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Voltar a escrever

setembro, 3 - 2016

Não sou a mesma pessoa que escreveu um livro de contos 8 anos atrás. Minhas conexões na vida são outras. Meu conteúdo e senso crítico estão em outros patamares.
O que me fez mal com certeza foi passar anos sem escrever nada de ficção, mas essa foi uma perda difícil de evitar (tento pensar que foi um ganho em outras áreas necessárias).

Voltar à ativa, agora, está sendo principalmente um exercício de tirar a ferrugem.

Eu pensei, “bom, se conseguir escrever 10 páginas por dia, em um mês dá pra terminar um romance” (rá!).
É um bom raciocínio, funciona para muitos escritores, pena que meu processo criativo não trabalha com essa a velocidade de forma nenhuma. Na velocidade eu perderia aquilo que tenho de melhor.

O processo de escrever um romance deve ser uma das operações mentais mais complicadas que a nossa espécie inventou. Envolve concatenar uma enormidade de informações, situações, modular um monte de atributos sem perder de vista os objetivos – ideológicos, estéticos, mercadológicos etc.

Escrever um romance não é bolinho.
Eu comecei muitos e engavetei todos até aqui. Produzir um bom começo não é exatamente fácil, mas o superlativo da dificuldade está mesmo em levar a cabo o projeto. Esse é o meu sonho de consumo. E vai ser uma batalha daqui em diante.
Uma batalha contra a gaveta.

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O Fábulas voltou!

agosto, 3 - 2016

 

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O Fábulas voltou! O Fábulas voltou!! Oito anos passaram voando… Mas o Fábulas voltou!

Publicado inicialmente em 2008 pela Tarja Editorial, o Fábulas do Tempo e da Eternidade conquistou alguns corações e reconhecimento como uma boa coletânea de contos de ficção científica e fantasia brasileira. Recentemente a editora encerrou as atividades e as duas edições do livro esgotaram completamente, embora os pedidos dos leitores jamais tenham cessado.

E para atender aos pedidos que nunca pararam, agora o Fábulas ganhou uma edição digital, que está sendo comercializada pela Amazon BR para o Kindle, a modestos R$9,75!

Onde comprar?

No site Amazon BR, ou seja, aqui no link. E o ebook também está disponível gratuitamente para quem faz parte do programa Kindle Unlimited!

O que tem de novo na edição digital?

A edição digital do Fábulas do Tempo e da Eternidade contém as mesmas 12 HistOriAS originais revisadas para o novo acordo ortográfico. Para não dizer que não há nada inédito, há um posfácio da autora para a nova edição fazendo um balanço sobre os anos que transcorreram desde a primeira publicação da coletânea.

Vai ter edição impressa?

Veja bem.

Embora o mercado editorial de literatura fantástica tenha expandido muito no país nesses últimos anos, livros de contos sempre foram um gênero difícil de comercializar. Por esse motivo, desde que a Tarja Editorial fechou as portas tem sido difícil encontrar uma casa nova para o Fábulas.

A publicação digital do livro vem suprir esse vazio que se instalou após os exemplares físicos terem esgotado e enquanto ainda não há recursos para trazer ao mundo uma nova edição em bloquinhos de celulose. As árvores gostam mais do formato digital – elas disseram. Além disso, a Editora Dandelion – encarregada da editoração digital – está imbuída da missão ecológica de contribuir para transição dos livros do suporte material para o imaterial.

Não quero dizer que não haverá edição impressa – haverá sim! Ela apenas deve demorar mais um pouquinho. Afinal de contas, lançar uma edição comemorativa de 10 anos da publicação do Fábulas do Tempo e da Eternidade, lá pra 2018, não é uma má ideia!

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Pausa para o hino nacional*

abril, 15 - 2016

Estou politicamente cansada, de verdade.

Nestes últimos dias andei trocando o nosso House of Cards nacional (a Casa do Baralho) pelo documentário belíssimo O Brasil de Darcy Ribeiro.
Não é escapismo, está tudo lá: esperanças de uma nação em construção solapada a cada tentativa de reforma pelas forças internas e externas mantenedoras do estado-de-coisas histórico. Oferece margem para concluir que nosso mal tem natureza cíclica e dificilmente escapável.
A diferença entre o documentário do Darcy Ribeiro e a realidade presente é que no documentário dá pra sentir esperança e ter um gostinho do que teria sido este país se amplamente educado, fortemente identificado e valorizado em sua cultura, natureza, povo etc etc. Em outras palavras, dá para imaginar como teria sido o Brasil que “deu certo”.

Anos atrás eu costumava pensar que a Austrália podia ser tomada como um exemplo aproximado de “Brasil que deu certo”. Nessa época alimentei sonhos e projetos de ir estudar e viver na terra do AC/DC. Eu queria de todas as formas estar lá para ver, queria tanto ir que dei um jeito de fazer a oportunidade, cacei um congresso, fui atrás de patrocínio dentro da universidade onde então fazia mestrado. Em 2010 consegui pegar um avião e ir passar dois meses e meio na Oceania. Uma estadia nem tão longa quanto moradia, nem tão curta quanto uma visita. Torrei toda a poupança da pós-graduação viajando por 6 territórios e inúmeras cidades, conheci boa parte das paisagem australianas. Viajando sozinha, interagia e conversava com nativos e estrangeiros o tempo todo.
Minha impressão?
A melhor possível. A natureza é exuberante; o clima é agradável; o continente é seco, e por isso mesmo oferece a atração de um outback pitoresco; os vinhos são ótimos, a comida atende a todos os gostos e gulas, a infra-estrutura é competente, as cidades são cosmopolitas; a Austrália é tão cara quanto generosa. Um país que conseguiu distribuir sua riqueza por uma população pequena e sem incorrer nos abismos sociais que nos causam tantos problemas (com exceção do que fizeram e fazem aos aborígenes, pois nada é perfeito. Tratei desse assunto no meu relato de viagem https://cristinalasaitis.wordpress.com/…/australionauta-o-…/).
Mas a maior atração da Austrália, além das praias, são mesmo os australianos. A educação do povo é invejável, e mais do que isso: a gentileza, a tranquilidade e a informalidade endêmicas me pareceram tão arrebatadoras que eu me sentia angustiada. Angustiada por comparar com o Brasil.
Qualquer pessoa desconhecida, em qualquer lugar, no elevador, no supermercado, no metrô, ou mesmo na rua, iria me interpelar com um: “Olá, como vai o seu dia?”. A princípio esses arroubos de gentileza me deixavam pasma. Não havia por trás desse gesto nenhum dos motivos que deixam os brasileiros desconfiados. A pessoa não estava querendo me roubar, nem me vender nada, nem me arrancar alguma informação. Essa cordialidade exorbitante eram só os australianos sendo eles mesmos. E isso foi o que mais me deixou com inveja. Uma sociedade AMÁVEL, que sonho!

Parece loucura, mas ao cabo dos dois meses de viagem, eu tinha percebido que a perspectiva de morar na Austrália não me deixava feliz. Eu tinha me dado conta de que não aguentaria viver ali. Como escritora, sentiria falta de ter minha língua na atmosfera. Tudo ali funcionava muito bem, e eu me sentia desolada por não encontrar um espaço que carecesse de conserto. Assim me dei conta que meu destrambelhado país precisava muito mais de mim, e eu, de seus problemas, para ter o que consertar e ter a sensação de que poderia fazer alguma diferença.
Peguei o avião de volta. Não duvido da assertiva que as viagens têm o poder de mudar as pessoas para sempre: a transformação que a viagem à Oceania operou em mim foi me dar a constatação de que o retorno ao Brasil seria definitivo. É claro que a vida é longa, o mundo é grande e o ímpeto de viajar, incessante. Mas o retorno é definitivo. Eu soube que sempre iria voltar.

Penso que “patriota” é um adjetivo estranho, porque pressupõe uma vaidade de território que é uma meramente uma invenção, e não acho meu biscoito melhor do que o dos outros. Não chamaria nem sequer de amor à patria; tenho ojeriza a ideias nacionalistas e discursos fabricados, por mim todas fronteiras oficiais do mundo derreteriam, e eu troco qualquer camisa amarela pelo direito de voltar a ser índia. Não conseguiria amar fronteiras, mas amo as árvores, os bichos e as pessoas que ficaram contidos nelas.

Darcy Ribeiro, ao fazer o balanço de sua trajetória, comentou:
“Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”.

Pessimista ou realista, penso que talvez o destino do Brasil seja não escapar do cíclico sabotamento das tentativas de reinventar-se. Talvez continuemos por muitos anos afundados em políticas retrógradas, nossa democracia escorregadia, nosso patrimônio natural pilhado, nossa economia majoritariamente agrária e mineradora, nossa população maciçamente iletrada, nossas cidades congestionadas e explosivas. Mesmo esse Brasil-distopia do século XXI não me dá vontade de fugir. No máximo, me inspira um exílio interno, no meio do mato, alienada em uma margem segura da civilização, conectada com o mundo e sem abrir mão da ideia de que posso tentar fazer a diferença, independente de qual seja.

Não tem nenhuma lição de moral ou esperança de final feliz neste texto. Nem desilusões rasgadas, nem estimativas de que vai terminar tudo bem. Aqui só tem o meu cansaço, minha sinceridade e um texto que não sei se termino com reticências, interrogação, exclamação ou ponto final. Com essa falta de criatividade, vou optar por mais uma citação, desta vez do Tom Jobim, traduzindo meus sentimentos: “Viver no exterior é bom mas é uma merda. Viver no Brasil é uma merda, mas é bom”.

Pelo menos dá uma sensação de pertencimento.

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Meu corpo, meu território, minha lei.

outubro, 24 - 2015

Nenhum artigo, inciso ou portaria pode alterar minha atitude de soberania sobre o que me pertence por natureza. Não sou especialista em direito, mas sei que nem tudo o que é legal é legítimo. E não existe outra lei sobre o corpo a não ser aquela que vigora nas fronteiras das minhas entranhas.

Percebo que é egoísta falar por mim com tanta segurança, enquanto a maioria das mulheres deste país detêm menos poder sobre suas vidas e menor autonomia sobre si mesmas. Gostaria de transferir-lhes minha convicção, mas só posso oferecer minha intransigente e sincera sororidade: serei sempre irmã e parceira de outras mulheres na guerra pela defesa desse território objeto de tão raivosas disputas e regulações – os nossos corpos. (É claro que a defesa é de todos que têm um corpo em litígio. Por isso falo sobre as mulheres, para as mulheres e pelas mulheres principalmente).

O direito total sobre sua reprodução.
O direito de modificar o corpo como bem entender.
O direito de não submetê-lo a terapias e procedimentos forçados.
O direito de decidir quando não se quer mais viver.

O corpo é laço para as futuras gerações ou ponto final na história. Meu corpo delimita a vida e a morte, extremamente minhas, para que eu as experimente e as consuma sozinha.

Meu corpo não está isolado, mas encadeado numa rede de ações para dar a outros corpos sua carta de alforria. Meu corpo é o meu manifesto de desobediência civil a toda lei que pretende regulá-lo, porque no meu território tais leis não apitam nem fazem eco. São vazias.

Suponha que esta é uma resposta rebelde, mas não há nada mais tranquilo do que uma verdade interior. No fundo, não interessa o que é legal ou ilegal quando vigora no nosso íntimo o conhecimento do que é legítimo. E quando sabemos o que é legítimo, nos autolegislamos.

E, ainda assim, não há nada mais subversivo do que dizer: “Meu corpo me pertence. Deito, rolo, faço com ele o que quiser.”
E nada mais criminoso do que pactuar: “Tens a minha ajuda para que no teu corpo seja feita a tua vontade.”

Assim colocado, desfilo meu samba nos gabinetes de vossas excelências e anuncio:
– Meu corpo me pertence, sabiam ?

Sou livre. E agora venham me prender se forem capazes.

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Escuchar con los ojos a los muertos

agosto, 22 - 2015

Um dos mais belos sonetos com os quais tive a felicidade de me deparar. Sua melodia é tão perfeita no castelhano que eu não ousaria macular com uma tradução.

Retirado en la paz de estos desiertos,
Con pocos, pero doctos libros juntos,
Vivo en conversación con los difuntos,
Y escucho con mis ojos a los muertos.

Si no siempre entendidos, siempre abiertos,
O enmiendan, o fecundan mis asuntos;
Y en músicos callados contrapuntos
Al sueño de la vida hablan despiertos.

Las Grandes Almas que la Muerte ausenta,
De injurias de los años vengadora,
Libra, ¡oh gran Don Josef!, docta la Imprenta.

En fuga irrevocable huye la hora;
Pero aquélla el mejor cálculo cuenta,
Que en la lección y estudios nos mejora.

(Francisco de Quevedo)

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Entrevista muito curta comigo mesma

agosto, 1 - 2015

Cris, você parou de escrever?

Não. O que acontece é que arrumei uma faculdade, aquários, trabalhos, cursos extracurriculares mais ou menos longos e, em suma, um monte de desculpas para justificar minha procrastinação. Por esses mesmos motivos, faz tempo que não tenho feito postagens neste blog (o que não significa que o abandonei, porque ele está linkado no meu <3).

Mas Cris, você vai escrever?

Estou tentando, estou tentando. Sempre anoto ideias. Mas há mais coisas que se passam pela minha cabeça também, e a mais premente delas é a quantidade de ruído no mundo.

Você já notou? São 7 bilhões de pessoas produzindo ruído – informação nos mais diferentes níveis de utilidade – um verdadeiro bombardeio! Assim como não gosto de ter minha atenção disputada com coisas que não me interessam, não me importam, ou não me dizem nada especial, creio que devo poupar a atenção e o tempo dos meus leitores potenciais e oferecer a eles apenas aquilo que acho muito importante, ou que sei que irá compensar o tempo precioso que eles irão investir para ler o que produzo. Em outras palavras, quero ser boa editora do meu conteúdo.

Não é que eu não tenha coisas importantes a dizer, ou histórias que merecem ser contadas. Mas o drive para escrevê-las, o sentimento de urgência, a ansiedade em falar – eu não fazia ideia que essas coisas mudavam com o tempo. Muitas prioridades podem caber em uma vida, escrever é só uma delas.

Mas Cris, você não vai publicar nada novo?

Sim! Detesto falar de coisas que não estão totalmente confirmadas e encaminhadas, mas tenho negociações em andamento para novas publicações, e deve demora menos do que eu acreditava.

Cris, você tem alguma mensagem para os fiéis leitores deste blog que você praticamente desertou há tanto tempo?

Obrigada pela audiência e pela paciência😉

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Minha dissertação sobre homofobia

setembro, 29 - 2014

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Disponibilizo a quem interessar minha dissertação sobre a pesquisa que fiz no meu mestrado em psicobiologia, “Aspectos afetivos e cognitivos da homofobia no contexto brasileiro – Um estudo psicofisiológico”.
A pesquisa foi concluída em 2009 mas o assunto continua mais atual do que nunca. De uns tempos pra cá tenho refletido sobre a necessidade de transformar essa dissertação em um livro de divulgação científica, coisa que pretendo fazer.

Você pode baixar o pdf clicando no link:

Aspectos afetivos e cognitivos da homofobia no contexto brasileiro – Um estudo psicofisiológico, Cristina Lasaitis, 2009.