Achismo jornalístico

Julho, 3 - 2009

Com a morte do tiozinho-que-anda-pra-trás na semana passada, aconteceu o milagre d’eu assistir a mais noticiários de TV do que não costuma acontecer em um ano inteiro (leia-se: muito pouco).

Me pareceu incrível o número de horas que os programas conseguem segurar a audiência com um mínimo de informação relevante, aproveitando somente o impacto da notícia.

Pensando numa equação de ”informação/tempo gasto”, o custo-benefício é ínfimo. E a gente assiste mesmo assim! Como pode???

Lembro de estar acompanhando o jornal do SBT no dia que Mr. Jackson morreu, no momento em que foi ao ar uma super-reportagem exclusiva ao vivo da correspondente em Los Angeles em frente ao casarão do rei-do-pop:

O âncora diz:

- E quais são as últimas notícias?

- Estamos em frente à casa do astro, os fãs começam a chegar, e blá blá blá blá (= nenhuma novidade).

- E quais são os próximos passos?

- Ainda nenhuma informação do que será feito, blá blá blá (= nenhuma novidade)

- E já há uma data para o funeral?

- Não, ainda não há nenhuma informação sobre a data, blá blá blá blá (= nenhuma novidade)

- Fulana, o que você ACHA que vai acontecer a partir de agora? (hein, ouvi direito??)

- É, eu acho que… (ELA ACHA????!!)

Aí eu pensei bem e achei que era hora de desligar a TV.

a-morte-de-nao-se-sabe-quem

E finalmente lembro porque odeio assistir televisão.


Leituras – Junho/2009

Julho, 1 - 2009

Paradigmas vol.2 – vários autores

paradigmas2

Depois de uma excelente estréia, o projeto segue com a quebradeira de paradigmas. O número 2 da coletânea está muito bom, se bem que um pouco menos uniforme na qualidade dos contos. Desta vez serei menos impessoal e tentarei fazer críticas com sugestões construtivas, ok?

+ Já havia lido o conto de abertura Ricardo Edgar, Detetive Particular, do Ataíde Tartari, na coletânea Portal Solaris. É uma história detetivesca com toques de ficção científica que manipula alguns clichês do estilo noir para construir um desfecho inesperado. Já li outros trabalhos do Ataíde, a quem considero um ótimo escritor.

+ Em O Pequeno Oenteph, do Raul Tabajara, uma excursão escolar a um casarão colonial guarda muitas surpresas para um garoto, que descobrirá que é um… oenteph! E o que é um oenteph? Só lendo pra entender. Conheço o Raul como um excelente ilustrador; como escritor eu o aconselho a tomar mais intimidade pelas técnicas narrativas.

+ No conto do Flávio Medeiros, Efeitos Adversos, um cientista sofre com os efeitos colaterais de uma experiência secreta e imprevisível. Um ótimo conto de ficção científica hard com o tempero mutante das HQs de super-heróis. Muito bem escrito. Adoro a espontaneidade com que o Flávio usa nomes brasileiros em suas histórias de FC.

+ A Boa Senhora de Convent Garden, da Camila Fernandes, conta a vida de uma cortesã londrina, cotada na Lista de Harris das Damas de Convent Garden (ou seja, a lista das melhores prostitutas londrinas do século XVIII com a descrição detalhada de seus atributos especiais), gozando uma liberdade que poucas mulheres tinham na época e eventualmente transformando alguns de seus clientes em vítimas. Achei um conto delicioso construído sobre uma premissa histórica deveras interessante.

+ Fuga, conto do Fernando S. Trevisan, narra a perseguição frenética de uma agente numa missão que ela mesma pouco compreende, mas na qual mergulha de cabeça. Eu diria que o conto caberia perfeitamente em um dos episódios surreais do desenho Aeon Flux. É difícil eu gostar de cenas de ação, até porque é difícil encontrar autores que saibam escrevê-las de maneira envolvente. A narrativa psicológica do Fernando é surpreendente, mostra que suas habilidades literárias vão muito além das resenhas que ele posta regularmente em seu site.

+ O Deus de Muitas Faces, do Gabriel Boz, é um conto de inspiração mítica e com jeito de lenda. Narra a passagem de um jovem à vida adulta no contexto de uma tribo antiga da Albânia, numa época em que os homens literalmente falavam com os deuses. Conheço os textos do Gabriel Boz de outros projetos e também o considero um ótimo escritor da nova geração.

+ Frei François, do Ademir Pascale, se passa no século XVII e narra o encontro de um frei caçador de aventuras com uma criatura demoníaca, uma história bastante inspirada em O Nome da Rosa. Tenho lido outros contos do autor e a sugestão que faço ao Ademir é não se cristalizar em uma única forma narrativa (a que usa em 99% dos textos, como ele conta), mas fazer um esforço para ser mais versátil: usar outras pessoas e tempos verbais, experimentar outras formas de contar histórias. Diversifique o quanto puder.

+ Abaixo de Nós, da Luciana Muniz, é um conto bem no estilo Viagem ao Centro da Terra, literalmente, à medida em que um explorador se aventura a desbravar as imensidões interiores da Terra, descobrindo um novo mundo, habitado por outros homens… Achei uma história bastante ambiciosa, que infelizmente ficou um pouco espremida em formato de conto. Tenho acompanhado a evolução dos textos da Lu e me parece que ela está num caminho ótimo (estou curiosa para ver o romance que ela tem na manga!). A sugestão que faço é que o conto tem potencial para ser expandido e virar, talvez, uma noveleta.

+ Em Carta a Monsenhor, Ana Cristina Rodrigues usa seu conhecimento como historiadora para contar a história de um homem encarregado de recensear vilas num mundo medieval devastado pela praga. Ela demonstra ótimo domínio da forma de narrar dos homens da Idade Média, observando seus protocolos e vocabulário, unidos numa técnica pessoal muito bem desenvolvida. Achei interessante o modo como ela faz uso de um fato histórico, que visto pela ótica medieval se transmutou em um conto de terror.

+ Conto BÁRBARO do Saint Clair Stockler, Triângulo em Tempo Rubato e Gota de Sangue conta um pitoresco triângulo amoroso de uma moça, um rapaz e… um gato! A história é contada através das impressões do felino a respeito dos humanos e os rastros que eles deixam no universo que o rodeia. O que o faz formidável é o domínio da narrativa, criando um texto leve, lírico, sinestésico, preenchido de momentos casuais e belos. Este é o conto que mais gostei no livro.

+ A Dama e o Cavaleiro, do Ricardo Delfin, é uma história cavaleiresca, à primeira vista idêntica às (muito) antigas novelas de cavalaria, no conteúdo e nos clichês, mas com um desfecho surpreendente. Recomendo fortemente ao autor ler mais, treinar muito a escrita e exercitar a linguagem, repensando na escolha das palavras – e sobretudo no uso dos adjetivos – para que a narração se torne mais fluida, natural e menos truncada.

+ O Fazedor de Terra, do Ubiratan Peleteiro, é definitivamente um conto diferente de tudo que já li. É uma trama política que se passa em um clã de carneiros monteses muito geniosos e donos de uma cultura própria. Achei uma história muito criativa em todos os sentidos, está de parabéns!

+ Na noveleta Clausura, Richard Diegues conta a história de uma filha de fazendeiros feita refém de um prolongado sequestro. É um texto torturante, passa uma sensação terrível de angústia, dor; e por todas essas fortes emoções que rende ao leitor, digo que foi uma tacada de mestre do Richard. Excelente.

 E que venha o volume 3!

 

A Mulher que Matou os Peixes – Clarice Lispector

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Ainda não tinha experimentado Clarice Lispector escrevendo pra crianças. Profundamente intimista e confessional como só ela sabe ser,  neste livro Clarice fala de suas relações com os animais, desde as indesejáveis baratas até sua mais apegada macaquinha de estimação. É bonito, insólito e triste, bem no estilo Clarice.

Sei que me deu uma vontade enorme de escrever livros confessionais.

 

O Terceiro Testamento – Livro I - X. Dorison & A. Alice

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Não resisti, comprei esta graphic novel pelo conteúdo gráfico caprichadíssimo e um trabalho de ambientação histórica tecnicamente perfeito. É uma trama inquisitorial passada na Europa do século XIV, misturando religião e elementos macabros. Influência cabal de O Nome da Rosa, com direito a um protagonista que é a cara de Sean Connery. Achei uma história em quadrinhos bastante complexa e adulta, o que quer dizer que realmente gostei. Só me incomodou o decote da mocinha, gratuitamente escancarado na maior parte das cenas, uma alusão besta àquele mundo das HQs feitas sob medida para meninos nerds que não transam.

 

Série Harry Potter – J.K. Rowling

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Na minha mais sincera opinião, foi uma façanha. J.K. Rowling é bruxa, só pode ser!

Uma escritora competentíssima, dona de uma fertilidade criativa invejável, arquiteta de tramas macarrônicas saturadas de reviravoltas rocambolescas e – o mais incrível – que não confunde o leitor! Ela consegue sustentar através de sete livros uma narrativa leve e cativante, dosando um nível de maturidade crescente. Sabe construir personagens carismáticos; aliás, gera um exército deles! Lança todos no tabuleiro e não perde o comando do jogo, constrói uma teia supercomplexa de relações e brinca de fazer e desfazer os nós… Isso que é uma tremenda contadora de histórias!

O que mais me admira não é o amplo impacto da série Harry Potter e o fato dela tem ter conquistado leitores de todas as idades, em todos os países. Tenho certeza que ela criou um conto de fadas para as crianças dos próximos séculos. É um clássico absoluto. Rowling não escreveu simplesmente uma história de bruxos, ela criou uma mitologia completa e a situou no mundo contemporâneo, na realidade das crianças de hoje, falando a língua delas, conhecendo as suas necessidades e gostos. E a despeito da complexidade, que é bem alta (inclusive nos primeiros livros), consegue prender a atenção infantil - por isso eu repito: é uma façanha!

Muitas pessoas – eu, inclusive – vivem lembrando as influências onde Rowling bebeu para criar Harry Potter. A começar que o menino é a cara de Tim Hunter, o menino bruxo dos Livros da Magia, do Neil Gaiman, que também é órfão, também está destinado a se tornar um grande bruxo e também tem uma coruja de estimação. Ou pode ainda ter se baseado numa tal escola de magia de Roke, do mundo de Terramar (Earthsea, concebido pela Ursula K. Le Guin), igualmente povoado de dragões e palavras mágicas, e com vilões cuja grande aspiração é a imortalidade. Eu não chamaria de plágio, mas tenho certeza que essas referências passaram por Rowling e a ajudaram, ainda que inconscientemente, a compor o universo de Harry Potter. No caso, o que interessa não é se ela usou as referências, mas COMO as usou.

Mas vamos aos livros…

Falando dos personagens que mais gostei (e os mais criativos, na minha opinião) destaco: a família trouxa Dursley, o gigante Hagrid (e seus bichinhos: Norberto, Bicuço, os explosivins…), Alvo Dumbledore, o narcisista Gilderoy Lockhart, os gêmeos tagarelas Fred e Jorge Weasley, o lobisomem Lupin, os dementadores, a professora Trelawney, a veela Fleur Delacour, Olho-Tonto Moody, Ninfadora Tonks, a megera Umbridge e - minha clone fictícia: – Luna Lovegood. No entanto, como tenho uma verdadeira fascinação por personagens ambíguos - que transitam entre a vilania e o heroísmo – o meu favorito é o Severo Snape, com quem simpatizei logo de início e no final virei fã completa (soube que é um dos personagens favoritos de Rowling também). É raro encontrar personagens tão bem trabalhados.

Das metáforas inteligentes: medalha de bronze para  o F.A.L.E., da Hermione Granger, uma instituição devotada a querer libertar os elfos domésticos, que não fazem a menor questão de serem libertados. Medalha de prata para a Inquisidora de Hogwarts, Dolores Umbridge, e seus decretos-lei que não deixam nada a dever para o AI-5. Medalha de ouro para a supremacia da raça bruxa e a perseguição aos sangue-ruins; só faltava os Comensais da Morte usarem a suástica no lugar da marca negra.

Críticas. Acho que eu recomendaria um pouco menos de Agatha Christie no tempero. Às vezes a trama fica rocambolesca demais, e então a situação se esclarece magicamente numa conversa com algum personagem chave. Estranho também Harry Potter e cia terem um chutômetro excepcionalmente bom e um talento inexplicável para juntar pistas e chegar a conclusões improváveis e magicamente certeiras. Senti uma certa falta de arrependimento em Harry nos momentos em que ele percebeu que estava errado. E bem que fiquei me perguntando se um dos pré-requisitos para ser professor em Hogwarts é ser solteiro e celibatário. E sobre a temática dos últimos livros – a morte -, a questão do medo da morte perdeu o impacto num universo que é habitado por fantasmas e onde os mortos voltam por magia para dar conselhos. Conheço muita gente que não gostou do final; realmente, o livro 7 parece ter algumas fraquezas – personagens esquecidos que ficam sem desfecho, muitas idas e vindas em meio às batalhas finais, uma certa tendência a sucumbir a clichês e um epílogo que me pareceu totalmente redundante. Mas de resto, perfect!

Os dois primeiros livros pouco me prenderam. A trama começou a ficar muito mais empolgante a partir do 3º (o prisioneiro de Azkaban); a mudança radical de atitude do 5º livro (a Ordem da Fênix) é o ponto alto da série, e também curti o roteiro imprevisível e diferentoso do sétimo livro (as Relíquias da Morte).

É isso aí. Elogios feitos, chapéu tirado. Agora, se me permite, vou desaparatar…


TODAS AS GUERRAS na Off FLIP – Festa Literária de Paraty

Junho, 28 - 2009

Dia 04/07 durante a FLIP (mais especificamente na OFF FLIP – Circuito Paralelo de Ideias) será lançada a coletânea de contos TODAS AS GUERRAS - Vol1. Tempos Modernos, da Editora Bertrand Brasil, organizada e editada por Nelson de Oliveira.

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Neste livro, cada uma das principais guerras da humanidade é abordada pela narrativa de um autor diferente. São contos de ficção de diversos gêneros, incluindo ficção especulativa e fantástica. Eu trato da II Guerra Mundial, com o conto Das Cinzas, uma história com uma certa pegada surrealista. Confesso que não foi uma proposta fácil para uma pacifista convicta, mas tenho em mente que falar sobre guerra é também falar sobre paz.

Agradeço ao Nelson de Oliveira pela ótima oportunidade!

Lançamento:

Data: 04 de julho
Horário: 16h00
Onde: Choperia Farandole
Rua Santa Rita, 190
Centro Histórico – Paraty.
 

 

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Nos últimos anos, a OFF FLIP tem se destacado na vida cultural de Paraty, conquistando a cidade e o Brasil, chegando também ao exterior, em uma profícua troca de experiências em torno da literatura. Por meio dos Encontros Literários paralelos à FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), e Prêmio OFF FLIP de Literatura, a OFF FLIP se fundamenta em agregar manifestações culturais variadas, criando e difundindo cada vez mais um circuito de produção alternativa de cultura do Brasil. Em muitos aspectos, este circuito paralelo de ideias atua como complemento ao evento maior, a Flip, em outros firma sua própria identidade, tornando-se importante espaço de visibilidade e referência para a produção cultural local e nacional. A OFF FLIP tem o mérito de ter instituído o primeiro prêmio literário da cidade de Paraty, hoje na quarta edição e com projeção nacional e internacional.


Dance in peace, Michael

Junho, 26 - 2009

Fiquei bestificada. A notícia me pegou tão desprevenida que soou até como piada de mau gosto.

Ok, todos nós adorávamos criticar sua branquelização, a plastificação exagerada, as infantilidades e demais esquisitices. Mas confesso que sinto uma enorme simpatia por gente excêntrica – essas pessoas que se permitem ser meio doidas do armário pra fora (porque do armário pra dentro, todos nós temos algo de loucos).

Devo dizer que o primeiro discão LP que eu comprei na vida era dele, o Black or White Dangerous. Suas músicas e performances marcaram uma década de 80 deveras vertiginosa para a criança que eu era. Apesar de ter passado muito rápido pra mim, foi uma década inesquecível.

Ninguém pode negar que ele era um artista genial, empolgante. Lembro que as crianças punham o disco pra tocar, ficávamos imitando a dança, tentando fazer aqueles passos deslizantes em marcha ré o moonwalk. Músicas que colam no ouvido, videoclipes bizarros e tremendamente criativos. E o visual?  Aquelas roupas brilhantes, uma mistura de “cheguei” com elegância.

Decididamente, Michael tinha estilo! Não passava desapercebido. Não passou.

Se a figura andava cada vez mais triste e alienada na ilha da fantasia, é fato. É uma estrela que já havia se apagado antes de morrer. Havia o ícone e havia o homem. O primeiro vai ficar na memória, o segundo era mortal e demasiadamente humano.

De qualquer forma, lamento ter de fazer esta despedida tão cedo, eu realmente não esperava.

michael


Caramelo (Sukkar Banat)

Junho, 24 - 2009

Não costumo fazer resenha de filmes, mas… Quando se trata do melhor filme a que você assistiu no ano, de boca aberta, sem piscar; não custa contar pros seus amigos, certo?

Acabei de ver Caramelo e estou deliciada.

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No original, Sukkar Banat, é uma produção franco-libanesa, foi escrita, dirigida e estrelada por Nadine Labaki.

Sabe aqueles filmes do tipo “a vida como ela é”? Caramelo é uma parábola do universo feminino libanês, conta a vida de cinco mulheres unidas por um salão de beleza. Há a moça que se apaixonou pelo homem casado e vive uma eterna espera pela próxima ligação. Há a boa muçulmana que está noiva, tentando corrigir o problema de uma virgindade já perdida. Há a lésbica contida e a cliente encantada por ela. Há a atriz de comerciais inconformada com a chegada da menopausa. E há a senhora idosa que jamais se casou para cuidar da irmã mais velha deficiente mental.

Não vou entrar nos pormenores da trama, você vai encontrar resenhas muito melhores que a minha aqui e aqui. Queria apenas reforçar que o filme é bastante delicado, tem uma poesia sutil, uma fotografia bonita e um roteiro que é fantástico pela simplicidade com que retrata suas personagens e seus dilemas (nada simples). Sem clichês nem desfechos óbvios.

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Para os brasileiros é uma experiência de cinema bem diferente - pelo choque cultural, eu diria. Beirute, a cidade em que se passa Caramelo, é um dos lugares mais liberais do oriente médio. As moças não usam véu nos cabelos e têm por hábito cultivar um visual bastante sexy, ao mesmo tempo em que surpreendem pelo recato, tão desconhecido de nós brasileiros. Pra ter uma ideia, é um filme sem cena de beijo na boca (sexo, muito menos) e não paradoxalmente transborda sensualidade!

Só queria mesmo dizer: ASSISTA!!

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Ah, e destaque para a jovem cineasta Nadine Labaki, que escreveu o roteiro, dirigiu muito bem, atuou como protagonista, é linda, charmosa, morena e dona de belos olhos escuros muito abertos esfumaçados de sombra. Nadine, quer casar comigo?


FANTASTICON 2009 – III SIMPÓSIO DE LITERATURA FANTÁSTICA

Junho, 21 - 2009

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Este ano, o Fantasticon 2009 – III Simpósio de Literatura Fantástica, será nos dias 25 e 26 de julho, na Biblioteca Viriato Corrêa, Vila Mariana, na capital de São Paulo.

A idéia do Fantasticon 2009 é reunir pessoas interessadas em Literatura Fantástica (ficção científica, fantasia e horror) para que elas possam se encontrar, trocar idéias, informações e se divertir.

A proposta é incentivar e enriquecer o estudo e o debate sobre o Fantástico no Brasil. Para isso, contaremos com palestras, mesas-redondas, oficinas, mostra de filmes, exposições, lançamentos, sessões de autógrafos e muita confraternização!

O Fantasticon 2009 é organizado por Silvio Alexandre, em uma realização da Biblioteca Temática Literatura Fantástica Viriato Corrêa, do Sistema Municipal de Bibliotecas e da Secretaria Municipal de Cultura. Com o apoio do GELF (Grupo de Estudos de Literatura Fantástica), da Fly Cow Produções Culturais, da Cálamo Editorial, do CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica), da OPELF (Oficina de Produção e Estudos de Literatura Fantástica) e da TV Cronópios.

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Programação

SÁBADO – dia 25 de julho

11 às 13 horas

Palestra: “PERSONAGENS DE FANTASIA: ARQUÉTIPOS,HERÓIS E ANTI-HERÓIS”
GELF_logoAEncontro do GELF (Grupo de Estudos de Literatura Fantástica), coordenado pela escritora Rosana Rios, que se dedica a discutir, apreciar e divulgar obras literárias de literatura fantástica (ficção científica, fantasia e horror) suas interações e obras precursoras, além de comentar transposições para cinema, teatro, televisão e quadrinhos.

11 às 13 horas

Oficina: “ENTRANDO NO MERCADO EDITORIAL – O QUE FAZER PARA PUBLICAR SEU LIVRO”
Para quem tem um projeto literário pronto e está buscando entrar no mercado; para quem está colocando seu projeto no papel; ou ainda para quem está com uma boa idéia e quer iniciar sua obra. O objetivo desta oficina é, através das experiências do editor e escritor Gianpaolo Celli, e da autora Cristina Lasaitis, não só mostrar um pouco do mercado, mas também dar dicas de como fazer para entrar nele, passando por aspectos que abrangem desde a criação da idéia, personagens, trama; até como apresentar o projeto terminado para editora, e o que fazer após a publicação, quando o livro já estiver nas prateleiras. 

  • Cristina LasaitisCristina Lasaitis é escritora e biomédica pela Unifesp, onde atua como pesquisadora na área de Neurociências. É co-autora das coletâneas “Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos” (Tarja), revista “Scarium” (Scarium Info), “FC do B” (Book House Boys), e “Paradigmas, volume 1″ (Tarja); e autora do livro “Fábulas do Tempo e da Eternidade” (Tarja).
  • GianpaoloGianpaolo Celli é escritor e editor, além de administrador de empresas. Tem se dedicado ao estudo de ocultismo, esoterismo e mitologia. É colunista do site de neopaganismo “Tribos de Gaia”; co-autor da coleção Necrópole: “Histórias de Vampiros” (2005), “Histórias de Fantasmas” (2007) e “Histórias de Bruxaria” (2008); das coletâneas “Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos” (2006) e “Paradigmas, volume 3″ (2009), e co-editor e co-autor dos livros “Histórias do Tarô” (2008) e “Steampunk” (2009).

 

13 às 13h30

Mostra de filmes: “OS PREMIADOS DO FESTIVAL CURTA FANTÁSTICO”
Festival Curta FantasticoAO Festival Curta Fantástico é um evento que exibe curtas-metragens nacionais, desde 2006, com a temática fantástica, ou seja, filmes de horror, ficção científica ou fantasia, a Fly Cow, produtora que realiza o festival, fez uma seleção com os melhores curtas fantásticos nacionais que foram apresentados na última edição, no ano passado em São Paulo. Teremos uma sessão no Sábado e outra no Domingo.
 
13h30 às 14 horas

Mostra de vídeos: “MOSTRA DE BOOK TRAILERS”
Com a popularização da internet, a literatura fantástica brasileira entrou na era digital. Driblando a falta de interesse e de divulgação na grande mídia, os escritores vêm utilizando novas formas de promover seu trabalho. A criação de vídeos vem se tornando cada vez mais popular e alcançando o objetivo principal, que é tornar conhecido o livro que anuncia. O CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica) e a OPELF (Oficina de Produção e Estudos de Literatura Fantástica) reuniram alguns desses vídeos numa pequena mostra.
 
14 às 15 horas

Mesa-redonda: “MITOS E DRAMAS DO VAMPIRO CONTEMPORÂNEO”
Imortalidade, sedução, mistério, sexualidade, terror, suspense, sobrenatural, fazem dos vampiros, personagens fascinantes. Desde sua origem, a figura do vampiro passou por uma transformação completa e complexa. Vamos discutir como, no dias de hoje, este morto-vivo tomador de sangue é visto no seio da nossa atual cultura globalizada? Giulia Moon

  • Giulia Moon é escritora e publicitária. Publicou três coletâneas de contos: “Luar de Vampiros” (Scortecci), “Vampiros no Espelho & Outros Seres Obscuros” (Landy) e “A Dama-Morcega” (Landy). Participou da coletânea  “Amor Vampiro” (Giz Editorial). Edita o fanzine FicZine e é co-editora da revista “Scarium Megazine”. Está lançando o romance “Kaori – Perfume de Vampira” (Giz Editorial).judy 2a
  • Judith Tonioli Arantes é tradutora e professora. Faz mestrado em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, onde desenvolve sua dissertação pesquisando sobre o mito do vampiro contemporâneo, principalmente os personagens dos livros de Anne Rice e Stephenie Meyer. Foi uma das autoras do livro “Senhora dos Anéis” (Devir).
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  • Natasha dos Reis é fundadora e organizadora dos fãs clubes Twilight Universe (fã clube oficial brasileiro da saga “Crepúsculo”) e Slyfriends (fã clube brasileiro da saga “Harry Potter”). Produtora de eventos e pesquisadora de Literatura Fantástica, principalmente quando vampiros são o tema principal.
  • ElidiaAElídia “Lica” Zotelli é membro fundadora e líder do fã clube Twilight Universe (fã clube oficial brasileiro da saga “Crepúsculo”).  Uma zootécnica que tem se dedicado ativamente ao estudo,  pesquisa e divulgação da literatura de vampiros.

 
15 às 16h30 horas

Bate-papo: “O MERCADO EDITORIAL DE LITERATURA FANTÁSTICA NO BRASIL”
Saiba tudo por quem decide.Importante participação dos editores do gênero fantástico com novidades, informações e curiosidades do mundo editorial de hoje.

  

17 às 18h30

Bate-papo: “PRÁTICA DE ESCRITA DE LITERATURA FANTÁSTICA”
Autores veteranos da nova geração se encontram para a troca de experiências e conhecimentos sobre o mercado editorial e a prática da criação literária. Internet, cinema, teatro, poesia, conto, crônica e outros gêneros textuais, eles discutem Literatura Fantástica, num bate-papo cheio de idéias e dúvidas, começos e fins. 

  • Nelson de OliveiraANelson de Oliveira é escritor. Doutor em Letras pela USP, publicou mais de vinte livros, entre eles os romances “Subsolo Infinito” (Cia. das Letras) e “A Maldição do Macho” (Record – publicado também em Portugal); a coletânea de contos “O Filho do Crucificado (Ateliê – também lançado no México), e de ensaios “A Oficina do Escritor” (Ateliê). Organizou as antologias “Geração 90: Manuscritos de Computador” (Boitempo) e “Geração 90: Os Transgressores” (Boitempo), com os melhores prosadores brasileiros surgidos no final do século 20. Dos prêmios que recebeu destacam-se o Casa de las Américas (1995), o da Fundação Cultural da Bahia (1996), duas vezes o da APCA (2001 e 2003) e o da Fundação Biblioteca Nacional (2007). Atualmente coordena, em várias instituições, oficinas de criação literária para escritores com obra ainda em formação.
  • Kizzy YsatisKizzy Ysatis é escritor. Estudioso da vida gótica e da cultura underground, é grande amante e conhecedor dos mitos de vampiro. Publicou o romance “Clube dos Imortais: a Nova Quimera dos Vampiros (Novo Século), além de vários contos. Cursou Produção Editorial até o penúltimo ano. Em 2005, o “Clube dos Imortais” foi agraciado com o prêmio Rachel de Queiroz, da Academia Brasileira de Letras, e outorgado pela União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro.
  • Ronaldo BressaneARonaldo Bressane é escritor, jornalista e editor. Publicou a trilogia de contos “A Outra Comédia”, formada por “Os Infernos Possíveis (Com-Arte/USP), “10 Presídios de Bolso” (Altana) e “Céu de Lúcifer” (Azougue); e o volume de poemas “O Impostor” (Ciência do Acidente). Ao lado de Joca Reiners Terron, Marcelino Freire e Nelson de Oliveira, co-editou a coleção “Risco: Ruído” (DBA). Além de colaborações em sites, revistas e suplementos literários, participou da revista “PS: SP” (Ateliê) e das antologias “Geração 90: Os Transgressores” (Boitempo), “Paixão por São Paulo” (Terceiro Nome), “Fábulas da Mercearia: Uma Antologia Bêbada” (Ciência do Acidente), “Sex’n’Bossa” (Mondadori) e “Lusofonia” (Nuova Frontiera).
  • Santiago NazarianSantiago Nazarian é escritor, tradutor e roteirista. Autor de cinco romances, entre eles “O Prédio, o Tédio e o Menino Cego” (Record), “Feriado de Mim Mesmo” (Planeta) e Mastigando Humanos (Nova Fronteira). Em 2003, recebeu o Prêmio Fundação Conrado Wessel de literatura por seu romance de estréia, “Olívio” (Talento). Em 2007, foi um dos autores convidados para as comemorações do Hai Festival em Bogotá, Capital Mundial do Livro. Suas obras foram traduzidas para o espanhol e o italiano, em diversos países da Europa e da América Latina.

 

 

DOMINGO – dia 26 de julho

11 às 13 horas

Oficina: “COMO CRIAR PERSONAGENS”
André Vianco, o mais consagrado escritor da atualidade do gênero fantástico abre o jogo, dá dicas e informações sobre como construir e utilizar os personagens nas histórias. Uma oportunidade rara! 

  • Andre ViancoAndré Vianco é autor dos best sellers “Os Sete” e “Sétimo”, que explora o universo sobrenatural (vampiros, lobisomens, anjos e batalhas entre o bem e o mal) elaborando um cenário surrealista, mas com elementos da realidade do dia-a-dia e histórias passadas no Brasil. É hoje o escritor brasileiro que mais conquista leitores de fantasia & horror e seus livros estão entre os mais vendidos na literatura fantástica brasileira.

11 às 12 horas

Bate-papo: “STEAMPUNK E OS NOVOS RUMOS DA FICÇÃO CIENTÍFICA”
Criativos, retrofuturistas no estilo e no comportamento. Esses são alguns dos conceitos do Steampunk, um gênero de ficção que explora um “mundo alternativo” movido a vapor (”steam”). Assim, temos uma fusão de “era vitoriana” com “futuro pós-apocaliptico” ou “punk” no sentido de transgredir o hoje e o passado. Algo com muitas engrenagens, com grandes zepelins voando pelos céus e seus respectivos piratas, um misto de roupas vitorianas com tecnologias que parecem do nosso tempo. Mais do que nunca, surgem novos e talentosos autores na atual Ficção Científica que expandem as barreiras do gênero. E os editores fazem a sua parte: buscam rótulos para categorizá-los. No meio de tantos rótulos e inovações, o que exatamente eles representam?

  • FabioFabio Fernandes é jornalista, tradutor e dramaturgo. Seus contos foram publicados no Brasil, Portugal, Romênia e Estados Unidos. Publicou a coletânea de contos “Interface com o Vampiro” (Writers) e “A Construção do Imaginário Cyber” (Anhembi Morumbi). É Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e professor pela mesma instituição. Foi curador do “Invisibilidades II” (2008), do Instituto Itaú Cultural, evento voltado para a Ficção Científica, e fará a curadoria da terceira edição, ainda em 2009.
  • Gian 3aGianpaolo Celli, além administrador de empresas, é escritor e editor. Estudioso de ocultismo, esoterismo e mitologia. Tem matérias e aventuras-solo de fantasia na revista Dragão Brasil; é colunista do site de neopaganismo “Tribos de Gaia”; co-autor da coleção Necrópole: “Histórias de Vampiros” (2005), “Histórias de Fantasmas” (2007) e “Histórias de Bruxaria” (2008); das coletâneas “Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos” (2006) e “Paradigmas, volume 3″ (2009), e co-editor e co-autor dos livros “Histórias do Tarô” (2008) e “Steampunk” (2009).
  • Bruno AcciolyBruno Accioly é empresário da área de tecnologia, editor da revista de internet OutraCoisa.com.br, co-fundador do Conselho SteamPunk e responsável pela loja Rio de Janeiro. Crítico da forma como o homem se relaciona com a tecnologia, é estudioso de Filosofia e seu rebento mais bem sucedido, a Ciência. Especialista em Usabilidade – disciplina que lida com a interação homem/máquina – atua na área há mais de dez anos enquanto divide seu tempo como redator e ficcionista.

 
12 às 12h30

Mostra de filmes: “OS PREMIADOS DO FESTIVAL CURTA FANTÁSTICO”
Festival Curta FantasticoAO Festival Curta Fantástico é um evento que exibe curtas-metragens nacionais, desde 2006, com a temática fantástica, ou seja, filmes de horror, ficção científica ou fantasia, a Fly Cow, produtora que realiza o festival, fez uma seleção com os melhores curtas fantásticos nacionais que foram apresentados na última edição, no ano passado em São Paulo. Teremos uma sessão no Sábado e outra no Domingo.

12h30 às 13 horas

Mostra de vídeos: “MOSTRA DE BOOK TRAILERS”
Com a popularização da internet, a literatura fantástica brasileira entrou na era digital. Driblando a falta de interesse e de divulgação na grande mídia, os escritores vêm utilizando novas formas de promover seu trabalho. A criação de vídeos vem se tornando cada vez mais popular e alcançando o objetivo principal, que é tornar conhecido o livro que anuncia. O CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica) e a OPELF (Oficina de Produção e Estudos de Literatura Fantástica) reuniram alguns desses vídeos numa pequena mostra.
 
13 às 14h30

Mesa-redonda: “O FANTÁSTICO NA EDUCAÇÃO”
Uma discussão sobre a utilização da Literatura Fantástica como instrumento pedagógíco e sua utilização em sala de aula. Como promover a formação de novos leitores e utilizar a literatura e os elementos do universo fantástico como um recurso dentro da escola para melhorar o desempenho dos estudantes. 

  • Flavia MunizFlávia Muniz é escritora e pedagoga. Com vários prêmios e diversos livros adotados por escolas e instituições, têm mais de 3 milhões de livros vendidos. Entre eles “Os Noturnos”, “Viajantes do Infinito” (Editora Moderna), “Brincadeira de Saci” (Editora Scipione), “O Tubo de Cola” (Editora Moderna) e “A Gatocleta do Miafino” (FTD).Trabalhou também na criação de produtos para crianças e jovens, como revistas de atividades, quadrinhos, enciclopédias, sites e jogos. Participou, ainda, de teatro infantil e escreveu para a TV Cultura.  
  • MarthaAMartha Argel é bióloga, com doutorado em Ecologia, e escritora de livros de literatura fantástica, crônicas e divulgação científica. Como escritora de literatura fantástica, publicou entre outros, o romance “Relações de Sangue” (Novo Século) e a coletânea “O Livro dos Contos Enfeitiçados” (Landy Editora). Participou de antologias, como “Amor Vampiro” (Giz Editorial) e “O Livro Vermelho dos Vampiros” (Devir). Seus lançamentos mais recente são “O Vampiro Antes de Drácula” (Aleph) e “O Vampiro da Mata Atlântica” (Idea Editora). 
  • Rosana RiosRosana Rios é bacharel em Arte-Educação pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo. Foi roteirista de programas infantis para a TV Cultura de São Paulo e outras emissoras. É autora de Literatura Infantil e Juvenil desde 1988, e já publicou mais de 100 livros em 15 editoras. Recebeu vários prêmios literários, entre eles o Bienal Nestlé de Literatura, em 1990, o Cidade de Belo Horizonte,  em 1991, além de selos “Altamente Recomendável”, da FNLIJ (Fundação afiliada ao IBBY) em 1995 e 2005; e foi finalista do prêmio Jabuti 2008 na categoria Literatura Juvenil.
  • Janaina AzevedoAJanaina Azevedo tem formação acadêmica em Lingüística e Teoria Literária pela Universidade de São Paulo e em Ciências da Religião pela Faculdade Mosteiro de São Bento. É presidente da OPELF – Oficina de Produção e Estudos de Literatura Fantástica, e já comandou várias entidades de produção cultural. Pela Editora Vortex (antiga Tudoteca), trabalha como agente literária e publica obras de pesquisa histórica e literatura fantástica. É pioneira no uso da Literatura Fantástica em sala de aula.

 
15 às 16h30

Palestra: “A LITERATURA FANTÁSTICA NA AMÉRICA LATINA”
O Realismo Mágico é uma característica própria da literatura latino-americana da segunda metade do século XX que funde a realidade narrativa com elementos fantásticos e fabulosos, não tanto para reconciliá-los como para exagerar sua aparente discordância. Floresceu nos anos sessenta e setenta, enraizado nas discrepâncias surgidas entre cultura da tecnologia e cultura da superstição, e em um momento em que o auge das ditaduras políticas converteu a palavra numa ferramenta infinitamente apreciada e manipulável.

  • Ana Cecilia OlmosAna Cecília Olmos é graduada em letras modernas pela Universidad Nacional de Córdoba, Argentina, é professora de literatura hispano-americana da USP, especialista em literatura e cultura hispano-americana do século XX. É autora, entre outros, de “Intelectuales, instituciones, tradiciones” (Javier Lasarte [org.]), “Territorios Intelectuales. Pensamiento y cultura en América Latina” (Caracas, La nave va) e de “Releituras de Borges. A revista Punto de Vista nos anos 80″ (Jorge Schwartz [org.]), “Borges no Brasil” ( Edunesp).
  • Horacio CorralAHorácio Corral é produtor cultural. Foi livreiro e organizador de eventos na Livraria Cultura. Atualmente é um dos produtores da OPELF – Oficina de Produção e Estudos de Literatura Fantástica. É responsável pela loja virtual Beco Imaginário e a produtora de jogos Tudoteca. Entre as suas áreas de atuação encontram-se jogos e literatura fantástica, tendo uma especial atenção sobre a obra de Jorge Luis Borges e Alejandro Dolina. É estudioso de literatura hispano-americana e trabalha com difusão de leitura e produção independente, além de tradução.

17 às 18h30

Palestra: “AS HISTÓRIAS DESCONHECIDAS DE EDGAR ALLAN POE”
Narrativas científicas, misteriosas, permeadas de terror, horror, suspense, policialescas, Edgar Allan Poe carrega nas costas o título de criador de vários gêneros literários. Poe foi responsável não somente por influenciar alguns dos escritores decisivos das décadas seguintes, bem como por estabelecer com propriedade caminhos novos e férteis para a literatura ocidental do então século XIX. Recordando os 200 anos do seu nascImento, o escritor Bráulio Tavares está preparando uma antologia com contos pouco conhecidos de Poe. Nesta palestra, ele falará sobre essas histórias e de como Poe elevou o conto como gênero.

  • Braulio TavaresBráulio Tavares é escritor, roteirista e compositor. Compilou a primeira bibliografia do gênero: o Fantastic, Fantasy and Science Fiction Literature Catalog (Fundação Biblioteca Nacional). Autor de “A Espinha Dorsal da Memória”, “A Máquina Voadora” e “Anjo Exterminador” (todos pela Rocco). Organizou as antologias “Freud e o Estranho”, “Contos Fantásticos no Labirinto de Borges” e “Páginas de Sombra”; (todos pela editora Casa da Palavra).

 

 EXPOSIÇÕES


SÁBADO e DOMINGO -  a partir das 11 horas

Painel comemorativo: “40 ANOS DO SYMPOSIUM DE FICÇÃO CIENTÍFICA
Sanz_AC Clarke2O “Simpósio de FC” foi o primeiro “international meeting” (encontros internacionais de escritores profissionais), da história do gênero. O “Simpósio de fc” foi um evento integrante do II Festival Internacional do Filme, no Rio de Janeiro, em março de 1969, entre os dias 24 e 30.

Dos Estados Unidos, vieram Forrest J. Ackerman, Karen e Poul Anderson, Alfred Bester, Robert Bloch, Leigh Chapman, Roger Corman, Carol e Ed Emshwiller, Harlan Ellison, Philip José Farmer, Harry Harrison, Robert A. Heinlein, Damon Knight e Kate Wilhelm, George Pal, Frederik Pohl, Robert Sheckley e A. E. van Vogt.

Da Espanha veio Luis Gasga e da França vieram Jacques Baratier, Robert Benayoun, Michel Cae e Jacques Sadoul. Da Inglaterra, Brian W. Aldiss, J. G. Ballard, John Brunner, Val Guest e Rolf Rilla. Do Uruguai veio Marcial Souto.

E do Brasil estiveram presentes André Carneiro, Clóvis Garcia, Ruy Jungman, Álvaro Malheiros, Walter Martins e Jerônymo Monteiro.

Um outro inglês, Arthur C. Clarke, cujo filme 2001: Uma Odisséia no Espaço , desenvolvido por ele em parceria com o cineasta Stanley Kubrick, fora lançado no ano anterior e alcançado reconhecimento estrondoso, também esteve presente para ser homenageado com o troféu “Monólito Negro”.

Exposição de esculturas: “VISÕES SECRETAS
Cavani Rosas_rosto2Caboclos coroados, golems feitos de algas, índios guerreiros com cocares vivos, criaturas híbridas de vegetal, animal e humano, parecem ter-se despregado da superfície bidimensional dos desenhos para invadir o mundo em três dimensões de onde os contemplamos.

O mundo de onde Cavani Rosas extrai seus personagens é um mundo fantasmagórico cujas leis parecem definidas em parte por essas escolas esotéricas, e em parte pela Física Quântica.

São criaturas que parecem personagens de William Blake invadindo-se de um desenho de Rugendas, ou seres lovecraftianos esvoaçando sobre uma paisagem de Frans Post.

Cavani Rosas sempre deu uma duplicidade perturbadora aos seres que engendra: o mágico ao lado do científico, o vislumbre onírico trazido à tona da mente com o rigor anatômico de quem já dissecou cadáveres por mero hobby. As criaturas podem ser inverossímeis, mas sua concretude física desafiaria as objeções de uma banca examinadora. O elemento fantástico emerge com todo vigor nas esculturas a que Cavani vem se dedicando nestes últimos anos.

  • Cavani Rosas é desenhista e escultor. Artista pernambucano, nascido no Recife, dedica-se basicamente à escultura e ao desenho em bico-de-pena.

 
 LANÇAMENTO & ENCONTROS COM OS AUTORES

 “Alma e Sangue”, de Nazarethe Fonseca (Editora Aleph)

 “O Arqueiro e a Feiticeira”, de Helena Gomes (Idea Editora)

“Os Guardiões do Tempo”, de Nelson Magrini (Giz Editorial)

 “Kaori – Perfume de Vampira”, de Giulia Moon (Giz Editorial)

 “O Livro Vermelho dos Vampiros”, de Luiz Roberto Guedes (org.) (Devir)

“O Prédio, o Tédio e o Menino Cego”, de Santiago Nazarian (Record)

 “O Povo da Névoa”, de H. R. Haggard (Edições GRD)

 “Steampunk”, de Gianpaolo Celli (org.) (Tarja Editorial)

 “Ubik”, de Philip K. Dick (Editora Aleph)

 
TV CRONÓPIOS: FANTASTICON 2009 AO VIVO

logo_tvcronopios1ANeste ano, teremos a cobertura jornalística da TV Cronópios, que transmitirá ao vivo toda a programação do Fantasticon 2009. A TV Cronópios é um canal online de literatura e arte que transmite entrevistas com escritores em eventos, coberturas de lançamentos literários e reportagens gravadas no local de trabalho ou na casa de escritores.

Criado em 2005, o portal Cronópios é um projeto com o intuito de mapear e fomentar a literatura contemporânea brasileira, em todas as regiões do país. Tem 40 colunistas fixos, que são escritores premiados de várias gerações literárias, e de diversas regiões do país, assim como de outros países: Espanha, México, Uruguai, Argentina e Angola. O site movimenta hoje cerca de 1 milhão e 300 mil de PageViews ao mês.

Mostra de filmes: ”OS PREMIADOS DO FESTIVAL CURTA FANTÁSTICO”

BICHO – (Melhor Filme de Fantasia)
Dir. Vitor Brandt – 13 min. Fantasia
Garoto de 9 anos, tímido e solitário, tem uma fascinação por animais. Sua mãe odeia bichos e sempre se livra deles. Ao encontrar um bicho diferente dessa vez, a história do garoto não irá terminar da mesma maneira.

O DIABO DA GUARITA (Menção Honrosa)
Dir. João Tenório – 18 min. Horror
Um homem dentro de uma guarita é assombrado. Baseado em fatos reais.

O ANDAR SUPERIOR (Menção Honrosa)
Dir. Leo Ribeiro – 06 min. Fantasia
Teotônio Flanela, um simples contador, vive situações inusitadas para conseguir embarcar para o descanso eterno.

 O POVO ATRÁS D MURO (Menção Honrosa)
Dir. Marconi Loures – 08 min. Fantasia
Um povo descobre não serem os únicos habitantes em um pequeno planeta.

 O GRITADOR (Prêmio Estímulo)
Dir. Ulisses Costa e Carlos Porto – 15 min. Horror
Três rapazes da cidade grande acampam nos cânions dos Campos de Cima da Serra (RS). Encontram dois misteriosos guias e ficam conhecendo a lenda de um homem cruel que foi condenado a vaguear pelo mundo como uma alma penada – o temível Gritador.

MEU CARRO, O MEU CARRO (Melhor Filme pelo Júri Popular)
Dir. Guilherme Nasraui – 08 min. Fantasia
Ao pegar se velho carro para um encontro profissional, homem encontra baú mágico e tem a oportunidade de pedir qualquer coisa. É hora de colocar à prova sua inteligência.

 VOLTAGE (Melhor Filme de Ficção Científica)
Dir. Willian Paiva e Filipe Lyra – 04 min. Ficção Científica
Um homem dentro de uma guarita é assombrado. Baseado em fatos reais.

Em Voltage, robôs meio-humanos e meio-sintetizadores movidos por doses cavalares de energia se conectam num transe elétrico e caótico.

VADATA (Melhor Filme de Horror)
Dir. Manuel Lebelt – 10 min. Horror
Dentro de um envelope com remetente desconhecido. uma única peça de um quebra-cabeça. Outros envelopes chegam com mais peças e algo se torna real além da soma das partes.

ROCK ROCKET DOIDÃO (Melhor Maquiagem)
Dir. Kapel Furman – 05 min. Horror
Um bar se tornará palco para uma seqüência sangrenta alucinante, apresentando o rock’n’roll da forma mais visceral possível.

A VOLTA DO CANDANGO  (Melhor Criatura)
Dir. Filipe Gontijo e Eric Aben-Atharo – 06 min. Fantasia
Os operários (candangos) que construiram Brasília trabalhavam mais de 16 horas por dia. Muitos morriam no canteiro de obras. Agora um desses operários volta dos mortos para ver como ficou a cidade que ajudou a construir. 

O HOMEM DA CABEÇA DE PAPELÃO (Melhor Efeito)
Dir. Carlos Canela – 15 min. Ficção Científica
Em uma sociedade no tempo, um homem muda de cabeça e descobre que só a verdade não o libertará.

O ASSASSINATO DA MULHER METAL (segundo mais votado pelo público)
Dir. Joel Caetano – 18 min. Ficção Científica
Antigos heróis se juntam para desvendar o assassinato de uma ex-companheira, durante a investigação descobrem algo maior acontecendo.

 
 Biblioteca Viriato Correa_logoA

Endereço: Rua Sena Madureira, 298
Vila Mariana – 04021-050 São Paulo, SP
Tel.: (11) 5573-4017 e (11) 5574-0389
ENTRADA FRANCA

1) Não é necessário se inscrever antecipadamente.
As senhas, para todas as atividades,
serão distribuídas com 1h de antecedência,
obedecendo à capacidade de lotação:
101 lugares na Sala Luiz Sérgio Person e
40 lugares no Espaço Temático de Literatura Fantástica.

2) As exposições estarão no andar térreo da biblioteca durante todo o evento.
 

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Meninas nerds também dançam!

Junho, 20 - 2009

Apresento a vocês meu mais novo e doce frenesi: 

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O estilo se chama Tribal Fusion. Basicamente, uma dança do ventre repaginada com mil influências modernas, variando do indígena ao metaleiro gótico.

Estranho? Pois dá uma olhada no visual das bailarinas, inspirando algo entre musas tântricas e odaliscas pós-apocalípticas. As roupas são confeccionadas com elementos de raiz (como couro, penas, conchas, flores, ossos) e um leve tempero futurístico (aço, vinil, tecidos sintéticos). Maquiagem carregada. Tatuagens. Muitos apliques no cabelo, dreadlocks e rastafári.

E a dança? A dança só vendo pra entender… Aliás, não veja, não. SINTA!

A Sharon Kihara, acima, virou minha deusa de devoção em poucos movimentos. Como você pode ver, são sutis e muito sinuosos, explora todas as potencialidades do corpo feminino. Comparado com a dança do ventre, o tribal fusion alcança um resultado mais lisérgico e estupidamente sexy!

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Esta outra é uma versão um pouco mais movimentada (e ao que parece, mais mesclada à dança indiana):

A Michaal é uma dançarina japonesa. É um deleite vê-la requebrar assim, maravilhosamente; sobretudo se você pensar nas danças tradicionais japonesas, com suas mulheres engessadas dentro de cinco camadas de quimono.

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E finalmente chegamos à Rachel Brice, que é a própria mulher-serpente e, de acordo com o que dizem, a mais conhecida bailarina de dança do ventre da atualidade. Ela usa movimentos cuidadosos e muita técnica (não se iluda, não é tão fácil quanto parece dançar assim!). A performance dela é uma completa hipnose:

Como disse, a receita do tribal fusion é a mistura de estilos. Uma das tendências mais interessantes na minha opinião é o Gothic Fusion (ou Gothla), a dança do ventre gótica; vertente que permite devaneios modernos, usando ritmos mais agressivos como heavy metal, eletrônico, eletropunk… Dá uma olhada:

Ah, e agora a novidade: me matriculo na segunda!! Ou melhor, NOS matricularemos, já que minha amiga Camila Fernandes também foi brutalmente seduzida pelo tribal fusion (como ela confessa em seu blog), e a Viviane também. E parece que a Giseli vem assistir aula com a gente, né Gi?

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E assim ficou profetizado que o mundo será dominado por uma legião de mulheres-serpente!


Policromático e festamórfico

Junho, 16 - 2009

 parada

É simplesmente prazeroso pensar que uma passeata que começou há pouco mais de 10 anos com 2 mil corajosos hoje arrasta pela cidade um público de milhões. Óbvio que nem metade das pessoas que vão à parada gay é gay de fato. A festa virou uma espécie de carnaval fora de época, vai gente de todas as idades e todas as tribos; casais, famílias, crianças, cachorros; e tem bandeirinhas, perucas, bexigas, muita fantasia e confete.  Dizem que no começo parecia um pouco mais com uma manifestação política, hoje parece muito mais com uma enorme festa – em teoria é um pouco das duas coisas. Tem gente que quer protestar, tem gente que só quer se divertir, tem gente que vai pra paquerar, tem gente que vai pra badernar… claro que uma mistura dessas só pode ferver, e dá-lhe policiamento. 

Pessoalmente, não sou muito fã da parada pelo mesmo motivo que não sou muito fã de carnaval. Não, não fui nesta última edição. Já tive paradas memoráveis e lindas, mas já faz alguns anos que não participo e tenho um pequeno número de razões que me desencorajam a ir (muitos furtos, muvuca, barulho, sujeira, preguiça e falta de companhia são alguns exemplos).

Tenho a impressão de que a metamorfose - ou festamorfose – da parada gay é aparentemente um fenômeno que só podia acontecer num país que tem esse estranho poder de transformar quase tudo em festa. Não é de admirar que a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo parece ser, não apenas a maior do mundo, mas também a mais plural e com a maior adesão popular. O que eu digo não é uma crítica, em absoluto. Se por um lado o clima de festa parece desvirtuar a seriedade de uma militância de décadas, por outro lado há uma gigantesca inclusão (de heterossexuais, veja só!), o que indiretamente significa apoio popular. Se o movimento LGBT reclamava de invisibilidade, uma maré de 3 milhões de pessoas tem o potencial de escancarar qualquer armário; e nas atuais circunstâncias de luta por direitos, ser visível e ter apoio visível é tudo o que interessa.

É uma apoteose. Um dia mágico que é concedido às pessoas manifestar tudo aquilo que vai nelas; as alegrias, as revoltas, os desejos… não é por acaso que parece uma gigantesca colcha de retalhos das mais variadas intenções. Parece que todos que estão ali (e não estou falando apenas do público LGBT) tomam-na como uma oportunidade única de expressão – de se existirem num estado diferente durante alguns momentos. Talvez num estado mais espontâneo.

Será que essas pessoas estão vestindo a fantasia ou se despindo dela?

Não é nova a ideia de que se todos os gays, lésbicas e bissexuais resolvessem sair do armário de uma hora pra outra, não haveria mais preconceito no mundo.  Algumas pesquisas têm indicado que o caminho é esse mesmo: as pessoas que convivem com alguém assumidamente gay e tem oportunidade de conversar abertamente sobre a sexualidade tendem a ter e a sentir menos preconceito. A atitude muda quando a ideia sai da caixinha dos estereótipos e toma a forma de uma pessoa querida.

Há quem arrisque estimativas populacionais: dizem que até 10% da população pode ser homossexual, de 30 a 50% deve ser bissexual; consequentemente, o restante deve ser hétero. Isso parece fazer tanto sentido quanto estimar quantos porcento gostam de sorvete de chocolate, quantos porcento gostam de sorvete de morango e quantos preferem o de creme, quando poderíamos deixar tudo isso de lado e comprar logo um pote de napolitano.

Os rótulos ajudam as pessoas a se identificar – verdade - mas a despeito disso, têm um peso terrível: o poder de enquadrar as pessoas dentro de categorias do tipo “tudo ou nada”. Assim começa o ciclo da rotulação: ”se você se relacionou com alguém do mesmo sexo, então é homo ou pelo menos bissexual, e se você ficou com alguém do sexo oposto provavelmente só está reproduzindo os padrões da sociedade em que vive (logo, fazendo sua obrigação)… Por isso, tome muito cuidado com quem resolve sair e, principalmente, tome cuidado para a fofoca não vazar, porque isso vai decidir o rótulo que você vai levar colado na testa pelo resto da vida.”

É óbvio que as pessoas seriam mais livres sem os rótulos.

O que eu acho mais incômodo na homofobia não é a parte em que ela me agride, mas o fato de que atrapalha a vida de todo mundo, sem exceção. Atinge diretamente aos gays, lésbicas, travestis e transexuais; atinge aos heterossexuais que são estigmatizados por “parecerem” homossexuais; e atinge indiretamente a todas as pessoas, independentemente de sexo ou orientação sexual, que são forçadas dentro de protocolos de comportamento e desencorajadas a ter vínculos de amizade mais íntimos com alguém do mesmo sexo. Todos perdemos algo com isso.

Meu sonho sempre foi mais parecido com o sorvete napolitano ou a colcha de retalhos.  Não penso naquelas utopias horríveis em que as pessoas são dignas de respeito mútuo enquanto muito bem separadas por muralhas raciais/políticas/religiosas/whatever, como democracias hermeticamente fechadas, repúblicas de guetos. Guetos são claustrofóbicos. Seria bom se simplesmente todos pudessem se integrar à sociedade sem medo de serem quem são, e o serem a toda hora, em qualquer lugar; e então datas como o dia da “mulher”, o da “consciência negra” ou do “orgulho gay” se tornariam redundantes.

Eu reclamo do meu país por muitas razões, mas se tem algo no Brasil que me surpreende e me delicia é esse potencial formidável de misturar e conviver. Adoro viver num país cosmopolita, mestiço e sincrético! Sinal de que há espaço para mais mistura, confraternização e convivência. E esperança! Isso é melhor que qualquer utopia de paredes de papelão e teto de vidro, onde metade é democrata e metade é republicana, onde o presidente negro habita a Casa Branca e entoa o bordão: “yes, we can!”

Pois we can too. Perhaps much better!


A Biogeografia de Borges

Junho, 13 - 2009

Acabei de ler um post no blog Los Hermanos (do Ariel Palacios, blogueiro do Estadão) que derrubou todos os pressupostos que eu tinha sobre a vida de um escritor dos que mais admiro, Jorge Luis Borges.

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Talvez tenha sido preconceito de minha parte, sabendo que Borges morrera em 1986 em Genebra e, como intelectual, a vida toda muito devotado aos estudos, eu o tomava injustamente por um excêntrico burguês argentino. Agora entendo melhor quanta injustiça há nesse raciocínio.

Borges viveu a maior parte da vida em Buenos Aires, a cidade que amava, que dizia ser “tão eterna quanto a água e o ar” (preciso conhecê-la!), e seus bairros contrastantes dos quais ele derivava os vertiginosos labirintos oníricos de seus contos.

Mas o que mais me impressionou no post do Palacios é que a vida de Borges não parece ter tido muito glamour. Até seus 70 anos ele morou com a mãe em um apartamento pequeno, onde dormia na sala. Cego, pegava emprestado os olhos de sua mãe (e rememoro o artigo escrito por Luís Fernando Veríssimo no Estado semanas atrás, especulando sobre essa parte da vida de Borges, já idoso e tendo sua mãe quase centenária lendo para ele à noite, talvez mudando aqui e acolá o final dalguma história…). Inclusive, foi ditando para sua mãe que Borges escreveu O Aleph, possivelmente sua obra mais conhecida.

Depois da morte da mãe, Borges passou a ter um quarto próprio. Mario Vargas Llosa o visitou em 1981 (Borges já era octogenário) e o descreveu como “uma cela: estreito, com uma cama tão frágil que parece de criança, e uma pequena estante cheia de livros anglo-saxões”. Ainda estou curiosa para saber, nessa altura da vida, quem lia para ele.

Borges fora diretor da Biblioteca Nacional. Quando Perón chegou ao poder, afastou-o do cargo e o “promoveu” a inspetor de galinhas nas feiras públicas. Em 1955, com a saída de Perón, Borges foi reintegrado na diretoria da Biblioteca Nacional, mas então estava quase totalmente cego.

A cegueira de Borges, segundo ele mesmo, evoluiu continuamente ao longo de sua vida, não constituindo para ele nenhuma novidade, nem o choque abrupto de uma escuridão repentina. Aliás, Borges não se refere à cegueira como “escuridão”, em uma palestra dada em 1977 ele fala para o público de sua relação pessoal com a cegueira, e durante a maior parte da conferência ele fala somente das cores.

A minha visão da vida de Borges é bem a de um quebra cabeça intrincado (labiríntico), pouco óbvio e tanto mais fascinante a cada peça encaixada. Não vou me referir a ele como um ídolo ou um herói, pois já faz um tempo que desmontei o meu altar, mas é certamente um cara com quem eu teria tido prazer infinito em tomar uns tragos nalgum rincón da Puente Alsina. Não é de estranhar que às vezes sonho com ele.

Fica a sugestão, professor. Se estiver me “lendo”, esteja onde estiver, passa aqui a qualquer sonho. Tem tantas coisas que gostaria de debater com você…


To tweet or not to tweet

Junho, 11 - 2009

Existem 2 tipos de pessoas: aquelas que não usam twitter e aquelas que sabem que você comeu picles com batata frita no café-da-manhã, que está saudades do seu hamster e acabou de comprar uma cueca do Bob Esponja na promoção.

                                     Tao Chen Xing - sábio chinês

 

I choose:

twitter-bird [   ] To tweet       

noto[X] Not to tweet

 

O passarinho até que é bonitinho, mas eu realmente não sinto o menor interesse em saber que parte as pessoas estão coçando neste exato momento.

Será que sou normal?


A vida, em tese

Junho, 9 - 2009

Não estou conseguindo progressos com a minha tese. Organizo o roteiro, sento para escrever, mas não saio do lugar. É preciso um esforço sobre-humano para conseguir um pouco de concentração; o problema é que sou só humana, demasiadamente humana.
Quem já passou pela TPM (tensão pré-mestrado) diz que esse bloqueio é normal.

Eu não quero admitir que estou em crise (ou não quero admitir minha incapacidade de lidar com ela). Às vezes, nalguns momentos, uma parte de mim encara outra parte de mim e xinga: “sua indisciplinada!” Não é possível uma pessoa ser tão selvagem a ponto de não conseguir se domesticar.

Mas são outros fantasmas que me dominam: ansiedade. Muita ansiedade.

Quando comecei esse projeto de mestrado ele me parecia a coisa mais apetitosa do universo. Agora mal consigo olhar pra ele. Não sei explicar, cansa.
O que aconteceu? Por que esse desânimo agora, tão perto da linha de chegada?

Eu acho que tenho a resposta. Mas sinto que para conseguir renovar o fôlego e pegar no tranco vou ter que repassar algumas das razões pelas quais cheguei até aqui. Me acompanha?

Rebobinando a fita, voltemos ao x da questão:

Afinal, por que uma pessoa resolve se tornar cientista?
Alguns dirão: porque gosto de ciência, porque quero descobrir a cura do câncer, porque sonho em ganhar o prêmio Nobel, porque tenho uma quedinha por aventais brancos e tubos de ensaio… As razões são as mais diversas.

Minha resposta é que muito cedo percebi que só uma formação científica me daria recursos para saciar essa curiosidade infinita que não sei de onde vem. Entender como funciona o universo é pra mim uma necessidade básica. Formular perguntas e não se contentar com o silêncio: aventurar-se na busca pelas respostas. Ir ao encontro das evidências por seus próprios meios. Tecer conclusões através de uma análise lógica. Ter massa crítica para se libertar de pressupostos, preconceitos, superstições, opiniões alheias e distorções midiáticas.

As razões que as pessoas encontram para se tornarem cientistas são formidáveis! As teorias são as entidades mais elegantes do mundo conceitual. Em teoria, tudo é lindo. Teoricamente as utopias existem, as terapias funcionam, os erros são descartados e a profissão de cientista é puro glamour.

Agora, na prática…

Melhor nem falar da prática.

Pensando bem, vou falar sim. A prática não é nada elegante. É onde a biologia fede, a física dá choque e a química explode. É onde o cientista se descabela, ganha olheiras e fica com aquele visual que todo mundo acha super descolado.

Na prática o pesquisador rebola para conseguir incentivo financeiro para a pesquisa. Rebola para administrar um laboratório equipado com aparelhos caros e material importado, à deriva no câmbio nem sempre favorável de um país em desenvolvimento. Rebola para conseguir pessoal qualificado, alunos interessados e bolsa pesquisa para todos eles. Rebola para conduzir os experimentos reproduzindo os níveis de qualidade dos laboratórios internacionais. Reza para conseguir dados inéditos. Rebola para escrever artigos num inglês impecável, não sendo essa a sua língua nativa. Reza para uma boa revista aceitar publicar seu trabalho e para que nenhum editor torça o nariz ao olhar o endereço (pois eles sabem que os países latinoamericanos praticamente não investem em pesquisa, os laboratórios estão sucateados e por isso mesmo acham que os trabalhos que produzem não devem ser confiáveis – além de serem escritos nesse inglês xinfrim). E o pior de tudo: o pesquisador brasileiro rebola para conseguir se sustentar, não tem aposentadoria, acesso a seguridade social ou sequer plano de saúde. Pode ter sua bolsa pesquisa simplesmente não renovada pelas entidades de fomento. Pode ter seu trabalho simplesmente ignorado pelas boas revistas da área. Na prática, é uma profissão de muita fé, rebolado, e não tem nenhum glamour.
Não é à toa que a pesquisa e a docência estejam tão ligadas no Brasil. O pesquisador não tem outra opção senão virar professor nas universidades, e dar aulas ao mesmo tempo em que faz pesquisa e orienta alunos. È óbvio que às vezes ele não consegue fazer direito nenhuma dessas coisas.

Esse não é, decididamente, um futuro com o qual eu sonharia.

Depois de dois anos em que estive trabalhando sobre uma bancada, fazendo minha iniciação científica em biologia molecular, quase nada sobrou daquele ideal encantado de me aventurar pelos mecanismos do universo e buscar minhas próprias respostas. A vida ficou subitamente reduzida a três proteínas, uma hipótese e um protocolo experimental. E muito tédio também, me dedicando a um projeto que, do fundo do coração, nem era meu, nem tinha qualquer sentido especial para mim.

Conheci outros jovens pesquisadores nessa mesma condição: vítimas de um trabalho desejado que aos poucos vira um martírio. E muito me assustei quando descobri, nessa minha crise laboratorial-existencial, que Newton estava certo: a inércia é implacável!
Os alunos precisam fazer um estágio, então entram em um laboratório, conhecem a linha de pesquisa, aceitam um projeto que é só um anexo do projetão do orientador, ganham uma bolsa que às vezes não chega a um salário mínimo (no caso da iniciação científica) e passam um tempo trabalhando sobre aquele minúsculo assunto que dificilmente o levará a uma descoberta, que mais dificilmente ainda terá uma aplicação a curto-prazo. Aos poucos vão morrendo as ambições de infância, aquela paixão pela ciência que agora parece tão pueril. O universo infinito perde atenção para a proteína. O sonho vasto perde espaço para a nota de rodapé. O cientista morreu e no lugar ficou só a máquina de publicar artigos. Há pessoas que caem nessa teia e jamais conseguem se livrar. E é medonho quando você vira um autômato, pois nem se questiona quando seu grande sonho perdeu totalmente o sentido.

Agora me responda: quanto tempo da sua vida você está disposto a vender por algo que não lhe dá sentido?

Eu me fiz essa pergunta quando me formei, depois de ter passado dois anos muito estressantes num laboratório. Tirei um tempo pra repensar meus planos. Foi quando fiz minha viagem pela América do Sul, que foi também uma viagem de “autoconversa”. Fui andar no meio das ruínas para perceber que neste mundo eu também estou só de passagem. Viajar é uma experiência muito enriquecedora, sobretudo quando você aproveita para viajar também internamente. Parece que consegui trazer, junto com os souvenires, um fôlego novo, novas resoluções para pôr em prática na vida.
Não por coincidência, foi nesse ano em que a literatura começou “a funcionar” para mim, e eu comecei a levá-la mais a sério.

Quando resolvi que estava na hora de fazer um mestrado, desenterrei do baú aquele antigo ideal: quero buscar respostas para as coisas que me assombram!
Decidi que só valeria a pena se me lançasse numa pesquisa que me dava ganas, que me desafiasse! Um assunto nada impessoal. Uma aventura toda minha.

Fui para um departamento que não tinha nada que ver com o que fazia antes – o de Psicobiologia. Fui adotada por professores maravilhosos, que me deram liberdade para exercitar esse meu modus operandi autodidata (e caótico).
Minha escolha foi estudar a dimensão emocional da homofobia. Eu queria isso. A homofobia é dessas coisas que me deixam angustiada perguntando por que as pessoas tornam o mundo tão complicado umas às outras. Queria trabalhar em algo que pudesse ser retribuído à sociedade em curto-prazo. Mas muito mais do que isso; foi também um modo de me habituar a lidar com um tema espinhoso com naturalidade. Com os rótulos de “tabu” e “polêmica”, a homossexualidade e seus assuntos relacionados raramente são abordados pelos pesquisadores das ciências básicas (ou com o jeito de fazer pesquisa dos cientistas básicos). Considerando que se eu não o fizesse, em meu lugar ninguém faria.
Desta vez, não poderia me queixar de tédio. Escrevi meu projeto em frenesi, devorei os artigos científicos da área. Consegui uma bolsa. Ao longo de dois anos conduzi a pesquisa com as dificuldades e tropeços inerentes ao meu pára-quedismo autodidata.

E a covardia vem me pegar justamente agora, quando olho aquela montanha de dados implorando para serem organizados em tese. Eu tento pensar num modo de organizar tudo num raciocínio lógico e minha entropia mental vai ao máximo. Também aconteceu, mais de uma vez, de estar escrevendo a introdução da tese e começar a entrar num transe de indignação e revolta (o lado pessoal reagindo) que me faz suspender o trabalho por mais um tempo.

Mas que outra razão nos atiça senão um belo desafio? Decifrar esfinges. Enfrentar fantasmas…

Sei de uma coisa: dá bastante trabalho procurar as respostas para as perguntas que você fez.

Vale a pena?  Imensamente.

Mas a gente precisa se convencer disso e lembrar, de tempos em tempos, a que veio.

Agora sim, acho que consigo voltar para a minha tese.


O mistério das estatísticas do WordPress

Junho, 4 - 2009

De todos os servidores da blogosfera que usei até hoje, o wordpress é certamente o melhor e mais legalzinho (apesar de sabotar meus devaneios criativos como web designer). Uma das coisas que mais curto é o sistema de estatísticas detalhado que permite ao autor saber a quantas anda o ibope do blog.

Acabei de dar uma espiada nas estatísticas de entrada pelos search engines, os mecanismos de busca (=google), que acusa quais os termos de pesquisa foram usados pelas pessoas que chegaram até o blog. Veja só que interessante o que encontrei:

wordpresstatistics

Vê-se que o Copérnico, o Enigma e os retratos da leitura deram uma boa ajudinha, e o meu livro também foi bem procurado. O maior número de ocorrências foi  pelo meu nome, até aí é compreensível. Mas o segundo maior termo de pesquisa… ”homens nus excitados” ??!! Alguém me explica what the fucking porra conection isso tem com o meu blog?

Assunto do meu maior interesse, como vocês podem ver (sim, isso foi uma ironia).  

Aprendi uma coisa nova hoje: nunca subestime o poder metafísico da pornografia!

Bruna Surfistinha, me aguarde!