Posts Tagged ‘tese’

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A primeira foto do bebê

janeiro, 7 - 2010

“Aspectos afetivos e cognitivos da homofobia no contexto brasileiro – Um estudo psicofisiológico.”

Cristina Lasaitis, 2009 – Mestrado

Aí está a síntese dos meus esforços de 2009: três anos de experimentos, dois artigos publicados, centenas de voluntários analisados, muitos contos que não escrevi, as unhas roídas e uns 10 quilos de café extra-forte. O parto foi difícil e o rebento é pesado e lindo! Tem 182 folhas, capa bordô e letrinhas prateadas.

Minha sensação agora, passado tudo é… NÃO QUERO VER TESE POR UM BOM TEMPO!

Quer dizer, até o doutorado, que talvez comece este ano.

Eu diria que a pós-graduação é um delicioso (e insano) meio de vida – não um fim, um meio mesmo. Um estilo de vida que enlouquece mas que pode lhe dar bastante liberdade de movimento e de criação, o que é bom quando é exatamente isso que você deseja.

Minha tese deverá estar disponível no banco de teses da CAPES dentro de dois anos. Demora tudo isso porque os resultados do estudo ainda tem que ser publicados.

Agradeço a todas as pessoas que me ajudaram nessa empreitada, não seria possível sem a mãozinha de muita gente que acreditou, investiu e participou desse trabalho, que teve uma importância imensurável na minha vida.

E vamos pra próxima!

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Um pequeno recesso

julho, 14 - 2009

Queridos,

Devido a uma falha de planejamento, terei que ficar offline por um tempo. Nada de errado, estou bem. É só MUITO TRABALHO que tenho que por em dia, coisa que vai levar mais ou menos um mês (tenho que acabar esse mestrado de uma vez por todas!)

Não quer dizer que eu não vá responder scraps, e-mails, mensagens, mas simplesmente pode demorar um pouquinho. Peço a compreensão de vocês.

E para quem vai: SIM, darei oficina  no Fantasticon dia 25 de julho! Está confirmado.

Prometo que volto assim que puder, livre e com ânimo renovado.

Beijos, câmbio, desligo.

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A vida, em tese

junho, 9 - 2009

Não estou conseguindo progressos com a minha tese. Organizo o roteiro, sento para escrever, mas não saio do lugar. É preciso um esforço sobre-humano para conseguir um pouco de concentração; o problema é que sou só humana, demasiadamente humana.
Quem já passou pela TPM (tensão pré-mestrado) diz que esse bloqueio é normal.

Eu não quero admitir que estou em crise (ou não quero admitir minha incapacidade de lidar com ela). Às vezes, nalguns momentos, uma parte de mim encara outra parte de mim e xinga: “sua indisciplinada!” Não é possível uma pessoa ser tão selvagem a ponto de não conseguir se domesticar.

Mas são outros fantasmas que me dominam: ansiedade. Muita ansiedade.

Quando comecei esse projeto de mestrado ele me parecia a coisa mais apetitosa do universo. Agora mal consigo olhar pra ele. Não sei explicar, cansa.
O que aconteceu? Por que esse desânimo agora, tão perto da linha de chegada?

Eu acho que tenho a resposta. Mas sinto que para conseguir renovar o fôlego e pegar no tranco vou ter que repassar algumas das razões pelas quais cheguei até aqui. Me acompanha?

Rebobinando a fita, voltemos ao x da questão:

Afinal, por que uma pessoa resolve se tornar cientista?
Alguns dirão: porque gosto de ciência, porque quero descobrir a cura do câncer, porque sonho em ganhar o prêmio Nobel, porque tenho uma quedinha por aventais brancos e tubos de ensaio… As razões são as mais diversas.

Minha resposta é que muito cedo percebi que só uma formação científica me daria recursos para saciar essa curiosidade infinita que não sei de onde vem. Entender como funciona o universo é pra mim uma necessidade básica. Formular perguntas e não se contentar com o silêncio: aventurar-se na busca pelas respostas. Ir ao encontro das evidências por seus próprios meios. Tecer conclusões através de uma análise lógica. Ter massa crítica para se libertar de pressupostos, preconceitos, superstições, opiniões alheias e distorções midiáticas.

As razões que as pessoas encontram para se tornarem cientistas são formidáveis! As teorias são as entidades mais elegantes do mundo conceitual. Em teoria, tudo é lindo. Teoricamente as utopias existem, as terapias funcionam, os erros são descartados e a profissão de cientista é puro glamour.

Agora, na prática…

Melhor nem falar da prática.

Pensando bem, vou falar sim. A prática não é nada elegante. É onde a biologia fede, a física dá choque e a química explode. É onde o cientista se descabela, ganha olheiras e fica com aquele visual que todo mundo acha super descolado.

Na prática o pesquisador rebola para conseguir incentivo financeiro para a pesquisa. Rebola para administrar um laboratório equipado com aparelhos caros e material importado, à deriva no câmbio nem sempre favorável de um país em desenvolvimento. Rebola para conseguir pessoal qualificado, alunos interessados e bolsa pesquisa para todos eles. Rebola para conduzir os experimentos reproduzindo os níveis de qualidade dos laboratórios internacionais. Reza para conseguir dados inéditos. Rebola para escrever artigos num inglês impecável, não sendo essa a sua língua nativa. Reza para uma boa revista aceitar publicar seu trabalho e para que nenhum editor torça o nariz ao olhar o endereço (pois eles sabem que os países latinoamericanos praticamente não investem em pesquisa, os laboratórios estão sucateados e por isso mesmo acham que os trabalhos que produzem não devem ser confiáveis – além de serem escritos nesse inglês xinfrim). E o pior de tudo: o pesquisador brasileiro rebola para conseguir se sustentar, não tem aposentadoria, acesso a seguridade social ou sequer plano de saúde. Pode ter sua bolsa pesquisa simplesmente não renovada pelas entidades de fomento. Pode ter seu trabalho simplesmente ignorado pelas boas revistas da área. Na prática, é uma profissão de muita fé, rebolado, e não tem nenhum glamour.
Não é à toa que a pesquisa e a docência estejam tão ligadas no Brasil. O pesquisador não tem outra opção senão virar professor nas universidades, e dar aulas ao mesmo tempo em que faz pesquisa e orienta alunos. È óbvio que às vezes ele não consegue fazer direito nenhuma dessas coisas.

Esse não é, decididamente, um futuro com o qual eu sonharia.

Depois de dois anos em que estive trabalhando sobre uma bancada, fazendo minha iniciação científica em biologia molecular, quase nada sobrou daquele ideal encantado de me aventurar pelos mecanismos do universo e buscar minhas próprias respostas. A vida ficou subitamente reduzida a três proteínas, uma hipótese e um protocolo experimental. E muito tédio também, me dedicando a um projeto que, do fundo do coração, nem era meu, nem tinha qualquer sentido especial para mim.

Conheci outros jovens pesquisadores nessa mesma condição: vítimas de um trabalho desejado que aos poucos vira um martírio. E muito me assustei quando descobri, nessa minha crise laboratorial-existencial, que Newton estava certo: a inércia é implacável!
Os alunos precisam fazer um estágio, então entram em um laboratório, conhecem a linha de pesquisa, aceitam um projeto que é só um anexo do projetão do orientador, ganham uma bolsa que às vezes não chega a um salário mínimo (no caso da iniciação científica) e passam um tempo trabalhando sobre aquele minúsculo assunto que dificilmente o levará a uma descoberta, que mais dificilmente ainda terá uma aplicação a curto-prazo. Aos poucos vão morrendo as ambições de infância, aquela paixão pela ciência que agora parece tão pueril. O universo infinito perde atenção para a proteína. O sonho vasto perde espaço para a nota de rodapé. O cientista morreu e no lugar ficou só a máquina de publicar artigos. Há pessoas que caem nessa teia e jamais conseguem se livrar. E é medonho quando você vira um autômato, pois nem se questiona quando seu grande sonho perdeu totalmente o sentido.

Agora me responda: quanto tempo da sua vida você está disposto a vender por algo que não lhe dá sentido?

Eu me fiz essa pergunta quando me formei, depois de ter passado dois anos muito estressantes num laboratório. Tirei um tempo pra repensar meus planos. Foi quando fiz minha viagem pela América do Sul, que foi também uma viagem de “autoconversa”. Fui andar no meio das ruínas para perceber que neste mundo eu também estou só de passagem. Viajar é uma experiência muito enriquecedora, sobretudo quando você aproveita para viajar também internamente. Parece que consegui trazer, junto com os souvenires, um fôlego novo, novas resoluções para pôr em prática na vida.
Não por coincidência, foi nesse ano em que a literatura começou “a funcionar” para mim, e eu comecei a levá-la mais a sério.

Quando resolvi que estava na hora de fazer um mestrado, desenterrei do baú aquele antigo ideal: quero buscar respostas para as coisas que me assombram!
Decidi que só valeria a pena se me lançasse numa pesquisa que me dava ganas, que me desafiasse! Um assunto nada impessoal. Uma aventura toda minha.

Fui para um departamento que não tinha nada que ver com o que fazia antes – o de Psicobiologia. Fui adotada por professores maravilhosos, que me deram liberdade para exercitar esse meu modus operandi autodidata (e caótico).
Minha escolha foi estudar a dimensão emocional da homofobia. Eu queria isso. A homofobia é dessas coisas que me deixam angustiada perguntando por que as pessoas tornam o mundo tão complicado umas às outras. Queria trabalhar em algo que pudesse ser retribuído à sociedade em curto-prazo. Mas muito mais do que isso; foi também um modo de me habituar a lidar com um tema espinhoso com naturalidade. Com os rótulos de “tabu” e “polêmica”, a homossexualidade e seus assuntos relacionados raramente são abordados pelos pesquisadores das ciências básicas (ou com o jeito de fazer pesquisa dos cientistas básicos). Considerando que se eu não o fizesse, em meu lugar ninguém faria.
Desta vez, não poderia me queixar de tédio. Escrevi meu projeto em frenesi, devorei os artigos científicos da área. Consegui uma bolsa. Ao longo de dois anos conduzi a pesquisa com as dificuldades e tropeços inerentes ao meu pára-quedismo autodidata.

E a covardia vem me pegar justamente agora, quando olho aquela montanha de dados implorando para serem organizados em tese. Eu tento pensar num modo de organizar tudo num raciocínio lógico e minha entropia mental vai ao máximo. Também aconteceu, mais de uma vez, de estar escrevendo a introdução da tese e começar a entrar num transe de indignação e revolta (o lado pessoal reagindo) que me faz suspender o trabalho por mais um tempo.

Mas que outra razão nos atiça senão um belo desafio? Decifrar esfinges. Enfrentar fantasmas…

Sei de uma coisa: dá bastante trabalho procurar as respostas para as perguntas que você fez.

Vale a pena?  Imensamente.

Mas a gente precisa se convencer disso e lembrar, de tempos em tempos, a que veio.

Agora sim, acho que consigo voltar para a minha tese.

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Tenha uma experiência diferente

dezembro, 3 - 2008

SEJA VOLUNTÁRIO!!

Você mora na cidade de São Paulo ou redondezas? Tem entre 18 e 40 anos? É saudável e não tem histórico de doenças neurológicas ou psiquiátricas?

Se você se enquadra nesses pré-requisitos, que tal contribuir para a ciência?

Estou convocando homens e mulheres saudáveis para uma pesquisa sobre emoção. Como você pode ajudar?

Em primeiro lugar, preencha o questionário sócio econômico e étnico cultural e envie-o para mim, no e-mail: christie36@uol.com.br . Os dados desse questionário são importantes para que eu possa selecionar pessoas com diferentes perfis para participar da pesquisa. Nenhuma informação será divulgada.

Se você for selecionado, entrarei em contato para combinarmos um dia e horário para que venha à Unifesp participar de um experimento com imagens emocionais, que não tem nada de invasivo e não representará nenhum tipo de desconforto para você. Sua participação será anônima e suas despesas de transporte serão ressarcidas.

Qualquer dúvida, fique à vontade para entrar em contato comigo por e-mail.

Sua contribuição será muito importante, tenha certeza!

Cristina Lasaitis

Departamento de Psicobiologia – UNIFESP

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Quais são suas ambições?

agosto, 5 - 2008

Sometimes I just feel like happy hour…

Créditos: O PhD. Comics é um site muito legal de tirinhas que satirizam (com muito realismo) a vida dos pós-graduandos e seu mundinho acadêmico de relatórios torturantes, congressos intangíveis, orientadores invisíveis e deadlines-surpresa. É um jeito bem inteligente de se rir da própria desgraça.

Agora me dá licença que eu tenho que terminar esse relatório…