensão, o preconceito não dava tréguas, e não é de admirar que durante décadas tantos preferiram negar, disfarçar, omitir…

Algumas dessas pessoas descobriram à força a natureza mesquinha dos rótulos, que foram feitos para grudar e nunca mais, nunca mais nos deixar em paz. E quem não teme rótulos tão perigosamente grudentos? E quem não considerou, uma vez que seja, viver livre deles?

Mas os novos tempos encetaram uma reviravolta sem precedentes! E o resultado é que hoje eu, você e muitos de nós vencemos o medo do rótulo e temos orgulho de dizer que somos escritores brasileiros de ficção científica e fantasia!

E independentemente de sexo, cor, idade e outros dados tão meticulosamente registrados em nossas certidões de nascimento, carteiras de identidade, títulos de eleitor e perfis no facebook, todos nós já experimentamos a sensação de pertencer a uma minoria, e é exatamente desse sentimento que trata a proposta que você acaba de receber.

A coletânea “Queer” é uma proposta muito especial: será a primeira coletânea de contos brasileira dedicada à literatura fantástica queer, ou seja, relacionada ao universo de gays, lésbicas, bissexuais, transsexuais e transgêneros. E se você pensa que existe alguma bandeira ideológica por trás deste projeto, saiba que não poderia estar mais redondamente certo! A coletânea “Queer” estará comprometida com a afirmação, a visibilidade e a comemoração da diversidade sexual e literária!

Quem pode participar?

Uma vez que a palavra mágica é “diversidade”, o convite está aberto a todos os autores, independentemente da orientação sexual, identidade de gênero, time do coração, fruta favorita ou praia que gosta de frequentar.

Como você pode participar?

Enviando um conto bem escrito que corresponda de forma interessante à proposta da coletânea e que esteja dentro das especificações do projeto.

Quais os critérios de participação?

As histórias deverão obrigatoriamente aludir à diversidade sexual. A presença de personagens gays e lésbicas é desejável, mas não é compulsória. Destacamos que mais importante que o retrato será o questionamento – em outras palavras, serão priorizados os textos que induzam a pensar sobre o tema.

Como exemplo, o autor poderá apresentar a intracultura de minorias sexuais em contextos alternativos e/ou explorar sua interface com outras culturas; poderá debater papéis de gênero, preconceito e discriminação; fazer referências e reinvenções históricas; construir e desconstruir paradigmas afetivo-sexuais, etc. O importante é que o conto responda de forma criativa à proposta.

Os contos deverão se enquadrar dentro da literatura fantástica em sua ampla definição: ficção científicafantasia terror (e seus inúmeros subgêneros: ficção científica hard, ficção científica softspace opera, utopia/distopia, cyberpunk, steampunkweird fictionnew weird, pós-humanidade, slipstream, história alternativa, ficção alternativa/mashup, horror, terror, fantasia mitológica, fantasia medieval, fantasia urbana, dark fantasy, etc). Sem restrições quanto ao conteúdo erótico.

Os contos deverão ser inéditos para o meio impresso, e ter entre 5 e 20 páginas (com fonte 12 e espaçamento simples). Cada autor poderá enviar quantos contos quiser, porém apenas um poderá ser selecionado.

Os textos deverão ser enviados em arquivo .doc ou .docx para o e-mail: queerfiction@tarjaeditorial.com.br até o dia 31 de março de 2011.

Todos os contos serão avaliados e apenas serão aceitos aqueles que alcançarem os critérios de qualidade estabelecidos pelos (exigentes) organizadores.

Quantos contos serão escolhidos?

A composição da coletânea será norteada pela qualidade dos contos recebidos e os organizadores incluirão os textos de maior mérito. A estimativa é publicar cerca de 10 contos, mas reiteramos que o critério qualitativo terá prioridade.

Nada ficará no armário!

A coletânea “Queer” está comprometida com a transparência e a visibilidade, portanto não serão publicados contos sob pseudônimos desconhecidos! Os autores participantes deverão estar dispostos a “mostrar a cara”, o que inclui autorizar a publicação de sua foto na contracapa do livro.

Não serão aceitos:
Contos mal escritos, contos excepcionalmente fora das especificações de tamanho, contos anônimos ou sob pseudônimos desconhecidos, textos em qualquer outro formato que não seja conto, contos que não correspondam à proposta da coletânea “Queer” ou que apresentem conteúdo ofensivo e discriminatório de qualquer natureza.

Como será a publicação?

Os autores estarão isentos de despesas. Todos os custos da publicação (incluindo revisão, diagramação, arte de capa e impressão) serão arcados integralmente pela Tarja Editorial. A coletânea será publicada no formato 14cm X 21cm, com tiragem inicial de 300 exemplares.

Os direitos autorais serão divididos igualmente entre os autores publicados na coletânea “Queer” e cada um poderá escolher a forma na qual deseja receber o pagamento, que poderá ser em dinheiro ou em livros.

Previsão de Lançamento:

A organização tem por objetivo lançar a coletânea “Queer” em junho de 2011, ou seja, no mês do orgulho gay e em data próxima à Parada GLBT de São Paulo, no intuito de inserir o lançamento do livro na agenda de eventos da cidade.

Cordialmente,

Cris Lasaitis & Rober Pinheiro

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Sangria

abril, 5 - 2010

Uma homenagem ao dia internacional da TPM.

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Sangria

É assim: começa com uma sensação incômoda, os seios enrijecem, ficam sensíveis e doloridos. O corpo acumula líquido, incha, a calça jeans parece ter encolhido de repente. A ansiedade e a irritação vão tomando forma e você mal percebe até o momento em que se pega arrancando os cabelos. Cansada, não dorme direito à noite. A tensão se acumula, a sensação é de que a corda vai arrebentar a qualquer instante.

A corda é você.

Ela estica estica estica… e arrebenta! E como todo ato violento, envolve um banho de sangue.

Ali no ventre um pedaço seu começa a gritar: é aquele órgão kamikaze, automutilante, ele se contorce, se esfrega, esfacela-se todo por dentro. Você não tem como se livrar, então carregue a cruz, agüente! Vai arder como ferro em brasa, vai pesar, sufocar… No clímax, há de se irradiar para todo o corpo, travando músculos, arrancando gemidos, a coluna vergada por uma força terrível:

Dor!

Não há alívio rápido possível. A dor agride, cobra uma reação. Você não pode se vingar dela, então se vinga do mundo: xinga, morde, imagina coisas inconfessáveis; pensa no vestido mais caro que pode rasgar, no homem mais gato que pode torturar, naquele vaso lindo de cristal que está doida para experimentar contra a parede. Tudo isso em pensamentos, claro, porque a dor lhe faz a criatura mais covarde da casa. Você se encolhe na cama e agüenta tudo de boca fechada, como uma ovelhinha, com a resignação que a vida lhe ensinou.

Como sempre, você suporta. E geme. Não é apenas sangue: você se desfaz em coágulos, dissolve-se numa sopa vermelha de minúsculos nacos. Dizem que o primeiro dia é um inferno, no segundo já se consegue respirar, o terceiro e o quarto são trégua e paz. A brasa esfria, as dores se calam, o sangramento perde força e ganha consistência. No final resta uma descamação escura. E estanca.

Quer uma boa notícia? Isso não vai acontecer somente uma vez, será tão freqüente e corriqueiro que vai acabar se acostumando, logo será mestre em lidar com essa bizarrice da natureza. Sendo ao mesmo tempo protagonista e palco desse espetáculo grotesco, será até capaz de representá-lo com bastante elegância! Pois ao criar a mulher, o sádico Deus falou: “enquanto a pele ainda for macia, enquanto os seios forem redondos, enquanto a sensualidade habitar teu corpo serás torturada uma vez ao mês. Esse será o custo de poder carregar os filhos no ventre”.

Deus só pode ser homem.

“Ser mulher é uma condição mística” – minha ginecologista me disse.

É sim, ou você acha que tem cabimento um bicho sangrar todo mês e não morrer? Não é exagero dizer que muitas mulheres não têm medo do parto porque treinaram para isso a vida inteira. A cada mês, um óvulo abortado, uns mililitros de sangue perdidos e uma alma não nascida para sempre.

É muito fácil chamá-las de bruxas; mas é o que elas são e eu as invejo. A natureza não é estúpida, tortura mas não mata.

Falando desse jeito parece que é sangria desatada. No meu caso, é desatada mesmo: sou hemofílica.

Você certamente não fica pensando com freqüência no ar em que respira ou no sangue que corre pelas suas veias. Eu, sim, penso nisso todos os dias. Odeio sangue. Amo sangue. Sangue é o oceano que contorna minha existência por todos os lados. Minha maldição, minha salvação, meu permanente alerta vermelho.

Olha lá a menina vampira tomando sangue pelas veias! Entrou meio pálida, agora está corada, já pode até se acidentar. Vide o rótulo: “frágil”, mantenha sempre embrulhada em espuma e plástico-bolha. Não deixe que ela corra, não deixe que faça balé nem educação física; objetos cortantes ou pontiagudos sempre fora de alcance; é melhor nem deixá-la muito perto das outras crianças; dê livros para compensar,  mas cuidado para ela não se cortar com as folhas; lembre-a de sempre prestar atenção por onde anda…

Pois é, minha cara, a vida é assim. Não tenha dúvidas que eu preferia menstruar uma vez por mês.

Porque uma vez só já foi o bastante. Eu tinha dez anos e ninguém podia adivinhar que seria tão cedo, tão intenso, dessas hemorragias que mudam a cor dos lençóis na virada da noite. Lembro como se fosse hoje, quando fui me deitar sentindo uma dor incômoda na barriga, os lençóis eram rosas. Quando acordei do coma, uma semana depois, eles eram verdes! Ainda bem que não vi as cores intermediárias, acho que teria morrido de susto.

Tenho um problema sério com o vermelho, ele não me deixa em paz. São as maçãs, os morangos, os tomates, os batons, os vestidos de gala, a cruz da ambulância; eles me perseguem, me põem neste nervosismo, não dá para pensar.

Verdes? Pensando melhor, acho que os lençóis eram brancos. Lençóis, aventais, paredes e a mosquinha branca aqui: uma em 25 milhões. Todos os dias vinham médicos, residentes, enfermeiros, entravam no quarto em excursões de três, quatro, cinco, e eu demorei a perceber que era a mais nova atração turística da medicina.

– Seu pai é hemofílico? – um moço de branco me perguntou.

Não sei, não o conheci, mas a genética diz que sim (era minha matéria preferida na escola, adivinha só porquê). Bem que mamãe podia ter selecionado melhor o vigarista que a engravidou…

Olha só, que ingratidão! Se não fosse por uma mãe descuidada e um pai mal escolhido eu não estaria aqui para contar esta história. E sem a medicina do século XX, muito menos. Todos os dias tomo uma pílula em homenagem ao homem que evitou que muita gente nascesse por acidente, ele poderia ter me condenado, mas me salvou: é essa pilulazinha irônica que impede meu corpo de apertar o botão de autodestruição. Por efeito colateral, eu sobrevivo.

Vivo para fazer o hemocentro funcionar. Gosto dos hospitais tanto quanto eles gostam de mim. Tem gente que vai ao teatro, tem gente que prefere cinema, eu sempre fui muito ao hospital e penso que gosto não se discute. Já experimentei sangue de todos os tipos, sou receptora universal. O A+ costuma ser o meu preferido, se bem que acho o O- bastante docinho (talvez porque seja sangue de luxo), enquanto o AB+ é sangue vira-lata, faz bem o meu tipo. Todo mês recebo salário, cesta básica, pílulas e fatores sanguíneos. E é claro, tenho medo que dia desses me venha de brinde um HIV, uma hepatite C, uma doença de Chagas. Dizem que a cavalo dado não se olha os dentes, sei que em alguns lugares não olham mesmo e isso me deixa em pânico!

Sobrevivi a períodos de estiagem nos bancos de sangue. Coleciono esses dentes encavalados que nunca pude arrancar. Não posso menstruar nem ter filhos. Subir em uma árvore foi a maior façanha da minha infância! A vida me roubou muitos prazeres e me privou de coisas demais, mas o pior não lhe contei ainda: durante a adolescência minha mãe me atormentou com conselhos que nunca gostei de ouvir e dos quais ela não era nenhum exemplo. A questão é que os rapazes eram contra-indicados para a minha condição de garota hemofílica. Quem disse que sexo não é pecado mortal? Eu trazia comigo um hímen de sete cabeças, que cuspia fogo e podia rebentar num rio de lava fervente que me cozinharia na cama com o meu namorado. Essa pequena maldição que ninguém merece eu precisei cauterizar às escondidas no consultório ginecológico. Já disse que a ginecologista é minha melhor amiga? Graças a ela eu não morri de sexo, por melhor que a possibilidade possa parecer.

Mas todas as outras estatísticas estão do meu lado. Veja bem, nasce um menino hemofílico a cada 7.500 ou uma menina a cada 25 milhões. É 43 vezes mais provável ser acertada por um raio. É mais ou menos a mesma chance de ganhar sozinha na mega-sena! Sou ou não sou um pára-raios da improbabilidade? Não paro de pensar nas combinações funestas da minha sorte. Dizem que a tragédia é a combinação de dois fatores aleatórios, porém explosivos quando unidos por acidente (ou como disse um filósofo famoso chamado Murphy, “merda” é um fenômeno físico sempre prestes a acontecer), por exemplo: escada + tropeço, criança + fogão, distração + carro na contramão… As combinações podem ser infinitas. Tudo são números. Probabilidades!

Eu tenho o meu próprio fator de risco, bem alto por sinal. Sei que a qualquer momento virá combinação fatal, muito provavelmente algo do tipo: “transfusão + infecção” ou “hemofilia + acidente sangrento”. Um tiro não me daria nenhuma chance, tampouco uma cirurgia inevitável, talvez até um tombo, um corte, um dente quebrado… Nas muitas horas vagas que passei na fila do hospital cheguei a imaginar mil finais para a minha história, mas o acaso tem o talento de surpreender a gente.

Eu que sou perita em estatísticas, alguns dias atrás resolvi entrar para os índices da violência urbana. Os rapazes me abordaram no semáforo, exigiram minha bolsa e, não contentes, me levaram junto com o carro. Os dois cavalheiros me conduziram até uma favela esquisita, onde me fizeram descer e gentilmente me transferiram para o porta-malas. Ali eu passei não sei quantas horas rezando para Deus, Buda, Shiva, Jeová e todos os deuses dos quais podia me lembrar. Tenho que agradecer pelo fato de não terem me machucado – e precisavam?  Debaixo do cano de um revólver sou uma pessoa bastante cooperativa. Perguntei quanto queriam de resgate, dei os telefones, pedi para falar com a família; aquela coisa toda aprendida por osmose em um milhão de noticiários policiais. Não sei o que eles querem de mim. Acho que querem tempo para a notícia aparecer, minha mãe enlouquecer, meu namorado se desesperar, deve ser isso.

Acho que preferia o tiro, é mais digno.

O que me assusta é que estou perdendo a noção do tempo. Eles só aparecem uma vez por dia para me dar água e comida, devem ser seqüestradores muito ocupados, acho que trabalham fora. Eles vêm e eu imploro pelamordedeus me dá as minhas pílulas! Existem sete bilhões de vidas lá fora e esta aqui calhou de ser minha, é tudo o que tenho, por favor, não vai embora!

Há uma mulher entre eles e sei que ela é a minha desgraça. Deve ser instruída, reconheceu a cartela, sabe que ninguém precisa de anticoncepcionais para sobreviver mas não tem certeza se com eles dá para se matar. Não, dona seqüestradora, eu não iria pôr tantas transfusões de sangue a perder, tanto remédio e tempo perdido em fila de hospital! Mas ela não quer acreditar.

E enquanto isso, estou aqui gritando como uma maluca para que alguma alma me ouça, falando com fantasmas para não enlouquecer, então vê se não vai embora, não me deixe aqui sozinha! Agora sei que liberdade é como esse ar que se respira sem pensar – estou sufocando! De vez em quando durmo nesse chão duro e meu cativeiro termina por alguns instantes. Sonho que não há mais paredes, estou livre, as pessoas me esperam do outro lado, entre nós há apenas um tapete vermelho estendido pelo infinito!… É um pesadelo, um sonho, um pesadelo. Eu acordo. Medito. Rezo. Espero.

Acho que estou indo bem, obrigada por perguntar. Quer saber como me sinto? Eu vou dizer.

É assim: começa com uma sensação incômoda…

Cris Lasaitis

Conto originalmente publicado na Revista Scarium 25, especial Mulheres & Horror

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21/11 – Evento: Marcas na Parede

novembro, 12 - 2009

Dia 21/11, às 15 h, participarei da mesa-redonda Entrando no mercado editorial junto com Hanna Liis-Baxter e mediação do nosso grande ativista cultural Sílvio Alexandre. A mesa-redonda vai abrir o lançamento da coletânea Marcas na Parede, organizada pela Helena Gomes e com participação das minhas talentosas amigas Patrícia Soares e Jaqueline Leal.

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Quando? Sábado, 21/11, a partir das 15h

Onde? Biblioteca Viriato Corrêa – Rua Sena Madureira, 298 – Vila Mariana – São Paulo/SP

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Cris oficinando durante o 3º Fantasticon, na Biblioteca Viriato Corrêa

Pra quem não conhece, a Biblioteca Viriato Corrêa se tornou uma referência em literatura fantástica, ponto de encontro de fãs e local de muitos eventos culturais ligados à literatura de ficção científica, terror e fantasia. Vale a pena uma visita.

E 2009 está longe de terminar, em breve volto com mais novidades.

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FANTASTICON 2009 – III SIMPÓSIO DE LITERATURA FANTÁSTICA

junho, 21 - 2009

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Este ano, o Fantasticon 2009 – III Simpósio de Literatura Fantástica, será nos dias 25 e 26 de julho, na Biblioteca Viriato Corrêa, Vila Mariana, na capital de São Paulo.

A idéia do Fantasticon 2009 é reunir pessoas interessadas em Literatura Fantástica (ficção científica, fantasia e horror) para que elas possam se encontrar, trocar idéias, informações e se divertir.

A proposta é incentivar e enriquecer o estudo e o debate sobre o Fantástico no Brasil. Para isso, contaremos com palestras, mesas-redondas, oficinas, mostra de filmes, exposições, lançamentos, sessões de autógrafos e muita confraternização!

O Fantasticon 2009 é organizado por Silvio Alexandre, em uma realização da Biblioteca Temática Literatura Fantástica Viriato Corrêa, do Sistema Municipal de Bibliotecas e da Secretaria Municipal de Cultura. Com o apoio do GELF (Grupo de Estudos de Literatura Fantástica), da Fly Cow Produções Culturais, da Cálamo Editorial, do CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica), da OPELF (Oficina de Produção e Estudos de Literatura Fantástica) e da TV Cronópios.

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Programação

SÁBADO – dia 25 de julho

11 às 13 horas

Palestra: “PERSONAGENS DE FANTASIA: ARQUÉTIPOS,HERÓIS E ANTI-HERÓIS”
GELF_logoAEncontro do GELF (Grupo de Estudos de Literatura Fantástica), coordenado pela escritora Rosana Rios, que se dedica a discutir, apreciar e divulgar obras literárias de literatura fantástica (ficção científica, fantasia e horror) suas interações e obras precursoras, além de comentar transposições para cinema, teatro, televisão e quadrinhos.

11 às 13 horas

Oficina: “ENTRANDO NO MERCADO EDITORIAL – O QUE FAZER PARA PUBLICAR SEU LIVRO”
Para quem tem um projeto literário pronto e está buscando entrar no mercado; para quem está colocando seu projeto no papel; ou ainda para quem está com uma boa idéia e quer iniciar sua obra. O objetivo desta oficina é, através das experiências do editor e escritor Gianpaolo Celli, e da autora Cristina Lasaitis, não só mostrar um pouco do mercado, mas também dar dicas de como fazer para entrar nele, passando por aspectos que abrangem desde a criação da idéia, personagens, trama; até como apresentar o projeto terminado para editora, e o que fazer após a publicação, quando o livro já estiver nas prateleiras. 

  • Cristina LasaitisCristina Lasaitis é escritora e biomédica pela Unifesp, onde atua como pesquisadora na área de Neurociências. É co-autora das coletâneas “Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos” (Tarja), revista “Scarium” (Scarium Info), “FC do B” (Book House Boys), e “Paradigmas, volume 1″ (Tarja); e autora do livro “Fábulas do Tempo e da Eternidade” (Tarja).
  • GianpaoloGianpaolo Celli é escritor e editor, além de administrador de empresas. Tem se dedicado ao estudo de ocultismo, esoterismo e mitologia. É colunista do site de neopaganismo “Tribos de Gaia”; co-autor da coleção Necrópole: “Histórias de Vampiros” (2005), “Histórias de Fantasmas” (2007) e “Histórias de Bruxaria” (2008); das coletâneas “Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos” (2006) e “Paradigmas, volume 3″ (2009), e co-editor e co-autor dos livros “Histórias do Tarô” (2008) e “Steampunk” (2009).

 

13 às 13h30

Mostra de filmes: “OS PREMIADOS DO FESTIVAL CURTA FANTÁSTICO”
Festival Curta FantasticoAO Festival Curta Fantástico é um evento que exibe curtas-metragens nacionais, desde 2006, com a temática fantástica, ou seja, filmes de horror, ficção científica ou fantasia, a Fly Cow, produtora que realiza o festival, fez uma seleção com os melhores curtas fantásticos nacionais que foram apresentados na última edição, no ano passado em São Paulo. Teremos uma sessão no Sábado e outra no Domingo.
 
13h30 às 14 horas

Mostra de vídeos: “MOSTRA DE BOOK TRAILERS”
Com a popularização da internet, a literatura fantástica brasileira entrou na era digital. Driblando a falta de interesse e de divulgação na grande mídia, os escritores vêm utilizando novas formas de promover seu trabalho. A criação de vídeos vem se tornando cada vez mais popular e alcançando o objetivo principal, que é tornar conhecido o livro que anuncia. O CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica) e a OPELF (Oficina de Produção e Estudos de Literatura Fantástica) reuniram alguns desses vídeos numa pequena mostra.
 
14 às 15 horas

Mesa-redonda: “MITOS E DRAMAS DO VAMPIRO CONTEMPORÂNEO”
Imortalidade, sedução, mistério, sexualidade, terror, suspense, sobrenatural, fazem dos vampiros, personagens fascinantes. Desde sua origem, a figura do vampiro passou por uma transformação completa e complexa. Vamos discutir como, no dias de hoje, este morto-vivo tomador de sangue é visto no seio da nossa atual cultura globalizada? Giulia Moon

  • Giulia Moon é escritora e publicitária. Publicou três coletâneas de contos: “Luar de Vampiros” (Scortecci), “Vampiros no Espelho & Outros Seres Obscuros” (Landy) e “A Dama-Morcega” (Landy). Participou da coletânea  “Amor Vampiro” (Giz Editorial). Edita o fanzine FicZine e é co-editora da revista “Scarium Megazine”. Está lançando o romance “Kaori – Perfume de Vampira” (Giz Editorial).judy 2a
  • Judith Tonioli Arantes é tradutora e professora. Faz mestrado em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, onde desenvolve sua dissertação pesquisando sobre o mito do vampiro contemporâneo, principalmente os personagens dos livros de Anne Rice e Stephenie Meyer. Foi uma das autoras do livro “Senhora dos Anéis” (Devir).
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  • Natasha dos Reis é fundadora e organizadora dos fãs clubes Twilight Universe (fã clube oficial brasileiro da saga “Crepúsculo”) e Slyfriends (fã clube brasileiro da saga “Harry Potter”). Produtora de eventos e pesquisadora de Literatura Fantástica, principalmente quando vampiros são o tema principal.
  • ElidiaAElídia “Lica” Zotelli é membro fundadora e líder do fã clube Twilight Universe (fã clube oficial brasileiro da saga “Crepúsculo”).  Uma zootécnica que tem se dedicado ativamente ao estudo,  pesquisa e divulgação da literatura de vampiros.

 
15 às 16h30 horas

Bate-papo: “O MERCADO EDITORIAL DE LITERATURA FANTÁSTICA NO BRASIL”
Saiba tudo por quem decide.Importante participação dos editores do gênero fantástico com novidades, informações e curiosidades do mundo editorial de hoje.

  

17 às 18h30

Bate-papo: “PRÁTICA DE ESCRITA DE LITERATURA FANTÁSTICA”
Autores veteranos da nova geração se encontram para a troca de experiências e conhecimentos sobre o mercado editorial e a prática da criação literária. Internet, cinema, teatro, poesia, conto, crônica e outros gêneros textuais, eles discutem Literatura Fantástica, num bate-papo cheio de idéias e dúvidas, começos e fins. 

  • Nelson de OliveiraANelson de Oliveira é escritor. Doutor em Letras pela USP, publicou mais de vinte livros, entre eles os romances “Subsolo Infinito” (Cia. das Letras) e “A Maldição do Macho” (Record – publicado também em Portugal); a coletânea de contos “O Filho do Crucificado (Ateliê – também lançado no México), e de ensaios “A Oficina do Escritor” (Ateliê). Organizou as antologias “Geração 90: Manuscritos de Computador” (Boitempo) e “Geração 90: Os Transgressores” (Boitempo), com os melhores prosadores brasileiros surgidos no final do século 20. Dos prêmios que recebeu destacam-se o Casa de las Américas (1995), o da Fundação Cultural da Bahia (1996), duas vezes o da APCA (2001 e 2003) e o da Fundação Biblioteca Nacional (2007). Atualmente coordena, em várias instituições, oficinas de criação literária para escritores com obra ainda em formação.
  • Kizzy YsatisKizzy Ysatis é escritor. Estudioso da vida gótica e da cultura underground, é grande amante e conhecedor dos mitos de vampiro. Publicou o romance “Clube dos Imortais: a Nova Quimera dos Vampiros (Novo Século), além de vários contos. Cursou Produção Editorial até o penúltimo ano. Em 2005, o “Clube dos Imortais” foi agraciado com o prêmio Rachel de Queiroz, da Academia Brasileira de Letras, e outorgado pela União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro.
  • Ronaldo BressaneARonaldo Bressane é escritor, jornalista e editor. Publicou a trilogia de contos “A Outra Comédia”, formada por “Os Infernos Possíveis (Com-Arte/USP), “10 Presídios de Bolso” (Altana) e “Céu de Lúcifer” (Azougue); e o volume de poemas “O Impostor” (Ciência do Acidente). Ao lado de Joca Reiners Terron, Marcelino Freire e Nelson de Oliveira, co-editou a coleção “Risco: Ruído” (DBA). Além de colaborações em sites, revistas e suplementos literários, participou da revista “PS: SP” (Ateliê) e das antologias “Geração 90: Os Transgressores” (Boitempo), “Paixão por São Paulo” (Terceiro Nome), “Fábulas da Mercearia: Uma Antologia Bêbada” (Ciência do Acidente), “Sex’n’Bossa” (Mondadori) e “Lusofonia” (Nuova Frontiera).
  • Santiago NazarianSantiago Nazarian é escritor, tradutor e roteirista. Autor de cinco romances, entre eles “O Prédio, o Tédio e o Menino Cego” (Record), “Feriado de Mim Mesmo” (Planeta) e Mastigando Humanos (Nova Fronteira). Em 2003, recebeu o Prêmio Fundação Conrado Wessel de literatura por seu romance de estréia, “Olívio” (Talento). Em 2007, foi um dos autores convidados para as comemorações do Hai Festival em Bogotá, Capital Mundial do Livro. Suas obras foram traduzidas para o espanhol e o italiano, em diversos países da Europa e da América Latina.

 

 

DOMINGO – dia 26 de julho

11 às 13 horas

Oficina: “COMO CRIAR PERSONAGENS”
André Vianco, o mais consagrado escritor da atualidade do gênero fantástico abre o jogo, dá dicas e informações sobre como construir e utilizar os personagens nas histórias. Uma oportunidade rara! 

  • Andre ViancoAndré Vianco é autor dos best sellers “Os Sete” e “Sétimo”, que explora o universo sobrenatural (vampiros, lobisomens, anjos e batalhas entre o bem e o mal) elaborando um cenário surrealista, mas com elementos da realidade do dia-a-dia e histórias passadas no Brasil. É hoje o escritor brasileiro que mais conquista leitores de fantasia & horror e seus livros estão entre os mais vendidos na literatura fantástica brasileira.

11 às 12 horas

Bate-papo: “STEAMPUNK E OS NOVOS RUMOS DA FICÇÃO CIENTÍFICA”
Criativos, retrofuturistas no estilo e no comportamento. Esses são alguns dos conceitos do Steampunk, um gênero de ficção que explora um “mundo alternativo” movido a vapor (”steam”). Assim, temos uma fusão de “era vitoriana” com “futuro pós-apocaliptico” ou “punk” no sentido de transgredir o hoje e o passado. Algo com muitas engrenagens, com grandes zepelins voando pelos céus e seus respectivos piratas, um misto de roupas vitorianas com tecnologias que parecem do nosso tempo. Mais do que nunca, surgem novos e talentosos autores na atual Ficção Científica que expandem as barreiras do gênero. E os editores fazem a sua parte: buscam rótulos para categorizá-los. No meio de tantos rótulos e inovações, o que exatamente eles representam?

  • FabioFabio Fernandes é jornalista, tradutor e dramaturgo. Seus contos foram publicados no Brasil, Portugal, Romênia e Estados Unidos. Publicou a coletânea de contos “Interface com o Vampiro” (Writers) e “A Construção do Imaginário Cyber” (Anhembi Morumbi). É Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e professor pela mesma instituição. Foi curador do “Invisibilidades II” (2008), do Instituto Itaú Cultural, evento voltado para a Ficção Científica, e fará a curadoria da terceira edição, ainda em 2009.
  • Gian 3aGianpaolo Celli, além administrador de empresas, é escritor e editor. Estudioso de ocultismo, esoterismo e mitologia. Tem matérias e aventuras-solo de fantasia na revista Dragão Brasil; é colunista do site de neopaganismo “Tribos de Gaia”; co-autor da coleção Necrópole: “Histórias de Vampiros” (2005), “Histórias de Fantasmas” (2007) e “Histórias de Bruxaria” (2008); das coletâneas “Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos” (2006) e “Paradigmas, volume 3″ (2009), e co-editor e co-autor dos livros “Histórias do Tarô” (2008) e “Steampunk” (2009).
  • Bruno AcciolyBruno Accioly é empresário da área de tecnologia, editor da revista de internet OutraCoisa.com.br, co-fundador do Conselho SteamPunk e responsável pela loja Rio de Janeiro. Crítico da forma como o homem se relaciona com a tecnologia, é estudioso de Filosofia e seu rebento mais bem sucedido, a Ciência. Especialista em Usabilidade – disciplina que lida com a interação homem/máquina – atua na área há mais de dez anos enquanto divide seu tempo como redator e ficcionista.

 
12 às 12h30

Mostra de filmes: “OS PREMIADOS DO FESTIVAL CURTA FANTÁSTICO”
Festival Curta FantasticoAO Festival Curta Fantástico é um evento que exibe curtas-metragens nacionais, desde 2006, com a temática fantástica, ou seja, filmes de horror, ficção científica ou fantasia, a Fly Cow, produtora que realiza o festival, fez uma seleção com os melhores curtas fantásticos nacionais que foram apresentados na última edição, no ano passado em São Paulo. Teremos uma sessão no Sábado e outra no Domingo.

12h30 às 13 horas

Mostra de vídeos: “MOSTRA DE BOOK TRAILERS”
Com a popularização da internet, a literatura fantástica brasileira entrou na era digital. Driblando a falta de interesse e de divulgação na grande mídia, os escritores vêm utilizando novas formas de promover seu trabalho. A criação de vídeos vem se tornando cada vez mais popular e alcançando o objetivo principal, que é tornar conhecido o livro que anuncia. O CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica) e a OPELF (Oficina de Produção e Estudos de Literatura Fantástica) reuniram alguns desses vídeos numa pequena mostra.
 
13 às 14h30

Mesa-redonda: “O FANTÁSTICO NA EDUCAÇÃO”
Uma discussão sobre a utilização da Literatura Fantástica como instrumento pedagógíco e sua utilização em sala de aula. Como promover a formação de novos leitores e utilizar a literatura e os elementos do universo fantástico como um recurso dentro da escola para melhorar o desempenho dos estudantes. 

  • Flavia MunizFlávia Muniz é escritora e pedagoga. Com vários prêmios e diversos livros adotados por escolas e instituições, têm mais de 3 milhões de livros vendidos. Entre eles “Os Noturnos”, “Viajantes do Infinito” (Editora Moderna), “Brincadeira de Saci” (Editora Scipione), “O Tubo de Cola” (Editora Moderna) e “A Gatocleta do Miafino” (FTD).Trabalhou também na criação de produtos para crianças e jovens, como revistas de atividades, quadrinhos, enciclopédias, sites e jogos. Participou, ainda, de teatro infantil e escreveu para a TV Cultura.  
  • MarthaAMartha Argel é bióloga, com doutorado em Ecologia, e escritora de livros de literatura fantástica, crônicas e divulgação científica. Como escritora de literatura fantástica, publicou entre outros, o romance “Relações de Sangue” (Novo Século) e a coletânea “O Livro dos Contos Enfeitiçados” (Landy Editora). Participou de antologias, como “Amor Vampiro” (Giz Editorial) e “O Livro Vermelho dos Vampiros” (Devir). Seus lançamentos mais recente são “O Vampiro Antes de Drácula” (Aleph) e “O Vampiro da Mata Atlântica” (Idea Editora). 
  • Rosana RiosRosana Rios é bacharel em Arte-Educação pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo. Foi roteirista de programas infantis para a TV Cultura de São Paulo e outras emissoras. É autora de Literatura Infantil e Juvenil desde 1988, e já publicou mais de 100 livros em 15 editoras. Recebeu vários prêmios literários, entre eles o Bienal Nestlé de Literatura, em 1990, o Cidade de Belo Horizonte,  em 1991, além de selos “Altamente Recomendável”, da FNLIJ (Fundação afiliada ao IBBY) em 1995 e 2005; e foi finalista do prêmio Jabuti 2008 na categoria Literatura Juvenil.
  • Janaina AzevedoAJanaina Azevedo tem formação acadêmica em Lingüística e Teoria Literária pela Universidade de São Paulo e em Ciências da Religião pela Faculdade Mosteiro de São Bento. É presidente da OPELF – Oficina de Produção e Estudos de Literatura Fantástica, e já comandou várias entidades de produção cultural. Pela Editora Vortex (antiga Tudoteca), trabalha como agente literária e publica obras de pesquisa histórica e literatura fantástica. É pioneira no uso da Literatura Fantástica em sala de aula.

 
15 às 16h30

Palestra: “A LITERATURA FANTÁSTICA NA AMÉRICA LATINA”
O Realismo Mágico é uma característica própria da literatura latino-americana da segunda metade do século XX que funde a realidade narrativa com elementos fantásticos e fabulosos, não tanto para reconciliá-los como para exagerar sua aparente discordância. Floresceu nos anos sessenta e setenta, enraizado nas discrepâncias surgidas entre cultura da tecnologia e cultura da superstição, e em um momento em que o auge das ditaduras políticas converteu a palavra numa ferramenta infinitamente apreciada e manipulável.

  • Ana Cecilia OlmosAna Cecília Olmos é graduada em letras modernas pela Universidad Nacional de Córdoba, Argentina, é professora de literatura hispano-americana da USP, especialista em literatura e cultura hispano-americana do século XX. É autora, entre outros, de “Intelectuales, instituciones, tradiciones” (Javier Lasarte [org.]), “Territorios Intelectuales. Pensamiento y cultura en América Latina” (Caracas, La nave va) e de “Releituras de Borges. A revista Punto de Vista nos anos 80″ (Jorge Schwartz [org.]), “Borges no Brasil” ( Edunesp).
  • Horacio CorralAHorácio Corral é produtor cultural. Foi livreiro e organizador de eventos na Livraria Cultura. Atualmente é um dos produtores da OPELF – Oficina de Produção e Estudos de Literatura Fantástica. É responsável pela loja virtual Beco Imaginário e a produtora de jogos Tudoteca. Entre as suas áreas de atuação encontram-se jogos e literatura fantástica, tendo uma especial atenção sobre a obra de Jorge Luis Borges e Alejandro Dolina. É estudioso de literatura hispano-americana e trabalha com difusão de leitura e produção independente, além de tradução.

17 às 18h30

Palestra: “AS HISTÓRIAS DESCONHECIDAS DE EDGAR ALLAN POE”
Narrativas científicas, misteriosas, permeadas de terror, horror, suspense, policialescas, Edgar Allan Poe carrega nas costas o título de criador de vários gêneros literários. Poe foi responsável não somente por influenciar alguns dos escritores decisivos das décadas seguintes, bem como por estabelecer com propriedade caminhos novos e férteis para a literatura ocidental do então século XIX. Recordando os 200 anos do seu nascImento, o escritor Bráulio Tavares está preparando uma antologia com contos pouco conhecidos de Poe. Nesta palestra, ele falará sobre essas histórias e de como Poe elevou o conto como gênero.

  • Braulio TavaresBráulio Tavares é escritor, roteirista e compositor. Compilou a primeira bibliografia do gênero: o Fantastic, Fantasy and Science Fiction Literature Catalog (Fundação Biblioteca Nacional). Autor de “A Espinha Dorsal da Memória”, “A Máquina Voadora” e “Anjo Exterminador” (todos pela Rocco). Organizou as antologias “Freud e o Estranho”, “Contos Fantásticos no Labirinto de Borges” e “Páginas de Sombra”; (todos pela editora Casa da Palavra).

 

 EXPOSIÇÕES


SÁBADO e DOMINGO –  a partir das 11 horas

Painel comemorativo: “40 ANOS DO SYMPOSIUM DE FICÇÃO CIENTÍFICA
Sanz_AC Clarke2O “Simpósio de FC” foi o primeiro “international meeting” (encontros internacionais de escritores profissionais), da história do gênero. O “Simpósio de fc” foi um evento integrante do II Festival Internacional do Filme, no Rio de Janeiro, em março de 1969, entre os dias 24 e 30.

Dos Estados Unidos, vieram Forrest J. Ackerman, Karen e Poul Anderson, Alfred Bester, Robert Bloch, Leigh Chapman, Roger Corman, Carol e Ed Emshwiller, Harlan Ellison, Philip José Farmer, Harry Harrison, Robert A. Heinlein, Damon Knight e Kate Wilhelm, George Pal, Frederik Pohl, Robert Sheckley e A. E. van Vogt.

Da Espanha veio Luis Gasga e da França vieram Jacques Baratier, Robert Benayoun, Michel Cae e Jacques Sadoul. Da Inglaterra, Brian W. Aldiss, J. G. Ballard, John Brunner, Val Guest e Rolf Rilla. Do Uruguai veio Marcial Souto.

E do Brasil estiveram presentes André Carneiro, Clóvis Garcia, Ruy Jungman, Álvaro Malheiros, Walter Martins e Jerônymo Monteiro.

Um outro inglês, Arthur C. Clarke, cujo filme 2001: Uma Odisséia no Espaço , desenvolvido por ele em parceria com o cineasta Stanley Kubrick, fora lançado no ano anterior e alcançado reconhecimento estrondoso, também esteve presente para ser homenageado com o troféu “Monólito Negro”.

Exposição de esculturas: “VISÕES SECRETAS
Cavani Rosas_rosto2Caboclos coroados, golems feitos de algas, índios guerreiros com cocares vivos, criaturas híbridas de vegetal, animal e humano, parecem ter-se despregado da superfície bidimensional dos desenhos para invadir o mundo em três dimensões de onde os contemplamos.

O mundo de onde Cavani Rosas extrai seus personagens é um mundo fantasmagórico cujas leis parecem definidas em parte por essas escolas esotéricas, e em parte pela Física Quântica.

São criaturas que parecem personagens de William Blake invadindo-se de um desenho de Rugendas, ou seres lovecraftianos esvoaçando sobre uma paisagem de Frans Post.

Cavani Rosas sempre deu uma duplicidade perturbadora aos seres que engendra: o mágico ao lado do científico, o vislumbre onírico trazido à tona da mente com o rigor anatômico de quem já dissecou cadáveres por mero hobby. As criaturas podem ser inverossímeis, mas sua concretude física desafiaria as objeções de uma banca examinadora. O elemento fantástico emerge com todo vigor nas esculturas a que Cavani vem se dedicando nestes últimos anos.

  • Cavani Rosas é desenhista e escultor. Artista pernambucano, nascido no Recife, dedica-se basicamente à escultura e ao desenho em bico-de-pena.

 
 LANÇAMENTO & ENCONTROS COM OS AUTORES

 “Alma e Sangue”, de Nazarethe Fonseca (Editora Aleph)

 “O Arqueiro e a Feiticeira”, de Helena Gomes (Idea Editora)

“Os Guardiões do Tempo”, de Nelson Magrini (Giz Editorial)

 “Kaori – Perfume de Vampira”, de Giulia Moon (Giz Editorial)

 “O Livro Vermelho dos Vampiros”, de Luiz Roberto Guedes (org.) (Devir)

“O Prédio, o Tédio e o Menino Cego”, de Santiago Nazarian (Record)

 “O Povo da Névoa”, de H. R. Haggard (Edições GRD)

 “Steampunk”, de Gianpaolo Celli (org.) (Tarja Editorial)

 “Ubik”, de Philip K. Dick (Editora Aleph)

 
TV CRONÓPIOS: FANTASTICON 2009 AO VIVO

logo_tvcronopios1ANeste ano, teremos a cobertura jornalística da TV Cronópios, que transmitirá ao vivo toda a programação do Fantasticon 2009. A TV Cronópios é um canal online de literatura e arte que transmite entrevistas com escritores em eventos, coberturas de lançamentos literários e reportagens gravadas no local de trabalho ou na casa de escritores.

Criado em 2005, o portal Cronópios é um projeto com o intuito de mapear e fomentar a literatura contemporânea brasileira, em todas as regiões do país. Tem 40 colunistas fixos, que são escritores premiados de várias gerações literárias, e de diversas regiões do país, assim como de outros países: Espanha, México, Uruguai, Argentina e Angola. O site movimenta hoje cerca de 1 milhão e 300 mil de PageViews ao mês.

Mostra de filmes: ”OS PREMIADOS DO FESTIVAL CURTA FANTÁSTICO”

BICHO – (Melhor Filme de Fantasia)
Dir. Vitor Brandt – 13 min. Fantasia
Garoto de 9 anos, tímido e solitário, tem uma fascinação por animais. Sua mãe odeia bichos e sempre se livra deles. Ao encontrar um bicho diferente dessa vez, a história do garoto não irá terminar da mesma maneira.

O DIABO DA GUARITA (Menção Honrosa)
Dir. João Tenório – 18 min. Horror
Um homem dentro de uma guarita é assombrado. Baseado em fatos reais.

O ANDAR SUPERIOR (Menção Honrosa)
Dir. Leo Ribeiro – 06 min. Fantasia
Teotônio Flanela, um simples contador, vive situações inusitadas para conseguir embarcar para o descanso eterno.

 O POVO ATRÁS D MURO (Menção Honrosa)
Dir. Marconi Loures – 08 min. Fantasia
Um povo descobre não serem os únicos habitantes em um pequeno planeta.

 O GRITADOR (Prêmio Estímulo)
Dir. Ulisses Costa e Carlos Porto – 15 min. Horror
Três rapazes da cidade grande acampam nos cânions dos Campos de Cima da Serra (RS). Encontram dois misteriosos guias e ficam conhecendo a lenda de um homem cruel que foi condenado a vaguear pelo mundo como uma alma penada – o temível Gritador.

MEU CARRO, O MEU CARRO (Melhor Filme pelo Júri Popular)
Dir. Guilherme Nasraui – 08 min. Fantasia
Ao pegar se velho carro para um encontro profissional, homem encontra baú mágico e tem a oportunidade de pedir qualquer coisa. É hora de colocar à prova sua inteligência.

 VOLTAGE (Melhor Filme de Ficção Científica)
Dir. Willian Paiva e Filipe Lyra – 04 min. Ficção Científica
Um homem dentro de uma guarita é assombrado. Baseado em fatos reais.

Em Voltage, robôs meio-humanos e meio-sintetizadores movidos por doses cavalares de energia se conectam num transe elétrico e caótico.

VADATA (Melhor Filme de Horror)
Dir. Manuel Lebelt – 10 min. Horror
Dentro de um envelope com remetente desconhecido. uma única peça de um quebra-cabeça. Outros envelopes chegam com mais peças e algo se torna real além da soma das partes.

ROCK ROCKET DOIDÃO (Melhor Maquiagem)
Dir. Kapel Furman – 05 min. Horror
Um bar se tornará palco para uma seqüência sangrenta alucinante, apresentando o rock’n’roll da forma mais visceral possível.

A VOLTA DO CANDANGO  (Melhor Criatura)
Dir. Filipe Gontijo e Eric Aben-Atharo – 06 min. Fantasia
Os operários (candangos) que construiram Brasília trabalhavam mais de 16 horas por dia. Muitos morriam no canteiro de obras. Agora um desses operários volta dos mortos para ver como ficou a cidade que ajudou a construir. 

O HOMEM DA CABEÇA DE PAPELÃO (Melhor Efeito)
Dir. Carlos Canela – 15 min. Ficção Científica
Em uma sociedade no tempo, um homem muda de cabeça e descobre que só a verdade não o libertará.

O ASSASSINATO DA MULHER METAL (segundo mais votado pelo público)
Dir. Joel Caetano – 18 min. Ficção Científica
Antigos heróis se juntam para desvendar o assassinato de uma ex-companheira, durante a investigação descobrem algo maior acontecendo.

 
 Biblioteca Viriato Correa_logoA

Endereço: Rua Sena Madureira, 298
Vila Mariana – 04021-050 São Paulo, SP
Tel.: (11) 5573-4017 e (11) 5574-0389
ENTRADA FRANCA

1) Não é necessário se inscrever antecipadamente.
As senhas, para todas as atividades,
serão distribuídas com 1h de antecedência,
obedecendo à capacidade de lotação:
101 lugares na Sala Luiz Sérgio Person e
40 lugares no Espaço Temático de Literatura Fantástica.

2) As exposições estarão no andar térreo da biblioteca durante todo o evento.
 

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Scarium – Mulheres & Horror

maio, 27 - 2009

Tem continho meu na área! Acabou de sair a

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SCARIUM 25: ESPECIAL MULHERES
Edição e organização de Giula Moon

Nesta Edição:

Especial de horror: Mulheres

Editorial – Giulia Moon
Entrevista: Martha Argel e Humberto Moura
Quadrinhos – Althéia – Giulia Moon
Nilza Amaral – Medo
Martha Argel – Quando o Lobo sai para caçar
Nelson Magrini – À Luz do dia
Mário Carneiro Jr. – Bruxa!
Regina Drummond – Uma História de Mulheres
Marcelo Augusto Galvão – Criança Feia
Cristina Lasaitis – Sangria
Ademir Pascale – Diabólica
Richard Diegues – Uma Flor a Gambô
Ana Cristina Rodrigues – Brinco de Prata
Alexandre Lancaster – Artísta da Capa
Marco Bourguignon – A Filha do Demônio
Cartas

Edgar Smaniotto – Farei Meu Destino de Miguel Carqueija: Construindo uma Ficção Fantástica para Jovens Leitores
Cesar Silva – Faroeste Fantástico

Edição de maio de 2009.
Edição Especial de horror com contos sobre mulheres.
R$ 8,00 (envio gratuito para todo o Brasil)

Compras, diretamente no site da Scarium.

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O Auto das Normas Divinas

março, 13 - 2009

 (e das coisas que não se deve questionar em vão)

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Muitas histórias contam aqueles que o conhecem. Dizem que quando os passos dele soam no corredor, é como se ecoassem através das catacumbas, o chão até estremece. Ao ouvi-lo se aproximar, as baratas se esgueiram por buracos estreitos, as aranhas se recolhem cautelosas para o vértice das teias, as lagartixas ficam tão pálidas que podem ser confundidas com a pintura das paredes e as formigas, coitadas, debandam num salve-se-quem-puder desesperado. Como um titã, ele vem. Um halo de pesar anuncia a sua chegada e perdura após a partida. O véu negro de sua autoridade se projeta contra as paredes brancas ao mesmo tempo em que um pesadume recai no cerne de todas as coisas: suam as testas dos santinhos de barro, agonizam as chamas das velas. As traças não ousam roer os mantos da sua batina (dizem que certa vez uma tentou e como resultado caiu morta em cinco minutos, vítima de convulsões terríveis!).
Ele passa e atrás dele vem a sombra. Atrás da sombra vem o silêncio.
A sensação que dá é que bem ali, no final do corredor, a qualquer momento irão se abrir os portais do limbo e entrar os cavaleiros do apocalipse, pois os passos de D. José Sardoso Cobrinho já prepararam o terreno para a sua chegada.
Você está tentando encará-lo nos olhos? Pois eu aviso: não o faça! Os olhos dele irradiam labaredas, mas dizem ser tão frios que por onde ele olha neva e nem o calor infernal de Olinda é capaz de aplacar os arrepios.
Falam dos mistérios que cercam a sua clausura. Ninguém nunca ousou entrar lá para conferir, mas dizem que a entrada é guardada por cinco bestas invisíveis – íncubos e súcubos aprisionados, adestrados e castrados. Veja, lá estão eles. Ao ouvir passos começam a ladrar e rosnar como loucos, fazem um escarcéu dos infernos que não é ouvido por ninguém, mas cujos ecos fazem os corações mortais se espremerem até caber em um dedal. A soleira da porta é o limite, dali ninguém ousa ultrapassar.
Ante as flamas nas órbitas de D. Sardoso, os íncubos grunhem e se espantam com os rabinhos entre as patas. Duas gárgulas de Notre Dame do Piratininga vigiam a cabeceira de sua cama. Uma costuma ser muito falante e boba, a outra é calada e esperta. Neste instante estão adormecidas, mas percebendo-o chegar, se endireitam e arrotam golfadas de fogo. Dom Sardoso entra. Em sua mão traz uma carta com a insígnia de Roma. Senta-se na cama sob o olhar curioso das gárgulas e com muita cerimônia abre o envelope do remetente papal.
É uma mensagem de apoio, assinada por ninguém mais que dom Ratzinger. Seus olhos brilham de emoção…

Por muito tempo ele esperou uma oportunidade tão oportunamente boa para provar ao mundo como é implacável a lei de Deus e infinita a sua bondade.
Todas as noites antes de dormir dom José Sardoso rezava três pai-nossos, três ave-marias, um salve rainha e um credo, pedia a proteção divina e já com as roupas de dormir livrava seus íncubos e súcubos da coleira para que saíssem pela noite a amedrontar as criancinhas que ainda estavam fora da cama e se apossar das mãos direitas daqueles que praticavam a luxúria na solidão de seus leitos. Quem sabe um destes pecadores não enlouqueceria o bastante para fazer algo muito, mas muito feio? Um pecado mortal desses que açulam a ira da opinião pública. Quanto pior o mal, mais brilha o bem; um criminoso convertido vale por dez virtuosos. Que propaganda maravilhosa o mal não faz para a diocese?
Pois num belo dia ensolarado, desses que não são nenhuma novidade no Recife, o jornal chega à mesinha de sua clausura com uma notícia bombástica:
– Um aborto! E de gêmeos!
Uma das gárgulas, ouvindo distraidamente os pensamentos do arcebispo, se engasga com o próprio enxofre: cof cof…
– Duma menina de 9 anos!… Violada pelo padrasto.
As flamas brilham nos olhos de dom Sardoso:
– Já sei! Vou excomungar todos os envolvidos – ele pega uma caneta e começa a anotar os nomes –, os médicos, vejam só, são católicos! Malandros! Hereges… Quem mais?
Animada com a novidade, a gárgula opina:
– As enfermeiras?
– Não, não sua anta!
– Err… a diretoria do hospital?
– Não. A mãe! A mãe da menina que autorizou esse pecado descomunal! – ruge o arcebispo.
– Ah.
Esboçando nos lábios o sorriso que Caim tinha para Abel no momento supremo, dom Sardoso anota mais um nome em sua listinha negra. A gárgula se intromete de novo:
– E o pai?
– O pai? Ah, o pai eu vejo depois.
– Não, quer dizer, o padrasto. O estuprador.
Nesse instante os íncubos e súcubos começam a latir freneticamente:
– Au au! Woof woof! (É isso aí – eles querem dizer – manda excomungar ele também!)
O arcebispo olha de soslaio para os demoniozinhos, durante um tempo muito curto, mas o suficiente para que chorem de arrependimento:
– Caim caim caim…
Depois de uma respiração com toda a profundidade da sua sabedoria, o arcebispo decide:
– Não. A lei canônica é clara: o aborto é um pecado gravíssimo e passível de excomunhão. O estupro é um pecado grave, mas nem se compara ao aborto!
A gárgula se entristece, seus olhos vermelhos em fenda ficam melancólicos:
– Mas, mas…
– Sem “mas”!
– Mas e a menina, excelência?
Emanando a lucidez que é marca registrada dos defensores da lei canônica, o arcebispo diz:
– Para dar uma amostra da infinita bondade de Deus e da nossa profundissíssima compaixão, a menina será poupada da excomunhão. O mesmo para o estuprador, para mostrar à essa corja de infiéis que a misericórdia de Deus é capaz de perdoar todas as faltas. – E depois de cinco segundos de um silêncio descontente ele arremata: – Menos o aborto, é claro. Essa é uma penalidade latae setentiae!**
“Oxe, fica tão chique dizer isso!”, ele pensou. (**Agora tente imaginá-lo falando latim com sotaque pernambucano).
A gárgula sorri comovida:
– Como o senhor é bom, excelência! Arretada essa sua decisão!

E assim foi feito. Dom José Sardoso Cobrinho excomungou os médicos que fizeram o aborto na menina e também a mãe. Não satisfeito, ele mandou informar devidamente os donos das almas perdidas e deu um jeitinho para que o fato chegasse aos ouvidos bisbilhoteiros dos jornalistas.
Foi um estouro! Virou manchete no país inteiro. Dom Sardoso até passou perfume para dar entrevista na tevê. E como um homem muito sério no cumprimento do dever ele explicou aos jornalistas a lei implacável de Deus:
– Esse padrasto cometeu um pecado gravíssimo. Agora, mais grave do que isso, sabe o que é? O aborto, eliminar uma vida inocente.
Talvez tivesse se esquecido de que a menina também fosse inocente e que sua jovem vida corria risco de ser igualmente abortada. Mas os bebês assassinados, esses com certeza eram mais inocentes do que a menina.
Mas peraí, isso importa? Não, realmente.
Talvez passasse bem de leve na imaginação do arcebispo que a mãe da garota, a mulher excomungada, no instante em que foi atingida pelo raio dos fatos teria desejado cavar um buraco no chão e se enfiar ali para sempre. Talvez, durante fugazes momentos, inda passasse pela cabeça dele a imagem de uma menininha de 9 anos sustentando com seus 30 e poucos quilos uma gravidez de gêmeos adiantada, sem posição nem ânimo para brincar, a barriga avantajada raiada de estrias vermelhas e profundas, a pele sofrendo com a dor das distensões e com o peso; e a garota vergada, atrapalhada para se equilibrar levando consigo o resultado final de três anos de abusos do padrasto agüentados em silêncio para que ele não cumprisse com a ameaça de matar a sua mamãe, suportando os chutes e pontapés daquelas coisinhas inocentes que poderiam matá-la no final… Poderiam? Mas e se ela já estivesse morta por dentro?
Que nada. Besteira! Depois dos bebês nascerem ela nem se lembraria mais do estuprador. O amor maternal supera tudo, quer apostar quanto? É sempre assim, a Igreja está cheia de casos virtuosos para mostrar.
As mulheres fazem aquelas caras de sofredoras, mas nunca provaram ter vida inteligente. Alguma vez você ouviu uma mulher dizer coisa com coisa? A única mulher que dom Sardoso se lembrava de ter dito algo sensato foi a Virgem Maria, na anunciação: “eis aqui vossa serva, que seja feita a vossa vontade!”
Isso sim que era mulher!
As feministas iriam ficar enfurecidas com a decisão, o que é mais um belo motivo para comemorar, o arcebispo precisava até se segurar para não dar pulinhos de triunfo. Já pensava até no bordão: “estupra, mas não aborta!”
Não teria pena da menina, não. Quando ele era pequeno não tinha essa coisa de ficar passando a mão na cabeça do pirralho. Se fizesse algo errado, levava uma chinelada; se fizesse certo, levava duas. Quando foi para o seminário não havia moleza, não! Ao menor deslize os padres faziam estalar a vara de marmelo nos fundilhos dos noviços. Graças a Deus e à ortodoxia das varadas hoje dom José Sardoso é um arcebispo cabra-macho. Pra ele não existe essa frescura de meias palavras, de “força da necessidade”; de “interpretação da palavra divina”. Se tá escrito, tá escrito, pombas!

Mas na finalmência dos finalmentes, a mais verdadeira verdade é que dom Sardoso não estava preocupado com os bebês abortados, a menina ou as críticas. Ele estava mesmo adorando dar entrevistas! A todo momento choviam ligações, cartas, mensagens de apoio do país inteiro e também do estrangeiro; e ele nunca tinha recebido tanta atenção na vida, nem antes nem depois dos votos. Sentia uma massagem tão grande no ego quando lhe diziam que ele tinha razão! Dava até arrepio…
Ficar famoso não tem preço. Todas as outras coisas a fé pode comprar.
Pois não é fácil essa vida de representante das repartições celestiais na Terra, sabe? A menos que você seja um padre galã e carismático como aquele Marcelo Rossi, geralmente é uma vida bastante anônima e solitária, tão franciscana e tediosa… Mas agora ele lavou a honra da Igreja, é o vingador de Deus e das criancinhas não nascidas. Pois se os homens são o sal da terra, as crianças são o mel. “Deixai vir a mim os pequeninos”, e se eles não vierem, nós iremos até eles. Os homens de Deus têm o dever supremo de defender todas as crianças; as perfeitas, as anencéfalas, as retardadas… Crianças são luz, crianças são calor, crianças relaxam a gente.
Dom José Sardoso nunca esteve com a consciência tão limpa. Seguira metodicamente cada regra da cartilha, suspeitava até que seria canonizado. Um dia vai acabar surgindo um papa que reconhecerá a grandiosidade de seu caráter. Mas esse é um sonho secreto que o arcebispo guarda a sete chaves, afinal, ele é um homem infinitamente humilde. Tão humilde que quando morrer irá diretamente ao encontro de São Pedro nos portais do paraíso. E se por acaso o guardião quiser discutir a sua entrada, ele dirá: “por obséquio, Seu Pedro, vá lá na minha escrivaninha, veja os meus despachos, as minhas obras de caridade, a minha vigilância irretocável pela sagrada lei de Deus. Veja que não faltou uma refeição sem que eu rezasse o padre-nosso, todas as minhas missas estão em dia, todas as minhas confissões (os meus poucos pecados perdoados), todos os sacramentos que ministrei e que me foram ministrados, todos os perigos que afastei e os fiéis que acolhi…” E depois de mostrar a São Pedro o seu virtuoso bolo de papéis, o santo não teria outra alternativa senão carimbar o seu passaporte de entrada no paraíso com validade para todo o sempre.

Mas antes que termine de se elevar em hosanas nas alturas, dom José Sardoso Cobrinho desperta e atina novamente na carta vinda do Vaticano manifestando apoio irrestrito à sua decisão.
O apoio do papa!
O papa é infalível. Se Vossa Santidade o apóia, isso quer dizer que ele não está errado.
– Mas e se vossa excelência, por acaso, por uma ligeira possibilidade, tiver sido cruel com a menininha? – a gárgula tagarela, que ouviu todos os seus pensamentos secretos, pergunta.
O arcebispo cruza olhares com a gárgula estraga-prazeres e de imediato ela esbugalha as órbitas vermelhas como se uma força interna estivesse prestes a explodi-la. Comeaça a tremer incontrolavelmente e, em dois segundos, se espatifa em um milhão de caquinhos de mármore imaginário que se espalham pelo chão de toda a clausura beijando os pés de dom José Sardoso.
– Ainda que eu pudesse estar errado, Deus a tudo perdoa, não é mesmo? – responde docemente com aquele mesmo sorriso fraterno de Caim. – Perdoa tudo, menos o aborto.
O arcebispo está nas nuvens. Ele adora ter razão, ter razão é cristalino e puro! Mostra a assinatura do papa para a gárgula que restou (a esperta, a que fica quieta). Ela se espanta e abaixa os chifres em respeito. Os íncubos e súcubos de estimação abaixam as cabeças e lambem as patinhas, até as bestas medievais mais tapadas reconhecem o valor da autoridade. E com a glória fluindo nas veias, dom José Sardoso vai até a janela espiar as ladeiras da cidade velha, sentindo uma vaga nostalgia dos tempos em que ali crepitavam as fogueiras, o calor da justiça, a chama da ordem… Quando os homens vão aprender que não devem questionar a autoridade do único Ser inquestionável? Chegou a pensar que nascera nos tempos errados, agora sabe que não. Sua missão se revelou: será o redentor dos séculos. E de braços abertos, crucificado na luz do sol causticante frente o parapeito da janela ele sonha com os dias em que a utopia católica se tornará realidade e o mundo será um imenso rebanho de ovelhas dóceis, penitentes, na rígida observância da lei canônica; e nesse mundo – ele sabe – não haverá abortos nem revoltas, não existirá células tronco nem querelas heréticas. Tudo será comunhão, serão olhos aos céus e oferendas ao altar, serão joelhos no chão, mentes imaculadas, consciências limpas e cabeças vazias livres de todo o mal, amém.

* * *

Se liga, pastel, este é um texto de ficção. Antes de querer acusar alguém por difamação, saiba que há certos tipos de vilão que só existem nos contos de fadas e que há certos monstros invejosos dos primeiros que rastejam pelo mundo real fantasiados de gente e que de vez em quando merecem levar um tapa na cara. Toda e qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência, como você está cansado de saber.

* * *

Sobre a autora:
Cristina Lasaitis não tem medo da excomunhão. Como toda mulher emancipada, tem máquina de lavar roupas em casa, aspirador de pó e forno microondas. Não toma anticoncepcional e não planeja fazer nenhum aborto (é lésbica, se isso explica). De vez em quando sofre delírios de lucidez e finge ter um esboço primitivo de inteligência. Fica injuriada com coisas sem sentido, tem surtos emocionais às escondidas e rompantes maternais por crianças injustiçadas. É um caso perdido.

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Quer chorar? Leia essa matéria da Miriam Leitão (ela mesma) sobre o caso que deu o que falar. Economistas também têm coração.
E também o lindo texto da Luciana Muniz.

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Agora chega. Tô passada. Esgotada. Arrasada. Acabei de ler Hamlet e chorei um rio de pitangas. Preciso de oblívio. Vou virar a página e voltar para a minha tese, quero algo bem científico, frio e impessoal, de preferência com muitos números e fórmulas estatísticas. Juro que não dou mais um piu sobre o assunto.
Tchau, fui.